Mostrar mensagens com a etiqueta Rampas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rampas. Mostrar todas as mensagens

Rampa do Cabo da Roca 1935

A 6 de Outubro de 1935 disputou-se na região de Sintra a II Rampa do Cabo da Roca tendo-se registado a presença de 16 concorrentes, 12 em "Sport" e 4 em "Corrida". Jorge Monte Real seria o vencedor em ambas as categorias ao volante do seu pequeno MG tendo-se sagrado Campeão Nacional de Rampas dessa época em "Corrida". O Engº Ribeiro Ferreira, em Railton, ficaria em segundo lugar nas duas categorias enquanto que os terceiros classificados seriam respectivamente  Manuel Nunes dos santos (Adler) em "Sport" e Roque da Fonseca (Bugatti) em "Corrida".
Fotografias - jornal O Volante
Bibliografia _ Primeiro Arranque, de Vasco Callixto



Um Protesto Original

Em 10 de Julho de 1910 disputou-se uma das primeiras provas automobilísticas de que há registo em Portugal, a Rampa da Pimenteira,  também conhecida por Rampa da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras, disputada num percurso situado na área de Monsanto, perto de Lisboa.
A fotografia de Joshua Benoliel documenta o concorrente Henrique Chaves em plena prova, na qual não conseguiria qualquer resultado significativo. O vencedor seria Estevão Fernandes, tripulando um Brazier 35HP, mas a atribuição da taça do Sports Ilustrado seria contestada pelo senhor Albert Beauvalet, pai do concorrente segundo classificado, Angel Beauvalet, alegando que o primeiro classificado não ia ao volante do seu carro durante a subida vitoriosa.
Curiosa a silhueta do fotógrafo, em plena acção, projectada em primeiro plano.


Em baixo: Joshua Benoliel, à esquerda, em serviço de reportagem. À direita o "anúncio que saiu nos jornais sobre o verdadeiro vencedor da Rampa da Pimenteira. Não consta que tenha havido duelo.

                                           

Monte Carlo 1931

Francisco Ribeiro Ferreira e Bernardo Vilela junto do MG Midget com o número 20 que levaram até ao 14º lugar da classificação geral no X Rallye de Monte Carlo disputado em 1931. Tendo partido de Lisboa, a equipa portuguesa acumulou um total de 2,178 quilómetros entre percurso de ligação e provas complementares. Numa delas, a Rampa Mont des Moles, o pequeno MG de Ribeiro Ferreira / Vilela viria a conquistar um brilhante quarto lugar absoluto.
Foto - Centro de Documentação do ACP

Os Pioneiros

A 10 de Junho de 1910 disputou-se uma das primeiras provas de velocidade automóvel documentadas em Portugal.  Consistia em percorrer a subida "Da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras" no menor tempo possível, tornado-se assim na primeira "rampa" da história do automobilismo nacional.
Fotografia de Joshua Benoliel, suporte gelatina e prata sobre vidro.


Um Ferrari na Penha

Joaquim Filipe Nogueira em plena disputa da Rampa da Penha de 1955, prova disputada a 27 de Março e que viria a vencer ao volante do Ferrari 250MM chassis #0332 MM. Anteriormente este mesmo carro pertencera a José Arroyo Nogueira Pinto.

Foto - Centro de Documentação do ACP
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca



O "Edfor-Allard"

O Edfor matrícula RP-10-30 foi destruído num acidente durante o rallye do ACP de 1947, num momento em que era tripulado por Augusto Madureira. Foi mais tarde reconstruído e dotado de uma carroçaria com um "look" Allard, mantendo a mesma chapa de matrícula.
Em 1951 este carro foi inscrito por Harry Rugeroni para a Rampa da Pena, na foto, prova que terminaria em 5º lugar. Porém, no Campeonato de Rampas Rugeroni não conseguiu melhor que o 10º lugar, ex-aequo.
Harry Rugeroni vivia em Lisboa e era um dos proprietários do Hotel Aviz, um dos mais requintados da época.
A fotografia foi cedida por Luis Sousa
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca.


Rampa da Arrábida 51

O Ford V8 "Ardum" do Conde de Monte Real dominou claramente o campeonato nacional de rampas de 1951, vencendo a esmagadora maioria das provas. Tratava-se de um carro ágil e leve, dotado de um motor cheio de força a baixa rotação que parecia especialmente concebido para este tipo de provas. A imagem mostra o Ford "Ardum" de Monte Real em plena subida para a Arrábida, cuja rampa viria a vencer. Sem capacete, naturalmente.


O Príncipe Real

D. Afonso de Bragança, irmão do Rei D. Carlos (já então falecido), era conhecido como "o arreda", a expressão que o próprio usava para afastar as pessoas que lhe saíam ao caminho quando conduzia o seu automóvel. Ei-lo aqui, em julho de 1910, a passar em revista os concorrentes à I Rampa da Pimenteira, prova que se disputava num percurso de cerca de 1500 metros de extensão situado às portas de Lisboa.


Sports Ilustrados 10 de Julho de 1910
Era um domingo e “as melhores famílias da nossa sociedade” assistiram a uma animada competição de automóveis e motocicletas. A rampa da Pimenteira foi a primeira competição do género a realizar-se em Portugal, organizada pelo Real Automóvel Clube, e o príncipe real D. Afonso (tio do rei D. Manuel II) passou revista aos competidores e presidiu ao júri. Parece que estavam na zona mais de 30 mil pessoas, com as autoridades numa tribuna. No que respeita aos automóveis, a taça do Sports Ilustrados foi para o senhor Estevam Fernandes, em Brazier, de 35 cavalos, que fez o percurso de 1500 metros em dois minutos e dois segundos.
Dava a alucinante velocidade de 44 quilómetros por hora.

O Ford N8659


O FAMOSO “FORD-MODELO A” MATRÍCULA N-8659
SUA EVOLUÇÃO TÉCNICA 
E O HÍBRIDO “FELCOM” QUE LHE SUCEDEU
(Texto e imagens de António Menéres)

Em 1930, meu Avô Manoel Menéres importa dos EUA uma “super-colaça” de válvulas à cabeça da “Miller” para a experimentar no seu carro pessoal um Ford A Phaeton /Touring, matrícula N-8659. Surpreendido com as suas performances, empresta-o ao seu amigo Eduardo Ferreirinha, que depois de lhe aligeirar a carroçaria e de lhe alterar o motor na procura de ainda mais potência, o experimenta na 1ªRampa da Penha, que vence brilhantemente.

                                                                                                                     















Logo a seguir, mas ainda em 1930, alinha no 1º Quilómetro Lançado do Mindelo (em cima, à esquerda), na mesma com Ferreirinha ao volante, mas agora, já que o regulamento não permitia a versão aligeirada anteriormente utilizada, volta a recolocar a carroçaria de origem do Phaeton /Touring. Conquistou um brilhante 3º lugar da geral na Categoria Corrida, que motivou o curioso anúncio publicitário concebido por meu Avô (em cima, à direita)                                                                                                                                                                 Entusiasmado com estes êxitos, Manoel Menéres decide desenvolver o projecto desportivo, fazendo transformar totalmente o seu Ford nas “suas” oficinas do Palácio Ford – Manuel Alves de Freitas & C.ª, Lda. Mais uma vez, todas as alterações técnicas, nomeadamente, a carroçaria, o rebaixamento do chassis, as suspensões, os travões e ainda os melhoramentos introduzidos na super-colaça de válvulas à cabeça da “Miller” importada dos EUA, foram da responsabilidade técnica de Ferreirinha, passando em 1931 a ter a configuração que se pode ver na foto.



                                 Foi então baptizado por meu Avô como «Ponto de Interrogação», daí o símbolo “?” – “Question Mark” como era referido na Revista ACP - pintado nos dois lados do carro, porque nos anos áureos, se o motor não avariasse, normalmente ganhava! Este carro possuía um brilhante palmarés desportivo conquistado nos anos 31 e 32 e foi pilotado por Eduardo Ferreirinha e Gaspar Sameiro.
Entretanto, em 1933, Eduardo Carvalho aparece inscrito nos Circuitos do Campo Grande em Lisboa e na Boavista no Porto, com carro da marca “Felcom” #15 que mandou construir e que, como era prática neste meio das corridas com carros híbridos, herdou a matricula e o Livrete de outro carro (mantendo contudo a marca Ford), precisamente a do famoso Ford N- 8659 e provavelmente também o vitaminado motor com a transformação “Miller”, desconhecendo-se no entanto a marca e a origem do novo chassis e das suspensões. 



Em 1935, João Henrique Santos inscreve-se com ele no Circuito do Estoril, terminando aqui a actividade desportiva deste carro.


DATAS
OBS.
ANO DE FABRICO
1928

ENTRADA EM PORTUGAL
1.1.1929

1º AVERBAMENTO
18.1.1929
Encontrava-se averbado em serviço de «Venda» em nome da firma Timóteo de Vasconcelos, Agente Ford na Póvoa do Varzim, que o cedeu à firma sua colega, que se segue
2º AVERBAMENTO
(?)
Palácio Ford – Manuel Alves de Freitas & C.ª, Lda., com sede no Porto, que por sua vez o vendeu ao seu sócio fundador e gerente (na altura era assim, ainda não tinha sido inventada a figura de viatura de serviço!)
3º AVERBAMENTO
(?)
Manoel de Araújo da Fonseca Menéres, de V. N. Gaia
4º AVERBAMENTO
17.1.1936
José Augusto Mendes, de Torres Vedras.
5º AVERBAMENTO
23.4.1962
João Pereira Dias da Silva, de Lisboa
6º AVERBAMENTO
11.6.1962
António Augusto do Nascimento Carvalho, de Famalicão
ACTUALMENTE
(?)
José Artur Campos Costa, de V. N. Famalicão




II Rampa da Pimenteira 1922

A 4 de Maio de 1922 disputou-se na zona de Lisboa a II Rampa da Pimenteira. A prova foi ganha pela dupla Artur Mimoso / Plácido Duro, em Delage. Era um carro com motor seis cilindros, válvulas à cabeça, carburador duplo e dupla inflamação por magneto. Tinha o capot motor construído em alumínio e uma carroçaria especial oferecida por Delage. Em 2º lugar chegou Palma de Vilhena, em Alfa Romeo,  em 3º José Ferreirinha, em Bugatti e em 4º Medeiros e Almeida, em MG Cowley.

Os vencedores, com a Taça Goodyear

A primeira corrida de automóveis em Portugal?
A prova da Pimenteira de 1922 pretendia celebrar o 20º aniversário da primeira corrida de automóveis em Portugal, ocorrida a 27 de Outubro de 1902 entre a Figueira da Foz e Lisboa. O vencedor foi o dr Tavares de Melo, que fez o percurso em 6 horas e 27 minutos. Esta informação consta do boletim do ACP, mas o tempo gasto parece muito pouco atendendo à distância, bem como aos automóveis e às estradas da época. Haverá quem possa confirmar isto?


"Figueira da Foz-Lisboa, 1902. Tavares de Melo e o seu Darraq  foram desclassificados. O condutor do carro de Tavares de de Melo foi um francês de nome Edmond, mas como o combóio em que viajou de Parispara Portugal chegou com atraso ele apenas pegou no carro em Coimbra, dai a desclassificação .
O vencedor acabou por ser um italiano de nome Bordino, ao volante do Fiat do Infante D Afonso, o célebre "arreda" que assim ficou conhecido pois era o que o Infante dizia às pessoas para saírem da frente do Fiat quando circulava em Lisboa."

Luis Sousa.

Estevão de Oliveira Fernandes

Em 1910 disputou-se a Rampa da Pimenteira, prova que viria a ser ganha pelo conceituado "sportsman" Estevão de Oliveira Fernandes, ao volante de um automóvel de corrida marca Richard-Brasier. Um dos seus companheiros nesta aventura seria Charles Bleck, pai do famoso aviador Carlos Bleck, o qual seria o destinatário da curiosa dedicatória escrita no canto inferior direito da fotografia:
"Não te arrependas de ter vindo a Évora. Teu amigo Estevão Fernandes"

Leiam-se agora estes excertos de um texto publicado no jornal Os Sports Illustrados de Junho de 1910:
«Fala Estêvão Fernandes. Doente, venceu e bem. Os Braziers vitoriosos. Um redactor de Os Sports illustrados entrevista o herói da corrida de rampa» "É que o valoroso automobilista, o conhecido Estêvão Fernandes, de Évora, recordman, touriste dos mais ilustres, tenha sofrido há poucos dias um desastre, que quase o deixou num feixe, foi para a corrida com os braços ainda ligados, as costelas, parece-nos que metidas entre talas. (…) Há oito anos que faço automobilismo e julgo poder dizer, sem receio, que sou, talvez, o automobilista português que maior número de quilómetros tenha percorrido. (…) Para prova da sua resistência, basta dizer que o ano passado subi a meia encosta da serra da Arrábida, pelo lado de Azeitão, por onde quase só caminham as cabras."
In «Os Sports Illustrados», Ano I – N.º 6 de 16 de Julho de 1910, p.3.

Bibliografia - Centro de Documentação do Automóvel Clube de Portugal


 Os automóveis Richard-Brasier eram tudo menos desconhecidos no início do século XX, tendo um deles sido vencedor da edição de 1904 da prestigiada Gordon Bennett Race, pelas mãos de Léon Théry.

José Emídio da Silva

José Emídio da Silva foi um dos pilotos mais marcantes do início da década de 50, não só pelos interessantes resultados conquistados mas também pela sua fidelidade à marca Panhard, que galhardamente representou durante a maior parte da sua carreira desportiva. Com o DB Panhard que se vê nas imagens participou no Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) de 1952, bem como no Circuito da Primavera de Vila do Conde, onde venceu a categoria respectiva. Ainda nesse mesmo ano participou no Campeonato de Rampas, tendo vencido a categoria V. Em 1953 vence a categoria 750 cc da Taça Cidade do Porto, integrada no Grande Prémio de Portugal, apesar do jornalista de serviço ao Jornal de Notícias ter achado que "José Emídio da Silva, que nos primeiros treinos não nos agradara pela forma como atacava as curvas, tirou óptimo rendimento desta sessão de fim da tarde".
Este mesmo DB Panhard continua em Portugal, está a ser recuperado e em breve voltará à estrada. Falta, porém, um detalhe muito importante: qual seria a sua cor quando participou nestas provas? Poderá algum dos leitores ajudar a devolver à sua forma original esta bela peça do nosso património desportivo comum?

Colaboração de Angelo Pinto da Fonseca


 Volta a Portugal 1954

Taça Cidade do Porto 1953

Campeonato de Rampas 1951

Jorge de Melo e Faro, Conde de Monte Real, foi um dos melhores e mais bem sucedidos pilotos da sua geração tendo conquistado um número importante de vitórias ao longo da sua carreira, utilizando para o efeito vários tipos de carros de competição. Em 1951 foi Campeão Nacional de Rampas ao volante do competitivo Ford Ardum preparado por Manuel Palma (imagem de cima) tendo vencido, entre outras, a Rampa da Arrábida. Na outra imagem vê-se o carro do vencedor a ser observado por outra figura lendária do automobilismo nacional, Francisco Ribeiro Ferreira, já retirado da competição e na altura presidente da Comissão Desportiva Nacional do ACP.



Concordo na totalidade com o autor. O Conde de Monte Real no inicio da década de cinquenta foi dos melhores
pilotos que Portugal teve, senão o melhor . O Conde, com o Ford Ardum, foi um "Allard killer" ; é um carro que gostaria de ter mais informaçao das suas transformaçoes . Sei que tinha o V8 com transformação Ardun , o chassis parece me ser de um Ford B , quanto ao resto ?


Luis

Equipa Ford - 1930/32

"A mais valiosa das Equipes - Equipe Ford"
Da esquerda para a direita:
Gaspar Sameiro, vencedor do Circuito de Vila Real 1931. Eduardo Ferreirinha, primeiro prémio da rampa da Penha 1930 e segundo prémio do Circuito de Vila Real 1931. António Bores e Silva, quarto prémio do Circuito de Vila Real 1930. António Alberto de Souza Guedes, 4 horas e 55 de Lisboa ao Porto e Porto- Lisboa em prise directa.
Gaspar Sameiro conquistaria também o segundo prémio do Circuito de Vila Real de 1932, sempre em Ford A, tal como Ferreirinha e Borges e Silva.

Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra
                      Foto - DigitArq Torre do Tombo


Troféu Turístico Clube Shell

O Mercedes 300 SL do Conde de Monte Real à partida para a prova e durante a subida da rampa da Pena durante o chamado Troféu Turístico Clube Shell, uma prova disputada na Serra de Sintra em 1956.
Este seria o último carro a ser tripulado por Jorge Melo e Faro na sua longa  e bem sucedida carreira desportiva. Para despedida e por puro divertimento, o Conde de Monte Real usou este Mercedes 300SL para bater o record do percurso Lisboa - Paris.
Colaboração de Gonçalo Macedo e Cunha a partir de Gonga World





Este mesmo carro, ON - 14 - 68, foi um dos onze Mercedes 300SL importados em 1955, tendo chegado a Portugal em Junho desse ano para José Júlio Marinho, seu primeiro proprietário. Por curiosa ironia do destino, Ernesto Neves viria  a adquirir este "gullwing" alguns anos mais tarde, numa altura em que o mesmo se encontrava num estado de conservação que deixava algo a desejar (em baixo).

O ON 14 68 teve um caminho longo no automobilismo Português , desde o Conde Monte Real a Santos Mendonça . Com o FG 23 66 , foi o último a largar as corridas, no ano de 1964 .
Depois foram a cheia , o passeio pelo Tejo e outros problemas que o E Neves conhece melhor que eu , e hoje está bem de saúde na Itália.
 - Luis

Bibliografia - Mercedes em Portugal, de Adelino Dinis. Edições Vintage

Manoel Menéres

Seria impensável fazer uma abordagem à história do automobilismo português sem fazer uma referência especial a Manoel Menéres, um homem extraordinário que congregava em si próprio os genes de construtor, técnico,  industrial,  estratega, entusiasta, pioneiro, visionário, etc, que faziam dele uma figura ímpar do Portugal da primeira metade do século XX.
Fundador da empresa Manuel Alves de Freitas & Cia Lda, do Porto, o maior concessionário Ford do país, Manuel Menéres começa em 1930 a desenvolver uma estratégia de marketing assente na participação de automóveis da marca em competição. Para o efeito, dá início a uma intensa colaboração com Eduardo Ferreirinha, um "mago" da mecânica já com créditos firmados, e partem ambos para a criação de um veículo experimental a partir da mecânica de um Ford A. A adopção de cabeças Miller para o motor, as alterações do chassis e a construção de uma nova carroçaria acabaram por gerar resultados surpreendentes que se traduziram por vitórias na Rampa da Penha e no Quilómetro Lançado do Mindelo.
Em 1936, esta mesma parceria Menéres / Ferreirinha estaria na génese da primeira verdadeira equipa de corridas criada em Portugal, através da produção de três carros exclusivamente dedicados à competição e construídos a partir de chassis Ford amplamente modificados nos quais eram montados motores V8, também da Ford.

Manuel Menéres e uma das suas sua primeiras criações: o Ford A transformado por Eduardo Ferreirinha.


Apresentação da equipa Ford, em 1936. O carro nº 3 foi entregue a Eduardo Ferreirinha, o nº 2 a Gilles Holroyd e o nº 1 a Manoel de Oliveira, esse mesmo, o cineasta.

Bibliografia e fotos - "Manoel de Oliveira, piloto de automóveis", de José Barros Rodrigues. Edições Caleidoscópio, 2008.

Queria aproveitar para aqui recordar com saudade, meu Avô Manoel Menéres (1898-1974), pioneiro da marca Ford e um dos seus grandes impulsionadores em Portugal. Era um leader por natureza, um homem de visão. Marcou a sua época, deixou obra que se tornou bem patente, tanto no campo industrial, agrícola, como no social em prol dos mais desfavorecidos e ainda no automobilismo desportivo e aviação. ANTÓNIO MENÉRES

Campeonato de Rampas 1952

O Conde de Monte Real venceu o Campeonato Nacional de Rampas de 1952 tripulando um Ford Ardun. Este era um carro especialmente concebido para competição e que estava equipado com um motor Ford V8 a que foram adaptadas duas cabeças Ardun em alumínio. Esta transformação, desenvolvida pelo emigrante russo Zora Arkus-Duntov nos Estados Unidos, permitia obter um desempenho de alta performance a partir do já então bem conhecido V8 da Ford.
Na Rampa da Penha o Conde de Monte Real não só foi o vencedor como também pulverizou o anterior record e bateu os Ferrari de José Nogueira Pinto, D. Fernando Mascarenhas e Carlos Ferreira, que ocuparam os lugares seguintes na classificação. 
A história repetiu-se na Rampa de Santa Luzia, só que desta vez foi D. Fernando Mascarenhas a ficar em segundo e Nogueira Pinto em terceiro.
Nas fotografia de baixo pode ver-se o motor Ford com as cabeças Ardun (esq) e constatar-se o invulgar facto de Jorge de Melo e Faro ter subido a Rampa da Penha … sem capacete!




Os Primeiros Passos

Em 1910 a Monarquia portuguesa vive a sua maior crise de sempre e irá dar lugar, a 5 de Outubro, à proclamação da República. Meses antes, porém, é o próprio Infante D. Afonso quem preside e supervisiona a prova que seria conhecida como Rampa da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras.
A vitória pertenceu ao Brazier 35cv de Estevão Fernandes, seguido de Angel Beauvalet, em Berliet 40cv e José Aguiar, em Isotta Fraschini de 50cv.
Nas imagens de cima, o momento da chegada do "corajoso concorrente" Pimenta de Aguiar e uma vista do traçado. Em baixo, à esquerda, a partida de um carro não identificado e, ao fundo, o vencedor, Estevão Fernandes, no seu Brazier 35cv. À direita, uma página inteira da revista, dedicada inteiramente ao acontecimento.
As imagens são da Ilustração Portugueza e foram gentilmente cedidas por Luis Caldas.