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A Primeira Vitória da Jaguar


Vila Real, 20 de Junho de 1937. Uma dezena de concorrentes apresenta-se à partida para o VI Circuito Internacional, estatuto que é conferido à prova transmontana pela presença do Adler Trumpf Sport especialmente preparado e modificado para ser conduzido pelo Príncipe Max Schaumburg-Lippe, um membro da alta aristocracia alemã que construiu uma respeitável carreira automobilística que incluiu participações nas 24 Horas de Le Mans, Mille Miglia, 1000 km Nurburgring, etc. Entre os portugueses há a registar a estreia em competição do recém adquirido SS100 Jaguar inscrito por Casimiro de Oliveira. Trata-se do chassis #18026 a que foi atribuída a matrícula do Porto N-17275, mais tarde reformulada para MN-72-75 e que ainda hoje continua em Portugal. Entre os candidatos à vitória contava-se também o EDFOR de Eduardo Ferreirinha, um carro de corrida produzido pelo próprio com base numa mecânica Ford e que chegou a conhecer um apreciável sucesso.
Após acesa disputa com o Edfor de Ferreirinha e o Adler do príncipe alemão  Casimiro de Oliveira acabou por vencer a corrida colocando pela primeira vez o nome Jaguar na lista dos vencedores em competições de velocidade a nível internacional. Poucos saberão que foi um português, Casimiro de Oliveira, a ter a honra de conquistar a primeira das muitas vitórias que a marca Jaguar coleccionou ao longo da sua existência.
Embora o fabricante SS utilizasse a designação Jaguar desde 1935 só dez anos depois é que  a marca adoptou oficialmente o nome que ainda hoje perdura. No que respeita ao significado da vitória portuguesa seria a própria Jaguar a atestar tratar-se da primeira da sua história, tal como consta do documento junto.
Fast Forward para 1992 e vamos encontrar este mesmo carro a participar na edição desse ano das Mille Miglia pelas mãos do seu actual proprietário, José Manuel Albuquerque, de longe o português com maior número de participações na clássica italiana e em provas internacionais históricas de velocidade. Saliente-se o facto de apenas três outros portugueses, João Lacerda, José Romão de Sousa e António Bandeira, terem conseguido ver as respectivas inscrições serem aceites para as Mille Miglia. O primeiro chegou mesmo a participar na versão original da prova durante a década de 50 e o terceiro conseguiu por duas vezes ser aceite para a versão mais recente de regularidade histórica.








Imagens: José Manuel Albuquerque e o SS100 Jaguar nas Mille Miglia 1992, Casimiro de Oliveira em Vila Real 1937, a luta entre o Adler de Schaumburg-Lippe e o SS100 Jaguar de Oliveira, o anúncio da revista Autocar de Maio de 1945 onde se dá conta da mudança de nome .

Fotos - José Manuel Albuquerque
Bibliografia - O Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra


João Rezende dos Santos

Após um interregno de mais de dez anos ditado pela II Grande Guerra, o Circuito de Vila Real regressou em 1949 tendo despertado o  maior entusiasmo. Por razões óbvias o material disponível para competir não era de primeira ordem mas apesar disso a prova foi um sucesso e permitiu abrir caminho para outras corridas, essas sim de primeira grandeza.
A imagem documenta o Simca 8 de João Rezende dos Santos, um pequeno carro familiar equipado com um motor de apenas 1089 cc que venceu a primeira corrida destinada às cilindradas mais baixas, cumprindo as vinte voltas do programa à respeitável média de 83,629 km/h. A segunda corrida foi ganha pelo Allard K1 de José Cabral, que viria a ser considerado o vencedor absoluto depois de ponderados os resultados de ambas as corridas. João Rezende dos Santos terminaria no quinto lugar da classificação agregada, um resultado verdadeiramente notável que aqui se regista
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - O Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra


Manoel de Oliveira, 1908 - 2015

Manoel de Oliveira era um genuíno homem do norte, autêntico e frontal, que dedicou toda a sua longa vida a uma imensa paixão, o cinema. Mas antes disso ainda teve oportunidade para se exprimir enquanto piloto de automóveis de mérito, tendo integrado a primeira equipa de corridas do nosso país, a equipa Ford, com a qual disputou provas ao mais alto nível em Portugal e no Brasil. O automobilismo não lhe trouxe qualquer glória especial mas acabaria por atingir dimensão mundial enquanto realizador de cinema que tinha um estilo próprio, inovador e inconfundível. Tal como aconteceu com muitos outros talentos invulgares a sua obra só será devidamente reconhecida algumas décadas após a sua morte.
Que fique em Paz.
Agradeço a Gonçalo Macedo e Cunha o raro cartaz de Vila Real 1937, prova que Manoel  de Oliveira disputou ao volante de um Ford V8 na categoria "corrida". Terminou em quarto lugar.
A imagem de baixo vale pelo simbolismo do "adeus" de Catherine Deneuve, uma das actrizes favoritas do Mestre, que aqui aparece ao lado de John Malkovich.




O Recomeço

Após mais de uma década de suspensão em consequência da II Guerra Mundial, o Circuito de Vila Real começa a renascer em 1949 com uma corrida em que participaram 23 automóveis, quase todos veículos de série. Só no ano seguinte voltariam os "carros de corrida".
Na imagem pode ver-se o Lancia Aprilia de Manuel Santos Pinto à frente do Riley Sprite de Camilo Fernandes. O primeiro terminaria num honroso 6º lugar enquanto que o segundo viria a abandonar por avaria.
Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931 - 1973", de Carlos Guerra
Foto - Centro de Documentação do ACP


Ferrari 225S Vignale Spider #0200 ED

Circuito de Vila Real 1952. Antes da partida, D. Fernando Mascarenhas, ao volante do Ferrari 225S #0200ED,  escuta as últimas instruções de Manuel Palma, as quais viriam a revelar-se preciosas para a obtenção de um brilhante segundo lugar na classificação final logo após Casimiro de Oliveira, em carro idêntico. Um pouco mais atrás podem ver-se o Ferrari 166MM de Guilherme Guimarães e o FAP de Fernando Palhinhas (nº 4).

Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931 - 1973", de Carlos Guerra


Coragem em Vila Real

O circuito de Vila Real, ao que se dizia, era para homens de "barba rija". Andava-se por vezes muito depressa e as condições de segurança eram frequentemente inexistentes. Em consequência, a probabilidade de ocorrência de um acidente grave era relativamente grande.
Veja-se este exemplo: nesta imagem obtida durante o Circuito de 1951 vemos o Conde de Monte Real, à frente, no seu Ferrari 166 Spider Corsa, seguido de Casimiro de Oliveira, em Ferrari 340 America Vignale Coupé, e de Giovanni Braco, o futuro vencedor, em Ferrari 212 Export Vignale Barchetta. De um dos lados do asfalto está o muro branco, do outro está um pedaço de "empedrado" de onde "nascem" várias árvores de bom porte sem qualquer protecção. O mais pequeno descuido poderia levar à destruição do carro e à morte do piloto, como tantas vezes aconteceu. Mas não em Vila Real.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931-1973", de Carlos Guerra


Sobre as Pedras de Vila Real

Sobre o "empedrado" de Vila Real as surpresas aconteciam quando menos se esperava. Foi o que aconteceu com o DIMA nº 6 de Corte Real Pereira, que pouco depois desta imagem ter sido obtida entrou em "pião" e foi ultrapassado pelo Cisitalia Abarth de Emilio Romano, que se vê ao fundo e acabaria por triunfar na classe até 1100 cc. O Allard de D. Fernando Mascarenhas, aqui em segundo plano, sofreu uma avaria que o fez a abandonar a corrida, a qual teria como vencedor absoluto o Ferrari 212 de Giovanni Bracco.
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973, de Carlos Guerra





Vasco Sameiro e o Invicta S-Type

Durante o ano de 1932 Vasco Sameiro utilizou um Invicta S-type de fabrico inglês para se impor à concorrência, tendo vencido os circuitos de Vila Real e da Boavista ao volante deste poderoso veículo com 4,5 litros de cilindrada propriedade de Fred Abecassis, importador nacional. Como sempre os adversários mais directos eram os seus irmãos Roberto e Gaspar, que por essa altura tripulavam Ford A modificados para corrida.
Bibliografia - Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra
Fotografias - Hemeroteca Municipal de Lisboa



Jaguar SS100

A 20 de junho de 1937 disputa-se em Vila Real a corrida de "Sport" integrada no VI Circuito Internacional. Nove carros comparecem à partida, entre eles o belíssimo Jaguar SS100 de Casimiro de Oliveira, um modelo do qual apenas  foram produzidos 31 exemplares*. O único piloto estrangeiro presente - que dará à prova o seu cunho "internacional" - é o Príncipe Max Zu Schaumburg- Lippe, que tripula um Adler Trumpf Sport.
Casimiro de Oliveira partiu da terceira fila da grelha mas rapidamente conquistou a liderança. Porém, à 12ª volta sofre um problema mecânico e pára em frente à tribuna, para retomar a corrida pouco depois. À 17ª passagem pela meta já o Jaguar vem novamente na frente, posição que manteria até final, ficando o Adler do Príncipe na segunda posição.
* - Um destes exemplares está agora em Portugal, numa colecção privada.

Fotografias - Luis Sousa e José Manuel Albuquerque
Bibliografia - Jornal "O Volante e Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra



Pelos Caminhos de Vila Real

Aos bravos pilotos do pós-guerra não bastava terem coragem e talento para pilotar automóveis. Era também fundamental terem uma invulgar condição física que lhes permitisse suportar as direcções "pesadas", as suspensões "duras" e os pisos extremamente agressivos das "pistas" em que se disputavam as corridas. O circuito de Vila Real não era excepção a esta regra, como se pode ver nesta imagem em que aparece o Cisitalia Abarth 204A de Emílio Romano a caminho do 4º lugar no IX Circuito Internacional de 1950. Piero Carini, que viria a estar envolvido no trágico acidente que em 1956 vitimou Borges Barreto, foi o vencedor, em Osca, ficando Casimiro de Oliveira e José Cabral nos lugares seguintes, ambos em Allard J2.

Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973, de Carlos Guerra


Adler em Vila Real

Para o circuito de Vila Real de 1936 surgem inscritos, na categoria "sport", dois automóveis de fabrico alemão de marca Adler, um Trumpf "Stromlinen" para Rudolph Sauerwein e um Trumpf Sport para Paul von Guilleaume, um piloto iria deixar a sua marca em Le Mans nos anos seguintes ao volante de  carros do mesmo fabricante. Conta Carlos Guerra, no seu livro "Circuito de Vila Real 1931-1973" que, antes da corrida, os dois pilotos alemães fizeram questão de prestar homenagem ao Comandante Carvalho Araújo depondo um ramo de flores junto da estátua deste ilustre vilarrealense,  que continha a seguinte inscrição: "Ao valente inimigo, Herói da Grande Guerra, homenagem dos corredores da Adler".  Notável exemplo de cavalheirismo ou mais um sinal da "superioridade" do Nacional Socialismo que começava afirmar-se?

Foto - Centro de Documentação do ACP


O Adler Trumpf Sport de Paul von Guilleaume a caminho do quarto lugar na classificação final. O vencedor seria Adolfo Ferreirinha, em Ford V8-18 com Manuel de Oliveira, o cineasta, a terminar em segundo lugar, ao volante de um BMW 315.

Festa em Vila Real

Se existe característica desde sempre associada ao circuito de Vila Real, terá de ser o enorme entusiasmo que as "corridas" sempre despertaram, não só na capital de Trás-os-Montes mas também em todo o norte do país. Milhares e milhares de pessoas ocupavam todos os lugares disponíveis ao longo do traçado, que tinha cerca de 7 km de extensão, emprestando uma moldura humana digna dos maiores eventos do género em qualquer parte do mundo. O ambiente era fantástico e assim continuou durante décadas, para grande satisfação dos pilotos que ali correram e de um público apaixonado que transformou Vila Real  num verdadeiro local de culto no panorama do desporto automóvel em Portugal.
Só faltou a Fórmula 1. Mas será que fez mesmo falta?
As imagens são relativas ao IX Circuito de Vila Real, disputado em 25 de Junho de 1950. Em cima, pouco após a partida é o Ferrari 166 Touring Barchetta de Vasco Sameiro (nº10) que lidera, seguido pelo Ferrari 166 Inter Allemano Coupé (nº4) de Giovanni Braco. Na imagem de baixo pode ver-se o Allard J2 de Casimiro de Oliveira a passar numa zona urbana recheada de portas e varandas a "abarrotar" de gente.
Já não se fazem corridas assim.

Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931 / 1973, de Carlos Guerra
Fotografias - Centro de Documentação do ACP



Manuel Carlos Agrellos

Para o Circuito de Vila Real de 1936, categoria Sport, apresentam-se à partida dezoito automóveis, entre os quais três Ford V8-54 para Jorge Melo e Faro (Conde de Monte Real), Manuel Carlos Agrellos e Emílio Hidalgo. Um quarto Ford V8-18 era tripulado por Adolfo Ferreirinha, que seria o vencedor da corrida.
Os três Ford V8-54 viriam a abandonar acorrida por avarias diversas, mas Manuel Carlos Agrellos ainda teria tempo para bater o record da volta mais rápida ao volante de um carro praticamente de série, com uma média de 91, 075 km/h. O anterior record pertencia ao Bugatti 35B de António Guedes de Herédia, que registou 90, 962 km/h no circuito de 1934. Porém, a maior parte da pista estava já asfaltada em 1936, o que não acontecia ainda em 1934, o que pode explicar a diferença nas velocidades conseguidas. 

Fotos - arquivo do ACP
Bibliografia - Circuito de Vila Real, 1931 - 1973, de Carlos Guerra

 O Ford V8 de Manuel Carlos Agrellos a caminho do record da prova … e do abandono.

 Manuel de Oliveira, o mais antigo realizador de cinema ainda em actividade, levou o seu BMW 315 ao segundo lugar absoluto.

Heróis Improváveis

A história das corridas de automóvel em Portugal não é feita apenas com vencedores e vencidos. Faz-se também com todos aqueles que participaram em provas apenas pelo prazer de participar e cujo objectivo era tão só  viver por dentro, ainda que de forma efémera, a grande aventura do automobilismo.
É para homenagear essas figuras, únicas e imprescindíveis, que hoje aqui trazemos alguns dos concorrentes ao Circuito de Vila Real de 1949, disputado numa altura em que a Europa estava ainda a sair da tragédia da II Guerra Mundial, o que justifica a presença em pista de automóveis pouco adequados a provas de velocidade, alguns dos quais tripulados por simples amadores locais. No Portugal de então quase nada acontecia de importante e as corridas de Vila Real traziam uma breve lufada de emoção a um país rural e deprimido que começava lentamente a recuperar de um atraso de décadas.
As imagens: 
 À esquerda, D. Afonso de Burnay, em Healey Westland Roadster e , à direita, António Pinto Correia, em Simca 8.
 Em baixo - António Camilo Fernandes, em Riley Sprite

Bibliografia:
 - Fotos Arquivo do ACP
 - Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra




Helga Liné

Ontem, muito mais que hoje, as corridas de automóveis geravam em torno de si próprias um ambiente de "glamour" e sofisticação que poucos desportos poderiam reivindicar. O facto de alguns dos principais  protagonistas serem ricos aristocratas ou homens de negócios que se divertiam arriscando a vida, fazia com que o elemento feminino marcasse quase sempre presença em quantidade e, como se pode ver pela imagem, em qualidade.
A fotografia que se junta representa bem o "país a duas velocidades" que era o Portugal dos anos 50. A cena passa-se durante o fim de semana das corridas de Vila Real e nela se podem ver, à esquerda, o Marquês de Fronteira (D. Fernando Mascarenhas) e, à direita, o Conde de Monte Real (Jorge Melo e Faro). Entre ambos está a belíssima actriz Helga Liné e uma outra figura que não consegui (ainda) identificar.  Envolvendo este grupo e, presume-se que ardendo de espanto, está o povo rural, atrasado e esquecido de Trás os Montes. Seriam necessários pelo menos mais 20 anos para que as coisas começassem a mudar.
Helga Liné nasceu na Alemanha, em 1932, mas  procurou refúgio em Portugal logo no início da Segunda Grande Guerra Mundial. Foi acrobata e artista de circo, tornando-se depois modelo e actriz de teatro de revista. Como seria de esperar, não lhe faltaram "protectores" que a ajudaram a progredir na carreira e a entrar para o mundo mágico do cinema, onde acabou por conseguir uma certa notoriedade como protagonista de filmes de terror (quem diria?), a maior parte produzidos em Espanha.

Fotografia - colecção família D. Fernando Mascarenhas


Comentário de um leitor  parcialmente identificado, a quem muito agradeço a colaboração: 
"A pessoa não identificada,que está do lado esquerdo da Helga, era um dos melhores amigos do D. Fernando. Era meu pai e chamava-se Zacarias Pachancho, das Fabricas PACHANCHO de Braga."

Os Ferraris Amarelos

Para o Circuito de Vila Real de 1952, os principais protagonistas portugueses da época - Casimiro de Oliveira, Vasco Sameiro e D. Fernando Mascarenhas -  equipam-se com os Ferrari 225 S Vignale Spider. Os carros dos dois primeiros são inscritos pela Escuderia CSC, apoiada pelo Conde da Covilhã, e aparecem em Vila Real pintados de amarelo.
Na imagem pode ver-se Vasco Sameiro quando se preparava para alinhar o seu Ferrari nº 22 na grelha de partida para o XI Circuito de Vila Real. As coisas não lhe correram de feição e o piloto nortenho acabaria por abandonar a prova no decorrer da 12ª volta, quando comandava a corrida, devido a uma avaria de travões.
Casimiro de Oliveira teve uma vitória tranquila, acabando por deixar o segundo classificado, D. Fernando Mascarenhas, a uma volta de distância.
Registe-se a presença em Vila Real de algumas figuras de primeira grandeza no panorama automobilístico internacional de então, tais como Felice Bonetto, Clemente Biondetti e Eugenio Castelotti. Com excepção deste último, que abandonou por acidente, os outros foram claramente batidos pelos "heróis" portugueses.
Foto de Manuel Meneres
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973, de Carlos Guerra


Pouco antes da corrida de 1952, em Vila Real. A actriz Helga Liné, D. Fernando Mascarenhas, Jorge Reis, D. António Mascarenhas, Jorge Monte Real (de chapéu) e mais alguns amigos durante um passeio nas imediações do circuito.


O Bugatti #51158

No dia 20 de Outubro de 1935, Francisco Ribeiro Ferreira apresentou no Circuito do Estoril o seu recém adquirido Bugatti 51, chassis # 51158. O carro, ainda pintado com o seu azul original (mais tarde seria pintado de vermelho e branco, as cores nacionais para as corridas de automóveis), tinha chegado três dias antes à fronteira portuguesa no combóio proveniente de França, tendo aí sido recolhido pelo seu novo proprietário que o conduziu até Lisboa. Apesar disso, o Bugatti 51 estreou-se a ganhar no Estoril.
No ano seguinte, Francisco Ribeiro Ferreira inscreveu este mesmo carro na categoria "Corrida" do V Circuito de Vila Real e , apesar de ter feito o melhor tempo nos treinos, terminaria em segundo lugar com uma volta de atraso em relação ao vencedor, Vasco Sameiro. A necessidade de mudar uma roda durante a corrida terá estado na base deste resultado.
Em 1938 o #51158 passou para as mãos de Casimiro de Oliveira, que com ele disputou o Circuito de Vila Real, tendo abandonado ao fim de apenas oito voltas. Meses mais tarde o mesmo piloto iria disputar o Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, mas o Bugatti 51 voltou a não colaborar.
Bibliografia :
- Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra
- Bugattis in Portugal, de J. Touzet
- Fotografia original de Clemente Meneres, gentilmente cedida por Manuel Meneres.
- Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca.

Francisco Ribeiro Ferreira, Circuito de Vila Real 1936

Vla Real 1950

Uma primeira linha de grelha totalmente portuguesa, à partida para o IX Circuito Internacional de Vila Real disputado em 25 de Junho de 1950. À esquerda na fotografia, Vasco Sameiro apresenta-se com o recém adquirido Ferrari 166 MM Touring Barchetta, tendo a seu lado os dois Allards J2 de Casimiro de Oliveira e José Cabral, ambos equipados com motores Mercury V8 de 4,375cc. No entanto a corrida seria dominada pelo italiano Piero Carini, num OSCA com motor 1342cc, o qual terminaria em primeiro lugar com quase um minuto de vantagem sobre o Allard de Casimiro de Oliveira, o segundo classificado.
Tragicamente, este mesmo Piero Carini viria a estar envolvido no acidente que, anos mais tarde, vitimou o jovem e prometedor piloto português António Borges Barreto.
Bibliografia: Circuito de Vila Real 1931-1973, de Carlos Guerra. Edições Vintage.
Foto: arquivos do ACP.


Vila Real 1951


O Conde de Monte Real, ao volante do Ferrari 166 Spider Corsa, termina num brilhante segundo lugar a corrida principal do X Circuito de Vila Real, depois de ter obtido o melhor tempo nos treinos. Giovani Bracco seria o vencedor da prova, com um Ferrari 212 Vignale Barchetta.
O Ferrari 166 foi produzido durante os anos de 1947 e 48, sendo notórias as diferenças entre quase todos os carros então saídos de Maranello.  Os motores utilizados eram os V12 de 1992 cc de cilindrada, posteriormente aumentados para 1995 cc, os quais debitavam 130 cavalos de potência através de uma caixa de 5 velocidades.