Supercortemaggiore 1953

Não foi feliz a participação de D. Fernando Mascarenhas no Grande Prémio Supercortemaggiore de 1953. O Ferrari 250MM ficou com a aerodinâmica alterada devido a uma saída de estrada, mas o piloto português escapou sem problemas de maior.
Este mesmo chassis, #0326MM, pertence agora a um coleccionador de Hong Kong e surgiu nas Mille Miglia de 1994 na configuração que pode ver-se na fotografia de baixo.





Um Midget na Parada

A "Parada", ou melhor, o Sporting Club de Cascais, era uma instituição de fortes raízes monárquicas que existiu entre 1879 e 1974, frequentada pela alta burguesia e pela aristocracia nacional e internacional, ao ponto de então se poder fazer a seguinte distinção entre as pessoas: "é-se da Parada, ou não se é". Consta que Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão frequentavam o local e tudo leva a crer que foi lá que se realizou o primeiro jogo de futebol em Portugal. 
Nos anos 50 foi construída nos jardins da "Parada" uma pista oval em cinza (ou gravilha), a exemplo das que existiam nos Estados Unidos e alguns países da Europa, onde se disputavam animadas provas de perseguição automóvel. Foi numa dessas competições que o Conde de Monte Real se apresentou com este Midget especialmente construído para este tipo de piso, um carro de corrida feito "à escala" e que vinha normalmente equipado com um motor monocilíndrico de 250cc, podendo no entanto existir outras versões consoante o regulamento das provas em que participavam.


Um dos muitos Midgets artesanais produzidos nos EUA e projectados especialmente para utilização em pistas de cinza ou gravilha.

II Rallye de Miramar 1949

A equipa formada por Jorge Seixas e Martinho Lacasta, em Allard, venceu brilhantemente o II Rallye de Miramar, disputado em volta daquela então lindíssima praia do norte de Portugal. Manuel Nunes dos Santos, acompanhado por Jaime Rodrigues, levaria o BMW 328 até ao terceiro lugar da classificação geral.
Um jovem quase desconhecido, Joaquim Filipe Nogueira, deu nas vistas ao vencer a III categoria, ao volante de um Simca.





Alguns dos participantes, em retrato de família. O Allard de Jorge Seixas está em primeiro plano.
Esta foto pertence à biografia de mestre Jaime Rodrigues publicada em www.interclassico.com

Helga Liné

Ontem, muito mais que hoje, as corridas de automóveis geravam em torno de si próprias um ambiente de "glamour" e sofisticação que poucos desportos poderiam reivindicar. O facto de alguns dos principais  protagonistas serem ricos aristocratas ou homens de negócios que se divertiam arriscando a vida, fazia com que o elemento feminino marcasse quase sempre presença em quantidade e, como se pode ver pela imagem, em qualidade.
A fotografia que se junta representa bem o "país a duas velocidades" que era o Portugal dos anos 50. A cena passa-se durante o fim de semana das corridas de Vila Real e nela se podem ver, à esquerda, o Marquês de Fronteira (D. Fernando Mascarenhas) e, à direita, o Conde de Monte Real (Jorge Melo e Faro). Entre ambos está a belíssima actriz Helga Liné e uma outra figura que não consegui (ainda) identificar.  Envolvendo este grupo e, presume-se que ardendo de espanto, está o povo rural, atrasado e esquecido de Trás os Montes. Seriam necessários pelo menos mais 20 anos para que as coisas começassem a mudar.
Helga Liné nasceu na Alemanha, em 1932, mas  procurou refúgio em Portugal logo no início da Segunda Grande Guerra Mundial. Foi acrobata e artista de circo, tornando-se depois modelo e actriz de teatro de revista. Como seria de esperar, não lhe faltaram "protectores" que a ajudaram a progredir na carreira e a entrar para o mundo mágico do cinema, onde acabou por conseguir uma certa notoriedade como protagonista de filmes de terror (quem diria?), a maior parte produzidos em Espanha.

Fotografia - colecção família D. Fernando Mascarenhas


Comentário de um leitor  parcialmente identificado, a quem muito agradeço a colaboração: 
"A pessoa não identificada,que está do lado esquerdo da Helga, era um dos melhores amigos do D. Fernando. Era meu pai e chamava-se Zacarias Pachancho, das Fabricas PACHANCHO de Braga."

No Meio da Grelha

Invulgar imagem obtida sensivelmente a meio da grelha de partida para o Grande Prémio do Porto de 1954. Nela são visíveis o Cooper T33 de Peter Whitehead, com o nº 8, o Talbot de Charles Pozzi, com nº5, o Ferrari 250MM nº 19 de Nogueira Pinto e o HWM nº9 de Georges Abecassis.
Charles Pozzi, que viria a tornar-se no representante da Ferrari para França, estava já no ocaso da sua carreira de piloto que, não tendo sido particularmente brilhante, ainda lhe permitiu participar, ao volante de um Talbot Lago, no primeiro Grande Prémio de França de Fórmula 1, que teve lugar em 1950
O vencedor da corrida da Boavista seria Luigi Villoresi, em Lancia D24.


Manoel Menéres

Seria impensável fazer uma abordagem à história do automobilismo português sem fazer uma referência especial a Manoel Menéres, um homem extraordinário que congregava em si próprio os genes de construtor, técnico,  industrial,  estratega, entusiasta, pioneiro, visionário, etc, que faziam dele uma figura ímpar do Portugal da primeira metade do século XX.
Fundador da empresa Manuel Alves de Freitas & Cia Lda, do Porto, o maior concessionário Ford do país, Manuel Menéres começa em 1930 a desenvolver uma estratégia de marketing assente na participação de automóveis da marca em competição. Para o efeito, dá início a uma intensa colaboração com Eduardo Ferreirinha, um "mago" da mecânica já com créditos firmados, e partem ambos para a criação de um veículo experimental a partir da mecânica de um Ford A. A adopção de cabeças Miller para o motor, as alterações do chassis e a construção de uma nova carroçaria acabaram por gerar resultados surpreendentes que se traduziram por vitórias na Rampa da Penha e no Quilómetro Lançado do Mindelo.
Em 1936, esta mesma parceria Menéres / Ferreirinha estaria na génese da primeira verdadeira equipa de corridas criada em Portugal, através da produção de três carros exclusivamente dedicados à competição e construídos a partir de chassis Ford amplamente modificados nos quais eram montados motores V8, também da Ford.

Manuel Menéres e uma das suas sua primeiras criações: o Ford A transformado por Eduardo Ferreirinha.


Apresentação da equipa Ford, em 1936. O carro nº 3 foi entregue a Eduardo Ferreirinha, o nº 2 a Gilles Holroyd e o nº 1 a Manoel de Oliveira, esse mesmo, o cineasta.

Bibliografia e fotos - "Manoel de Oliveira, piloto de automóveis", de José Barros Rodrigues. Edições Caleidoscópio, 2008.

Queria aproveitar para aqui recordar com saudade, meu Avô Manoel Menéres (1898-1974), pioneiro da marca Ford e um dos seus grandes impulsionadores em Portugal. Era um leader por natureza, um homem de visão. Marcou a sua época, deixou obra que se tornou bem patente, tanto no campo industrial, agrícola, como no social em prol dos mais desfavorecidos e ainda no automobilismo desportivo e aviação. ANTÓNIO MENÉRES

Um Toque de Classe

João de Castro não ficará na história do automobilismo nacional pelas suas conquistas em pista que, sendo respeitáveis, não se comparam com as obtidas por algumas grandes figuras do seu tempo. Porém, será reconhecido pela sua exuberante vida de "playboy" e pela invulgar generosidade  de que deu mostras quando se tratava de ajudar outros pilotos com mais talento mas com muito menos recursos financeiros. Nomes como "Mané" Nogueira Pinto, Borges Barreto e Américo Nunes, entre outros, dificilmente chegariam a ser o que foram se não tivessem o indispensável "empurrão" fornecido por João de Castro.
Cito Nicha Cabral, na sua magnífica biografia escrita por Adelino Dinis:
"Quanto ao Porsche do Mané, tinha sido comprado a João de Castro, que era representante da NSU e tinha um estabelecimento na Duque de Loulé. Era muito rico e ajudou Borges Barreto na sua carreira como piloto. O João de Castro gostava muito do Mané e se o Carrera não lhe foi oferecido, pouco faltou."
 Na imagem, obtida durante a Taça Cidade de Lisboa de 1954, João de Castro (nº10), apresenta-se com o Porsche 356 mais configurado para um Concurso de Elegância (note-se a faixa branca nos pneus…) do que para uma prova de velocidade. Como se tal não bastasse, "escondeu-se" debaixo do pseudónimo Norberto Paz com o objectivo de fazer com que as suas proezas automobilísticas não chegassem aos ouvidos do pai Castro e se acabassem os financiamentos que os seus 29 anos de então exigiam.
Já não há Heróis assim...
Na outra imagem vê-se o mesmo carro, semanas antes, submerso por um manto de neve em … Monsanto.
Sim, nevou copiosamente em Monsanto no ano de 54.
Bibliografia:
- Nicha, de Adelino Dinis
- Fotografias - Colecção Domingos Palha da Costa e família João de Castro.


Os Louros do Vencedor

D. Fernando Mascarenhas não era apenas, como alguns tentavam fazer acreditar, um rico aristocrata que se divertia fazendo corridas de automóveis. Tinha talento e cultivava (às vezes de forma excessiva) o risco, factores que em conjunto lhe proporcionaram algumas indiscutíveis e mercidíssimas vitórias.
Uma delas aconteceu no circuito de Monsanto de 1954, quando D. Fernando se sagrou vencedor da Taça Cidade de Lisboa ao volante de um Jaguar XK120. A seguir classificaram-se Filipe Nogueira (Porsche 356), em 3º João Lacerda (Alfa Romeo 1900), 4º Nunes dos Santos (Alfa Romeo 1900), 5º Alberto Graça (Porsche 356), 6º Abreu Valente (Porsche 356), 7º João Graça (Porsche 356) e em 8º João de Castro (Porsche 356), que corria sob o pseudónimo "Norberto Paz". Filipe Nogueira(2,000cc) e Alberto Graça (1300cc) venceriam as respectivas classes.
Na imagem, D. Fernando Mascarenhas em pose de vencedor, encostado ao Jaguar, tendo do lado oposto a imagem sempre presente do seu "anjo da guarda", Manuel Palma, o responsável pela preparação do carro.



João Lacerda / Jaime Azarujinha, Monte Carlo 1952

João Lacerda tem o seu nome definitivamente ligado à história do automobilismo em Portugal, quer pelos resultados desportivos obtidos em muitas e difíceis competições, quer pelo vasto legado que deixou atrás de si e que hoje muito enriquece o património desportivo (e cultural) do nosso país. O Museu do Caramulo, por exemplo.
Em 1952, João Lacerda e Jaime Azarujinha partiram à conquista de Monte Carlo, abordando aquela que era (e continua a ser) a prova raínha do calendário internacional. Ao volante de um improvável Citroen 15 / 6 "traction avant", a equipa portuguesa conseguiu um brilhante 13º lugar absoluto, sendo o melhor de todos os carros da marca à chegada. Assim começou a escrever-se a fantástica história da Citroen no Mundial de Ralis, a qual ainda hoje perdura com os resultados que se conhecem.
Os vencedores da extremamente difícil edição de 1952 seriam Sidney Allard e Guy Warburton, em Allard P1, tendo Stirling Moss e John Cooper (que luxo de equipa!!!) terminado em segundo lugar da Geral, com um Sunbeam Talbot. Partiram 328 concorrentes, mas apenas 167 chegaram ao fim, o que diz bem da dureza da prova.
Junto uma esclarecedora imagem do Col de Braus, onde se disputou uma prova de regularidade com 74 quilómetros de extensão e que subia acima dos 1,000 metros de altitude. Os relatos da época dizem que havia tanta neve acumulada em cima das árvores que estas se inclinavam perigosamente para cima da estrada.
Bibliogafia:
- Revista Topos & Clássicos nº 106, Fev 2010
- The 1952 Monte Carlo Rallye, by Goran Norlander
Fotos - João Lacerda
 

 Em baixo, duas imagens que atestam bem as dificuldades que os concorrentes tiveram de enfrentar.

III Volta a Portugal

Em Julho de 1934 teve lugar a terceira edição da Volta a Portugal em Automóvel, organizada pelo jornal "O Volante", publicação regular de referência em matéria de automobilismo e aviação. Os vencedores da prova seriam os irmãos Adolfo e Eduardo Ferreirinha, em Ford (foto de cima), ficando o MG da equipa António Herédia / Manuel Queiroz em primeiro lugar da classe A (fotos de baixo).
Fotografias - Arquivo Nacional da Torre do Tombo (DigitArq) e Hemeroteca Municipal de Lisboa (O Volante)





Os Ferraris Amarelos

Para o Circuito de Vila Real de 1952, os principais protagonistas portugueses da época - Casimiro de Oliveira, Vasco Sameiro e D. Fernando Mascarenhas -  equipam-se com os Ferrari 225 S Vignale Spider. Os carros dos dois primeiros são inscritos pela Escuderia CSC, apoiada pelo Conde da Covilhã, e aparecem em Vila Real pintados de amarelo.
Na imagem pode ver-se Vasco Sameiro quando se preparava para alinhar o seu Ferrari nº 22 na grelha de partida para o XI Circuito de Vila Real. As coisas não lhe correram de feição e o piloto nortenho acabaria por abandonar a prova no decorrer da 12ª volta, quando comandava a corrida, devido a uma avaria de travões.
Casimiro de Oliveira teve uma vitória tranquila, acabando por deixar o segundo classificado, D. Fernando Mascarenhas, a uma volta de distância.
Registe-se a presença em Vila Real de algumas figuras de primeira grandeza no panorama automobilístico internacional de então, tais como Felice Bonetto, Clemente Biondetti e Eugenio Castelotti. Com excepção deste último, que abandonou por acidente, os outros foram claramente batidos pelos "heróis" portugueses.
Foto de Manuel Meneres
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973, de Carlos Guerra


Pouco antes da corrida de 1952, em Vila Real. A actriz Helga Liné, D. Fernando Mascarenhas, Jorge Reis, D. António Mascarenhas, Jorge Monte Real (de chapéu) e mais alguns amigos durante um passeio nas imediações do circuito.


Stirling Moss / Porsche vencem em Monsanto

Não foram muitas as vezes em que Stirling Moss disputou corridas ao volante de um Porsche e foram ainda menos as vezes em que venceu para a marca de Stuttgart. Uma delas aconteceu em Portugal, no distante ano de 1955, quando o grande campeão inglês participou na Taça Governador Civil de Lisboa, em Monsanto, ao volante de um Porsche 550 Spyder.
Embora sob contrato com a equipa oficial Mercedes Benz de Grande Prémio para a época de 1955, Stirling Moss tinha permissão para correr por outras marcas sempre que as datas fossem compatíveis, daí resultando as provas que fez para a Porsche nesse mesmo ano, as 9 Horas de Goodwood (que não terminou) e o Circuito de Monsanto, que venceu.
Na imagem registada no momento da partida podem ver-se Stirling Moss, nº3, Filipe Nogueira, nº1 e Wolfgang Seidel, nº4. Um pouco mais atrás estão Laustenschlager, nº5, e D. Fernando Mascarenhas, nº2, todos em Porsche 550 Spyder.
No final apenas Filipe Nogueira terminou na mesma volta do vencedor, Stirling Moss, mas com cerca de um minuto de diferença. O terceiro classificado seria D. Fernando Mascarenhas.


Em baixo, os vencedores da tarde: Stirling Moss, vencedor da taça Governador Civil de Lisboa, em Porsche, e D. Fernando de Mascarenhas, vencedor da Taça Cidade de Lisboa, em Mercedes Benz 300SL


Raid Paris - Lisboa 1934

Em 1934, José Lopes da Silva e Henrique Lehrfeld decidiram tentar bater o tempo do combóio Sud Express na ligação Paris - Lisboa, na altura o meio de transporte mais rápido para esse percurso. Para o efeito equiparam-se com um Steyr, um pequeno carro de fabrico austríaco dotado de um motor de 4 cilindros e 1376 cc de cilindrada, com o qual percorreram os 1890 quilómetros de estrada em 29 horas e 40 minutos, batendo assim o Sud Express por 1 hora e 7 minutos. Lopes da Silva, que já era o detentor do record da Volta à Península, tornou-se assim num piloto muito apreciado pela Steyr, que logo o convidou para disputar os 200km da Alemanha desse mesmo ano, oferta que o português declinou para poder estar presente na Volta a Portugal.
Henrique Lehrfeld, que partira o braço direito num acidente dias antes do Raid Paris-Lisboa, apenas conduziu durante 340 km do percurso, tendo José Lopes da Silva que aguentar ao volante durante mais de 1500 km.
Já não há heróis assim...


A razão pela qual o Henrique Lehrfeld está de braço ao peito, é bem curiosa. 
No dia 3 de Junho de 1934 decorreu em Lisboa a I Jornada do I Circuito do Parque Eduardo VII. Compreendeu apenas duas corridas para carros de sport de 45 minutos cada, vencidas por António Guedes de Herédia, num Morris Minor, a de cilindradas mais baixas, e pelo Engº Francisco Ferreira, a de cilindradas mais elevadas, no Railton Terraplane.
Depois destas provas, Henrique Lehrfeld decidiu levar a cabo uma tentativa com o intuito de estabelecer o record da volta. Todavia, a Bugatti 35B galgou o passeio, derrubou três árvores e voltou uma maca dos serviços de socorro, tendo mesmo Lehrfeld recolhido ao hospital, em consequência dos ferimentos. 

Colaboração de Carlos Guerra.



I Gran Premio Supercortemaggiore 1953

A 6 de Setembro de 1953 disputa-se em Itália, no circuito de Merano, o I Gran Premio Supercortemaggiore, assim chamado por ser patrocinado por uma marca de gasolina com o mesmo nome, muito em voga na altura. Estão presentes alguns dos melhores pilotos do mundo, tais como Fangio, Taruffi, Castelotti e muitos outros, incluindo uma representação portuguesa formada por Casimiro de Oliveira, José Nogueira Pinto e "De Fronteira", que não é outro senão o nosso bem conhecido D. Fernando Mascarenhas. Os portugueses vinham equipados com os já pouco competitivos Ferrari 250MM, mas nem por isso deixaram de ter um comportamento altamente meritório.
A prova consistia em dar 15 voltas a um circuito com cerca de 18 quilómetros de perímetro traçado em volta da cidade de Merano, nos Alpes italianos, e teria como vencedor o campeoníssimo Juan Manuel Fangio, em Alfa Romeo 6C 3000CM. Nogueira Pinto seria num brilhante terceiro classificado e Casimiro de Oliveira (na foto) conseguiria um lugar na segunda linha da grelha de partida, à frente de muito boa gente, vindo a terminar na 13ª posição. D. Fernando Mascarenhas não teve sorte e abandonou a corrida por acidente.
Bibliografia -  http://www.jmfangio.org/index.html

Em cima, o Ferrari 250MM #0332 de Casimiro de Oliveira em plena prova e, em baixo, o Alfa Romeo 6C 3000CM de Fangio a caminho da vitória. Junta-se a grelha de partida.

Os "Heróis" de Monte Carlo

Imagens da participação da equipa formada pelo Conde de Monte Real, D. Fernando Mascarenhas e Manuel Palma  na edição de 1951 do Rallye de Monte Carlo, onde conquistaram um brilhante segundo lugar na classificação geral.
Na fotografia de cima podem ver-se os elementos da equipa a prepararem o Ford 100 para uma complementar disputada em Cannes, enquanto que em baixo se vê um sorridente Jorge de Melo e Faro depois de ter recebido a taça correspondente ao segundo lugar das mãos do Príncipe Rainier.



O Bugatti #51158

No dia 20 de Outubro de 1935, Francisco Ribeiro Ferreira apresentou no Circuito do Estoril o seu recém adquirido Bugatti 51, chassis # 51158. O carro, ainda pintado com o seu azul original (mais tarde seria pintado de vermelho e branco, as cores nacionais para as corridas de automóveis), tinha chegado três dias antes à fronteira portuguesa no combóio proveniente de França, tendo aí sido recolhido pelo seu novo proprietário que o conduziu até Lisboa. Apesar disso, o Bugatti 51 estreou-se a ganhar no Estoril.
No ano seguinte, Francisco Ribeiro Ferreira inscreveu este mesmo carro na categoria "Corrida" do V Circuito de Vila Real e , apesar de ter feito o melhor tempo nos treinos, terminaria em segundo lugar com uma volta de atraso em relação ao vencedor, Vasco Sameiro. A necessidade de mudar uma roda durante a corrida terá estado na base deste resultado.
Em 1938 o #51158 passou para as mãos de Casimiro de Oliveira, que com ele disputou o Circuito de Vila Real, tendo abandonado ao fim de apenas oito voltas. Meses mais tarde o mesmo piloto iria disputar o Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, mas o Bugatti 51 voltou a não colaborar.
Bibliografia :
- Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra
- Bugattis in Portugal, de J. Touzet
- Fotografia original de Clemente Meneres, gentilmente cedida por Manuel Meneres.
- Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca.

Francisco Ribeiro Ferreira, Circuito de Vila Real 1936

VII Grande Volta a Portugal

Em 1955 disputou-se a VII Grande Volta a Portugal em automóvel e um dos  carros mais interessantes à partida era este Ferrari 166MM Touring Barchetta s/n 040 tripulado por Manuel e Augusto Palma, que se vêem na imagem a ladear Joaquim Morgado, o "outro" nome  por detrás das oficinas Palma & Morgado. 
Este carro, originalmente importado para Vasco Sameiro em 1950, surgiu nesta prova já algo cansado e acabaria por abandonar a Volta a Portugal sem deixar qualquer marca relevante, de resto tal como viria acontecer com todos os Ferrari inscritos nesta prova.
O Ferrari 166MM estava equipado com um motor V12 a 60 graus com 1995 cc de cilindrada, alimentado por três carburadores Weber 32 DCF que permitiam obter uma potência de 140 bhp, um  valor notável para a época.

E que carreira teve este 166MM . Usou 4 motores, teve bilhete de identidade trocado, o único Ferrari
em Portugal que foi levado à vitoria por Sameiro e Casimiro .
Hoje reside no UK em boa casa .
Luis

Grande Prémio de Tanger 1955


José Arroyo Nogueira Pinto estreou o Ferrari 750 Monza Scaglietti Spyder  #0572 no Grande Prémio de Tanger de 1955 (não confundir com o II Circuito Internacional de Tanger, que também se disputou nesse ano) e conseguiu logo uma das suas vitórias mais saborosas. Viria ainda a vencer o Circuito de Vila do Conde desse mesmo ano, mas não terminou o Grande Prémio do Porto e o Circuito de Monsanto, as provas mais importantes da época portuguesa.
A partir de 1993 este carro passou a fazer parte da colecção privada da Ferrari Spa, estando incluído na exposição permanente das Galerias Ferrari, em Maranello.






Monsanto 54

Imagem da grelha de partida para o II Circuito Internacional de Lisboa, IV Grande Prémio de Portugal, em que se podem ver o Maserati A6GS nº 15 de Cesare Perdisa, o Ferrari 250 MM (#0326MM) de D. Fernando Mascarenhas (nº12), o carro idêntico (#0330MM) do piloto brasileiro Francisco Marques (nº3), o Jaguar XK120 de Godia Sales e o Ferrari 225S nº 2 (#0198ET) de Sérgio Bernardes.
Junta-se também uma fotografia obtida no interior das oficinas de Palma & Morgado durante os dias que precederam o Grande Prémio, com a respectiva legenda. Trata-se de um excerto de um notável trabalho publicado na revista "Clássicos" de Maio de 2001 por Carlos Guerra, onde se revelam os Ferrari que na década de 50 competiam em Portugal.


Cavaleiro Andante


O "Cavaleiro Andante" era uma revista de banda desenhada que se publicava em Portugal na década de 50 do século passado e que marcou toda uma geração. Para além das aventuras que os jovens leitores seguiam avidamente, o "CavaleiroAndante" acompanhava também tudo o que de mais importante se passava no panorama desportivo nacional, como o comprova esta reportagem relativa ao Circuito Internacional de Lisboa de 1953, assinada por alguém que viria a tornar-se numa das principais  referências do jornalismo desportivo português, Carlos Pinhão.

(Colaboração de Gonçalo Macedo e Cunha)

As Cinzas de um Aston Martin

Tony Gaze foi um dos participantes no III Grande Prémio de Portugal de 1953, disputado no circuito da Boavista, tripulando um magnífico Aston Martin DB3S. Por razões nunca completamente esclarecidas, o carro nº 15 pegou fogo ainda no decorrer da segunda volta, tendo o piloto australiano escapado ao incêndio que se seguiu sem sofrer consequências de maior. O Aston Martin, porém, foi rapidamente reduzido a cinzas apesar dos esforços dos mal equipados bombeiros locais (note-se o "regador" em primeiro plano).
Esta não foi a primeira vez que Tony Gaze se viu em sérios apuros. Durante a II Guerra Mundial, este então muito jovem australiano integrou os quadros da Royal Air Force como piloto de aviões Spitfire, tendo sido abatido sobre a França ocupada e feito prisioneiro pelos alemães. Porém, viria a ser libertado pela Resistência francesa que, após um difícil processo de fuga, o devolveu a Inglaterra.
Tendo retomado as suas funções na RAF após um breve repouso, Tony Gaze viria a ser o primeiro piloto das forças aliadas a aterrar em França (St Croix-sur-mer) após o desembarque na Normandia a 10 de Junho de 1944.

Fotografia colecção Duarte Pinto Coelho

Só uma nota sobre o Aston que ardeu e que é mencionado nos Heróis. O modelo é um DB 3 e foi o 9º a ser construido, registo de  fábrica TPB639 . Fez anteriormente à Boavista  2 corridas e aqui bateu e ardeu.
Claro que a minha fonte é um livro do Anthony Pritchard mas  até esta"biblia" terá um erro . Menciona que o carro foi entregue ao piloto da Nova Zelândia Tony Gaze ; na foto da capa do livro vê-se que era de facto australiano.

(Fernando Pinto da Fonseca)

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XIII Rallye de Monte Carlo

Em 1934, a equipa portuguesa formada por Francisco Ribeiro Ferreira, António Guedes de Herédia e Virgílio Barroso, tripulando um "Terraplane", participou no XIII Rallye de Monte Carlo, tendo percorrido exactamente 3,786 quilómetros para fazer a ligação entre Sofia, que foi a sua cidade de partida, e Monte Carlo. 
Durante os vários dias necessários para ligar a capital búlgara ao principado, foram várias as peripécias que aconteceram, como se esperava de uma grande aventura como esta. Tendo partido às 5 da madrugada de Sofia, esqueceram os respectivos passaportes na recepção do hotel e só se deram conta do facto quando chegaram à fronteira com a Grécia. Impedidos de prosseguir e não havendo nas proximidades qualquer telefone utilizável, decidiram regressar a Sofia, mas quando chegaram ao hotel foi-lhes dito que os passaportes já tinham seguido para Salonica, aproveitando um portador acidental, Lord Clifford, que se deu conta da falha dos portugueses e se ofereceu para os ajudar.
Apesar de ter perdido um dia inteiro com este erro, a equipa portuguesa conquistou um brilhante 4º lugar na classificação geral, entre 114 concorrentes à partida. Um outro português, Bento de Sousa Amorim,  terminou em 81º lugar, tendo partido de Valença ao volante de um Ford.
Bento de Sousa Amorim viria a ter uma importância decisiva na criação e expansão do circuito de Vila do Conde, cidade onde residia e onde chegou a liderar o respectivo município.





Os Vencedores

Ernesto Martorell, em Denzel,  e D. Fernando Mascarenhas, em Jaguar XK120, respectivamente vencedores da Taça Governador Civil de Lisboa e da Taça Cidade de Lisboa, provas incluídas no programa do Grande Prémio de Portugal de 1954, disputado no circuito de Monsanto.


Grande Prémio de Portugal 1959

Reportagem de época, filmada a cores e agora convertida para vídeo, do Grande Prémio de Portugal de 1959 disputado no circuito de Monsanto. Stirling Moss foi o vencedor.
Clique aqui para ver.

(Contribuição de Duarte Pinto Coelho)

O Ano dos Denzel

Em 1954 disputou-se no Parque de Monsanto o IV Grande Prémio de Portugal, prova que viria a ser ganha pelo argentino Froilan Gonzalez, em Ferrari. Integrada no programa disputou-se também a II Taça Governador Civil de Lisboa, para a qual se inscreveram nada menos que quatro Denzel, para os pilotos Ernesto Martorell, Filipe Nogueira , Alves Pimenta e Fernando Stock. Além dos carros austríacos, de um Siata, de um MG e de um Jowett Jupiter,  participaram nesta corrida uma dúzia de automóveis de corrida produzidos em Portugal, a saber: cinco F.A.P., três Alba, dois D. M., um Olda e um "Etnerap"(anagrama de Parente).
O vencedor seria Ernesto Martorell, que terminou 12 segundos à frente de Filipe Nogueira. Abílio Barros, em F.A.P., seria o terceiro classificado e o melhor entre os carros portugueses. Alves Pimenta (na foto)  sofreu um pequeno "percalço" com o seu Denze,l mas assim mesmo terminaria a prova num notável quarto lugar.