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Os "Híbridos"

O ano de 1954 foi pródigo em novidades no que respeita à criatividade dos construtores e mecânicos portugueses sendo os FAP, Olda, Alba, DM e Etnerap alguns bons exemplos de carros de corrida produzidos no nosso país com recurso a componentes de marcas já estabelecidas como a FIAT, por exemplo. Mas um dos casos mais curiosos terá sido o dos Denzel que surgiram no Grande Prémio do Porto na categoria S1500 equipados com motores Porsche 1500 e que seriam conduzidos por Ernesto Martorell, Filipe Nogueira e Fernando Stock. Sendo todos eles “clientes” de Jaime Rodrigues admite-se que tenha partido do conhecido mecânico de Lisboa a ideia de instalar motores Porsche nos pequenos carros austríacos. O que é certo é que Ernesto Martorell ganhou a corrida e que o dito Jaime Rodrigues “mexeu” na mecânica do carro, tal como faria na corrida seguinte disputada em Monsanto em que pela primeira vez foram instalados carburadores Weber no motor Porsche de um Denzel, neste caso no carro de Ernesto Martorell, que voltou a vencer.

















Na corrida de Monsanto iria surgir também o Etnerap de António Augusto Parente  que não era mais que um chassis Porsche 356 equipado com um motor Fiat instalado ... na frente (!).
Em Angola ficou conhecido o Porsche 356 1500 de Ahrens de Novais que depois de um período de relativa obscuridade renasceu com uma carroçaria "à la 935" de eficácia duvidosa mas que causaria alguma sensação.

Nas imagens de cima o Denzel-Porsche de Fernando Stock no circuito da Boavista 1954. Com agradecimentos a José Stock.

À direita, o Etnerap / Porsche / Fiat tal como se apresentou em Monsanto. Tratava-se basicamente de um Porsche 356 em que a dianteira foi profundamente modificada para acomodar o motor Fiat. O carro abandonou à oitava volta com a alavanca de velocidades partida.


Um Denzel em 1954

Em 1954 Filipe Nogueira (visto aqui no III Rallye de Aveiro) utilizaria o Denzel FH-20-49 em várias provas com resultados meritórios. O carro preparado por Jaime Rodrigues conquistaria o 2º lugar no Circuito da Boavista e uma posição idêntica no Circuito Internacional de Tanger desse mesmo ano. José Arroyo Nogueira Pinto, em Ferrari 250 MM Spyder Vignale seria o vencedor.
Foto - Luis Sousa




Vida Nova

Em 9 de junho de 1957 D. António Guedes de Herédia inscreveu o seu pequeno Denzel (#DK36) na corrida designada por Taça Cidade de Lisboa, na categoria GT 1.3, prova que foi presenciada por cerca de 50 mil pessoas. O carro com o nº 3 não teve um fim de semana muito feliz e acabou por abandonar a corrida ao fim de apenas 8 voltas, depois de ter partido da 19ª e última posição da grelha.
Passados 55 anos, este mesmo Denzel reaparece agora em todo o seu esplendor, depois de ter passado por um profundo processo de recuperação que lhe permitirá enfrentar novos e estimulantes desafios num futuro que se deseja longo e cheio de sucessos.








Mais Denzel

Então aqui vai mais uma "acha" para o debate dos Denzel em Portugal. A fotografia que se mostra não está datada nem estão identificados o carro nem o seu proprietário/condutor. Presume-se que a acção  se passa numa prova de estrada obviamente disputada no norte do país.
Juntam-se alguns comentários de leitores inseridos no post anterior sobre os Denzel portugueses e cópia de uma informação da Conservatória do Registo Automóvel a propósito do GD-67-69

Trata-se de Ernesto Martorell no Rallye da Montanha de 1964 (APF)


Quero aqui deixar, como pequena contribuição, a informação de que disponho sobre estes carros.
Assim começo com uma pequena correção, o carro que Martorell partilhou com Filipe Nogueira nas 12 horas de Casablanca tem a matricula CG-19-75 e não GC- como foi mencionado.
O GD-67-69, que se encontra atualmente na Alemanha, pertenceu efectivamente ao Mauricio Macedo, irmão do conhecido piloto Horácio Macedo, pois eu vi-o pessoalmente em sua casa no Paço da Glória perto de Arcos de Valdevez, em 1990.
Aproveito ainda para juntar à lista os Denzel de Matricula GG-21-31 com Nº de Chassis #DK29 e o CL-21-75 com Nº de Chassis #DK31.
Cumprimentos JP Ferreira


Desconhecia totalmente esse sétimo Denzel, posso adiantar que se trata do chassis DK 152, um dos últimos a serem produzidos, já que julgo que o último terá sido o chassis DK 164. Entretanto encontrei nos meus apontamentos o número de chassis do Denzel de D. António Herédia, é o DK 36. É um prazer partilhar o pouco que posso acrescentar aos vossos conhecimentos! Um abraço José Correia 


Relativamente à foto agora publicada quero referênciar que ela foi publicada pela 1ª vez no Blog da "Ass.Amarante de Automóveis Antigos" com a seguinte legenda: "O associado e amigo Mário Pinto cedeu-nos esta belíssima fotografia de um dos muitos ralis que passavam em Amarante nos anos 60.
A foto é certamente de seu pai, o grande fotógrafo Eduardo Teixeira Pinto a quem rendemos aqui a nossa singela homenagem pela sua brilhante carreira.
O local é claramente a Rua Joaquim Leite de Carvalho, junto ao "Nosso Café", vindos provavelmente dos lados de Celorico de Basto, depois de fazerem a Senhora da Graça e a Cabreira".
Posteriormente o mesmo Mário Pinto acrescentou que provalvelmente se tratava do Denzel conduzido por D. António Herédia.
A foto não permite ver completamente a matricula mas parece terminar em -75. 

JP Ferreira

António Herédia Bandeira

António Guedes Herédia teve uma curta mas interessante carreira desportiva ao volante do seu Denzel 1300, um carro que comprou em 1954 e que ainda hoje conserva. Disputou a sua primeira prova em 1955, o Quilómetro de Arranque do Clube 100 à Hora, que se realizava numa estrada junto ao aeroporto de Lisboa, tendo vencido a respectiva categoria. Disputou também o Campeonato Nacional de Condutores desse ano, tendo conquistado um honroso terceiro lugar na categoria Sport. Em 1956 ainda participou no Rallye de S. Pedro de Moel mas mais tarde, em 1959, o Denzel dá início a um longo período de "hibernação" que só terminaria em 1986, altura em que o carro é enviado para a Austria para ser restaurado pelo seu próprio fabricante, Wolfgang Denzel, que há muito deixara o negócio de automóveis mas que tinha grande prazer em ajudar a recuperar os pequenos bólides que com tanto carinho e engenho produzira. 
Depois do restauro o pequeno Denzel veio "a rolar" até Portugal e deu início a uma segunda carreira desportiva, agora bem mais calma, mas que lhe permitiu participar nas Mille Miglia de 1989, onde António Herédia Bandeira fez equipa com Vasco Pinto Basto. Terminaram a clássica italiana em 150º lugar, entre 300 participantes. Mais tarde, o mesmo carro e o mesmo piloto voltariam às Mille Miglia, desta vez com Carlos Nunes dos Santos como navegador e companheiro de aventura.

Colaboração dos engºs João Lopes da Silva e Vasco Pinto Basto.
Bibliografia - Revista do Clube Português de Automóveis Antigos, nº22

                                                          António Herédia Bandeira, Rallye a Sintra 1955                                                                                   



Circuito de Monsanto, 1957. O Denzel de D. Afonso de Burnay (na foto) conseguiu terminar a corrida, ainda que com um atraso considerável em relação ao vencedor. Já o carro idêntico de D. António Guedes  Herédia, tio de António Herédia Bandeira e importador dos Denzel para Portugal,  viria a completar apenas 8 das 20 voltas da corrida.

É Afonso Maria Pacheco de Burnay na corrida da Taça Cidade de Lisboa, Monsanto 1957.
Terminou em 9º depois de cumprir 17 das 20 voltas da corrida.
António Guedes de Herédia, Visconde da Ribeira Brava “... mas eu não gosto de títulos...” como dizia quando se falava no assunto, tio do outro cavalheiro aí mencionado, António Alberto Herédia da Bandeira, 5º conde de Porto Covo da Bandeira, retirou-se com 8 voltas completadas.
E, já agora, o outro Denzel, o #1 Daniel Magalhães, ficou dois furos abaixo de Afonso de Burnay, também com 17 voltas.
E é tudo por agora, aqui da Torre do Lombo, que é o sítio onde se guarda a carne mais tenra...
Abraços
Carlos Guerra

O Ano dos Denzel

Em 1954 disputou-se no Parque de Monsanto o IV Grande Prémio de Portugal, prova que viria a ser ganha pelo argentino Froilan Gonzalez, em Ferrari. Integrada no programa disputou-se também a II Taça Governador Civil de Lisboa, para a qual se inscreveram nada menos que quatro Denzel, para os pilotos Ernesto Martorell, Filipe Nogueira , Alves Pimenta e Fernando Stock. Além dos carros austríacos, de um Siata, de um MG e de um Jowett Jupiter,  participaram nesta corrida uma dúzia de automóveis de corrida produzidos em Portugal, a saber: cinco F.A.P., três Alba, dois D. M., um Olda e um "Etnerap"(anagrama de Parente).
O vencedor seria Ernesto Martorell, que terminou 12 segundos à frente de Filipe Nogueira. Abílio Barros, em F.A.P., seria o terceiro classificado e o melhor entre os carros portugueses. Alves Pimenta (na foto)  sofreu um pequeno "percalço" com o seu Denze,l mas assim mesmo terminaria a prova num notável quarto lugar.