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Vitória em Inglaterra

Não é fácil para uma equipa estrangeira vencer seja o que for em Inglaterra, seja pelo facto de os ingleses serem competentes em quase tudo o que fazem seja pela circunstância de os súbditos de Sua Majestade não apreciarem o facto de serem batidos no seu próprio terreno, nem que seja ao berlinde. Pois aconteceu agora uma equipa portuguesa sagrar-se vencedora do Concurso de Elegância incluído na edição 2015 do Royal Automobile Club 1000 Mile Trial, uma "clássica" do calendário mundial da especialidade que teve lugar no princípio de julho. O prodígio foi conseguido pelo 1932 Alvis Speed 20 SA de José e Manuel Romão de Sousa o qual bateu nesta difícil escolha um leque de quarenta outros automóveis pre-War onde se incluíam o 1928 Alfa Romeo 6C Mille Miglia Supercharged de Federico e Michael Bebert, o Triumph Dolomite 8C ex-Donald Healey tripulado por Jonathan Turner e Ben Cussons, o 1935 Mercedes 500K Cabriolet de Winfried Ritter e Gaby Weig, para não falar do Bugatti Type 37 A ex-Tazio Nuvolari da equipa Viola Procovio e Jessica Dickson. Concorrência de altíssima qualidade, já se vê, o que ainda mais enaltece o feito da equipa do Porto (where else?).
Uma palavra de apreço também para o bonito 1933 MG J2 da outra equipa portuense participante na prova  formada por Manuel Enes e Alexandra Pombo. A mecânica do MG não colaborou (too bad there ain´t no pre-war Porsche 356s...) mas apesar disso o país foi condignamente representado por mais esta dupla portuguesa.








Mille Miglia 2015 - Anatomia do Carro nº 166

O Frazer Nash Fast Tourer com que José Manuel Albuquerque / José Costa Simões disputaram a edição 2015 das Mille Miglia não é um carro qualquer, muito pelo contrário. De facto trata-se do chassis 421/100/005 produzido em 1948 pela AFN em Inglaterra sob a responsabilidade de Fritz Fiedler, um conceituado técnico de origem alemã que trabalhou para a AFN a partir de 1947, o qual recorreu à tecnologia "Superleggera" da Touring para produzir a carroçaria  do Frazer Nash que seria então designado por  Fast Tourer, o único exemplar deste modelo a receber tal nome. Mais onze carros semelhantes seriam construídos mas viriam a ser designados como MM na sequência da participação de três Frazer Nash nas Mille Miglia de 1950.
O carro nº 166, o Frazer Nash Fast Tourer que a equipa portuguesa levou à mais recente edição das Mille Miglia, é o mesmo que conquistou uma Coupe des Alpes em 1953 pelas mãos do Barão Alex von Falkenhausen, um conhecido piloto e técnico alemão especializado em tecnologia BMW.



Em baixo, detalhe da estrutura Superleggera da carroçaria (esq) e Alex & Kitty von Falkenhausen (dir) a caminho de conquistarem a Coupe des Alpes no Alpine Rallye de 1953. A placa que regista esse mesmo resultado.







Mille Miglia 2015

 Exactamente às 7 horas e 22 minutos do dia 1 de Maio de 1955 o Mercedes Benz 300 SLR tripulado por Stirling Moss e Dennis Jenkinson partia da Viale Venezia em Brescia para cumprir as mil milhas da corrida em estrada aberta que o levaria até Roma e regresso, via Pescara e Florença. Pouco mais de dez horas depois (10hrs, 07 min e 48 seg) este mesmo carro cruzava a meta em Brescia como grande vencedor desta grande clássica do automobilismo mundial, tendo realizado a impressionante média de 157 km/h. Stirling Moss esteve sempre ao volante, cabendo a Dennis Jenkinson a responsabilidade de zelar pela navegação, tendo ambos dessa forma realizado uma das mais notáveis "performances" automobilísticas de que há memória.
14 de Maio de 2015. No ano em que se celebram 60 anos sobre a vitória de Moss / Jenkinson teve lugar em Brescia a partida para a edição 2015 desta grande maratona, agora com a presença de uma equipa portuguesa formada por José Manuel Albuquerque e José Costa Simões que tripulavam o Frazer Nash Fast Tourer com o número 166. Este carro foi produzido em 1948, tendo sido o primeiro deste tipo a sair da fábrica AFN Limited em Inglaterra. Está equipado com um motor Bristol de origem BMW com seis cilindros em linha e 2,000 cc de cilindrada capaz de produzir 120 bhp de potência.
As Mille Miglia originais, aquelas que foram disputadas em estrada aberta como se de uma simples corrida de automóveis se tratasse, tiveram lugar entre 1927 e 1957, tendo a prova sido retomada a partir de 1977 mas agora em versão "regularidade histórica". Em vez das 10 horas consecutivas de velocidade pura de outrora os concorrentes à edição de 2015 tiveram nada menos que dois dias e duas manhãs para percorrerem um percurso ligeiramente superior ao da versão original (1590 km em 1955, 1800 km em 2015), com partida e chegada em Brescia e pernoitas em Rimini, Roma e Parma .
Aqui fica a primeira parte da crónica desta grande aventura.




O Sol da Meia Noite, parte II

Segunda parte da reportagem do "Tour to the Midnight Sun 2015" a que se junta um bem elucidativo texto de Nellie Bishop sobre as condições extremas que por vezes os participantes nesta maratona tiveram que enfrentar.
Fotos de JRS e Nellie & Charlie Bishop

"Today, dear readers, I shall regale you with tales of derring-do, verve, panache and élan: all essential qualities in a light cavalryman (obviously distinct from infantry on horses otherwise known as dragoon guards). We set off from Fru Haugans hotel in Mosjoen in the pouring rain. This was wet rain. This was rain that could penetrate old fashioned waterproofs within minutes. It was like swimming in rain. Proper, big drop rain. Arctic rain. Leaden skies, sullen clouds. (I think they have it now – move on, ed). Anyway, your brave correspondent and navigator continued in their customary fashion to laugh in the face of adversity. We  travelled hood-less, generating much admiration as usual from our fellow rallyists, several of whom asked us to be godparents to their children and one invited us to speak at the United Nations. Ok I made that bit up, there weren’t several godparent requests: only one. Actually, there wasn’t much admiration, only a little scratching of heads in wonderment at the stupidity of otherwise sane and intelligent people subjecting themselves to such horrendous conditions. But this is where the cunning bit comes in: we have modern waterproofs and we stay as warm and dry as if we were in a fancy limousine." 











O Sol da Meia Noite, parte I

É preciso tempo, algum dinheiro e muita, muita coragem. Foi com todos estes requisitos reunidos que Milu e José Romão de Sousa partiram no seu Aston Martin DB2 de 1950 para o Tour to the Midnight Sun 2015, uma épica maratona rodoviária que levou os participantes a percorrerem mais de 5,000 quilómetros através das estradas por vezes geladas da Suécia e Noruega até "embaterem" no Cabo Norte, uma falésia com 300 metros de altura situada na ilha de Mageroya que muitos consideram ser o ponto mais a norte da Europa. Não é, mas é como se fosse. 
Com partida de Gotemburgo, Suécia, os concorrentes seguiram para norte, passaram bem acima do Círculo Polar Ártico, continuaram pela E69 até ao Cabo Norte e depois desceram em direção a Bergen. Muitos quilómetros de estradas solitárias, muitas travessias em ferry "saltitando" de ilha para ilha e, principalmente, um festival de paisagens de cortar a respiração.  Como se isso não bastasse entre 14 de maio e 31 de julho é possível contemplar "o sol da meia noite", uma experiência única que recomendo vivamente a quem nunca por tal passou.
Avarias no Aston? Nem pensar. Foi sempre a andar e até deu para baixar a capota nalgumas etapas.
A título de curiosidade junto a previsão meteo para hoje no Cabo Norte: céu encoberto, temperatura máxima 1 C (real feel -5 C), ventos de 42 km/h e possibilidade de aguaceiros. Uma delícia de verão.
Fotos de José Romão de Sousa e Nelli & Charlie Bishop, cujo blog Charlie and Nellie Rallye faz um completo e divertido relato desta aventura. A propósito, esta equipa fez todo o percurso (come rain or snow) com o seu AC Bristol em versão cabrio. Isso mesmo, sem capota.
(Continua)






A Maior Aventura do Mundo

Em 1907 um pequeno grupo de "gloriosos malucos" propôs-se fazer aquilo que na altura muitos consideravam ser "A Maior Aventura do Mundo", a ligação Pequim-Paris por via terrestre. Eram cerca de 13 mil quilómetros para percorrer através das montanhas e desertos da China, Mongólia, Rússia, etc, numa época em que as estradas eram virtualmente inexistentes, os automóveis (?) pouco fiáveis e a insegurança generalizada. O primeiro carro a chegar a Paris foi o ITALA vermelho do Príncipe Borghese, uma proeza extraordinária que teve eco em todo o mundo e faria com que a partir de então todos os carros de competição feitos em Itália tivessem a cor vermelha.
"Fast Forward" para 2007 quando nada menos que 133 automóveis "clássicos" convergem em Pequim para cem anos depois reviverem a grande aventura. Por coincidência (ou não) o número 100 seria atribuído à equipa portuguesa formada por Milu e José Romão de Sousa, que tripulavam um MG Magnette ZA de 1956. Trinta e cinco dias depois, após 12,642 km percorridos através de montes, desertos e vales com muitas peripécias à mistura, a valente representação nacional chegou a Paris intacta, com o carro a funcionar e dentro do tempo previsto para cumprir a gigantesca aventura. Chapeau!
A fotografia em B&W (de autor desconhecido) documenta o ITALA do Príncipe Borghese a ser empurrado algures num local remoto. As restantes imagens  são de Gerard Brown
Nota - Não deixem de ver a tabela com os percursos diários. Impressionante.