Circuito da Boavista 1953

Partida para a Taça Cidade do Porto, corrida incluída no programa do Circuito da Boavista de 1953 para automóveis com motor até 1100cc, prova em que os carros "Made in Portugal" estiveram em claro destaque. Com o nº 3 está Fernando Palhinhas, em FAP, ladeado pelo nº 1 e futuro vencedor Corte Real Pereira, em Alba, e pelo nº 4, Abílio Barros, também em FAP. Logo atrás, nº12, está Matos Gil, em PE, e Duarte Lopes (nº8) em DM. A categoria até 750 cc seria ganha por José Emídio da Silva, em DB Panhard (nº 19), o carro mais escuro que se vê na quarta fila da grelha e que terminaria em quarto lugar da classificação geral.

Fotografia de António Meneres
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonsaca


Por mera curiosidade, e como complemento ao texto, temos que o FAP de Fernando Palhinhas era o RO-10-34 (feito com base num chassis Fiat #508C209158, o Alba de Corte Real Pereira era o OT-10-54 (que é o chassis ALBA #0001), o FAP de Abílio Barros era o IB-10-61 (feito com base num chassis Fiat), o PE de Matos Gil era o MP-14-00 (julgo que feito com base num chassis Panhard, sem a certeza absoluta…) e o DB Panhard de José Emídio da Silva é aquele que o José Correia Guedes já falou noutro post, o IE-17-74, chassis #768.

José Correia

Allard J2 #1694

Visto aqui estacionado numa rua de Lisboa, o Allard J2 matrícula OT-12-45 pertenceu durante pouco mais de um ano a D. Fernando Mascarenhas, que com ele disputou o Grande Prémio de Monaco de 1952. Apesar das cabeças Ardun instaladas no motor V8 por Manuel Palma, o carro revelou-se pouco competitivo e o Marquês de Fronteira não faria melhor que o 17º tempo nos treinos, tendo depois abandonado a corrida devido a uma fuga no depósito de gasolina. O facto de os três primeiros classificados nesta prova - Marzotto, Castelotti e Stagnolli - tripularem automóveis Ferrari 225S terá sido decisivo para que pouco depois o Marquês de Fronteira viesse a substituir o Allard por  um destes carros.

Bibliografia - D. Fernando Mascarenhas, Um Fidalgo dos Circuitos. Jornal do Clássicos nº3, por Carlos Guerra



O Ferrari de Ralph Lauren

Circuito da Boavista 1960. O Ferrari 250GT SWB de Jorge Moura Pinheiro, chassis # 2035GT, chegou a Portugal pouco antes da corrida de GT de que sairia justo vencedor, pondo assim termo à supremacia até então demonstrada pelos Mercedes 300SL. Décadas mais tarde viria a ser adquirido por Ralph Lauren, a cuja colecção agora pertence.

Foto - colecção José Cabral Menezes


José Emídio da Silva

José Emídio da Silva foi um dos pilotos mais marcantes do início da década de 50, não só pelos interessantes resultados conquistados mas também pela sua fidelidade à marca Panhard, que galhardamente representou durante a maior parte da sua carreira desportiva. Com o DB Panhard que se vê nas imagens participou no Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) de 1952, bem como no Circuito da Primavera de Vila do Conde, onde venceu a categoria respectiva. Ainda nesse mesmo ano participou no Campeonato de Rampas, tendo vencido a categoria V. Em 1953 vence a categoria 750 cc da Taça Cidade do Porto, integrada no Grande Prémio de Portugal, apesar do jornalista de serviço ao Jornal de Notícias ter achado que "José Emídio da Silva, que nos primeiros treinos não nos agradara pela forma como atacava as curvas, tirou óptimo rendimento desta sessão de fim da tarde".
Este mesmo DB Panhard continua em Portugal, está a ser recuperado e em breve voltará à estrada. Falta, porém, um detalhe muito importante: qual seria a sua cor quando participou nestas provas? Poderá algum dos leitores ajudar a devolver à sua forma original esta bela peça do nosso património desportivo comum?

Colaboração de Angelo Pinto da Fonseca


 Volta a Portugal 1954

Taça Cidade do Porto 1953

Carlos Moniz Pereira

Carlos Moniz Pereira (ao volante) terá sido o primeiro português a dar a Volta a Portugal em automóvel, proeza conseguida em 1927 numa altura em que partes do país só eram acessíveis com recurso a burros e outros animais de carga e transporte. Moniz Pereira era o representante para Portugal da marca FN, um gigante da indústria metalo-mecânica da Bélgica que se dedicava essencialmente ao fabrico de armamento mas que também produzia bicicletas e automóveis, pelo que o veículo utilizado nesta aventura só podia ter sido um "FN". Não se conhecem detalhes desta epopeia, mas Moniz Pereira filho (o treinador do Sporting) conta que os corajosos Heróis de então foram forçados a utilizar barcaças e parelhas de bois para atravessarem rios e riachos de Portugal em locais onde muitas pessoas não sabiam sequer o que era uma ponte.

Fotografia - arquivo do ACP




Kieft

O Kieft de Andre Barbey foi provavelmente o carro mais invulgar que se apresentou à partida para a III Taça Cidade do Porto, prova incluída no programa do V Grande Prémio de Portugal disputado em 1955 no circuito da Boavista. A Kieft teve origem no final de década de 40 em Inglaterra, a partir de um projecto idealizado por Cyril Kieft e Stirling Moss, os quais começaram por produzir carros de fórmula (F500 e Fórmula 3) que vieram a revelar-se francamente competitivos. Mais tarde, e já sem Stirling Moss na companhia, a Kieft construiu um modelo de Sport destinado a competir na classe até 1100cc, tendo para o efeito utilizado um motor Coventry Climax de 1098cc que debitava uns mais que razoáveis 72 cavalos. Apesar disso, a passagem do Kieft de Andre Barbey pelo circuito da Boavista foi bastante modesta, acabando por dar apenas 5 voltas ao circuito no dia da corrida, em vez das 20 programadas. 
Reparem no extraordinário instrumento que o piloto ostenta no seu pulso esquerdo. Cronómetro?

Bibliografia
- Cyril Kieft, by Jim Evans
- Revista do ACP maio/junho 1955
Foto - colecção Duarte Pinto Coelho

A característica mais curiosa deste carro era ter volante central e um lugar de cada lado do condutor (onde na foto se vê uma tampa amovível, do outro lado tinha outra igual...)
Duarte Pinto Coelho 

Alfredo Marinho Júnior

Fotografia de Mário Novais datada de 30 de junho de 1927 e referente ao chamado Grande Prémio da Curia, uma prova disputada num circuito que percorria Anadia, Luso e Mealhada, com partida e chegada na Curia. A extensão da corrida era de 150 km, o que significava que o circuito, com cerca de 37 km de perímetro, teria de ser percorrido quatro vezes. Alfredo Marinho Júnior, na foto, seria o vencedor e era também o único piloto inscrito para o "Grande Prémio". Para evitar embaraços maiores, Carlos Moniz Pereira (pai do prestigiado treinador de atletismo com o mesmo nome) abandonou temporariamente as suas funções de Director e Júri do ACP e alinhou o seu FN, marca de que era representante em Portugal, para partir um minuto depois do Bugatti. Acabaria batido por 13 minutos e 31 segundos mas deu um pouco mais de dignidade à prova. Uma das rodas da frente do "FN" aparece do lado direito da fotografia.

Fotografia - Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Calisto - "Subsídios para a história do automobilismo em Portugal, 1908-1940"




Mais Denzel

Então aqui vai mais uma "acha" para o debate dos Denzel em Portugal. A fotografia que se mostra não está datada nem estão identificados o carro nem o seu proprietário/condutor. Presume-se que a acção  se passa numa prova de estrada obviamente disputada no norte do país.
Juntam-se alguns comentários de leitores inseridos no post anterior sobre os Denzel portugueses e cópia de uma informação da Conservatória do Registo Automóvel a propósito do GD-67-69

Trata-se de Ernesto Martorell no Rallye da Montanha de 1964 (APF)


Quero aqui deixar, como pequena contribuição, a informação de que disponho sobre estes carros.
Assim começo com uma pequena correção, o carro que Martorell partilhou com Filipe Nogueira nas 12 horas de Casablanca tem a matricula CG-19-75 e não GC- como foi mencionado.
O GD-67-69, que se encontra atualmente na Alemanha, pertenceu efectivamente ao Mauricio Macedo, irmão do conhecido piloto Horácio Macedo, pois eu vi-o pessoalmente em sua casa no Paço da Glória perto de Arcos de Valdevez, em 1990.
Aproveito ainda para juntar à lista os Denzel de Matricula GG-21-31 com Nº de Chassis #DK29 e o CL-21-75 com Nº de Chassis #DK31.
Cumprimentos JP Ferreira


Desconhecia totalmente esse sétimo Denzel, posso adiantar que se trata do chassis DK 152, um dos últimos a serem produzidos, já que julgo que o último terá sido o chassis DK 164. Entretanto encontrei nos meus apontamentos o número de chassis do Denzel de D. António Herédia, é o DK 36. É um prazer partilhar o pouco que posso acrescentar aos vossos conhecimentos! Um abraço José Correia 


Relativamente à foto agora publicada quero referênciar que ela foi publicada pela 1ª vez no Blog da "Ass.Amarante de Automóveis Antigos" com a seguinte legenda: "O associado e amigo Mário Pinto cedeu-nos esta belíssima fotografia de um dos muitos ralis que passavam em Amarante nos anos 60.
A foto é certamente de seu pai, o grande fotógrafo Eduardo Teixeira Pinto a quem rendemos aqui a nossa singela homenagem pela sua brilhante carreira.
O local é claramente a Rua Joaquim Leite de Carvalho, junto ao "Nosso Café", vindos provavelmente dos lados de Celorico de Basto, depois de fazerem a Senhora da Graça e a Cabreira".
Posteriormente o mesmo Mário Pinto acrescentou que provalvelmente se tratava do Denzel conduzido por D. António Herédia.
A foto não permite ver completamente a matricula mas parece terminar em -75. 

JP Ferreira

Estudo

Estudo para uma tela da autoria do artista Ricardo d´Assis Cordeiro onde surgem os Bugattis de Jorge Monte Real (35C #4954) e Henrique Lehrfeld (35B) em plena luta durante o I Circuito do Estoril de 1935, tendo em fundo o majestoso Palácio Hotel. A corrida viria a ser ganha por Francisco Ribeiro Ferreira, também em Bugatti, tendo Monte Real terminado na segunda posição
Para mais informações  sobre o trabalho deste artista clique aqui


Em baixo (à esquerda), os Heróis do II Circuito do Estoril de 1937. Da esquerda para a direita: o Conde de Monte Real, Henrique Lehrfeld, Manoel de Oliveira, E. K. Rayson e Benedito Lopes. O inglês Edward Rayson tripulava um Maserati 4CM com 1496 cc de cilindrada e compressor, em representação do British Racing Drivers Club. Quanto a Benedito Lopes, era um piloto brasileiro que tripulava um Alfa Romeo 8C 2300 pintado de verde e amarelo, as cores do Brasil (à direita)

Campeonato de Rampas 1951

Jorge de Melo e Faro, Conde de Monte Real, foi um dos melhores e mais bem sucedidos pilotos da sua geração tendo conquistado um número importante de vitórias ao longo da sua carreira, utilizando para o efeito vários tipos de carros de competição. Em 1951 foi Campeão Nacional de Rampas ao volante do competitivo Ford Ardum preparado por Manuel Palma (imagem de cima) tendo vencido, entre outras, a Rampa da Arrábida. Na outra imagem vê-se o carro do vencedor a ser observado por outra figura lendária do automobilismo nacional, Francisco Ribeiro Ferreira, já retirado da competição e na altura presidente da Comissão Desportiva Nacional do ACP.



Concordo na totalidade com o autor. O Conde de Monte Real no inicio da década de cinquenta foi dos melhores
pilotos que Portugal teve, senão o melhor . O Conde, com o Ford Ardum, foi um "Allard killer" ; é um carro que gostaria de ter mais informaçao das suas transformaçoes . Sei que tinha o V8 com transformação Ardun , o chassis parece me ser de um Ford B , quanto ao resto ?


Luis

António Herédia Bandeira

António Guedes Herédia teve uma curta mas interessante carreira desportiva ao volante do seu Denzel 1300, um carro que comprou em 1954 e que ainda hoje conserva. Disputou a sua primeira prova em 1955, o Quilómetro de Arranque do Clube 100 à Hora, que se realizava numa estrada junto ao aeroporto de Lisboa, tendo vencido a respectiva categoria. Disputou também o Campeonato Nacional de Condutores desse ano, tendo conquistado um honroso terceiro lugar na categoria Sport. Em 1956 ainda participou no Rallye de S. Pedro de Moel mas mais tarde, em 1959, o Denzel dá início a um longo período de "hibernação" que só terminaria em 1986, altura em que o carro é enviado para a Austria para ser restaurado pelo seu próprio fabricante, Wolfgang Denzel, que há muito deixara o negócio de automóveis mas que tinha grande prazer em ajudar a recuperar os pequenos bólides que com tanto carinho e engenho produzira. 
Depois do restauro o pequeno Denzel veio "a rolar" até Portugal e deu início a uma segunda carreira desportiva, agora bem mais calma, mas que lhe permitiu participar nas Mille Miglia de 1989, onde António Herédia Bandeira fez equipa com Vasco Pinto Basto. Terminaram a clássica italiana em 150º lugar, entre 300 participantes. Mais tarde, o mesmo carro e o mesmo piloto voltariam às Mille Miglia, desta vez com Carlos Nunes dos Santos como navegador e companheiro de aventura.

Colaboração dos engºs João Lopes da Silva e Vasco Pinto Basto.
Bibliografia - Revista do Clube Português de Automóveis Antigos, nº22

                                                          António Herédia Bandeira, Rallye a Sintra 1955                                                                                   



Circuito de Monsanto, 1957. O Denzel de D. Afonso de Burnay (na foto) conseguiu terminar a corrida, ainda que com um atraso considerável em relação ao vencedor. Já o carro idêntico de D. António Guedes  Herédia, tio de António Herédia Bandeira e importador dos Denzel para Portugal,  viria a completar apenas 8 das 20 voltas da corrida.

É Afonso Maria Pacheco de Burnay na corrida da Taça Cidade de Lisboa, Monsanto 1957.
Terminou em 9º depois de cumprir 17 das 20 voltas da corrida.
António Guedes de Herédia, Visconde da Ribeira Brava “... mas eu não gosto de títulos...” como dizia quando se falava no assunto, tio do outro cavalheiro aí mencionado, António Alberto Herédia da Bandeira, 5º conde de Porto Covo da Bandeira, retirou-se com 8 voltas completadas.
E, já agora, o outro Denzel, o #1 Daniel Magalhães, ficou dois furos abaixo de Afonso de Burnay, também com 17 voltas.
E é tudo por agora, aqui da Torre do Lombo, que é o sítio onde se guarda a carne mais tenra...
Abraços
Carlos Guerra

Pachancho - Sinfonia Metálica




Uma história dos Heróis do automobilismo nacional da primeira metade do século XX não poderia nunca ser feita sem mencionar a Fábrica Pachancho, localizada nos arredores de Braga, que foi (e continua  a ser) uma referência nacional e internacional na produção de componentes para motores de automóveis e motos, nomeadamente pistões, como se constata pela notícia-publicidade em anexo relativa ao I Circuito Internacional do Porto de 1950.
A narração do filme é da responsabilidade de Fernando Pessa, uma figura lendária da informação portuguesa do século passado.

http://restosdecolecçao.blogspot.com                                           A fábrica "velha", como lhe chamavam

Maserati 150S

Para o VII Circuito Internacional do Porto, disputado em 1956, D. Fernando Mascarenhas adquiriu nada menos que dois Maserati, um para cada uma das corridas disputadas, tendo utilizado este modelo (150S) na Taça Cidade do Porto, prova destinada a carros com cilindrada inferior a 1500 cc. O resultado não foi brilhante, tendo o Maserati nº 2 terminado em 5º lugar a corrida que foi ganha pelo recentemente falecido Roy Salvatori, em Cooper 39 Climax, com Filipe Nogueira em segundo lugar, ao volante de um Porsche 550 Spyder.
O Maserati 150S foi produzido entre 1955 e 56, tendo sido construídos apenas 26 exemplares, quase exclusivamente destinados a clientes. Tratava-se de um carro dotado de um chassis tubular e equipado com um motor de quatro cilindros em linha, capaz de produzir cerca de 140 bhp às 7.500 rpm. Apesar da vitória conseguida por Jean Behra no circuito de Nurburgring de 1955, durante a fase de desenvolvimento e promoção, o Maserati 150S dificilmente poderá ser considerado como uma história de sucesso.
Como curiosidade, assinale-se a participação nesta prova de um tal Jack Brabham, ao volante de um carro idêntico ao do vencedor (Cooper 39 Climax). Não terminou.

Bibliografia - World Sports Racing Prototypes
Fotografia - colecção família D. Fernando Mascarenhas

Duas fotos inéditas de D Fernando Mascarenhas na Maser 150S. Raro carro que morreu prematuramente com a alteração do regulamento em termos de cilindrada , mas que até na 
classe 1500 em circuitos de percurso meio road race devoravam a concorrência
Este carro tem o numero de chassis 1666 e foi "vestido" por Fiandri , talvez não o mais bonito dos fatos, mas era diferente .

Luis



Equipa Ford - 1930/32

"A mais valiosa das Equipes - Equipe Ford"
Da esquerda para a direita:
Gaspar Sameiro, vencedor do Circuito de Vila Real 1931. Eduardo Ferreirinha, primeiro prémio da rampa da Penha 1930 e segundo prémio do Circuito de Vila Real 1931. António Bores e Silva, quarto prémio do Circuito de Vila Real 1930. António Alberto de Souza Guedes, 4 horas e 55 de Lisboa ao Porto e Porto- Lisboa em prise directa.
Gaspar Sameiro conquistaria também o segundo prémio do Circuito de Vila Real de 1932, sempre em Ford A, tal como Ferreirinha e Borges e Silva.

Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra
                      Foto - DigitArq Torre do Tombo


O Jaguar XK120 de João Lacerda

Em 1951, João Lacerda inscreveu-se no II Circuito Internacional do Porto (I Grande Prémio de Portugal)  com um Jaguar XK120 (#660130) exemplarmente preparado para corrida. Porém, o carro viria a sofrer um acidente durante os treinos devido a uma falha de travões e não foi possível repará-lo a tempo de participar no Grande Prémio, que se disputou num domingo 17 de Junho. De resto, este foi um fim de semana "negro" para os Jaguar, uma vez que nenhum dos XK120 que alinharam à partida - tripulados por Duncan Hamilton, George Wickens e Tommy Wisdon - terminou a prova.
Casimiro de Oliveira, em Ferrari F340 (#0082A), seria o grande vencedor da tarde, seguido por Vittorio Marzotto, em Ferrari 212 Export. Giovanni Bracco, em Ferrari F340, seria o autor da volta mais rápida ao circuito que tinha então 7,775 km de extensão, realizando uma média de 131, 532 km/h.

Foto - João Lacerda
Bibliografia - Revista Topos&Clássicos nº 106
                    - World Sports Racing Prototypes





Foto - José B. Lacerda, "Velocidade na Invicta"

Ainda o Ferrari # 0200ED

Semanas depois da sua estreia azarada na Boavista 1952, o Ferrari #0200ED de D. Fernando Mascarenhas participa no III  Circuito de Vila do Conde, que tem lugar a 31 de Agosto. Cerca de um mês depois terá lugar o IV Circuito de Vila do Conde, o único que se disputou no chamado "circuito grande".   Ostentando já a chapa de matrícula nacional, ID-18-48, o carro apresenta-se pintado de preto e exibe uma curiosa e "aerodinâmica" cobertura de faróis, provavelmente  resultado da criatividade de Manuel Palma, o responsável pela sua preparação.
À partida para a corrida apresentaram-se cinco concorrentes, todos em Ferrari (havia mais dois inscritos, mas não compareceram). Da primeira fila partiram Nogueira Pinto, Casimiro de Oliveira e Vasco Sameiro, enquanto que D. Fernando Mascarenhas dividia a segunda fila com Guilherme Oliveira. No final, Casimiro levaria o seu Ferrari 225S amarelo à vitória, ficando D. Fernando em segundo lugar com duas voltas de atraso a separá-lo do vencedor.
À noite, no jantar de gala, os prémios foram entregues por Bento de Sousa Amorim, Presidente do Município, ele próprio um automobilista de mérito que contava com algumas participações no Rallye de Monte Carlo.

Bibliografia - Jornal "Renovação". Biblioteca Municipal José Régio, Vila do Conde


Ferrari 225S #0200ED

 O Grande Prémio de Portugal de 1952 iria assistir à estreia em competição do Ferrari 225S Vignale Spyder chassis #0200ED, que D. Fernando Mascarenhas acabara de adquirir em Itália. É este mesmo carro que vemos na imagem a ser conduzido à grelha de partida pelas mãos de Manuel Palma,  colocando-se logo a seguir ao Jaguar C Type (#XKC004) de Duncan Hamilton. Um pouco mais atrás estão os dois Lancia Aurelia B20 de Salvatore Ammendola e Felice Bonetto.
 Registe-se como curiosidade o facto de o Ferrari nº 21 ostentar no lugar da chapa de matrícula o seu  número do chassis (0200ED). Pouco depois, no circuito de Vila do Conde, este mesmo carro iria surgir pintado de preto e com a matrícula portuguesa ID-18-48.
D. Fernando Mascarenhas não terminou o Grande Prémio de 1952, cujo vencedor seria Eugénio Castellotti,  em Ferrari 225S Barcheta Touring, tendo percorrido as 50 voltas ao circuito à média de 138, 020 km/h. Casimiro de Oliveira, também em Ferrari 225S, seria o português melhor classificado,  terminando a corrida em 2º lugar com o mesmo número de voltas do vencedor.

Bibliografia - Sportscar Portugal (http://sportscarportugal.com.sapo.pt/)
                   - World Sports Racing Prototypes, non championship races.
Fotografia - colecção família D. Fernando Mascarenhas


Mercedes Benz 300 SL Coupé


Chegados a Portugal em meados da década de 50, os Mercedes Benz 300 SL Coupé rapidamente se tornaram nos veículos de referência no panorama automobilístico de então, nomeadamente em provas de velocidade. Equipados de série com um motor de 2996 cc e 6 cilindros em linha - inclinado a 45 graus para a esquerda para "caber" no respectivo compartimento  - produzindo cerca de 220 cavalos de potência que se transmitiam a uma caixa de quatro velocidades, os 300 SL não davam quaisquer hipóteses à concorrência em termos de desempenho e fiabilidade.
A imagem refere-se ao Circuito de Vila do Conde de 1960, disputado a 27 de Julho. Nada menos que quatro 300 SL foram inscritos para António Barros (vencedor), Horácio Macedo, Basílio dos Santos e Duarte Ferreira. No momento da partida é Horácio Macedo quem vai na frente, com Barros e Basílio na perseguição, vendo-se ainda o Jaguar XK 150 S de Maurício Macedo a espreitar uma luta que não era a sua.
António Barros, que era baixinho e "pesadote", levava desvantagem nas partidas tipo Le Mans, como se comprova pelo facto de ainda nem sequer ter tido tempo para fechar a porta do carro mais claro. Mas uma vez em andamento, o seu talento natural vinha ao de cima e dificilmente se deixava bater.
À noite, na distribuição de prémios, o Presidente do Município anunciou que a parte do circuito que ainda não estava asfaltada iria em breve sofrer obras de beneficiação. Era o fim do temível "empedrado"que tantos problemas causava aos automobilistas.

Foto - colecção José Cabral Menezes
Bibliografia - http://teammini.blogspot.pt/, de José Mota Freitas
                    - Biblioteca José Régio, Vila do Conde



Manuel Carlos Agrellos

Para o Circuito de Vila Real de 1936, categoria Sport, apresentam-se à partida dezoito automóveis, entre os quais três Ford V8-54 para Jorge Melo e Faro (Conde de Monte Real), Manuel Carlos Agrellos e Emílio Hidalgo. Um quarto Ford V8-18 era tripulado por Adolfo Ferreirinha, que seria o vencedor da corrida.
Os três Ford V8-54 viriam a abandonar acorrida por avarias diversas, mas Manuel Carlos Agrellos ainda teria tempo para bater o record da volta mais rápida ao volante de um carro praticamente de série, com uma média de 91, 075 km/h. O anterior record pertencia ao Bugatti 35B de António Guedes de Herédia, que registou 90, 962 km/h no circuito de 1934. Porém, a maior parte da pista estava já asfaltada em 1936, o que não acontecia ainda em 1934, o que pode explicar a diferença nas velocidades conseguidas. 

Fotos - arquivo do ACP
Bibliografia - Circuito de Vila Real, 1931 - 1973, de Carlos Guerra

 O Ford V8 de Manuel Carlos Agrellos a caminho do record da prova … e do abandono.

 Manuel de Oliveira, o mais antigo realizador de cinema ainda em actividade, levou o seu BMW 315 ao segundo lugar absoluto.

Salão Automóvel de Lisboa 1934

Inaugurado pelo Presidente da República, general Óscar Carmona, em Abril de 1934, o Salão Automóvel de Lisboa teve lugar no Pavilhão de Exposições da capital, que hoje leva o nome de Carlos Lopes. Foi organizado pelo jornal "O Século" e o bilhete de entrada custava 2$50.
Nos anos 20 e 30 realizaram-se vários salões da especialidade em Portugal, sendo que a maioria teve lugar na cidade do Porto, no Palácio de Cristal, facto que confirma que o entusiasmo das gentes do norte pelo automobilismo já vem de longe. Em 1925 o Automóvel Clube de Portugal organizou um Salão de Lisboa  no Coliseu dos Recreios, mas este viria a saldar-se por um rotundo fracasso.
Registe-se a variedade de marcas presentes no Pavilhão de Exposições de Lisboa, muitas das quais já desaparecidas.

Colaboração do engº João Lopes da Silva
Foto - DigitArq, Torre do Tombo


Troféu Turístico Clube Shell

O Mercedes 300 SL do Conde de Monte Real à partida para a prova e durante a subida da rampa da Pena durante o chamado Troféu Turístico Clube Shell, uma prova disputada na Serra de Sintra em 1956.
Este seria o último carro a ser tripulado por Jorge Melo e Faro na sua longa  e bem sucedida carreira desportiva. Para despedida e por puro divertimento, o Conde de Monte Real usou este Mercedes 300SL para bater o record do percurso Lisboa - Paris.
Colaboração de Gonçalo Macedo e Cunha a partir de Gonga World





Este mesmo carro, ON - 14 - 68, foi um dos onze Mercedes 300SL importados em 1955, tendo chegado a Portugal em Junho desse ano para José Júlio Marinho, seu primeiro proprietário. Por curiosa ironia do destino, Ernesto Neves viria  a adquirir este "gullwing" alguns anos mais tarde, numa altura em que o mesmo se encontrava num estado de conservação que deixava algo a desejar (em baixo).

O ON 14 68 teve um caminho longo no automobilismo Português , desde o Conde Monte Real a Santos Mendonça . Com o FG 23 66 , foi o último a largar as corridas, no ano de 1964 .
Depois foram a cheia , o passeio pelo Tejo e outros problemas que o E Neves conhece melhor que eu , e hoje está bem de saúde na Itália.
 - Luis

Bibliografia - Mercedes em Portugal, de Adelino Dinis. Edições Vintage

IX Grande Prémio de Portugal 1960

Nem só de heróis portugueses se fez a história do automobilismo nacional das primeiras décadas, como aqui se constata. Os melhores pilotos e automóveis do mundo passaram por Portugal e em muito contribuíram para o desenvolvimento da paixão pelas corridas de automóveis em muitos milhares de pessoas que tiveram o privilégio de os ver em acção, tal como aconteceu com os autores deste espaço.
Esta extraordinária série de fotografias privadas, gentilmente cedidas por José Cabral Menezes, dá bem uma ideia das condições em que então se disputavam algumas corridas de Fórmula 1, nomeadamente no circuito da Boavista. Como se não bastasse o piso feito em "empedrado", rugoso e escorregadio, os verdadeiros Heróis que eram os pilotos daquela época ainda tinham que evitar os carris dos "eléctricos" e os fardos de palha que delimitavam alguns troços de pista.
Nas fotografias, o Ferrari nº 26 de Phil Hill, que abandonou por acidente, o Lotus Climax nº 12 de Stirling Moss e o carro idêntico de Innes Ireland, com o número 16. Jack Brabham, em Cooper Climax, seria o vencedor, tendo Jim Clark, em Lotus-Climax, conquistado o primeiro pódio da sua carreira, terminando em terceiro lugar. John Surtees, também em Lotus-Climax, obteve a sua primeira "pole"  e "Nicha" Cabral não conseguiu levar o seu Cooper-Maserati até ao fim da prova, devido a acidente.

Fotografias colecção José Cabral Menezes





Heróis Improváveis

A história das corridas de automóvel em Portugal não é feita apenas com vencedores e vencidos. Faz-se também com todos aqueles que participaram em provas apenas pelo prazer de participar e cujo objectivo era tão só  viver por dentro, ainda que de forma efémera, a grande aventura do automobilismo.
É para homenagear essas figuras, únicas e imprescindíveis, que hoje aqui trazemos alguns dos concorrentes ao Circuito de Vila Real de 1949, disputado numa altura em que a Europa estava ainda a sair da tragédia da II Guerra Mundial, o que justifica a presença em pista de automóveis pouco adequados a provas de velocidade, alguns dos quais tripulados por simples amadores locais. No Portugal de então quase nada acontecia de importante e as corridas de Vila Real traziam uma breve lufada de emoção a um país rural e deprimido que começava lentamente a recuperar de um atraso de décadas.
As imagens: 
 À esquerda, D. Afonso de Burnay, em Healey Westland Roadster e , à direita, António Pinto Correia, em Simca 8.
 Em baixo - António Camilo Fernandes, em Riley Sprite

Bibliografia:
 - Fotos Arquivo do ACP
 - Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra




Supercortemaggiore 1953

Não foi feliz a participação de D. Fernando Mascarenhas no Grande Prémio Supercortemaggiore de 1953. O Ferrari 250MM ficou com a aerodinâmica alterada devido a uma saída de estrada, mas o piloto português escapou sem problemas de maior.
Este mesmo chassis, #0326MM, pertence agora a um coleccionador de Hong Kong e surgiu nas Mille Miglia de 1994 na configuração que pode ver-se na fotografia de baixo.





Um Midget na Parada

A "Parada", ou melhor, o Sporting Club de Cascais, era uma instituição de fortes raízes monárquicas que existiu entre 1879 e 1974, frequentada pela alta burguesia e pela aristocracia nacional e internacional, ao ponto de então se poder fazer a seguinte distinção entre as pessoas: "é-se da Parada, ou não se é". Consta que Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão frequentavam o local e tudo leva a crer que foi lá que se realizou o primeiro jogo de futebol em Portugal. 
Nos anos 50 foi construída nos jardins da "Parada" uma pista oval em cinza (ou gravilha), a exemplo das que existiam nos Estados Unidos e alguns países da Europa, onde se disputavam animadas provas de perseguição automóvel. Foi numa dessas competições que o Conde de Monte Real se apresentou com este Midget especialmente construído para este tipo de piso, um carro de corrida feito "à escala" e que vinha normalmente equipado com um motor monocilíndrico de 250cc, podendo no entanto existir outras versões consoante o regulamento das provas em que participavam.


Um dos muitos Midgets artesanais produzidos nos EUA e projectados especialmente para utilização em pistas de cinza ou gravilha.

II Rallye de Miramar 1949

A equipa formada por Jorge Seixas e Martinho Lacasta, em Allard, venceu brilhantemente o II Rallye de Miramar, disputado em volta daquela então lindíssima praia do norte de Portugal. Manuel Nunes dos Santos, acompanhado por Jaime Rodrigues, levaria o BMW 328 até ao terceiro lugar da classificação geral.
Um jovem quase desconhecido, Joaquim Filipe Nogueira, deu nas vistas ao vencer a III categoria, ao volante de um Simca.





Alguns dos participantes, em retrato de família. O Allard de Jorge Seixas está em primeiro plano.
Esta foto pertence à biografia de mestre Jaime Rodrigues publicada em www.interclassico.com