Mostrar mensagens com a etiqueta Monsanto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Monsanto. Mostrar todas as mensagens

Monsanto 59

O BRM Type 25 de Ron Flockhart (nº 8) prestes a ser ultrapassado pelo bem mais rápido Cooper-Climax T51 de Stirling Moss (nº 4) que viria a vencer o Grande Prémio de Portugal de 1959 disputado no circuito de Monsanto.
Foto - George Phillips


A Estreia do Etnerap

António Augusto Parente, visto aqui em pé junto da sua obra, foi um dos construtores artesanais portugueses inscritos no Circuito de Monsanto de 1953 na categoria de carros com motores até 1,100 cc de cilindrada. O seu Etnerap (anagrama de Parente) foi construído sobre uma base Fiat 1100 equipada com um motor que debitava cerca de 70 cavalos, potência relativamente modesta mas suficiente para transformar esta pequena "barchetta" num verdadeiro carro de corrida. Ao volante está João Castello Branco, que pilotou o Etnerap no Circuito de Monsanto mas que aqui se apresenta durante a estreia do carro em competição na Prova de Perícia e Condução do Sporting realizada a 25 de Abril de 1953. Terminou no 2º lugar da Classe D.
Com agradecimentos a Ângelo Pinto da Fonseca.


I Rampa da Pimenteira

A 10 de Junho de 1910 disputou-se na zona de Monsanto a I Rampa da Pimenteira, prova organizada pelo Real Automóvel Clube de Portugal sob o alto patrocínio do Infante D. Afonso. Cerca de trinta mil pessoas assistiram ao evento espalhadas ao longo dos 1500 metros do percurso para aplaudir os 20 automobilistas e 10 motociclistas inscritos na primeira competição deste género alguma vez realizada em Portugal. No final o júri decidiu atribuir a vitória a Estêvão de Oliveira Fernandes, em Buick (na foto de cima) deixando uma menção especial para Angel Beauvalet, em Berliet,  considerado "brilhante nas curvas". A foto de baixo confirma a referência.
Fotos - Jornal O Volante
Bibliografia - Jornal O Volante e "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


O Fim de uma Era

Pelas estradas de Monsanto durante o Grande Prémio de Portugal de 1959 seguem três carros de Fórmula 1 de marcas diferentes mas todos ainda com "motor à frente": Phil Hill comanda o grupo no Ferrari Dino 246. seguido por Roy Salvatori em Aston Martin DBR4/250 e Ron Flockhart em BRM type 25. Os Lotus e Cooper de "motor atrás" dominaram a corrida e o conceito seria definitivamente adoptado perdurando até aos dias de hoje.
Fotografia de George Phillips


Nicha Cabral 1959

Mais imagens de Mário Araújo Cabral, o popular "Nicha", na sua corrida de estreia em Fórmula 1 ao volante de um Cooper-Maserati T51 durante o Grande Prémio de Portugal de 1959 disputado no circuito de Monsanto.
Fotografias de George Philips




A Estreia

A 23 de Agosto de 1959 disputou-se no circuito de Monsanto o VIII Grande Prémio de Portugal, prova que contava para o Campeonato do Mundo de Condutores e onde pela primeira vez um piloto português marcou presença numa corrida de Fórmula 1. A responsabilidade coube a Mário Araújo Cabral, o popular "Nicha", que para o efeito utilizou um Cooper Maserati T51 alugado pelo ACP à Scuderia Centro Sud, propriedade do italiano "Mimmo" Dei. A estreia não foi brilhante mas foi suficientemente digna para que a carreira do piloto português pudesse ter continuidade. De facto "Nicha" terminou a corrida em décimo e último lugar com seis voltas de atraso relativamente ao vencedor, Stirling Moss, e esteve involuntariamente envolvido no acidente que levou ao abandono do Cooper Climax de Jack Brabham. Apesar deste princípio pouco auspicioso "Nicha" Cabral viria a construir uma muito respeitável carreira no desporto automóvel a nível global.
As imagens são de George Phillips
De cima para baixo, o BRM type 25 de Harry Schell a ser ultrapassado por um "distraído" Nicha Cabral, o mesmo "Nicha" seguido por Carrol Shelby em Aston Martin DBR4 e finalmente pelo Cooper Climax T51 de Maurice Trintignant.





Monsanto 1959

Imagens inéditas relativas ao Grande Prémio de Portugal de 1959 disputado no circuito de Monsanto. Na primeira fotografia podem ver-se o Aston Martin DBR47250 de Roy Salvatori (#10), seguido pelo BRM de Ron Flockhart (#8) e pelo Ferrari Dino 246 de Tony Brooks. A foto do meio mostra o início da parte do circuito que percorre a actual auto estrada de Cascais e a imagem final mostra o Ferrari Dino 246 de Dan Gurney a curvar sob o olhar atento das autoridades portuguesas.
Fotografias de George Philips






"Mané" Nogueira Pinto

Filho de José Arroyo Nogueira Pinto, um dos grandes pioneiros do automobilismo português, “Mané” Nogueira Pinto foi um dos mais promissores pilotos da sua geração tendo andado sempre muito perto daquilo que poderia ter sido uma bem sucedida carreira internacional. Dotado de um talento invulgar, o piloto portuense veria porém o seu percurso desportivo ser condicionado por circunstâncias da sua vida pessoal à mistura com alguma falta de sorte. Parte da sua aprendizagem foi feita ao volante de um Porsche 356, neste caso o 1500 Carrera GS matrícula IH-23-45 (#55398) com o qual venceu a Volta a Portugal de 1957, tendo também conquistado um resultado de relevo na Taça Cidade de Lisboa disputada no circuito de Monsanto nesse mesmo ano. De facto, nesta prova “Mané” Nogueira Pinto ver-se-ia  envolvido numa luta desigual com os bem mais competitivos Mercedes 300 SL da concorrência, carros dotados de motores de 3 litros de cilindrada e 215 cavalos de potência, enquanto que o Porsche não ultrapassava os 1500 cc e os 105 cavalos. No final, após luta cerrada com Nicha Cabral em carro idêntico, José Manuel Simões levaria o seu Mercedes à vitória mas Nogueira Pinto acabaria por conquistar um brilhante segundo lugar na classificação geral após uma  aguerrida disputa com os Alfa Romeo de Andrade Vilar e Abílio Correia Lobo. Note-se que nesta altura o jovem piloto do Porto tinha apenas 20 anos de idade.


A Última Volta

Continuando com a história da participação do Etnerap de João Castello Branco na corrida até 1,100 cc de cilindrada integrada no Grande Prémio do Jubileu do ACP de 1953 aqui se juntam mais duas imagens. Na primeira pode ver-se o carro nº 7 em acção com a fita que foi colocada sobre a frente da carroçaria durante a paragem documentada no post anterior. Na outra vemos o Alba de Nunes dos Santos em luta com o Etnerap de Castello Branco pouco antes deste ter sido vítima de uma avaria que o atirou do 3º para o 7º lugar da classificação geral.






Abastecimento

Curiosa imagem obtida durante a corrida de automóveis da categoria até 1,100 cc integrada no Grande Prémio do Jubileu do ACP disputada em 1953 no circuito de Monsanto, em que se vê o Etnerap de João Castello Branco durante uma paragem para abastecimento. Tudo leva a crer que se trata de acrescentar água ao circuito de arrefecimento, operação que é realizada pelo próprio construtor do carro, António Augusto Parente. Repare-se também nas impecáveis indumentárias dos funcionários da Mobil, de fato branco e gravata. Interessante também a "bomba" de gasolina de 80 octanas.
Fotografia do espólio da família Castello Branco

Corrida "Made in Portugal"

Partida para a corrida da categoria até 1,100 cc incluída no Grande Prémio do Jubileu do ACP, conjunto de provas que se disputaram em 1953 no Circuito de Monsanto. Todos os carros participantes eram fabricados artesanalmente  em Portugal, ainda que com recurso a componentes de marcas estrangeiras. 
A fotografia principal pertence ao espólio da família Castello Branco, juntando-se excertos da Revista do ACP com a identificação dos pilotos e a classificação final.
Colaboração de Gonçalo Macedo e Cunha



Um "Etnerap" em Monsanto 1953

Os carros inscritos para a corrida da classe até 1,100 cc incluída no Circuito de Monsanto de 1953 (Grande Prémio do Jubileu do ACP) eram quase todos de fabrico artesanal e produzidos em Portugal, a maioria com recurso a componentes FIAT nomeadamente no capítulo motor. Entre os participantes encontrava-se João Castello Branco que tripulava o "Etnerap" matrícula EE-11-67 construído por António Parente a partir de uma base FIAT 1100. De resto, a marca do carro não é mais que o nome do fabricante lido "ao contrário", prática relativamente frequente na época. Nas imagens vemos o Etnerap o nº7  no meio da grelha de partida e a curvar em grande estilo numa das zonas sinuosas do circuito. No troço da Auto Estrada de Cascais que fazia parte do circuito os 70 cavalos produzidos pelo motor catapultavam esta bonita "barchetta" a velocidades superiores a 160 km/h.
O vencedor da corrida seria Abílio Barros, que tripulava o FAP com o nº 2, seguido do Alba nº 5 de Corte Real Pereira
O autor do blogue agradece a João Castello Branco, filho do piloto com o mesmo nome, a forma como permitiu o acesso ao espólio que se encontra ainda hoje em poder da família. As fotografias aqui publicadas são inéditas, facto que muito nos honra.

 



Taça Cidade de Lisboa 1955

Vitória fácil de D. Fernando Mascarenhas na Taça Cidade de Lisboa de 1955 ao volante do seu Mercedes Benz 300 SL matrícula HH-22-15 importado há menos de um mês. No texto do Diário de Lisboa de 24 de Julho de 1955 fica a saber-se que o motor do Porsche 550 Spyder que Stirling Moss utilizou na corrida da Taça Governador Civil de Lisboa dava mais 2.000 rotações que os seus equivalentes portugueses. Assim não admira.
A versão de Luis Sousa, provavelmente a mais exacta:
  "O Porsche 550 de Stirling Moss não dava mais 2000 rpm que os Spyder portugueses, dava sim mais 1000 rpm, tinha cames mais evoluidas e não só, o que reflectia um aumento de 30 bhp em relação aos outros Spyder. De notar que após os treinos a entourage do Filipe Nogueira quis adquirir o motor de reserva do carro de fábrica do Moss  e a resposta foi não, talvez por o Dennis Jackson  nos treinos ter chamado o S Moss para ver o Filipe Nogueira a curvar , dizendo que o português travava nas curvas com o pé esquerdo  continuava a acelarar. Good old times."



Um Fiat muito Especial

Grande Prémio do Jubileu do Automóvel Clube de Portugal de 1953, Circuito de Monsanto. O Ferrari 250 MM Spyder Vignale de D. Fernando Mascarenhas vai ultrapassar o invulgar Fiat 8V de Edouard Meyer. Porém, nem um nem outro chegariam ao final da corrida, Mascarenhas por acidente e Meyer por avaria.
O Fiat 8V, tal como o nome sugere, utilizava um raro motor V8 da casa italiana com 2,000 cc de cilindrada inclinado a 70 graus e debitando 115 cavalos de potência, tendo sido produzido em pequeníssimas quantidades (114 exemplares apenas).
Foto - Centro de Documentação do ACP

Este foi um modelo em que a Fiat muito se empenhou como mostruário da sua capacidade técnica mas, apesar de ser técnicamente evoluído e bastante bem executado, nunca correspondeu às expectativas quer em termos comerciais quer desportivos, e daí a sua pequena produção. Como curiosidade - O nome oficial deste modelo é 8V que em italiano se pronuncia "Otto Vu", e foi assim chamado porque a Fiat, por qualquer razão, estava convencida que a sigla V8 estava patenteada pela Ford ...
Duarte Pinto Coelho

Nas "Boxes"

Imagem das "boxes" do circuito de Monsanto durante o Grande Prémio de Portugal de 1959. Em primeiro plano está o Ferrari 246 de Dan Gurney, que terminaria a prova em terceiro lugar e logo depois o carro idêntico tripulado por Phil Hill, que abandonou à sétima volta.
Pela primeira vez na história do automobilismo nacional um português ("Nicha" Cabral) iria participar numa corrida de Fórmula 1. Terminou em 10º lugar, a seis voltas do vencedor (Stirling Moss, Cooper Climax T-51) e esteve involuntariamente envolvido num incidente que por pouco não custou a vida ao futuro campeão mundial, Jack Brabham. Segundo as crónicas da época, o piloto australiano perdeu o controle do seu carro quando se preparava para ultrapassar o Cooper- Maserati nº 18 de "Nicha", bastante mais lento, bateu num poste e foi catapultado de novo para a pista. Jack Brabham acabou estendido no asfalto e por pouco não foi "atropelado" pelo Cooper de Masten Gregory. O seu carro ficou completamente destruído. Numa entrevista concedida a um jornal australiano poucos anos antes de falecer "Sir" Jack Brabham considerou este o pior acidente da sua carreira automobilística atribuindo a sua sobrevivência ao facto de na altura não se usarem cintos de segurança.
Foto - Centro de Documentação do ACP


Homenagem a "Nicha" Cabral

A caminho dos 81 anos de idade Mário de Araújo Cabral, o popular "Nicha", foi alvo de uma singela homenagem por parte de um grupo de amigos que com ele se reuniram no Clube do Peixe, em Lisboa, um local que começa a tornar-se numa espécie de "santuário" do automobilismo português. As paredes recheadas de fotografias dizem bem das memórias que ali se enaltecem e preservam.
"Nicha" Cabral foi o primeiro português a participar numa corrida de Fórmula 1 (Grande Prémio de Portugal 1959, em Monsanto) e se nada mais houvesse (mas houve, e muito) só isso bastaria para guardar o seu lugar na História.
Estiveram presentes, entre outros, Ernesto "Nené" Neves, António Peixinho, Augusto Palma, Gisele Barbosa Araújo, Fernando Baptista, Vasco Pinto Basto, António Matos Chaves, Carlos Guerra, Ângelo Pinto da Fonseca, Idalino Bettencourt Pinto, Artur Lemos, Luis Caramelo, Fernando Matias e José Guedes.
Ficam algumas das imagens do almoço realizado a 12 de Novembro.







A Estreia

O Alba #001, matrícula OT-10-54, é um veículo de produção artesanal construído na fábrica com o mesmo nome situada em Albergaria-a-Velha. Utilizava um motor Fiat de 1089 cc, o que lhe permitia inscrever-se na categoria até 1100 cc. Na imagem podemos vê-lo na prova de estreia, em Vila do Conde 1952, a qual terminaria em segundo lugar na classe. Porém, no ano seguinte viria a vencer  o Circuito da Boavista, sempre com Corte Real Pereira ao volante.
Este carro foi completamente recuperado e encontra-se agora patente ao público no Museu do Caramulo.
Fotos de Olívio França



Vitória de Bonetto em Monsanto

Extraordinária fotografia de Claudino Madeira obtida em 26 de Julho de 1953 durante a partida para o I Circuito Internacional de Lisboa, Grande Prémio do Jubileu do ACP, disputado no traçado de Monsanto. O Lancia D23 de Piero Taruffi (nº 25) sai na frente, seguido do carro idêntico de Felice Bonetto (nº 24) e do Ferrari 250 MM (nº18) de Casimiro de Oliveira. Um pouco mais atrás vem o Jaguar C Type de Stirling Moss (nº 22). A vitória viria a pertencer ao lancia de Felice Bonetto, ficando Stirling Moss em segundo lugar com uma volta de atraso em relação ao vencedor. Casimiro de Oliveira abandonou por avaria.
Foto - Arquivo Municipal de Lisboa


Corrida na Auto Estrada

Esta curiosa fotografia mostra o Cooper Climax nº 4 de Sirling Moss em plena aceleração na auto estrada  que ligava Lisboa ao Estádio Nacional durante o Grande Prémio de Portugal de 1959, disputado no circuito de Monsanto. 
Inaugurada em 1944 pelo Ministro das Obras Públicas de então,  Duarte Pacheco,  a EN7, como se denominava oficialmente, foi uma das primeiras auto estradas do seu género a serem construídas na Europa, tendo sida integralmente realizada em cimento e brita ao longo de cerca de oito quilómetros.
Stirling Moss foi o vencedor do Grande Prémio, tendo deixado o segundo classificado, Masten Gregory, a uma volta de distância.
Fotografia - The Cahier Archives


Foi um dia de sol magnifico, com um Stirling  Moss demolidor no Cooper de Rob Walker equipado com uma caixa de velocidades Colloti que ficou finalmente fiável. Jack Brabham teve um acidente causado por um desentendimento com "Nicha" Cabral, que se estreava na F1. Masten Gregory foi
outro que resistiu ao calor e no fim da corrida o único motivo de interesse era a luta pelo terceiro lugar entre Trintignant e Gurney, até que o francês teve de parar para receber água de um posto improvisado pelo  autor da foto (Bernard Cahier) .
Esta corrida acabou também por afastar as pretensões ao titulo de Tony Brooks que não se entendeu com o traçado lisboeta e fez uma má corrida. Foi também o canto do cisne para os Aston Martin que
passaram a pertencer ao passado.
Luis Sousa

Era Uma Vez...

Era uma vez um Ferrari 250MM Spyder Vignale chassis #0326MM com o qual D. Fernando Mascarenhas participou no Circuito Internacional de Lisboa de 1953, também conhecido como Grande Prémio do Jubileu do Automóvel Clube de Portugal. As coisas não correram bem ao Marquês de Fronteira, que acabou por sofrer um acidente que deixou o Ferrari muito maltratado.
Cinquenta e quatro anos e várias carroçarias depois este mesmo carro iria surgir no Concurso de Elegância de Pebble Beach 2007 pelas mãos de "Chip" Connor, o seu proprietário de então. Mais de meio século depois da sua chegada a Portugal a exuberante beleza deste automóvel de competição continua a fazer as delícias dos entusiastas de todo o mundo.