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Os Carros "portugueses" de Charles Howard

Charles Howard é hoje uma das maiores autoridades mundiais no difícil e sofisticado mercado internacional de "clássicos". O livro An AUTObiography (Piston Power Press Ltd, 2014) conta a sua história desde o dia em que resolveu comprar uma modesta oficina / estação de serviço em Londres , Coys of Kensington, para montar um negócio de compra e venda de automóveis antigos que mais tarde viria a transformar-se na importante empresa internacional de leilões que existe hoje com o mesmo nome (COYS). Sempre atento ao mercado e às evoluções do mundo Charles Howard encontrou nos "problemas" de Portugal no pós-25 de Abril uma oportunidade de ouro para enriquecer a sua já então magnífica colecção. Desde logo com a aquisição do extraordinário Hispano-Suiza H6C 8 Litre Factory Competition Version que pertenceu a José Bandeira / Alves dos Reis durante o louco ano de 1925, carro que aparece na capa e na primeira página do livro, tal a sua importância. Mas não se ficariam por aqui as "compras" de Charles Howard no nosso país durante um período em que os portugueses pareciam apenas preocupados com o PREC e suas consequências. Ora vejam.

À esquerda a imagem do Hispano-Suiza de José Bandeira / Alves dos Reis tal como foi encontrado em Portugal em 1976 que faz a capa do livro. Na primeira página (à direita) aparece o mesmo carro já depois de recuperado.

Este Mercedes-Benz Type 290 Stromlinien-Limousine de 1935 (em baixo) foi também encontrado em Portugal em meados da década de 70. Caracteriza-se por ter uma "barbatana" longitudinal que percorre toda a carroçaria, único exemplar deste modelo com este tipo de preocupação "aerodinâmica". O carro pertence hoje ao Museu Daimler-Benz de Stuttgart, o que diz bem da sua relevância para a história da marca.

Outro carro particularmente interessante "descoberto" em Portugal por Charles Howard foi o Austro Daimler "Bergmeister" chassis nº 27019/62 de 1932. Apenas 50 exemplares deste modelo concebido por Ferdinand Porsche foram produzidos devido à crise económica que abalou o mundo e os Estados Unidos em particular durante os anos 30.
                                                                                                                                                                 
O extraordinário Talbot Lago Super Sport de 1938 da imagem que se segue foi também português e, nas palavras do autor do livro, vendido para Inglaterra durante o conturbado período que se seguiu à "feliz" transição de ditadura para democracia no nosso país. Por razões comerciais ainda não completamente esclarecidas este carro tinha a marca Darracq em Portugal. A lindíssima e invulgarmente (para a época) aerodinâmica carroçaria é da autoria de Figoni.

Na garagem do agente Ford para a cidade do Porto estavam o elegante Pierce Arrow 8-Limousine de 1937 (esq), um dos últimos automóveis produzidos por esta magnífica marca americana antes de declarar falência e o interessante Ford AA "Camping Wagon" (dir) cujo interior oferecia um amplo espaço para refeições que podia converter-se rapidamente num quarto com dois beliches com capacidade para quatro pessoas.

Com agradecimentos a Carlos Barbosa da Cruz, coleccionador e entusiasta.

Campo Grande 1932

Em 1932 disputou-se o IV Quilómetro de Arranque e o Concurso de Elegância do Campo Grande, em Lisboa. Para a prova de velocidade existiam duas categorias, "Sport" e "Corrida", que viriam a dar os seguintes resultados:
- Em "Sport" o vencedor foi Jaime Gonçalves, em Ford, que conseguiu uma média de 85,571 km/hora, seguindo-se Luis Faleiro em Isotta-Fraschini e José Alves Lopes em Morris.
- Em "Corrida" a vitória seria para Eduardo Ferreirinha, também em Ford, que registou a impressionante média de 109,265 km/hora, ficando o segundo lugar para Manuel Nunes dos Santos em Bugatti e o terceiro para Abel pessoa em BNC.
O Rolls Royce de José Rugeronni venceu o Concurso de Elegância cujo júri era formado pelos senhores Matheus Oliveira Monteiro, Francisco Ribeiro Ferreira, D. Pedro de Lencastre e António Guedes de Herédia.
Cerca de 15 mil pessoas assistiram ao evento cuja receita reverteu para os pobres de Lisboa.
Bibliografia - Texto e fotos de "Ilustração"(Aillaud, Ed.), 1932. 


                                        O Ford de Eduardo Ferreirinha e o BNC (em primeiro plano) de Abel Pessoa


II Quilómetro Lançado das Caldas da Raínha

Disputou-se a 7 de Setembro de 1930 a segunda edição do Quilómetro Lançado das Caldas da Raínha, prova dirigida pelo Conde de Fontalva que teve lugar na chamada "recta da Tornada" num troço de estrada que os concorrentes declararam "em mau estado". De facto a pista apresentava-se tão mal tratada que os pilotos inscritos para a prova de motos decidiram não participar. Apesar disso os automóveis mantiveram-se na corrida tendo Henrique Lehrfeld, em Bugatti (na foto), vencido a categoria "Corrida" à velocidade de 178 km/hora enquanto que a vitória em "Sport" caberia a Luis Faleiro, em Isotta, à média de 125 km/h. Uma senhora, madame La Caze de Noronha, participou ao volante de um Amilcar e cumpriu o percurso à respeitável velocidade de 73 km/hora.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


O Record

Às 3 horas da madrugada do dia 19 de março de 1930 uma equipa formada pelos destemidos automobilistas engº  Palma de Vilhena, José Ventura Franco e Constantino Mouton Osório partiu de Lisboa num automóvel "La Licorne"  de 5 cv em direcção ao Porto. O objectivo era fazer a viagem de ida e volta em menos de um dia e estabelecer assim um record para os 750 km do percurso. Ventura Franco e Palma de Vilhena repartiram entre si a condução enquanto que Mouton Osório, um conhecido motociclista, era apenas passageiro. O La Licorne passou pela primeira vez no controle de Coimbra às 8:20 horas e chegou ao Porto às 11.30. Para a viagem de regresso a equipa partiu da Invicta às 13:35, controlou em Coimbra às 15:24 e chegou a Lisboa às 21:30, tendo cumprido a ligação em exatamente 15 horas e 54 minutos, o que dá uma média horária de cerca de 45 km/h.
O "La Licorne" montou pneus Englebert 12x45 já com 12 mil quilómetros de uso mas não teve qualquer furo ou necessidade de trocar rodas. O motor consumiu apenas 2,5 litros de óleo Castrol.
Bibliografia - jornal O Volante", Biblioteca Nacional.


Tentativa Falhada no Parque

Em 1934 disputou-se o I Circuito do Parque Eduardo VII, prova organizada pelo Governo Civil de Lisboa em colaboração com o ACP que compreendia duas jornadas, uma disputada a 3 de Junho e outra um mês depois. A primeira jornada incluiu um corrida de motos e duas corridas de automóveis: uma de "baixas cilindradas" e outra de "grandes cilindradas". No final do programa Henrique Lehrfeld apresentou-se em pista com o seu Bugatti de corrida para uma tentar bater o record da volta mais rápida ao circuito. Mas as coisas não correram bem desta vez ao consagrado piloto lisboeta: logo na primeira volta o carro galgou o passeio, derrubou três árvores, voltou uma maca do serviço de socorros e em consequência Lehrfeld teve de receber tratamento no hospital. A fotografia gentilmente cedida pela família contém a legenda "Ai! Ai! a maca" como que a lembrar o que aconteceu naquela tarde de Julho.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Quilómetro Lançado do Mindelo 1930

A recta do Mindelo tinha um par de quilómetros de extensão e fazia parte da estrada que ainda hoje liga Vila do Conde ao Porto. Dotada de um piso de asfalto em excelentes condições rapidamente se tornou na "pista" mais rápida de Portugal permitindo que em 1930 os automóveis de corrida atingissem velocidades da ordem dos 200 km/hora, coisa até então nunca vista no nosso país. Foi o caso da prova chamada "Quilómetro Lançado do Mindelo" disputada em Novembro de 1930 e que atraiu nada menos que 32 concorrentes, 26 em "Sport "e 6 em "Corrida". Henrique Lehrfeld, em Bugatti, (na foto) viria a ser o grande vencedor à média de 194,122 km/hora, com Vasco Sameiro (Alfa Romeo) em segundo e Eduardo Ferreirinha (Ford) em terceiro, isto na categoria "Corrida". Em "Sport" o primeiro lugar foi para Roberto Sameiro (Alfa Romeo) à média de 133,704 km/hora.
Note-se que Henrique Lehrfeld tinha vencido dois meses antes o II Quilómetro Lançado das Caldas mas na altura não conseguiu ir além dos 178,120 Km/hora de média, uma velocidade substancialmente inferior aquela atingida no Mindelo.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Maria La Caze de Noronha

De 20 a 25 de Junho de 1933 disputou-se a II Grande Prova de Resistência a que mais tarde se haveria de chamar II Volta a Portugal. Consistia num percurso de 1,800 quilómetros dividido em seis etapas e quatro provas complementares, uma verdadeira maratona que levaria os dezasseis concorrentes a percorrer o país através de estradas de qualidade no mínimo duvidosa. Entre estes contava-se uma senhora, Maria La Caze de Noronha, que tripulava um "Amilcar" e consegui alguns resultados dignos de nota. Não só terminou a Volta em sexto lugar da geral como acabou por vencer a quarta complementar disputada em Tomar, tendo ganho também a Taça de Senhoras. João Gelweiller, em Terraplane, foi o vencedor absoluto.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Crónica

Reportagem do I Circuito Automobilista do Estoril de 1935 publicada no Diário de Lisboa de 29/10/1935. À direita o Bugatti do Conde de Monte Real, 2º classificado.

O Princípio

Foi o princípio de uma longa história. Em setembro de 1931 disputou-se em Vila do Conde o I Circuito do Ave, prova automobilística que iria disputar-se nas categorias "Corrida" e "Sport" num trajeto desenhado a partir da Avenida Bento de Freitas e artérias adjacentes. Roberto Sameiro venceu ambas as corridas, com especial relevo para a prova principal que dominou ao volante de um Alfa Romeo 6C 1750. Só no início dos anos 50 o circuito de Vila do Conde iria ter lugar no traçado que, com pequenas alterações, se tornou num clássico do automobilismo nacional e perdurou até aos primeiros anos do século XXI. Oficialmente encerrado em 2003 o Circuito de Vila do Conde viria a conhecer um breve "revival" em 2010 mas apenas na versão "desfile" uma vez que as intervenções urbanísticas realizadas em grande parte do traçado inviabilizaram definitivamente a realização de qualquer prova de velocidade no local.



Circuito do Campo Grande 1932

Mais imagens do II Circuito do campo Grande disputado em Lisboa a 2 e 3 de Abril de 1932 a que se junta uma breve notícia publicada pelo Diário de Lisboa no dia 2 de Abril.
Fotos - Arquivo Digital Torre do Tombo



A Primeira Vitória da Jaguar


Vila Real, 20 de Junho de 1937. Uma dezena de concorrentes apresenta-se à partida para o VI Circuito Internacional, estatuto que é conferido à prova transmontana pela presença do Adler Trumpf Sport especialmente preparado e modificado para ser conduzido pelo Príncipe Max Schaumburg-Lippe, um membro da alta aristocracia alemã que construiu uma respeitável carreira automobilística que incluiu participações nas 24 Horas de Le Mans, Mille Miglia, 1000 km Nurburgring, etc. Entre os portugueses há a registar a estreia em competição do recém adquirido SS100 Jaguar inscrito por Casimiro de Oliveira. Trata-se do chassis #18026 a que foi atribuída a matrícula do Porto N-17275, mais tarde reformulada para MN-72-75 e que ainda hoje continua em Portugal. Entre os candidatos à vitória contava-se também o EDFOR de Eduardo Ferreirinha, um carro de corrida produzido pelo próprio com base numa mecânica Ford e que chegou a conhecer um apreciável sucesso.
Após acesa disputa com o Edfor de Ferreirinha e o Adler do príncipe alemão  Casimiro de Oliveira acabou por vencer a corrida colocando pela primeira vez o nome Jaguar na lista dos vencedores em competições de velocidade a nível internacional. Poucos saberão que foi um português, Casimiro de Oliveira, a ter a honra de conquistar a primeira das muitas vitórias que a marca Jaguar coleccionou ao longo da sua existência.
Embora o fabricante SS utilizasse a designação Jaguar desde 1935 só dez anos depois é que  a marca adoptou oficialmente o nome que ainda hoje perdura. No que respeita ao significado da vitória portuguesa seria a própria Jaguar a atestar tratar-se da primeira da sua história, tal como consta do documento junto.
Fast Forward para 1992 e vamos encontrar este mesmo carro a participar na edição desse ano das Mille Miglia pelas mãos do seu actual proprietário, José Manuel Albuquerque, de longe o português com maior número de participações na clássica italiana e em provas internacionais históricas de velocidade. Saliente-se o facto de apenas três outros portugueses, João Lacerda, José Romão de Sousa e António Bandeira, terem conseguido ver as respectivas inscrições serem aceites para as Mille Miglia. O primeiro chegou mesmo a participar na versão original da prova durante a década de 50 e o terceiro conseguiu por duas vezes ser aceite para a versão mais recente de regularidade histórica.








Imagens: José Manuel Albuquerque e o SS100 Jaguar nas Mille Miglia 1992, Casimiro de Oliveira em Vila Real 1937, a luta entre o Adler de Schaumburg-Lippe e o SS100 Jaguar de Oliveira, o anúncio da revista Autocar de Maio de 1945 onde se dá conta da mudança de nome .

Fotos - José Manuel Albuquerque
Bibliografia - O Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra


Campo Grande, 1932

A 3 de Abril de 1932 disputou-se em Lisboa o II Circuito do Campo Grande, por essa altura a única pista de automobilismo existente em Portugal. Presenciadas por uma enorme multidão e sob a presidência do Governador Civil de Lisboa disputaram-se duas provas de velocidade respectivamente nas categorias Sport e Corrida. Diogo Cabral (#24) venceu a categoria Sport ao volante do seu Bugatti cumprindo as vinte voltas do percurso à média de 107,506 km/h, uma velocidade mais que respeitável para a época. Na categoria Corrida o vencedor foi Gaspar Sameiro (#4), em Ford.
Fotos - Arquivo Digital da Torre do Tombo
Bibliografia - Diário de Lisboa 03-04-1932

Heróis em Duas Rodas

Também o motociclismo teve os seus Heróis, gente de coragem que arriscava tudo pela vã glória de chegar em primeiro lugar numa corrida frequentemente em condições de segurança mais que discutíveis. Tal como aconteceu a 13 de maio de 1933 no III Circuito do Campo Grande, grande evento motorizado que incluía várias provas de motos e automóveis. 
Para a principal corrida de motos alinharam cinco concorrentes: Alexandre Black, António Jorge Teixeira, Mário Teixeira, Jaime Campos e Ângelo Bastos. A prova compreendia 45 voltas ao Campo Grande e era transmitida em directo por um posto de rádio (CT1HX) alugado pelo jornal "A Bola". O vencedor seria António Jorge Teixeira (na foto) à média de 119 km/h, verdadeiramente notável para a época. Alexandre Black, figura maior do desporto motorizado de então, não foi feliz nesta prova: a sua moto não "pegou" no momento da partida e à 22ª volta  partiu a corrente, forçando a desistência.

Foto - DigitArq, Arquivo Digital da Torre do Tombo
Bibliografia - Diário de Lisboa, 13 de maio 1933


A Grande Maratona

Organizado pelo Automóvel Clube da Alemanha disputou-se em 1931 uma prova de resistência que consistia numa viagem de 10 mil quilómetros através da Europa e que, naturalmente, passou por Portugal. No dia 26 de Maio decorreu a ligação entre San Sebastian e Cacilhas, tendo o primeiro concorrente atravessado a fronteira do Caia às 11 e 25 e chegado a Cacilhas às 14 e 44. Tratava-se do Mercedes Benz com o número 74 dos senhores Wrud e Valentin, seguido do Minerva de Pisart e  Stressen. Dos 47 carros em prova 12 não partiram de San Sebastian, entre eles o do Príncipe Fernando de Liechtenstein. Após a chegada uma parte dos concorrentes atravessou o Tejo para visitar Lisboa mas a maioria optou por ficar em Cacilhas a tratar dos carros com vista à etapa seguinte que os levaria até Barcelona com partida às 04 e 01 do dia seguinte.
Fotos - DigitArq, Arquivo Digital da Torre do Tombo
Bibliografia - Diário de Lisboa de 27 de Maio de 1931




Circuito do Campo Grande

O Campo Grande, em Lisboa, foi durante alguns anos o palco mais importante das corridas de automóveis em Portugal quer para provas do tipo "quilómetro de arranque quer para competições de velocidade. As imagens documentam (à esquerda) Gaspar Sameiro, vencedor do Circuito de 1932 na categoria "Corrida" ao volante de um Ford "Miller" e a partida para a corrida de "Sport" no evento de 1933.

Fotos - DigitArq, Arquivo Digital da Torre do Tombo



II Circuito da Boavista

Num percurso desenhado na avenida com o mesmo nome, disputou-se em 1932 no Porto aquele que viria a ser designado por II Circuito da Boavista. A prova  consistia em percorrer durante 90 minutos  um traçado que consistia em duas rectas paralelas ligadas por curvas de 180 graus para a esquerda no final de cada uma, tudo isto em piso asfaltado. O carro que desse o maior número de voltas seria o vencedor. Nas imagens podem ver-se o Bugatti de Marques da Fonseca e o Opel de D. Palmira Coelho que assim marcou a primeira vez em que uma senhora disputou uma prova de velocidade em Portugal.
Fotos -  Centro de Documentação do ACP


Circuito do Parque Eduardo VII, Lisboa, 1934

No dia 4 de junho de 1934 uma multidão calculada em 30 mil pessoas convergiu para o Parque Eduardo VII em Lisboa para assistir às provas desportivas que ali se disputavam sob o olhar atento do Presidente da República, Marechal Óscar Carmona. Realizaram-se corridas de motos e automóveis, bem como um concurso de elegância automóvel. No final do programa o consagrado "ás" Henrique Lehrfeld procedeu a uma demonstração com o seu Bugatti de corridas mas ao fim de três voltas sofreu um despiste, arrancou três árvores e o piloto foi parar ao hospital.
Na corrida "Sport" participaram Manuel Nunes dos Santos em Hilman Minx, Rui Gonçalves em Austin, Albano Gomes em Austin, António Guedes de Herédia em Morris, Armando Pombo em MG, Elmano Ribeiro em SS e Virgílio Barroso em Lancia.



Entre os Melhores

Também no automobilismo Manoel de Oliveira andava entre os melhores, tal como aconteceu no cinema. A diferença é que a sua carreira nos automóveis foi breve e sempre algo ofuscada pelo brilhantismo do seu irmão Casimiro, mas mesmo assim chegou a obter resultados de relevo tais como o terceiro lugar conquistado no Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1938 cuja crónica publicada no jornal "A Batalha" aqui se reproduz. O nosso compatriota partiu da segunda fila da grelha logo atrás dos dois italianos Pintacuda e Arzani, pilotos da Alfa Romeo e foi ganhando posições ao longo da corrida. Parabéns, Grande Campeão!



II Circuito da Boavista

Em 1932 disputou-se O II Circuito da Boavista, prova que se desenrolava num percurso muito simples que consistia em subir a avenida da Boavista por uma das faixas e depois descer a mesma avenida pela faixa contrária. Obviamente, no final da cada uma das duas rectas existia uma curva de 180 graus que permitia a inversão de sentido. Cada volta tinha cerca de 4,000 metros de extensão e as velocidades eram, naturalmente, bastante elevadas para a época. 
Na imagem da partida da corrida de Sport pode ver-se à esquerda o Invicta de Vasco Sameiro, futuro vencedor e o Chrysler de Mário Ferreira, que terminaria em quarto lugar. Nesta prova participou pela primeira vez uma senhora, D. Palmira Coelho, muito aplaudida e estimulada pelos cerca de 12,000 espectadores presentes.
Fotos - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Circuito da Boavista", de António Menéres e José Barros Rodrigues



Estoril 1937

Apenas cinco automóveis disputaram o Circuito do Estoril de 1937, prova a que assistiu o Presidente da República, Óscar Carmona. O vencedor seria Manoel de Oliveira, o conhecido cineasta, que tripulava um Ford V8 preparado por Eduardo Ferreirinha.
Segundo a revista "Stadium", Jorge Monte Real tencionava "rebentar" o Bugatti 35C que adquirira recentemente a Alfredo Marinho "para que o pai lhe desse outro".
Note-se em segundo plano o espaço das "boxes" e o painel informativo com os números dos concorrentes.

A apresentação dos "corredores" ao Presidente da República: Jorge Monte Real, Henrique Lehrfeld, Manoel de Oliveira, Rayson e Benedito Lopes
 Uma imagem da corrida junto da praia do Tamariz. O Alfa Romeo 8C 2300 de Benedito Lopes será ultrapassado pelo Ford V8 de Manoel de Oliveira.

Manoel de Oliveira a ser felicitado pelo Presidente da República no final da corrida.