Nurburgring 1955

Em 28 de Agosto de 1955 D. Fernando Mascarenhas e Joaquim Filipe Nogueira (FE-22-24)  participaram no ADAC 500 Km do Nurburgring, ambos tripulando carros idênticos, os Porsche 550 Spyder que por essa altura se apresentavam como verdadeiras revelações do desporto automóvel internacional. Os pilotos portugueses teriam sortes diferentes, pois enquanto Filipe Nogueira terminou a prova num brilhante 10º lugar absoluto D. Fernando Mascarenhas viria a abandonar a corrida devido a acidente. Note-se que na parte final da sua corrida Filipe Nogueira se sentiu indisposto e foi substituído por José Arroyo Nogueira Pinto.
A imagem é de má qualidade e as condições meteorológicas eram também bastante adversas, mas o carro em primeiro plano revela (tenta revelar, pelo menos) o Spyder deste último.
Jean Behra, em Maserati 150 S seria o vencedor, com Richard von Frankenberg, o fundador da revista Christophorus da Porsche, em segundo lugar ao volante de um Porsche 550 Spyder.
Fotografia - colecção família Mascarenhas


Ferrari 735S #0444MD

O Ferrari 735S chassis #0444 MD foi entregue originalmente a Vasco Sameiro, que o estreou no Circuito do Porto de 1954. Na altura o carro evidenciava sérios problemas de motor mas mesmo assim foi inscrito para o Circuito de Monsanto desse mesmo ano, prova a que a imagem se refere. As coisas também não correram de feição e o Ferrari nº 11 acabou por cumprir apenas 35 das 60 voltas da corrida. De seguida o carro foi enviado para o Brasil, tendo Vasco Sameiro vencido com ele o Circuito do Maracanã, no Rio de Janeiro. No regresso o #0444MD foi entregue a João Gaspar, que o venderia a Herbert Mackay-Frazer, o qual mais tarde lhe introduziu as especificações do 750 Monza.
Fotografia - colecção Augusto Palma


Fotografia de baixo - colecção Domingos Palha da Costa

O Ferrari 735 "0444" foi entregue a Vasco Sameiro com anomalias de alimentação, pois parecia ser uma praxe da Ferrari que os clientes fizessem a afinação do carro. Depois do Porto a saga prosseguiu no Monsanto. Quando o "0444" ficou a ponto  Sameiro venceu no Maracanã e de seguida vendeu o carro ao seu amigo McFrazer. Este inscreve-se na Boavista 1955 onde o carro deu sinais graves de problemas de motor, não se apresentando à partida. Sucedeu que o Vasco Sameiro teve um terrivel acidente nos treinos no qual o seu Ferrari Monza ficou destruído. Mc Frazer compra então a V Sameiro o motor e a caixa do Monza, o que lhe vai permitir a presença no Monsanto, onde termina a corrida. Ainda hoje a "0444" tem o motor trocado com uma  225S que foi de Portugal para o Brasil.
Luis

Vitória de Fangio

Juan Manuel Fangio (Maserati 300S #11) prepara-se para a partida do VI Grande Prémio de Portugal de 1957, disputado em Monsanto, de que viria a ser brilhante vencedor. Ao lado está o Ferrari 860 de Masten Gregory (#16) e na fila seguinte o Osca #"9 de Alexandre de Tomaso e o Maserati 300S de Godia Sales.
Apenas Fangio e Masten Gregory chegaram ao fim na mesma volta, com o terceiro classificado (Menditeguy) a duas voltas de distância. O português melhor classificado foi Joaquim Correia de Oliveira, em Porsche 550 Spyder, com seis voltas de atraso em relação ao vencedor.
Foto - Centro de Documentação do ACP



Foi uma excelente corrida, num traçado difícil. Masten Gregory, na Ferrari 290MM de Temple Buell, foi aguentando até ser ultrapassado na curva do moinho por JM Fangio, que
bem apoiado na ágil Maserati 300S , passou por dentro com facilidade e destreza. Boas as corridas de Phil Hill, enquanto durou , e das 300S de Godia Sales e Carlos Menditeguy assim como a bela corrida do Osca de A de Tomaso. Os nossos representantes nos Porsche Spyder, enquanto pilotos, estiveram furos abaixo da potencialidade dos carros.

Luis

Licença Desportiva

Licença desportiva internacional nº 12 do automobilista Carlos Bleck passada pelo ACP, enquanto membro da Associação Internacional de Clubes de Automóveis, onde  consta também o seu pseudónimo autorizado: "Ralenti".
Carlos Bleck viria porém a ficar na História como piloto aviador e aventureiro, tendo conseguido completar as ligações aéreas Lisboa- Angola e volta (1931) e Lisboa - Goa  (1934). Uma parte do seu espólio está patente na Sala Carlos Bleck da Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea, APPLA
Foto e documento - Sofia Bleck




Ruy Marinho de Lemos

Ruy Marinho de Lemos era um tripulante da TAP que nas horas vagas dava largas à sua paixão pelo automobilismo, tendo conseguido alguns resultados interessantes durante a sua carreira desportiva. Na imagem relativa ao Grande Prémio de Portugal de 1957, disputado no circuito de Monsanto, vê-se em primeiro plano o seu Porsche 550 Spyder (nº2) seguido do Ferrari 750 Monza (nº20) do espanhol António Creus, cuja mulher se vê sentada pacientemente no lugar do "pendura". Parcialmente encoberto pelo Ferrari está um outro Porsche 550 Spyder, que poderá ser o carro utilizado por José Nogueira Pinto nesta prova. O vencedor da corrida seria um tal Juan Manuel Fangio, em Maserati 300S.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - World Sports Racing Prototypes




O Motor do Lancia D23

O carro da imagem foi tripulado pelo recentemente falecido Froilán Gonzalez no I Circuito Internacional de Lisboa (Grande Prémio do Jubileu do ACP), que teve lugar a 26 de Julho de 1953, ou seja, há exactamente 60 anos no circuito de Monsanto. Autor da volta mais rápida durante os treinos, o piloto argentino não chegaria no entanto a participar na corrida devido a um acidente ocorrido na véspera.
O motor (D20) destes carros  - que aqui podemos ver quase em detalhe - era um dos mais avançados da época e merece uma referência especial à sua concepção. Trata-se de um V6 em liga ligeira com 2962 cc de cilindrada, inclinado a 60 graus e com quatro árvores de cames à cabeça. Era alimentado por três carburadores duplo corpo Weber 42 DCF7 que permitiam obter cerca de 220 cavalos a 6,500 rotações por minuto. Um prodígio para a época.
Falta apenas dizer que a vitória no I Circuito Internacional de Lisboa pertenceu a Felice Bonetto, ao volante de um dos três Lancia D23 inscritos para esta prova.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - World Sports Racing Prototypes


Rallye de Monte Carlo 1955

Entre 19 e 27 de Janeiro de 1955 disputou-se a 25ª edição do Rallye de Monte Carlo, com 319 concorrentes à partida de várias cidades da Europa, entre as quais Lisboa. Joaquim Filipe Nogueira / Alberto Graça, em Porsche 356, não conseguiram terminar mas tornaram-se na primeira equipa portuguesa a vencer uma complementar do Rallye de Monte Carlo. Tratava-se de uma prova de aceleração e travagem que Filipe Nogueira dominou de forma incontestável. Mas não foram os únicos a vencer em Monte Carlo. Na edição de 1958 Abílio Correia Lobo, em Alfa Romeo, venceu a complementar de perícia e em 1959 Fernando Duarte Ferreira, em Mercedes 300 SL, venceu a prova de velocidade/ maneabilidade.
Fotografia de Luis Sousa
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca.


I Grande Prémio do Porto

Em 1954 disputou-se o I Grande Prémio do Porto, também conhecido por V Circuito Internacional do Porto, uma prova que compreendia 45 voltas ao traçado do circuito da Boavista. O vencedor seria Luigi Villoresi em Lancia D24, tendo sido D. Fernando Mascarenhas (na foto) o melhor classificado entre os portugueses. Porém, o Ferrari 250MM Vignale Spyder #0326 do Marquês de Fronteira chegaria ao final com apenas 41 voltas cumpridas. Mas chegou.
As condições de segurança eram absolutamente precárias. O piloto não tinha qualquer protecção à excepção do capacete e luvas. Nem um simples cinto de segurança. Quanto ao circuito, corria-se em cima do empedrado e dos carris dos eléctricos, com os postes de electricidade e as bermas dos passeios bem ali ao lado.


Manuel Palma, 1914 - 1973

Foi a 14 de Julho de 1973 que Manuel Palma subitamente nos deixou, passam agora exactamente 40 anos. Figura maior do automobilismo nacional, a sua memória atravessa toda uma geração de desportistas e entusiastas que lhe devem muitos e bons momentos de prazer nas suas vidas. Piloto, técnico de alto gabarito, empresário e chefe de equipa, Manuel Palma (à direita na foto, a receber mais uma homenagem) foi durante muitos anos uma referência no panorama automobilístico nacional e deixa uma obra que por muitos anos irá perdurar na memória daqueles que tiveram o privilégio de viver os "anos loucos" das corridas de automóveis em Portugal.
Nesta imagem são ainda reconhecíveis Júlio Botelho Moniz, que discursa, Jaime Rodrigues (de cigarro) e João de Castro (de gravata clara e mãos nos bolsos).


Tour Auto 1952

Em 1952 realiza-se a segunda edição do Tour Auto, uma prova dividida em três etapas e sete complementares disputada num percurso com um total de 5533 quilómetros. Dos 108 carros que se apresentaram à partida em Nice apenas 58 chegaram ao final, entre eles os Porsche 356 de Filipe Nogueira / Joaquim Tojal (14º) e João Graça / Jaime Rodrigues (16º). O carro de D. Fernando Mascarenhas / Manuel Palma (aqui visto no interior do Porsche #55) foi um dos que não chegou ao fim.




Manuel Palma

Manuel Palma foi uma das figuras mais relevantes da história do automobilismo português enquanto técnico e enquanto chefe de equipa, tendo sido também piloto de mérito. Nos anos 60 formou a primeira equipa de automobilismo de competição "a sério" em Portugal tendo com ela conquistado tudo o que havia para conquistar. A sua morte prematura ocorrida a 14 de Julho de 1973 ditaria o fim do Team Palma e da carreira de Ernesto "Nené" Neves, o seu piloto favorito nove vezes campeão nacional.
Mas a aventura de Manuel Palma no automobilismo começou muito antes, na década de 30, e em 1949 fez mesmo a sua estreia no Rallye de Monte Carlo. Mas o momento de glória viria em 1951, quando partilhou um Ford 100 cv com o Conde de Monte Real no Rallye de Monte Carlo, tendo ambos terminado num brilhantíssimo segundo lugar, resultado que nunca mais português algum conseguiu igualar.
Dentro de poucos dias completam-se 40 anos desde a data em que Manuel Palma nos deixou. Aqui fica uma singela homenagem aquele que foi um dos técnicos mais competentes e sabedores da sua geração dentro do meio automobilístico nacional.





Vitória em Fórmula Júnior

"Mané" Nogueira Pinto foi um dos mais talentosos pilotos da sua geração, tendo desaparecido precocemente quando muito tinha ainda para esperar da vida. Em 1958, ao volante de um Stanguellini Fiat venceu a corrida de Fórmula Junior integrada no Grande Prémio de Portugal disputado no circuito da Boavista.
Os Stanguellini de Fórmula Junior eram produzidos em Modena por Vittorio Stanguellini seguindo uma linha que fazia lembrar os Maserati 250 F da época. Utilizavam motores Fiat de 1100 cc preparados para debitarem cerca de 90 cavalos às 7,000 rotações e representavam uma das mais interessantes fórmulas de aprendizagem de então. Nomes como Lorenzo Bandini e Wolfgang von Trips tornaram-se notados nesta categoria antes de chegarem com sucesso à Fórmula 1.


Ferrari 225S Vignale Spider #0200 ED

Circuito de Vila Real 1952. Antes da partida, D. Fernando Mascarenhas, ao volante do Ferrari 225S #0200ED,  escuta as últimas instruções de Manuel Palma, as quais viriam a revelar-se preciosas para a obtenção de um brilhante segundo lugar na classificação final logo após Casimiro de Oliveira, em carro idêntico. Um pouco mais atrás podem ver-se o Ferrari 166MM de Guilherme Guimarães e o FAP de Fernando Palhinhas (nº 4).

Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931 - 1973", de Carlos Guerra


O Primeiro Rali Feminino

A 31 de Julho de 1938 realizou-se o Primeiro Rali Feminino, uma prova de regularidade organizada pelo "Clube dos 100 à Hora" que consistia num percurso de 72 quilómetros através das zonas de Loures, Queluz, Sintra e Estoril que deveria ser cumprido à média de 36 km/hora. À chegada ao Estoril disputaram-se provas complementares de aceleração e travagem, bem como de inversão de marcha, as quais viriam a ser decisivas para a classificação final.
Participaram nove senhoras, tendo a vencedora sido Deolinda Nunes dos Santos (na foto), honrando assim um apelido já então bem conhecido no desporto automóvel em Portugal.
A distribuição de prémios realizou-se durante um "chá" servido nas varandas do Casino Estoril, com o patrocínio da revista "Modas e Bordados"

Fotografia - DigitArq - Torre do Tombo
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Mais um Gentleman Driver


Ao fim de todos estes anos ainda continuam a surgir nomes que apareceram e desapareceram do panorama automobilístico nacional com a rapidez de um cometa. Por vezes esses mesmos nomes eram pseudónimos que "escondiam" os verdadeiros protagonistas, mas não parece ser esse o caso de Oliveira Martinho (na foto), que trouxe o seu Porsche 356 A 1500 (ex-Fernando Stock)  até ao 4º lugar da classificação geral da Taça Cidade de Lisboa de 1955, disputada no circuito de Monsanto.
Colaboração de José Leite e Ângelo Pinto da Fonseca, aos quais muito agradeço


José Froilán Gonzalez 1923 - 2013

José Froilán Gonzalez, na altura conhecido pelo cognome "o touro das pampas", surge na imagem com a taça de vencedor do Grande Prémio de Portugal de 1954, prova que venceu no circuito de Monsanto ao volante de um Ferrari 750 Monza. Faleceu hoje, 16 de Junho, aos 90 anos de idade.
Froilán Gonzalez conquistou a primeira vitória da Ferrari em Fórmula 1. Aconteceu no Grande Prémio de Inglaterra de 1951, disputado no circuito de Silverstone, local onde voltou em 2011 para celebrar o 60º aniversário desse acontecimento.
Homenagem dos seus muitos admiradores portugueses. RIP

Foto - Centro de Documentação do ACP


Volta de Honra

D. Fernando Mascarenhas e Stirling Moss, vencedores respectivamente da Taça Cidade de Lisboa e da Taça Governador Civil de Lisboa, provas incluídas no Grande Prémio de Lisboa de 1955, dão a volta de honra ao circuito no Plymouth da organização. Mascarenhas venceu a sua corrida ao volante de um Mercedes Benz 300 SL e Stirling Moss conquistou uma das suas raríssimas vitórias em Porsche, um 550 Spyder neste caso. Na corrida principal o vencedor seria Masten Gregory, em Ferrari 750 Monza.



Um Ferrari na Penha

Joaquim Filipe Nogueira em plena disputa da Rampa da Penha de 1955, prova disputada a 27 de Março e que viria a vencer ao volante do Ferrari 250MM chassis #0332 MM. Anteriormente este mesmo carro pertencera a José Arroyo Nogueira Pinto.

Foto - Centro de Documentação do ACP
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca



Grande Prémio da Curia 1927

Em Julho de 1927 disputaram-se o Grande Prémio da Curia e o Grande Prémio de Turismo da Curia, provas organizadas pelo ACP e apoiadas pelo jornal "O Século". A primeira constava de um percurso de 150 km, ficando-se a segunda por uns mais modestos 105 km de extensão. Compareceram 14 concorrentes, a maioria vindos do sul do país, sendo que apenas um participou no Grande Prémio da Curia (Alfredo Marinho Júnior, depois secundado por Moniz Pereira, um dos membros do júri). Na corrida do Grande Prémio de Turismo da Curia participaram António Guedes de Herédia, Frederico Fontalva, Abílio Nunes dos Santos, D. António Herédia, Eduardo Ferreirinha, João Eugénio Palma de Azevedo, Mário Ferreira, Fernando Palhinhas, Sanches de Castro, António Burnay, Tude Magão e Rogério Marques. O vencedor seria Eduardo Ferreirinha. O concorrente Mário Ferreira foi desclassificado por se ter despistado e percorrido mais 600 metros que o previsto.

Foto- Biblioteca de Arte Calouste Gulbenkian
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Volta a Portugal 1927

Mais do que uma prova automobilística, a Volta a Portugal de 1927 constituiu um grande desafio que uma única equipa decidiu enfrentar. Através de um Portugal rural e subdesenvolvido, sem estradas dignas desse nome, Carlos Moniz Pereira, na altura director do ACP, formou a sua equipa e dispôs-se a percorrer o país de "lés-a-lés", facto que constituiria um primeiro "record" nacional.
O carro escolhido foi o FN de 10 HP, no qual se fez acompanhar por Artur Mimoso, pelo fotógrafo David Benoliel e por Filipe Vilhena, este na condição de "controlador" do ACP. Com o apoio dos jornais "O Século" e "Primeiro de Janeiro", os intrépidos automobilista partiram de Cacilhas a 17 de Julho de 1927 e logo ao fim do primeiro dia de viagem tiveram uma paragem forçada de quatro horas em Odeceixe à espera que as águas baixassem para poderem prosseguir rumo ao Algarve.
Filipe Vilhena adoeceu pouco depois e regressou a casa, pelo que apenas Moniz Pereira, Artur Mimoso e Benoliel se apresentaram à chegada aos Restauradores na madrugada do dia 23, ao fim de 94 horas e 40 minutos de intensa aventura, sem que o valoroso "FN" sofresse qualquer avaria. A equipa apenas teve que lidar com os inevitáveis "furos" provocados pelo péssimo estado das estradas nos frágeis pneus de então.
António Félix da Costa, Pedro Bordalo Pinheiro, Ferreira de Castro e Joshua Benoliel estavam entre a distinta comissão de boas vindas que se apresentou na Praça dos Restauradores para receber os "Heróis" que tinham pela primeira vez atravessado Portugal em automóvel. Um verdadeiro prodígio em 1927.
Fotografia - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Percalços na Boavista

Em 24 de Agosto de 1958 disputou-se no circuito da Boavista, no Porto, o I Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1, prova que viria a ser dominada por Stirling Moss. Foi uma corrida fértil em acidentes, tal como aqui se constata através das imagens do Lotus-Climax de Graham Hill, que apenas completou 25 das 50 voltas previstas, e do Maserati 250F de Maria Teresa de Fillipis, que abandonou ao fim de seis voltas. Esta italiana foi a primeira mulher a disputar uma corrida de Fórmula 1, tendo participado em vários Grandes Prémios durante a temporada de 1958, sem resultados de relevo. No Porto, por exemplo, qualificou-se na última posição da grelha de partida com um tempo 15 segundos superior ao penúltimo qualificado. O carro tinha graves problemas de motor, como se confirmou durante a corrida em que durou apenas seis voltas.

Fotografias - www.circuitodaboavista.com



Porsche 550-038

D. Fernando Mascarenhas apresentou-se  no Circuito de Monsanto de 1955 ao volante deste Porsche 550 Spyder, com o qual viria a obter o terceiro lugar na corrida de 24 de Julho que foi dominada por Stirling Moss, num carro idêntico. Este carro, com o chassis #550-038 e o motor P90031, foi importado originalmente por Adolfo Stock para D. Fernando Mascarenhas, tendo posteriormente passado por vários proprietários no nosso país. Rumores não confirmados sugerem que o CB-22-21 poderá estar ainda em Portugal. Estará?


II Circuito da Boavista

Mário Gonçalves, na foto ao volante do seu Austin, foi um dos participantes do II Circuito do Porto na categoria "Sport", tendo terminado a corrida em terceiro lugar com uma média de 88, 904 km/h. Vasco Sameiro foi o vencedor, em Invicta, com Gaspar Sameiro (Plymouth) em segundo lugar.
Note-se a orientação "aerodinâmica" dos faróis do Austin.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto.
Foto - Centro de Documentação do ACP.


Grande Prémio da Curia 1927

Em 30 de Julho de 1927 disputou-se o Grande Prémio da Curia, nome algo pomposo para uma prova organizada pelo Automóvel Club de Portugal que contava apenas com uma inscrição, o Bugatti de Alfredo Marinho Júnior (na foto). Para compor as coisas foi pedido a Carlos Moniz Pereira que deixasse as funções de membro do júri e alinhasse na corrida com o seu FN. Alfredo Marinho Júnior demorou 2 horas, 15 minutos e 50 segundos para percorrer os 150 quilómetros que compunham a prova traçada num circuito que passava por Mealhada, Luso e Anadia, com partida e chegada na Curia. Carlos Moniz Pereira chegou 13 minutos depois.

Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Calixto
Fotografia - Centro de Documentação do ACP




O Stand da Ford em Lisboa

Concebidas por um dos mais importantes arquitectos portugueses do século XX, Porfírio Pardal Monteiro, as instalações da Ford Lusitana na rua Rosa Araújo tornaram-se na década de 40 num local de visita obrigatória para quem se interessava por automóveis … e por arquitectura.
Entre muitas outras obras, Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957) é também o autor dos projectos do Instituto Superior Técnico, da estação ferroviária do Cais do Sodré, do Hotel Ritz e da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, tendo conquistado por quatro vezes o Prémio Valmor.

Fotografias - Bibliteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian, Estúdios Mário Novais



Uma Luta Desigual

D. Fernando Mascarenhas recebe a bandeirada da vitória no circuito de Monsanto, a qual lhe assegura a conquista da Taça Cidade de Lisboa de 1954, corrida que dominou ao volante do seu imponente Jaguar XK 120. Em segundo lugar chegaria Joaquim Filipe Nogueira, que tripulava um dos pequenos mas  rápidos Porsche 356.
O motor 3.4 do Jaguar XK 120 dispunha de mais do dobro da potência dos pequenos Porsche 1500, mas a leveza, aerodinâmica e agilidade destes tornavam-nos seriamente competitivos num circuito relativamente sinuoso como era o caso de Monsanto. Porém, no ano seguinte esta correlação de forças seria alterada com a chegada da versão Carrera dos Porsche 356, um verdadeiro carro de corrida capaz de se bater de igual para igual com máquinas muito mais potentes.


Coragem em Vila Real

O circuito de Vila Real, ao que se dizia, era para homens de "barba rija". Andava-se por vezes muito depressa e as condições de segurança eram frequentemente inexistentes. Em consequência, a probabilidade de ocorrência de um acidente grave era relativamente grande.
Veja-se este exemplo: nesta imagem obtida durante o Circuito de 1951 vemos o Conde de Monte Real, à frente, no seu Ferrari 166 Spider Corsa, seguido de Casimiro de Oliveira, em Ferrari 340 America Vignale Coupé, e de Giovanni Braco, o futuro vencedor, em Ferrari 212 Export Vignale Barchetta. De um dos lados do asfalto está o muro branco, do outro está um pedaço de "empedrado" de onde "nascem" várias árvores de bom porte sem qualquer protecção. O mais pequeno descuido poderia levar à destruição do carro e à morte do piloto, como tantas vezes aconteceu. Mas não em Vila Real.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931-1973", de Carlos Guerra


Acidente Fatal

Apesar da sua fraca qualidade, não resisto a divulgar uma das poucas imagens conhecidas que documentam as consequências  do terrível acidente que vitimou António Borges Barreto e Piero Carini ocorrido quando ambos disputavam as 6 Horas de Forez, prova que se realizou a 30 de Maio de 1957 em St Etienne, França. 
Borges Barreto tripulava o Ferrari 500 TRC Scaglietti #0694 MDTR com o número 58, enquanto que Carini tinha a seu cargo o Ferrari 500 TR Scaglietti Spider "0648 MDTR com o número 54, o qual é bem visível na fotografia.

Bibliografia - jornal "Democracia do Sul", 6 de Junho de 1957 e FerrariChat.com.
- "Diário do Sul", Motor
Com agradecimentos a José Borges
                    



Monsanto 1954

Em 25 de Julho de 1954 disputou-se no Circuito de Monsanto o IV Grande Prémio de Portugal. Vasco Sameiro, Casimiro de Oliveira, D. Fernando Mascarenhas e José Arroyo Nogueira Pinto, todos em automóveis Ferrari, eram os pilotos portugueses presentes. Nogueira Pinto tripulava o Ferrari 250MM #0332 (na foto) mas apenas completou 15 das 60 voltas da prova, deixando para D. Fernando Mascarenhas a honra de ser o único piloto português a terminar a corrida.

Fotografia - Centro de Documentação do ACP


Uma pena...

Eis o estado em que ficou o Edfor tão carinhosamente construído por Eduardo Ferreirinha depois do acidente que sofreu durante o Rallye Internacional de Lisboa de 1947, quando era tripulado por Augusto Madureira. O carro foi dado como irrecuperável e não voltaria aos circuitos. Apenas a matrícula voltou, como se constata através do post "Edfor-Allard" recentemente aqui publicado.

Colaboração de José Francisco Correia




II Circuito da Boavista


Em Julho de 1932 disputou-se o II Circuito da Boavista, prova que consistia em duas corridas de 90 minutos cada, uma para a categoria "Sport" e outra para "Corrida", com um total de vinte e um concorrentes. 
Na corrida de "Sport" participaram:
- Gaspar Sameiro (Plymouth), Mário Gonçalves (Austin), Vasco Sameiro (Invicta), Angel Beauvalet (Opel), Mário Ferreira (Chrysler), José Lopes da Silva (De Soto), Manuel Pinto de Freitas (Opel), Manuel Ribas (Austin), Artur Barbosa (Plymouth), D. Palmira Coelho (Opel), Armando Ferreira (Opel) e Manuel Nunes dos Santos (Ford)
Dada a partida o Invicta de Vasco Sameiro tomou a dianteira, sendo acompanhado durante a primeira volta por Mário Ferreira, Gaspar Sameiro e Artur Barbosa. Este último abandonou logo na segunda volta por ter perdido … o depósito de gasolina! À 23ª volta foi a vez do Austin de Manuel Ribas capotar, sem consequências de maior para o piloto. D. Palmira Coelho, a única senhora em prova, terminou num honroso 10º lugar com a notável média de 70, 051 km/h.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Calixto

O Invicta de Vasco Sameiro, vencedor na categoria "Sport"

O "Edfor-Allard"

O Edfor matrícula RP-10-30 foi destruído num acidente durante o rallye do ACP de 1947, num momento em que era tripulado por Augusto Madureira. Foi mais tarde reconstruído e dotado de uma carroçaria com um "look" Allard, mantendo a mesma chapa de matrícula.
Em 1951 este carro foi inscrito por Harry Rugeroni para a Rampa da Pena, na foto, prova que terminaria em 5º lugar. Porém, no Campeonato de Rampas Rugeroni não conseguiu melhor que o 10º lugar, ex-aequo.
Harry Rugeroni vivia em Lisboa e era um dos proprietários do Hotel Aviz, um dos mais requintados da época.
A fotografia foi cedida por Luis Sousa
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca.


Sobre as Pedras de Vila Real

Sobre o "empedrado" de Vila Real as surpresas aconteciam quando menos se esperava. Foi o que aconteceu com o DIMA nº 6 de Corte Real Pereira, que pouco depois desta imagem ter sido obtida entrou em "pião" e foi ultrapassado pelo Cisitalia Abarth de Emilio Romano, que se vê ao fundo e acabaria por triunfar na classe até 1100 cc. O Allard de D. Fernando Mascarenhas, aqui em segundo plano, sofreu uma avaria que o fez a abandonar a corrida, a qual teria como vencedor absoluto o Ferrari 212 de Giovanni Bracco.
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973, de Carlos Guerra





EDFOR

Concebido por sugestão de Manuel Menéres, concessionário Ford no Porto, EDFOR é o nome de um carro de sport produzido em 1937 nas oficinas de Eduardo Ferreirinha & Irmão (EFI) a partir de componentes Ford, nomeadamente um motor V8 de 3620 cc e um chassis da mesma marca. Dotado de uma carroçaria em alumínio que pesava pouco mais de 150 quilos, o Edfor matrícula RP-10-30 mostrou-se competitivo logo na estreia, no circuito de Vila Real, onde comandou a corrida de Sport durante 8 voltas até ser forçado a parar com problemas de aquecimento do motor. Um segundo carro foi construído em 1939, havendo especulações sobre a possível construção de um terceiro exemplar, facto não documentado. Este segundo carro (NT-10-68) perdura até aos dias de hoje.
A imagem documenta Augusto Madureira ao volante do primeiro Edfor (RP-10-30) à partida para o Rali Internacional de Lisboa de 1947, prova que abandonaria devido a acidente. O carro ficou parcialmente destruído.
Imagem - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973 , de Carlos Guerra
                     - http://autoentusiastas.blogspot.com


Uma Certa Ideia de Segurança

Na década de 50 a segurança de pilotos e espectadores estava ainda longe de ser uma prioridade, como aqui se constata através desta imagem que mostra o Ferrari 750 Monza de D. Fernando Mascarenhas a entrar na recta da Boavista durante o Grande Prémio de Portugal de 1955. O carro circula no "empedrado", que por sua vez é atravessado pelos carris metálicos do eléctrico. O lambril do passeio delimita a estrada e até uma cabine telefónica se oferece como "alvo". O público "anda por ali", em cima dos muros e dos passeios e há também uns postes e umas árvores a bordejar a pista.
Em tais circunstâncias não admira que os acidentes fossem frequentes e tivessem graves consequências. Apesar das condições mais que discutíveis que oferecia, o Circuito da Boavista não ficou conhecido como um causador de grandes tragédias.


"Nicha" Cabral em Nurburgring

A data desta história (1963) sai um pouco do âmbito do trabalho que aqui se faz e que se pretende limitado a 1960. Mas a qualidade da imagem, provavelmente inédita, mais que justifica a sua publicação neste espaço. Nela de vê "Nicha" Cabral ao volante do Cooper Climax T60 que tripulou no Grande Prémio da Alemanha de Fórmula 1, disputado no circuito antigo de Nurburgring, um traçado com 22 quilómetros de extensão e cerca de 180 curvas. Um pesadelo para qualquer piloto excepto para o português, que o considerava o seu circuito favorito.
"Nicha" conseguiu levar o Cooper  ao 20º lugar (entre 22) da grelha e tinha já ganho onze lugares durante a corrida quando a caixa de velocidades cedeu e o obrigou a abandonar. Este mesmo carro  tinha sido tripulado por Bruce Mc Laren na época anterior, que com ele ganhou o GP de Mónaco.
Fotografia - Gergely Gabris
Bibliografia - "Nicha", de Adelino Dinis



IV Grande Premio Penya Rhin 1933

A 25 de Junho de 1933 disputou-se num circuito traçado perto do parque de Montjuic, Barcelona, o IV Grande Premio de Penya Rhin. Vasco Sameiro (nº 18), em Alfa Romeo 8C-2300, era o único português presente e acabaria por conquistar um brilhante segundo lugar na classificação final, logo após Juan Zanelli, que tripulava um carro idêntico.
Mas a grande figura da tarde seria, como se esperava, o grande Tazio Nuvolari. No momento em que comandava tranquilamente a corrida o seu Alfa Romeo 8C-2300 começou a falhar, obrigando o piloto italiano a parar na zona de meta para afinar o carburador. Ao fim de onze minutos e cinco voltas perdidas Nuvolari voltou à pista, tendo dado um verdadeiro espectáculo de pilotagem em que bateu várias vezes o record da volta mais rápida. terminou em quinto lugar, após ter recuperado três das cinco voltas que perdeu por causa da avaria.
Fotografia de Luis Sousa

 Eis a grelha de partida para o Grande Premio de  Penya Rhin de 1933
Pole Position
2
Tort

Nacional P.
4
Lehoux

Bugatti
6
Wimille

Alfa Romeo
8
Nuvolari

Alfa Romeo
10
Palacio

Bugatti
12
Texidor

Bugatti
16
Zanelli

Alfa Romeo
18
Sameiro

Bugatti
20
"Vega"

Bugatti
24
de Morawitz

Bugatti
38
Stahel

Bugatti
30
Angli

Bugatti
32
Dourel

Amilcar

Allard P1

O Allard P1 de Jorge Monte Real e Diogo Passanha à partida para uma das últimas complementares do IV Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), prova que não correu particularmente bem a esta equipa na sua parte final.
Apesar das suas linhas algo "pesadas", o Allard P1 revelou-se um carro de desporto consideravelmente competitivo, tendo mesmo vencido o Rallye de Monte Carlo de 1952 com o próprio  Sydney Allard ao volante.
Produzido em Inglaterra em pequenas quantidades, este carro utilizava um motor Ford V8 com 3,600 cc de cilindrada acoplado a uma transmissão também "made in USA". Este facto tinha a ver com a escassez de componentes mecânicos disponíveis em Inglaterra na fase que sucedeu ao final da Segunda Guerra.


Circuito da Covilhã

A 22 de Junho de 1931 disputou-se o Circuito da Covilhã, prova patrocinada pelo ACP e que compreendia 12 voltas a um percurso de 9,400 metros. Participaram sete concorrentes, a saber: José Lopes da Silva (Citroen), António Lopes da Costa (Ford), José Luis de Brito (Ford), Gaspar Sameiro (Ford), Vasco Sameiro (Ford), Joaquim Fazenda (Turcat) e José Alves da Silva (Ford). 
Os consagrados Gaspar e Vasco Sameiro dominaram a prova e viriam a conquistar os dois primeiros lugares, seguidos de Lopes da Costa e José Luis de Brito, todos em Ford.
A partida para a corrida foi dada às 18 horas, mas a prova só terminou duas horas depois devido a uma forte  chuvada que caiu sobre o traçado tornando o percurso quase intransitável. O público debandou, à procura de abrigo, mas os concorrentes aguentaram estoicamente até ao fim.
Na imagem, a equipa Ford, que conquistou os quatro primeiros lugares.

Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto
Imagem -  Centro de Documentação do ACP


Quilómetro do Cabo 1937


Francisco Ribeiro Ferreira e o seu Bugatti, vencedores do "Quilómetro Lançado do Cabo", prova disputada a 4 de Abril de 1937. A média então obtida, mais de 203 km/h, tornou-se na mais alta até então conseguida em Portugal numa competição automobilística.
O "Quilómetro Lançado do Cabo" era realizado num percurso dividido em quatro sectores, a saber: 2000 metros para lançamento, 1000 metros para correr e 1000 metros para desacelerar. Participaram na prova catorze carros, dez na categoria "sport" e quatro na categoria "corrida", observando-se grandes diferenças no desempenho dos concorrentes. A título de exemplo, aos 203,735 km/h do Bugatti de Ribeiro Ferreira contrapunham-se os modesto 78,908 km/h do DKW de Emídio Correia Guedes (quem será "este"?), o último classificado.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto



Mille Miglia 1956

O Mercedes Benz 300 SL (chassis 0405500299) de D. Fernando Mascarenhas / Manuel Palma  num controle das Mille Miglia 1956, que terminariam num excelente 31º lugar com o tempo total de 13 horas e 49 minutos.