O Ano do Cristo Rei

Curiosa fotografia, em cima, em que se vê o Ferrari 246 de Dan Gurney em plena aceleração na pista de Monsanto durante o Grande Prémio de Portugal de 1959, disputado a 23 de agosto desse ano, tendo em fundo a silhueta do recentemente inaugurado (17 de maio) Monumento ao Cristo Rei, cuja construção começou em 1950, cumprindo uma promessa do episcopado português que se propôs construir um grande monumento a Jesus Cristo se Portugal fosse poupado à participação na II Guerra Mundial. A ponte sobre o rio Tejo chegaria apenas em 1966.
Em baixo, os Ferrari 246 de Gurney e Phil Hill a serem preparados para os treinos de sábado (Getty Images).




Concentrado de Sabedoria

Três das figuras mais importantes da história do automobilismo nacional nas décadas de 50 e 60 juntas durante um período de descontracção durante o Circuito Internacional do Porto de 1960.  Augusto, Manuel Palma e Jaime Rodrigues eram os principais preparadores de automóveis de competição que então existiam em Portugal, nomes de referência que terão sempre um lugar de destaque na galeria dos notáveis do automobilismo português.
Por detrás de Jaime Rodrigues, de chapéu branco, está Fernando "Faneca" Pinto Basto e o seu filho  abriga-se debaixo do guarda chuva protector de Manuel Palma. À direita, um elemento da comunicação social de nome Videira. E o misterioso senhor de "panamá" branco e óculos ray ban?


O Ano dos Porsche

O VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), disputado em 1952, foi uma prova especialmente bem sucedida para os recém chegados Porsche 356, um tipo de carro de desporto que apresentava várias características inovadoras, tais como o motor traseiro, a aerodinâmica cuidada e uma fiabilidade "à prova de bala".
Com partidas de várias cidades da Europa e seguindo um modelo muito semelhante ao Rallye de Monte Carlo, a prova portuguesa viria a ser decidida nas complementares disputadas após a chegada ao Estoril, onde o Porsche 356 de Joaquim Filipe Nogueira acabou por se impor. Alberto Graça (na foto) terminou em 8º lugar absoluto e 2º na classe, resultado que deu direito a festejos com a família, que aguardava ansiosa a sua chegada "a casa".

Fotografia de José Graça (em cima)
Restantes imagens - Gonçalo Macedo e Cunha



II Grande Volta a Portugal

A equipa Jorge Monte Real / Manuel Palma participou com este Allard na II Grande Volta a Portugal, disputada em 1950. Na imagem da baixo, Vê-se o Allard a "navegar" em condições diluvianas durante uma prova complementar disputada na Praça do Império, em Belém. Note-se, em fundo, o que restava das construções feitas para a Exposição do Mundo Português, inaugurada em 1940 pelo Presidente Carmona.



Excelente classificação desta equipa - 2º lugar - apenas suplantada por Joaquim Filipe Nogueira, num MG.

APF 

II Circuito do Estoril

Em 1937 disputou-se o II Circuito do Estoril, o qual constava de 30 voltas a um percurso de 2,700 metros que tinha início em frente ao Casino, subia a avenida por trás do Hotel Palácio e continuava na Avenida Portugal em direcção a Bicesse, para depois descer pela Avenida Marechal Carmona. Como era hábito na época, o próprio Chefe de Estado assistiu à corrida, que foi organizada por uma comissão de legionários das forças motorizadas da Legião Portuguesa dirigida por Pedro de Brion.
Na imagem podem ver-se dois dos cinco carros que participaram na prova prontos para a partida: o Ford de Manoel de Oliveira, que seria o vencedor, e o Bugatti do Conde de Monte Real.


Ferrari 246 em Portugal

 Os pilotos americanos Phil Hill (capacete branco) e Dan Gurney conversam com Carlo Chiti em frente dos respectivos Ferrari 246 antes da partida para o Grande Prémio de Portugal de 1959, no Circuito de Monsanto.


Esta foto é, quanto a mim, do maior interesse pois reúne três enormes figuras de uma época de grandes transformações tecnológicas no desporto automóvel, em que os motores trazeiros nos formula 1 já não deixam dúvidas quanto à sua eficácia:
- Carlo Chiti, um enorme e inovador engenheiro apaixonado pelo automobilsmo que, 3 anos depois desta foto, farto das politiquices e resistências do patrão Enzo, viria a bater com a porta da Scuderia para outros vôos, primeiro na ATS e sobretudo mais tarde com enorme sucesso na Alfa Romeo / Autodelta.
- Phil Hill, o primeiro piloto USA campeâo mundial de formula 1, um "natural" com enorme poder de adaptação, o que lhe facultou ser competentíssimo em todas as muitas modalidades do desporto automóvel em que alinhou. (e ainda por cima era grande conhecedor e restaurador de clássicos!)
- Dan Gurney, um homem discreto que muito justamente foi homenageado no último Goodwood Revival, era também muito talentoso e versátil não só como piloto em N modalidades, mas também foi um excelente construtor do eficaz e talvez mais bonito formula 1 da década de 60. Apesar de por circunstâncias várias nunca ter chegado a ganhar nenhum campeonato de formula 1, o grande JIM CLARK não teve dúvidas em afirmar que Dan Gurney era o melhor piloto da sua época e o que ele mais temia;
Posso garantir-vos que Jim Clark sabia do que falava...
Duarte Pinto Coelho

A propósito de um texto de Duarte Pinto Coelho no post Grande Prémio do Porto 1954, recentemente publicado, recebemos esta mensagem de Luis Sousa:


"O texto do Duarte Pinto Coelho está excelente, uma visão própria não longe da verdade ; 
O Vincenzo Lancia assim como os irmãos Alfieri eram tecnicamente inovadores, grandes mecânicos e engenheiros mas com meios reduzidos. Um Lancia destruido nos USA e outro que vai parar ao mar no Monaco, foram a queda da firma, tal como aconteceu no GP da Venezuela 57, em que por incríveis azares a frota Maserati ficou em pedaços, reduziu a cinzas a Oficina Maserati . O Enzo foi um Team Manager que de preferência utilizava o material e ideias dos outros ,sempre preocupado em sobreviver, daí o uso de Alfa Romeo, aquisição da Lancia GP, mesmo os motores 4 cilindri foram inspirados e em parte copiados dos Alta four. Penso que o unico piloto que ele gostou foi do Villeneuve."

Porto 1956

Em 17 de Junho disputou-se no traçado da Boavista o VII Circuito Internacional do Porto, cujo vencedor seria o Marquês Alfonso de Portago, ao volante de um Ferrari 857. O melhor dos portugueses seria António Borges Barreto, que conduzia o Ferrari 750 Monza #0560 MD ex-D. Fernando Mascarenhas e que vemos na imagem à frente do Maserati 300S de Benoit Musy. No final as posições inverteram-se, com Musy a terminar em terceiro lugar e Barreto em quarto. Phil Hill, em Ferrari 857, seria o segundo classificado.

Fotografia de Duarte Pinto Coelho



II Rampa da Pimenteira 1922

A 4 de Maio de 1922 disputou-se na zona de Lisboa a II Rampa da Pimenteira. A prova foi ganha pela dupla Artur Mimoso / Plácido Duro, em Delage. Era um carro com motor seis cilindros, válvulas à cabeça, carburador duplo e dupla inflamação por magneto. Tinha o capot motor construído em alumínio e uma carroçaria especial oferecida por Delage. Em 2º lugar chegou Palma de Vilhena, em Alfa Romeo,  em 3º José Ferreirinha, em Bugatti e em 4º Medeiros e Almeida, em MG Cowley.

Os vencedores, com a Taça Goodyear

A primeira corrida de automóveis em Portugal?
A prova da Pimenteira de 1922 pretendia celebrar o 20º aniversário da primeira corrida de automóveis em Portugal, ocorrida a 27 de Outubro de 1902 entre a Figueira da Foz e Lisboa. O vencedor foi o dr Tavares de Melo, que fez o percurso em 6 horas e 27 minutos. Esta informação consta do boletim do ACP, mas o tempo gasto parece muito pouco atendendo à distância, bem como aos automóveis e às estradas da época. Haverá quem possa confirmar isto?


"Figueira da Foz-Lisboa, 1902. Tavares de Melo e o seu Darraq  foram desclassificados. O condutor do carro de Tavares de de Melo foi um francês de nome Edmond, mas como o combóio em que viajou de Parispara Portugal chegou com atraso ele apenas pegou no carro em Coimbra, dai a desclassificação .
O vencedor acabou por ser um italiano de nome Bordino, ao volante do Fiat do Infante D Afonso, o célebre "arreda" que assim ficou conhecido pois era o que o Infante dizia às pessoas para saírem da frente do Fiat quando circulava em Lisboa."

Luis Sousa.

I Circuito do Campo Grande

A 28 de Junho de 1931 disputou-se em Lisboa o I Circuito do Campo Grande. Os irmãos Roberto e Gaspar Sameiro seriam respectivamente primeiro e segundo classificados na categoria Sport. Roberto tripulava um lindíssimo Alfa Romeo 6C 1750 enquanto que Gaspar tinha que se contentar com um bem mais modesto Ford.

Fotos - Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian / Estúdios Horácio Novais

 O Alfa Romeo 6C 1750 vencedor da categoria Sport  e, em baixo,  Gaspar Sameiro junto do seu Ford (esquerda) e Roberto Sameiro junto dos carros da família (direita)

V Circuito Internacional, I Grande Prémio do Porto 1954

A 27 de junho de 1954 disputou-se o V Circuito Internacional do Porto, prova disputada no circuito da Boavista. A imagem documenta a partida para a corrida principal, vendo-se os três Lancia D24 de Eugenio Castellotti (nº2), Alberto Ascari (nº3) e Luigi Villoresi (nº1) a tomarem a dianteira, seguidos pelo Jaguar C-type de Duncan Hamilton (nº6) e pelo Cooper T33 Jaguar (nº 8) de Peter Whitehead. Um pouco mais atrás vem o Talbot-Lago T26 de Charles Pozzi.
Luigi Villoresi seria o vencedor, com Castellotti em segundo lugar. O melhor português seria D. Fernando Mascarenhas, ao volante do Ferrari 2500MM (#0326MM), que terminaria em 4º lugar com quatro voltas de atraso.

Bibliografia - World Sport Racing Prototypes
Fotografia - Francisco Mota, Porto


Que a vida nem sempre é justa já todos sabemos; e se isto é verdade para os seres vivos, também se aplica na História Automóvel: A Lancia é um bom exemplo. Nascida do génio de Vincenzo Lancia que teve no filho Gianni um digníssimo sucessor, esta marca sempre se pautou por uma filosofia de inovação e qualidade, mesmo que isso muitas vezes tivesse custos económicos difíceis de suportar, o que veio aliás a causar-lhe grandes problemas de sobrevivência. Quem já tenha tido ou conhecido bem um Lambda, um Aprilia ou um Aurelia sabe bem do que falo - a qualidade da engenharia e da construção são insuperáveis e estavam a "anos luz" de qualquer dos seus contemporaneos Italianos. A tal "qualidade a qualquer preço" junto com injustiças políticas na distribuição de apoios do Plano Marshall, e ainda um programa desportivo demasiado ambicioso, causaram o sufoco financeiro da marca, que foi obrigada pelo governo ao vexame máximo de no fim da época de 1955 ceder toda a sua Scuderia de formula 1 dos geniais e fantásticos D50, a custo zero, ao seu rival mais expedito, videirinho, mestre de marketing e grande reaccionário tecnológico Enzo Ferrari, que se deu ao luxo de exigir dinheiro para ficar com a Scuderia - Carros, camions e peças - que lhe veio a proporcionar a vitória no campeonato do mundo no ano seguinte (com emblema Ferrari no nariz dos carros!) A partir daí a Lancia entrou em declínio e o seu espírito nunca mais foi o mesmo. Eu não disse que a vida não é justa?
Duarte Pinto Coelho


Luigi Villoresi, em Lancia D24, o vencedor.

"Nesta corrida do Porto os Lancia estavam à parte, tal a supremacia que tinham sob a concorrência. O melhor Português até desistir foi Casimiro de Oliveira, no Ferrari 375MM que se vê entre o Jaguar de Hamilton e o Cooper de Whitehead. O mesmo Casimirosendo  o mais rápido dos não-Lancia, levava oito segundos por volta dos Lancia."
Luis Sousa


Circuito da Gávea 1938

A convite do Automóvel Clube do Brasil, os irmãos Manoel e Casimiro de Oliveira participaram no Circuito da Gávea de 1938, prova disputada num percurso maioritariamente urbano traçado na cidade do Rio de Janeiro. O futuro realizador de cinema, Manoel, iria tripular um "Menéres & Ferreirinha" que não era mais que um Ford Especial transformado por Eduardo Ferreirinha nas oficinas de Manuel Alves de Freitas e Cia Lda, no Porto, enquanto que Casimiro iria tripular o Bugatti 51 que acabara de comprar ao engª Ribeiro Ferreira, um carro já algo "cansado" mas ainda relativamente competitivo. 
Dezenas de milhar de pessoas assistira à corrida, que foi ganha por Carlo Pintacuda, em Alfa Romeo 3000cc com compressor, enquanto que Manoel de Oliveira terminaria num brilhante 3º lugar, à frente de seu irmão Casimiro, que ficou em 5º.
Como era tradição na época, os carros portugueses estavam pintados nas cores nacionais, vermelho em cima e branco em baixo. Esta pintura a óleo de Pedro Ferreira documenta a segunda fila da grelha, com o Ford de Manoel de Oliveira (nº10) ladeado pelos carros de Nascimento Júnior, Alfredo Braga e Benedito Lopes. 

Bibliografia - "Manoel de Oliveira", de José Barros Rodrigues
Imagem - Pedro Ferreira - Arte


O "Mistério" do Ferrari #0524M

Em 13 de março de 1955 Casimiro de Oliveira participou no Grande Prémio de Dakar, no Senegal, ao volante do Ferrari 750 Monza chassis #0524M que lhe foi cedido pelo fabricante no âmbito de um acordo semi-works celebrado entre ambas as partes. O circuito, constituído basicamente por duas rectas longas e duas curvas rápidas, permitia velocidades elevadas e médias próximas dos 200km/hora, como se constata pelos 197km/h obtidos por Louis Rosier, no Ferrari 750 Monza #0520M e que ficaram a constar como o melhor registo obtido no traçado.
Provavelmente em consequência do rebentamento de um pneu Englebert, Casimiro de Oliveira perdeu o controle do carro e saiu da pista, destruindo o Ferrari. O piloto português foi hospitalizado e o #0524M regressou a Itália para se avaliar de uma possível recuperação.
Três meses mais tarde, Casimiro de Oliveira, já refeito do acidente de Dakar, apresenta-se para disputar o Grande Prémio de Portugal no Circuito da Boavista com  um  Ferrari 750 Monza completamente novo, embora o número de chassis fosse… #0524M. Outro carro com o mesmo nº de chassis do antigo, ou o mesmo carro reconstruído?
Fosse lá o que fosse, o carro parecia "amaldiçoado" e Casimiro de Oliveira sofreu novo acidente grave, o que o levou a colocar um ponto final na sua já longa e bem sucedida carreira desportiva.
Do chassis #0524 não voltou a haver notícia. Terá terminado na Boavista a sua breve mas atribulada  existência.
Algumas décadas mais tarde, o Ferrari 750 Monza #0520M de Louis Rosier viria a ser adquirido por José Manuel Albuquerque, que com ele disputou um número considerável de corridas até o voltar a vender.


"Analisando a foto e conhecendo bem o carro, mantenho que os danos para o chassis não terão sido de monta. Ele parece ter batido, provàvelmente nesse dito muro, em marcha atrás e de raspão lateralmente e terá em seguida capotado, não tendo havido por conseguinte nenhuma pancada forte lateral. A questão que eu levanto é como é que o pobre Casimiro terá escapado ao capotanço. Terá ele sido cuspido e saido apenas com arranhões e sem ossos partidos ? Deve ter sido isso.
Quanto ao meu anterior Monza, ele de facto tem uma história interessante. Chegou também a correr na Boavista. Acabei por o vender, para comprar o Maserati 300S, ao Karl Friedrich Scheufele, dono da Chopard e aparece em muitas fotografias de publicidade aos relógios da marca."

José Manuel Albuquerque

Fotos de Luis Sousa, que também colaborou na elaboração do texto.

O #0524M depois do acidente de Dakar ...

…e, meses depois, após o acidente da Boavista, já com pneus Pirelli.

Passo a narrar um texto escrito pelo Sr Manoel Oliveira:
"Logo no primeiro treino Casimiro vai lançado e um dos pneus de trás desfaz-se, o carro ginga para um lado e vai de marcha atrás. Ele encolhe-se para dentro, deixando-se escorregar em direcçao aos pedais. O veículo, recuando a alta velocidade, apanha por de trás um muro de blocos de cimento e desfaz cerca de cem metros. Virando depois para dentro de um campo cospe o Casimiro, que fica desmaiado de costas para o chão. Passado mais de um mês Casimiro sai do hospital e regressa a Portugal, recomposto mas magro e debilitado."
Luis Sousa

IV Rallye Internacional de Lisboa (Estoril)

O Allard do Conde de Monte Real / Diogo Passanha e o Hotchkiss de José Ramos Jorge / Calçada Bastos tiveram sortes distintas no final da quarta edição desta prova, disputada em 1950. Jorge Melo e Faro comandava tranquilamente o rallye quando no último controle, já em Lisboa, o Allard sofreu uma avaria que o relegou para o 75º lugar da classificação geral. Sem ter encontrado problemas de maior ao longo do percurso, Ramos Jorge levou o Hotchkiss a conseguir um mais que honroso 4º lugar absoluto.
O vencedor seria o inglês Ken Wharton, em Ford, sendo Joaquim Filipe Nogueira um excelente 2º classificado absoluto e primeiro da classe até 1500cc, em MG. Martinho Lacasta, em Mercury, foi terceiro e Américo Rodrigues, em Hotchkiss, completou o lote dos cinco primeiros.

Colaboração de Luis Sousa e Gustavo Barbosa
Fotos - colecção família Melo e Faro (Monte Real)




Uma Pausa para Refrescar

O VIII Grande Prémio de Portugal disputou-se a 23 de Agosto de 1959, em Monsanto, debaixo de um calor tórrido. Relatos da época sugerem que embora a corrida se tenha disputado ao fim da tarde (na altura ainda não existiam directos de TV) a temperatura seria bem superior a 30 graus centígrados quando foi dada a partida. Não admira, portanto, que a meio da prova Harry Schell tenha feito uma pausa não programada para se refrescar, tarefa em que gostosamente colaboraram Bernard Cahier e Joachim Bonnier.
Apesar disso, o BRM nº 6 terminou o Grande Prémio num respeitável 5º lugar.

Fotos - The Cahier Archives


Monsanto 1957


Em 9 de Junho de 1957 disputou-se, perante 50 mil espectadores, o VI Grande Prémio de Portugal. O vencedor seria um tal Juan Manuel Fangio, que tripulava um Maserati 300S, tendo Masten Gregory terminado em segundo lugar com o seu Ferrari 860 Monza. Em terceiro lugar terminou Carlos Menditeguy, em Maserati 300S, mas já com duas voltas de atraso em relação aos dois primeiros.
A representação portuguesa era constituída por quatro Porsche 550 RS Spyder entregues a Ruy Marinho de Lemos, Joaquim Correia de Oliveira, José Manuel Simões e José Nogueira Pinto.
Na imagem pode ver-se o alemão Ernst Lautenschlager a entrar para o seu Spyder e, logo a seguir, o carro nº 3 de José Manuel Simões (#550-039) e o nº4, de Correia de Oliveira (#550-087), que terminaria em 10º lugar e seria o português melhor classificado.


Mário "Nicha" Cabral

Impossível fazer uma abordagem à história dos primeiros 50 anos do automobilismo nacional sem fazer uma referência a um dos mais talentosos pilotos portugueses de sempre, Mário de Araújo Cabral, o popular "Nicha".
 Foi o primeiro português a tripular um carro de Fórmula 1, tendo feito a sua estreia no Grande Prémio de Portugal de 1959, disputado no circuito de Monsanto. Ao volante de um pouco competitivo Cooper- Maserati T51 da Scuderia Centro Sud, "Nicha" viria a obter o 14º tempo nos treinos de qualificação, batendo os dois Lotus de Graham Hill e Innes Ireland. Na corrida, porém, a sua pouca experiência viria a manifestar-se quando se viu envolvido num acidente com Jack Brabham. Ao ser ultrapassado pela segunda vez pelo campeão australiano, deu-se um "desentendimento" entre ambos que fez com que o Cooper Climax de Brabham saísse da pista e embatesse num poste. O piloto foi projectado para a pista e por pouco não foi atropelado pelo carro idêntico de Masten Gregory.
Mário Cabral terminaria esta corrida em 10º lugar, a seis voltas do vencedor, Stirling Moss. Viria ainda a disputar mais três Grandes Prémios, o último dos quais em 1964 ao volante de um ATS. No entanto, seria ao volante de carros de Sport Protótipos e de "Turismo" que "Nicha" Cabral iria conhecer os maiores sucessos da sua longa e bem sucedida carreira.
Veja aqui um interessante documentário sobre o Grande Prémio de Portugal de 1959.

Fotos - ESPN F1 Profiles e "Nicha", de Adelino Dinis.



I Circuito do Campo Grande 1931


O I Circuito do Campo Grande, Lisboa, disputou-se a 28 de Junho de 1931, tendo Roberto Sameiro sido o vencedor da corrida de Sport, em Alfa Romeo 6C 1750. Na imagem da partida podem ver-se um Lancia Lambda (Vasco Sameiro ?) com o Austin Seven de Vasco Calixto à sua esquerda e o Mathis de João Antunes dos Santos à direita. Participaram ainda Barbosa Santos (Wolseley), David Levy (FN), António Antunes dos Santos (Mathis) Francisco Oliveira (DeSoto), Vasco Fontalva (Lancia), Campos Junior (Stoewer), Manuel Nunes dos Santos (Peugeot), Salvador Supardo (Rosengart), José Conceição Ferreira (DeSoto), Gaspar Sameiro (Ford) e Francisco Rola Pereira (Rover)

Foto - Biblioteca de Arte Fundação Gulbenkian
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Calixto

Para a categoria de “Corrida”, inscreveram-se:
Eduardo Ferreirinha, (Ford); Rola Pereira (Ford); José Gonçalves (Bugatti); Vasco Sameiro (Alfa Romeo); Gaspar Sameiro (Ford).
Na categoria “Sport”, inscreveram-se:
Vasco Anjos (Lancia Lambda); Manuel Nunes dos Santos (Peugeot); José da Conceição Ferreira (De Sotto); A. Campos Júnior (Stoewer); João Antunes dos Santos (Mathis); António Nunes dos Santos (Mathis); V.H. de Oliveira, filho (De Sotto); Francisco da Rola Pereira (Roover); Gaspar Sameiro (Ford); Vasco Calisto (Austin Seven); Roberto Sameiro (Alfa Romeo); Barbosa Santos (Wolseley); David Levy (FN); Salvador Supardo Jesus (Rosengart).
O sorteio da numeração e a posição que cada um dos concorrentes tomou nas provas, foi feita por sorteio às 22 horas do dia 26 de Junho de 1931.
A prova, que se realizou ás 16 horas de 28 de Junho, com a presença do Presidente da República, Marechal Óscar Carmona.
A categoria “Sport” foi ganha por Roberto Sameiro em "Alfa Romeo" 6C 1750, seguido de seu irmão Gaspar Sameiro em "Ford". E a categoria “Corrida” foi ganha por Vasco Sameiro em "Alfa Romeo", seguido de Gaspar Sameiro em "Ford".
Para as provas de elegância, foi grande o entusiasmo tendo-se inscrito muitos concorrentes, distribuídos por 9 classes.
A par destas provas automobilísticas disputou-se o prémio Presidente Carmona para motocicletas


Colaboração de José Leite

http://restosdecoleccao.blogspot.com/

Pelos Caminhos de Vila Real

Aos bravos pilotos do pós-guerra não bastava terem coragem e talento para pilotar automóveis. Era também fundamental terem uma invulgar condição física que lhes permitisse suportar as direcções "pesadas", as suspensões "duras" e os pisos extremamente agressivos das "pistas" em que se disputavam as corridas. O circuito de Vila Real não era excepção a esta regra, como se pode ver nesta imagem em que aparece o Cisitalia Abarth 204A de Emílio Romano a caminho do 4º lugar no IX Circuito Internacional de 1950. Piero Carini, que viria a estar envolvido no trágico acidente que em 1956 vitimou Borges Barreto, foi o vencedor, em Osca, ficando Casimiro de Oliveira e José Cabral nos lugares seguintes, ambos em Allard J2.

Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973, de Carlos Guerra


Boavista 1955

O Ferrari 750 Monza de D. Fernando Mascarenhas em plena prova durante o V Grande Prémio de Portugal, disputado a 26 de Junho de 1955 no Circuito da Boavista. O carro nº 14 acabaria por abandonar ao fim de 43 voltas com problemas de transmissão. Jean Behra, em Maserati 300S, seria o vencedor da corrida, enquanto que António Borges Barreto, em Ferrari 250MM, seria o único dos seis portugueses inscritos a chegar ao fim.
As características derivas brancas foram colocadas na parte posterior da carroçaria por Manuel Palma e  destinavam-se apenas a "enfeitar" o conjunto. O resultado é indiscutivelmente interessante e fez com que este carro se tornasse num exemplar único em todo o mundo, embora só tenha mantido esta configuração enquanto permaneceu em Portugal.


Um Porsche 356 Histórico


XXIII Rallye de Monte Carlo

Invulgar imagem da equipa portuguesa com o número 94 formada por Alberto Calçada Bastos e João Capucho, em Porsche 356 pre-A, à sua chegada a Monte Carlo durante a edição de 1953.
Alberto Calçada Bastos era um conhecido dentista de Cascais que depois de se reformar passou a colaborar com  o seu amigo Jorge de Brito, banqueiro e grande coleccionador de Arte. Quanto a João Capucho, tornou-se conhecido como velejador de grande mérito na classe "Star", vindo mais tarde a ser presidente do Clube Naval de Cascais entre 1978 a 1986.
Esta equipa foi uma das 112 a escolher Lisboa como ponto de partida, de entre um total de 253 inscritos.
Dizem os relatos da época que vários dos Porsche participantes foram desclassificados durante as verificações técnicas devido a divergências na interpretação da ficha de homologação.

Porsche 356 Portugal




Quase 60 anos depois de ter participado no Rallye de Monte Carlo, este mesmo Porsche 356 reaparece em grande forma no último Autoclássico pelas mãos do seu actual proprietário, Helder Valente.

Adler em Vila Real

Para o circuito de Vila Real de 1936 surgem inscritos, na categoria "sport", dois automóveis de fabrico alemão de marca Adler, um Trumpf "Stromlinen" para Rudolph Sauerwein e um Trumpf Sport para Paul von Guilleaume, um piloto iria deixar a sua marca em Le Mans nos anos seguintes ao volante de  carros do mesmo fabricante. Conta Carlos Guerra, no seu livro "Circuito de Vila Real 1931-1973" que, antes da corrida, os dois pilotos alemães fizeram questão de prestar homenagem ao Comandante Carvalho Araújo depondo um ramo de flores junto da estátua deste ilustre vilarrealense,  que continha a seguinte inscrição: "Ao valente inimigo, Herói da Grande Guerra, homenagem dos corredores da Adler".  Notável exemplo de cavalheirismo ou mais um sinal da "superioridade" do Nacional Socialismo que começava afirmar-se?

Foto - Centro de Documentação do ACP


O Adler Trumpf Sport de Paul von Guilleaume a caminho do quarto lugar na classificação final. O vencedor seria Adolfo Ferreirinha, em Ford V8-18 com Manuel de Oliveira, o cineasta, a terminar em segundo lugar, ao volante de um BMW 315.

Borges Barreto e os Gentleman Drivers

A interessantíssima visão de "Luis" sobre a meteórica carreira automobilística de António Borges Barreto e a sua relação com alguns ilustres cavalheiros da época.

Fotografia - Colecção Duarte Pinto Coelho



O "Toquim" Barreto era um piloto que melhorava a sua perfomance a cada prova. Sendo um piloto prudente, tinha ainda tempo para aprender , mas quis o destino vir a ser cruel para com ele.
Reconhecendo as suas capacidades de condutor , o Marquês de Fronteira, D. Fernando Mascarenhas, resolveu dar-lhe apoio na realização dos seus sonhos, daí a cedência da 250MM e da 750 Monza com preços e condições muito especiais. Mas o desaparecimento do Marquês de Fronteira no estúpido acidente com a Superamérica, veio pôr termo a este apoio.
Outro "gentleman driver", João de Castro, resolveu então ajudar o "Toquim". Foram feitos contactos com a Ferrari e assinado um acordo do tipo do que tinha sido feito em 53 com Casimiro de Oliveira, no qualBarreto  seria piloto  da marca numa base logística de "semi-works drive".
Quanto ao acidente em Forez, sabe-se que as  rectas maiores do percurso tinham como separador central… pequenos arbustos. Estava chuva e Piero Carini perdeu sem motivo aparente o controle do carro, galgou o separador e foi colidir de frente com a 500TRC de Borges Barreto, que foi projectado para uma ravina com 10 metros de altura. Ambos os pilotos tiveram morte imediata. 
No funeral de "Toquim", além da coroa de flores enviada pela Ferrari, uma outra veio da parte da família Carini. Passado um tempo, aquando do GP de Portugal, o Manager da Ferrari, Dragoni, apresentou a conta do fornecimento da 500 TRC a João de Castro , o qual passou de imediato o cheque respectivo .
A seguir ao acidente de "Toquim", João de Castro retirou-se das provas de velocidade. Perder dois amigos em tão curto espaço de tempo era demais. Era a época dos "gentleman drivers" . 

"Luis" 

O Único Português no Álbum da Ferrari

Artigo de Rui Miguel Tovar no "I"online de 30 de Dezembro de 2010
Fotografia - colecção Duarte Pinto Coelho



Nicha Cabral (cinco corridas entre 1959 e 1964), Pedro Matos Chaves (13 em 1991), Pedro Lamy (32 entre 1993 e 96) e Tiago Monteiro (37 entre 2005 e 2006) foram os quatro pilotos portugueses que andaram no circo da Fórmula 1 e são nomes incontornáveis do automobilismo português pela incrível façanha de terem chegado ao topo. A história que aqui vamos contar de um outro inesquecível piloto nacional é trágica e nunca passou pela F1. 
Esquecido por alguns e desconhecido para muitos, António Joaquim Borges Barreto, abreviado para Toquim, foi o primeiro e único piloto português na Ferrari. Este dado, por si só, já garante uma página. Mas afinal porque é que a escuderia mais famosa da história contratou um português de 24 anos? Bem, é por isso que vamos escrever uma página sobre o homem e o piloto que passou ao lado de uma carreira gloriosa.
Nascido em Évora, Toquim deu-se a conhecer nas pistas aos 23 anos, em 1954, numa altura em que a média de idade dos pilotos da Fórmula 1 (só para dar um exemplo) era de 42 anos. Ao volante de um Porsche 356, Toquim apresentou-se na VI Volta a Portugal, organizada pelo desaparecido Clube 100 à Hora. Para surpresa de muitos, incluindo do próprio, saiu-se vencedor de uma prova que contava com nomes sonantes do automobilismo português. A sua humildade é sincera e, ao mesmo tempo, graciosa: "Sou estreante. Nunca entrei em provas, se bem que conduzo há bastante tempo. Sinceramente lhe digo: quis avaliar o prazer destas andanças. Não sabia nada disto e não queria deixar de experimentar as sensações que outros volantes têm tido. Agora não desisto mais."
Para a frente é que é Lisboa. Ou Porto. Ou Guimarães. Com Toquim ao volante, as surpresas nunca mais acabavam. Foi sétimo classificado no GP Portugal, no Circuito da Boavista, no Porto, décimo no GP Lisboa, segundo na Rampa da Penha (Guimarães) e primeiro num Quilómetro de Arranque. A experiência nestas provas dão-lhe a projecção necessária para outros voos e Toquim aventura-se na compra de um Ferrari 2M (Spider Vignale), que pertencia a D. Fernando de Mascarenhas, prestigiado piloto português. É essa compra, feita no final do ano de 1955, que lhe permite dar o salto.
Em 1956, o Ferrari e Toquim fundem-se num só. Ao quarto lugar no GP Porto segue-se a primeira internacionalização, nas 10 horas de Messina (Itália). Acaba em terceiro, e ainda levanta a Taça dos Novos. Esse lugar no pódio aliado ao título numa corrida paralela confere-lhe maturidade ao volante e confirmam-se as negociações com a Ferrari. Em conversa informal com o jornal "O Volante", Toquim anunciava um contrato profissional, já com testes marcados com a Ferrari, no dia 15 de Setembro, em Saint Étienne. 
"Vou para Itália, onde me demorarei poucos dias, apenas o tempo necessário para alguns treinos na Ferrari. Depois sigo para França onde disputarei uma prova de circuito em Saint Étienne à qual devem correr todos os bons e em que eu correrei oficialmente pela Ferrari." O entrevistador está embasbacado. Ferrari? "Sim senhor, pela Ferrari. Em Messina, já corri pela Ferrari mas agora é verdadeiramente oficial a minha presença na equipa." E a ideia é tornar-se profissional? "É essa a minha intenção. Tenho 25 anos e reconheço que posso fazer qualquer coisa interessante. Lá fora escasseiam os corredores novos: julgo que a ocasião é de aproveitar..." [nesse ano de 1956, Fangio é campeão mundial de pilotos com 45 anos de idade, enquanto a Ferrari ganha o Mundial de construtores]
É nesse momento que o destino prega uma das partidas mais cruéis, com a morte de Toquim nas 6 horas de Forez, na estreia oficial pela Ferrari. O italiano Piero Carini, que seguia em terceiro lugar, perdeu o controlo do seu Ferrari Testarossa a mais de 200 km/h e foi bater na traseira do português, projectando os dois veículos contra um muro, onde ambos morreriam naquele instante. Portugal ficou paralisado, Évora nem se fala. Toquim era já um símbolo naquela cidade. A sua urna foi levada em ombros da igreja na praça do Giraldo até ao cemitério. Em cima dela, duas coroas de flores: uma enviada por Enzo Ferrari, como sinal de luto pelo recém-contratado piloto; outra da família de Piero Carini, o outro acidentado no fatídico dia.
Toquim pode nunca ter chegado à Fórmula 1 mas tem o seu nome no livro de pilotos da Ferrari, onde se lê: "Com coragem e paixão, faleceu com apenas 26 anos."

12 Horas de Anfa (Casablanca)

Em 1953 disputaram-se as  12 Horas de Anfa, Casablanca, prova em que participaramm cinco pilotos portugueses. Filipe Nogueira e Ernesto Martorell inscreveram um Denzel, Casimiro de Oliveira partilhou um Ferrari 375 MM com Alberto Ascari e José Emídio da Silva juntou-se a Corte Real Pereira para tripularem o PE (Produtos Estrela) que se vê na imagem com o nº 33. Tratava-se de um carro de fabrico artesanal produzido nas instalações da Fábrica de Produtos Estrela, no Porto, sob a supervisão de Adérito Parente, seu proprietário. A mecânica provinha de um DB Panhard, que cedeu o motor 2 cilindros e 750cc bem como mais alguns componentes.
O PE terminou as "12 Horas" em 14º lugar da classificação geral e 4º classificado da categoria 750cc. Ernesto Martorell / Filipe Nogueira abandonaram com problemas de caixa de velocidades e Casimiro de Oliveira / Ascari nem sequer alinharam à partida devido a um acidente sofrido nos treinos.

Bibliografia - World Sports Racing Prototypes
Fotografia - APF


Acidente na Boavista

Acidente com o Lotus Climax de Jim Clark ocorrido no final dos treinos para o Grande Prémio de Portugal de 1960, disputado no Circuito da Boavista. Apesar dos estragos e do ar desolado do piloto, o futuro campeão do mundo viria a consquistar na corrida o seu primeiro pódio na Fórmula 1, obtendo um brilhante terceiro lugar ao volante de um carro parcialmente reconstruído durante a noite anterior.
Colin Chapman, à direita, foi um dos primeiros a chegar ao local do acidente e, como se constata,  colaborou activamente na recuperação do seu Lotus.
A cena passa-se em frente ao Café Bela Cruz, um dos locais emblemáticos da vida social do Porto na década de 60.

Fotografia - The Cahier Archives


Vida Nova

Em 9 de junho de 1957 D. António Guedes de Herédia inscreveu o seu pequeno Denzel (#DK36) na corrida designada por Taça Cidade de Lisboa, na categoria GT 1.3, prova que foi presenciada por cerca de 50 mil pessoas. O carro com o nº 3 não teve um fim de semana muito feliz e acabou por abandonar a corrida ao fim de apenas 8 voltas, depois de ter partido da 19ª e última posição da grelha.
Passados 55 anos, este mesmo Denzel reaparece agora em todo o seu esplendor, depois de ter passado por um profundo processo de recuperação que lhe permitirá enfrentar novos e estimulantes desafios num futuro que se deseja longo e cheio de sucessos.








O Abraço

D. Fernando Mascarenhas e José Nogueira Pinto desejam-se mutuamente boa sorte pouco antes da partida para o Circuito Internacional do Porto - II Grande Prémio de Portugal, disputado a 22 de Junho  de 1952. O Ferrari 225S (0200ED) de Mascarenhas viria a abandonar, enquanto que Nogueira Pinto levou o Ferrari 340 America (0082A) até à quarta posição na linha de chegada, a três voltas do vencedor, Eugenio Castelotti, que tripulava um Ferrari 225S Barchetta Touring (0166ED)
Notem-se, uma vez mais, os "apêndices" aerodinâmicos instalados na grelha do Ferrari nº 21 por Manuel Palma.
O Lancia Aurelia com o nº 11, ao fundo, era tripulado por Enrico Anselmi.

Bibliografia - World Sports Racing Prototypes


Festa em Vila Real

Se existe característica desde sempre associada ao circuito de Vila Real, terá de ser o enorme entusiasmo que as "corridas" sempre despertaram, não só na capital de Trás-os-Montes mas também em todo o norte do país. Milhares e milhares de pessoas ocupavam todos os lugares disponíveis ao longo do traçado, que tinha cerca de 7 km de extensão, emprestando uma moldura humana digna dos maiores eventos do género em qualquer parte do mundo. O ambiente era fantástico e assim continuou durante décadas, para grande satisfação dos pilotos que ali correram e de um público apaixonado que transformou Vila Real  num verdadeiro local de culto no panorama do desporto automóvel em Portugal.
Só faltou a Fórmula 1. Mas será que fez mesmo falta?
As imagens são relativas ao IX Circuito de Vila Real, disputado em 25 de Junho de 1950. Em cima, pouco após a partida é o Ferrari 166 Touring Barchetta de Vasco Sameiro (nº10) que lidera, seguido pelo Ferrari 166 Inter Allemano Coupé (nº4) de Giovanni Braco. Na imagem de baixo pode ver-se o Allard J2 de Casimiro de Oliveira a passar numa zona urbana recheada de portas e varandas a "abarrotar" de gente.
Já não se fazem corridas assim.

Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931 / 1973, de Carlos Guerra
Fotografias - Centro de Documentação do ACP



Jean Gras

Esta imagem, obtida em frente ao Hotel do Parque (ou das Termas, como também era conhecido) do Estoril, documenta a participação de Mateus Oliveira Monteiro no desfile de automóveis realizado em 1927. O carro utilizado para a ocasião era um "Jean Gras", de fabrico francês, uma marca que teve uma existência precária (1924 / 1927) e da qual não se conhecem resultados desportivos de relevo.

Fotografia - Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, estúdios Mário Novais.


VII Grande Prémio de Portugal

A 24 de Agosto de 1958 disputa-se no Circuito da Boavista o VII Grande Prémio de Portugal, que teria em Stirling Moss um justo vencedor, ao volante de um Vanwall 57. Mike Hawthorn, que se vê na fotografia vestido de boné, gabardine e … laço, seria o segundo classificado, em Ferrari D246. Ao fundo, na fotografia, pode ver-se o BRM P25 de Harry Schell, com o número 10.
O programa do Grande Prémio incluía uma corrida para carros de Fórmula Junior, que seria ganha por "Mané" Nogueira Pinto (na foto de baixo) ao volante de um Stanguellini.

Bibliografia - Sportscar Portugal / www.grandprix.com
Fotografias - The Cahier Archive / Ernesto Neves