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O SS1 de Jorge Monte Real

Nascido em 1916, Jorge Monte Real seria um dos primeiros portugueses a adquirir um Standard Swallow SS1, tipo de automóvel produzido em Inglaterra entre 1931 e 1934 por William Lyons que após o final da II Guerra daria origem à marca Jaguar. Não existe qualquer registo da participação em provas desportivas deste carro pelas mãos de Jorge Monte Real, cuja estreia no automobilismo nacional teve lugar em 1933 ao volante de um pequeno MG.
Ao volante de um Standard Swallow 100 (SS100) Casimiro de Oliveira conquistaria em Vila Real 1937 a primeira vitória em circuito de um automóvel de marca Jaguar.




Corpo Diplomático

O Jaguar do concorrente português Júlio Westor Sosa em acção durante uma prova complementar disputada em volta do Casino no final do VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril). Tendo partido de Lisboa, Júlio Sosa viria a conquistar um mais que respeitável 14º lugar absoluto no final. Note-se a placa CD (Corpo Diplomático) bem visível na parte dianteira do carro nº 96.
Foto - Centro de Documentação do ACP


A Primeira Vitória da Jaguar


Vila Real, 20 de Junho de 1937. Uma dezena de concorrentes apresenta-se à partida para o VI Circuito Internacional, estatuto que é conferido à prova transmontana pela presença do Adler Trumpf Sport especialmente preparado e modificado para ser conduzido pelo Príncipe Max Schaumburg-Lippe, um membro da alta aristocracia alemã que construiu uma respeitável carreira automobilística que incluiu participações nas 24 Horas de Le Mans, Mille Miglia, 1000 km Nurburgring, etc. Entre os portugueses há a registar a estreia em competição do recém adquirido SS100 Jaguar inscrito por Casimiro de Oliveira. Trata-se do chassis #18026 a que foi atribuída a matrícula do Porto N-17275, mais tarde reformulada para MN-72-75 e que ainda hoje continua em Portugal. Entre os candidatos à vitória contava-se também o EDFOR de Eduardo Ferreirinha, um carro de corrida produzido pelo próprio com base numa mecânica Ford e que chegou a conhecer um apreciável sucesso.
Após acesa disputa com o Edfor de Ferreirinha e o Adler do príncipe alemão  Casimiro de Oliveira acabou por vencer a corrida colocando pela primeira vez o nome Jaguar na lista dos vencedores em competições de velocidade a nível internacional. Poucos saberão que foi um português, Casimiro de Oliveira, a ter a honra de conquistar a primeira das muitas vitórias que a marca Jaguar coleccionou ao longo da sua existência.
Embora o fabricante SS utilizasse a designação Jaguar desde 1935 só dez anos depois é que  a marca adoptou oficialmente o nome que ainda hoje perdura. No que respeita ao significado da vitória portuguesa seria a própria Jaguar a atestar tratar-se da primeira da sua história, tal como consta do documento junto.
Fast Forward para 1992 e vamos encontrar este mesmo carro a participar na edição desse ano das Mille Miglia pelas mãos do seu actual proprietário, José Manuel Albuquerque, de longe o português com maior número de participações na clássica italiana e em provas internacionais históricas de velocidade. Saliente-se o facto de apenas três outros portugueses, João Lacerda, José Romão de Sousa e António Bandeira, terem conseguido ver as respectivas inscrições serem aceites para as Mille Miglia. O primeiro chegou mesmo a participar na versão original da prova durante a década de 50 e o terceiro conseguiu por duas vezes ser aceite para a versão mais recente de regularidade histórica.








Imagens: José Manuel Albuquerque e o SS100 Jaguar nas Mille Miglia 1992, Casimiro de Oliveira em Vila Real 1937, a luta entre o Adler de Schaumburg-Lippe e o SS100 Jaguar de Oliveira, o anúncio da revista Autocar de Maio de 1945 onde se dá conta da mudança de nome .

Fotos - José Manuel Albuquerque
Bibliografia - O Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra


Grande Prémio de Lisboa 55 (partida)

Partida para o Grande Prémio de Lisboa de 1955, com uma qualidade e quantidade de pilotos e automóveis difíceis de repetir.
O Jaguar D Type de Duncan Hamilton (nº6) largou na frente mas irá abandonar à 40ª volta com problemas de travões. O Cooper 38-Jaguar de Peter Whitehead (nº5) não terá melhor sorte, tal como o Maserati 300S de Benoit Musy (nº8), que não chegaria ao fim da primeira volta devido a avaria na transmissão. À esquerda pode ver-se o Maserati 300S do Barão de Grafenried tendo a seu lado o Ferrari 750 de Godia Sales (nº15), enquanto que na terceira fila surge o Ferrari 750 Monza branco de Masten Gregory (nº11), o futuro vencedor.
Fotografia de Luis Sousa, que também ajudou na identificação dos protagonistas.


Uma Luta Desigual

D. Fernando Mascarenhas recebe a bandeirada da vitória no circuito de Monsanto, a qual lhe assegura a conquista da Taça Cidade de Lisboa de 1954, corrida que dominou ao volante do seu imponente Jaguar XK 120. Em segundo lugar chegaria Joaquim Filipe Nogueira, que tripulava um dos pequenos mas  rápidos Porsche 356.
O motor 3.4 do Jaguar XK 120 dispunha de mais do dobro da potência dos pequenos Porsche 1500, mas a leveza, aerodinâmica e agilidade destes tornavam-nos seriamente competitivos num circuito relativamente sinuoso como era o caso de Monsanto. Porém, no ano seguinte esta correlação de forças seria alterada com a chegada da versão Carrera dos Porsche 356, um verdadeiro carro de corrida capaz de se bater de igual para igual com máquinas muito mais potentes.


Duncan Hamilton, por ele próprio.

Ora então leiam como Duncan Hamilton conta na sua biografia "Touch Wood" a história do seu acidente no Circuito da Boavista de 1953. Nem os Monty Python fariam melhor.


"Chegamos ao Porto na quinta feira à tarde e fomos directos para o hotel Infante de Sagres. O meu Jaguar C type chegou nesse mesmo dia num navio de carga e Len Hayden tratou imediatamente de o preparar. O carro tinha apenas dois carburadores SU, em vez dos três Weber da versão Le Mans, mas não deixava de ser rápido.
Fiz o melhor tempo nos treinos e segundo a imprensa portuguesa era um sério candidato à vitória. Os meus rivais eram o Lancia de Taruffi e os Ferrari de Casimiro de Oliveira, Nogueira Pinto e Castellotti. Tony Gaze, em Aston Martin, também teria uma palavra a dizer.
Apesar de não ter feito uma boa partida, já vinha à frente na primeira curva, mas foi sem surpresa que pouco depois vi um Ferrari 4.1 passar-me na recta. Eu tinha o tanque cheio e o carro andava muito menos que nos treinos, mas apesar disso tentei recuperar a minha posição por três vezes. Na terceira, ao chegar a uma curva rápida na aproximação à marginal, tentei ultrapassar o Ferrari por dentro. Os carros tocaram-se e ao tentar evitar um segundo toque perdi o controle do Jaguar, que deixou a pista  a 200 km/h apontado a um poste de electricidade. Foi então que me lembrei de um conselho de Ascari quando ambos estávamos na mesa de massagens em Le Mans: "Duncan, se algum dia tiveres de bater, bate forte e de frente".
Assim aconteceu, de facto. O poste ficou partido a meio e o carro foi catapultado para o outro lado da pista em direcção a uma árvore, onde fiquei "pendurado" por uns instantes até cair para a berma da estrada. Dois indivíduos tentaram levantar-me, mas eu resisti. Sabia que tinha costelas partidas e receava fazer uma perfuração de pulmões.
Quando cheguei ao hospital lembro-me de estar estendido na mesa de operações e verificar que não havia electricidade, porque o poste que eu derrubara era o que fornecia corrente para o hospital. Junto a mim estava um homem enorme que fumava charuto e tinha o que me parecia ser um avental de talhante e uma ameaçadora faca na mão. Pedi água, mas ninguém entendia o que eu dizia, até que apareceu alguém que sabia falar inglês e me disse que a água do hospital estava contaminada e não podia ser consumida. Sugeriram que bebesse vinho do Porto, o que aceitei com prazer para enganar a dor. Fui cozido sem anestesia, pois o médico da especialidade tinha metido folga para assistir às corridas.
O balanço final revelava nove costelas partidas, maxilar partido, uma vértebra fracturada e vários ferimentos superficiais. Mas estava vivo."

As fotografias pertencem ao Arq Carlos Pais e foram cedidas por António Menéres, que também forneceu o texto que aqui surge resumido e adaptado.



Jaguar SS100

A 20 de junho de 1937 disputa-se em Vila Real a corrida de "Sport" integrada no VI Circuito Internacional. Nove carros comparecem à partida, entre eles o belíssimo Jaguar SS100 de Casimiro de Oliveira, um modelo do qual apenas  foram produzidos 31 exemplares*. O único piloto estrangeiro presente - que dará à prova o seu cunho "internacional" - é o Príncipe Max Zu Schaumburg- Lippe, que tripula um Adler Trumpf Sport.
Casimiro de Oliveira partiu da terceira fila da grelha mas rapidamente conquistou a liderança. Porém, à 12ª volta sofre um problema mecânico e pára em frente à tribuna, para retomar a corrida pouco depois. À 17ª passagem pela meta já o Jaguar vem novamente na frente, posição que manteria até final, ficando o Adler do Príncipe na segunda posição.
* - Um destes exemplares está agora em Portugal, numa colecção privada.

Fotografias - Luis Sousa e José Manuel Albuquerque
Bibliografia - Jornal "O Volante e Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra



O Jaguar XK120 de João Lacerda

Em 1951, João Lacerda inscreveu-se no II Circuito Internacional do Porto (I Grande Prémio de Portugal)  com um Jaguar XK120 (#660130) exemplarmente preparado para corrida. Porém, o carro viria a sofrer um acidente durante os treinos devido a uma falha de travões e não foi possível repará-lo a tempo de participar no Grande Prémio, que se disputou num domingo 17 de Junho. De resto, este foi um fim de semana "negro" para os Jaguar, uma vez que nenhum dos XK120 que alinharam à partida - tripulados por Duncan Hamilton, George Wickens e Tommy Wisdon - terminou a prova.
Casimiro de Oliveira, em Ferrari F340 (#0082A), seria o grande vencedor da tarde, seguido por Vittorio Marzotto, em Ferrari 212 Export. Giovanni Bracco, em Ferrari F340, seria o autor da volta mais rápida ao circuito que tinha então 7,775 km de extensão, realizando uma média de 131, 532 km/h.

Foto - João Lacerda
Bibliografia - Revista Topos&Clássicos nº 106
                    - World Sports Racing Prototypes





Foto - José B. Lacerda, "Velocidade na Invicta"

Os Louros do Vencedor

D. Fernando Mascarenhas não era apenas, como alguns tentavam fazer acreditar, um rico aristocrata que se divertia fazendo corridas de automóveis. Tinha talento e cultivava (às vezes de forma excessiva) o risco, factores que em conjunto lhe proporcionaram algumas indiscutíveis e mercidíssimas vitórias.
Uma delas aconteceu no circuito de Monsanto de 1954, quando D. Fernando se sagrou vencedor da Taça Cidade de Lisboa ao volante de um Jaguar XK120. A seguir classificaram-se Filipe Nogueira (Porsche 356), em 3º João Lacerda (Alfa Romeo 1900), 4º Nunes dos Santos (Alfa Romeo 1900), 5º Alberto Graça (Porsche 356), 6º Abreu Valente (Porsche 356), 7º João Graça (Porsche 356) e em 8º João de Castro (Porsche 356), que corria sob o pseudónimo "Norberto Paz". Filipe Nogueira(2,000cc) e Alberto Graça (1300cc) venceriam as respectivas classes.
Na imagem, D. Fernando Mascarenhas em pose de vencedor, encostado ao Jaguar, tendo do lado oposto a imagem sempre presente do seu "anjo da guarda", Manuel Palma, o responsável pela preparação do carro.



Os Vencedores

Ernesto Martorell, em Denzel,  e D. Fernando Mascarenhas, em Jaguar XK120, respectivamente vencedores da Taça Governador Civil de Lisboa e da Taça Cidade de Lisboa, provas incluídas no programa do Grande Prémio de Portugal de 1954, disputado no circuito de Monsanto.


O Acompanhante.

Augusto Palma e Fernando "Faneca" Pinto Basto partilharam a condução do Jaguar 3.8 no Rallye de Monte Carlo de 1960, com Manuel Palma atrás, preparado para o que desse e viesse. Apesar dos treinos efectuados (em baixo) e do reconhecimento exaustivo (?) de algumas partes do percurso, a equipa nº 148 não conseguiu vencer as condições meteorológicas adversas e acabou por abandonar a prova. 
Segundo conta Augusto Palma, o seu acompanhante no reconhecimento de algumas das classificativas do Rallye, realizado dias antes da partida, era um amigo dentista que "estava ali à mão" e se prestou a ir dar um passeio pela neve.
Já não existem heróis assim...



Rallye de Monte Carlo, 1960


Augusto Palma, ao volante, com Fernando "Faneca" Pinto Basto ao lado. No banco de trás vê-se Manuel Palma, o futuro fundador do Team Palma. Apesar da qualidade do carro e da categoria da equipa, o Jaguar nº 148 não terminou a prova.