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Heróis em Duas Rodas

Também o motociclismo teve os seus Heróis, gente de coragem que arriscava tudo pela vã glória de chegar em primeiro lugar numa corrida frequentemente em condições de segurança mais que discutíveis. Tal como aconteceu a 13 de maio de 1933 no III Circuito do Campo Grande, grande evento motorizado que incluía várias provas de motos e automóveis. 
Para a principal corrida de motos alinharam cinco concorrentes: Alexandre Black, António Jorge Teixeira, Mário Teixeira, Jaime Campos e Ângelo Bastos. A prova compreendia 45 voltas ao Campo Grande e era transmitida em directo por um posto de rádio (CT1HX) alugado pelo jornal "A Bola". O vencedor seria António Jorge Teixeira (na foto) à média de 119 km/h, verdadeiramente notável para a época. Alexandre Black, figura maior do desporto motorizado de então, não foi feliz nesta prova: a sua moto não "pegou" no momento da partida e à 22ª volta  partiu a corrente, forçando a desistência.

Foto - DigitArq, Arquivo Digital da Torre do Tombo
Bibliografia - Diário de Lisboa, 13 de maio 1933


Circuito do Parque Eduardo VII, Lisboa, 1934

No dia 4 de junho de 1934 uma multidão calculada em 30 mil pessoas convergiu para o Parque Eduardo VII em Lisboa para assistir às provas desportivas que ali se disputavam sob o olhar atento do Presidente da República, Marechal Óscar Carmona. Realizaram-se corridas de motos e automóveis, bem como um concurso de elegância automóvel. No final do programa o consagrado "ás" Henrique Lehrfeld procedeu a uma demonstração com o seu Bugatti de corridas mas ao fim de três voltas sofreu um despiste, arrancou três árvores e o piloto foi parar ao hospital.
Na corrida "Sport" participaram Manuel Nunes dos Santos em Hilman Minx, Rui Gonçalves em Austin, Albano Gomes em Austin, António Guedes de Herédia em Morris, Armando Pombo em MG, Elmano Ribeiro em SS e Virgílio Barroso em Lancia.



"Renaissance Man"

D. Fernando de Mascarenhas, Marquês de Fronteira e detentor de um sem número de outros títulos que daria para preencher este post, era uma verdadeiro "renaissance man", tal a diversidade das actividades a que se dedicava e que tinham todas elas um denominador comum, o perigo. Foi motociclista, automobilista de mérito e forcado, desafios que sempre enfrentou com coragem e entusiasmo. Porém, por trágica ironia do Destino, seria um mero acidente rodoviário que o levaria do mundo dos vivos em 1956.
A imagem de cima mostra D. Fernando no Grande Prémio de Tanger de 1955 ao volante do Ferrari 750 Monza #560 MD ainda antes de Manuel Palma lhe ter acrescentado um par de "barbatanas aerodinâmicas" na parte posterior da carroçaria, característica que tornaria este carro único no mundo.
As outras imagens são de uma "pega de caras" no Campo Pequeno e de um circuito de motos no Parque Eduardo VII (em perseguição).




Onde Pára o Presidente?

Também retirado da biografia de Duncan Hamilton "Touch Wood", eis mais um texto hilariante que parece saído de um "sketch" dos Monty Python. Tem a ver com a corrida de motos incluída no Grande Prémio de Portugal de 1953, disputado no Porto. Deliciem-se.



"Antes do Grande Prémio disputava-se uma corrida de motos, cuja partida seria dada pelo Presidente da República. Os motociclistas alinharam, prepararam-se e arrancaram os motores, mas quando chegou o momento da largada … ninguém sabia onde parava o Presidente. Após algum tempo de espera, foram obrigados a desligar os motores para evitar o risco de sobreaquecimento. Logo que o último  foi desligado, o Presidente lá apareceu, mas como já estavam demasiado quentes  não foi possível arrancá-los novamente. Então o Presidente resolveu ir dar uma volta, para dar tempo a que as temperaturas baixassem. Passado alguns minutos foi novamente dada ordem de arranque e os motociclistas ficaram a aguardar o sinal de partida, mas o Presidente estava uma vez mais desaparecido e , em consequência, houve que voltar a parar os motores. De novo. Por estranha coincidência, logo que o último motor se calou apareceu o Presidente, trazendo na mão uma bandeira. Uma vez mais foi dada ordem de arranque, mas mais de metade dos concorrentes não conseguiu pôr as motos a trabalhar, devido ao aquecimento acumulado. Por estas alturas já os ingleses não  conseguiam esconder o enorme gozo que estas cenas estavam a provocar na zona da meta e riam à gargalhada, ao contrário dos portugueses, que não pareciam compreender o ridículo da situação, o que a tornava ainda mais caricata. Finalmente, após várias tentativas, o Presidente e os motociclistas resolveram as suas divergências e a corrida teve início."

A Aprendizagem

O Conde de Monte Real, tal como muitos outros automobilistas de sucesso, também começou a sua  carreira desportiva participando em corridas de motos. A imagem de cima documenta a sua participação (ao fundo, de óculos) no Cross do Benfica de 1934, tendo a seu lado Gueifão Ferreira e Luis Lopes, todos em Rudge.
Ernesto "Nené" Neves, que viria a ser o piloto português com mais campeonatos nacionais conquistados em menos espaço de tempo (registo que ainda se mantém) fez-se fotografar em 1958, com apenas 12 anos de idade, aos comandos da Gilera com a qual o irmão Luis disputava provas de motociclismo, antes de ele próprio se estrear na modalidade em 1963. Note-se o emblema da Abarth na manga da camisola, sinal inconfundível do que estava para vir.
A ligação do Conde de Monte Real a Ernesto Neves não é acidental, uma vez que a vida de ambos se cruzou com intensidade durante muito tempo para além dos automóveis.




Motos no Parque Eduardo VII

Em junho de 1934 mais de 30 mil pessoas convergem para o Parque Eduardo VII onde, perante o Presidente da República, Marechal Oscar Carmona, se disputam pela primeira vez corridas de automóveis e motos. Como se vê pelas imagens, as motos inglesas Rudge dominaram completamente a concorrência durante o I Circuito do Parque Eduardo VII. Angelo Bastos, em Rudge, seria o vencedor em motos, no ano em que que Alexandre Black (Norton) se tornou Campeão Nacional. Nos automóveis o vencedor seria Jorge Seixas, em Ford.
D. Fernando Mascarenhas (moto nº 11), tal como outros depois de si (Ernesto Neves, John Surtees, Mike Hailwood, etc) , faria a sua aprendizagem em duas rodas antes de passar para os automóveis de corrida.


Os vencedores, todos em Rudge: José Martins, em 250 cc, Angelo Bastos em 500 cc  e D. Fernando Mascarenhas, em 350 cc.

Fotos Colecção JM Mascarenhas