III Grande Prémio do Rio de Janeiro

2 de Junho de 1935. Segundo a revista carioca "O Cruzeiro" mais de 500 mil pessoas juntaram-se à volta do chamado "circuito da Gávea", um traçado de 11,2 quilómetros desenhado entre "penedias e abismos", para assistirem à grande corrida. A colónia portuguesa apresentou-se em força, mobilizando ranchos folclóricos, bandas de música e toda uma panóplia de dísticos e bandeiras para apoiar os três corredores nacionais que se apresentavam à partida. Henrique Lehrfeld e José Almeida Araújo trouxeram de Portugal os respectivos Bugattis, enquanto que Nunes dos Santos se inscreveu com um Adler.
Os portugueses assustavam a concorrência, como o comprova o facto de os seus carros terem sido sabotados na véspera do Grande Prémio. O Bugatti de Lehrfeld teve os cabos das velas cortados e o depósito de gasolina do carro de Almeida Araújo foi atestado com … água. O Adler de Nunes dos Santos sofreu apenas a destruição de uma vela e respectivo assento. Não obstante, os  nossos compatriotas acabariam por conseguir um resultado brilhante no final da corrida. Dos 44 concorrentes à partida apenas seis chegaram ao final da prova, entre eles os três valentes lusitanos. Lehrfeld foi segundo, Araújo foi terceiro e Nunes dos Santos chegou em sexto. O argentino Caru seria o vencedor.
Henrique Lehrfeld recebeu 20 contos e uma medalha de prata pelo seu resultado. Almeida Araújo teve de se contentar com apenas 10 contos e uma medalha.

Com agradecimentos a Gonçalo Almeida Araújo

Em baixo, José Almeida Araújo antes da partida e ao cortar a meta no final do III Grande Prémio do Rio de Janeiro.




                                             Henrique Lehrfeld e o seu Bugatti Grand Prix

Vencedores em Mónaco

O Mercedes 300 SL de Fernando Duarte Ferreira / José Manuel Simões durante a edição de 1959 do Rallye de Monte Carlo em que viriam a conquistar a vitória na complementar disputada no circuito de Mónaco. Tal como refere Carlos Duarte Ferreira no post anterior, seria a princesa Grace a entregar o troféu aos vencedores.
A foto é de Luis Sousa


Preparativos para Monte Carlo

De 19 a 23 de Janeiro de 1960 disputou-se a 29ª edição do Rallye de Monte Carlo, prova que viria a contar com a participação de algumas equipas portuguesas que escolheram Lisboa como ponto de partida. Entre elas contava-se a dupla formada por Fernando Duarte Ferreira / João Botequilha (embora seja Horácio Macedo quem ocupa o lugar do "pendura"), que tripulava o Mercedes Benz 300 SL com o nº 161 que aqui vemos a ser preparado nas oficinas de Palma & Morgado e a receber a bandeirada de partida na Rua Rosa Araújo, Lisboa, em frente à sede do ACP. 
Segundo Carlos Duarte Ferreira, o Mercedes azul metalizado dos portugueses terá vencido a complementar disputada no circuito de Mónaco em 1959, tendo seu primo Fernando recebido o troféu respectivo das mãos da princesa Grace.
Fotos - Centro de Documentação do ACP




Carlos Pinto Coelho

Na década de 50 abundava no meio automobilístico europeu um tipo de concorrente cujo objectivo principal tinha mais a ver com uma certa ideia de aventura do que propriamente com a obtenção de resultados. Os ingleses davam a estes desportistas o nome de "gentleman drivers", conceito que atravessou mais que uma geração de automobilistas e que emprestou à competição automóvel de então toda uma aura de aristocrático romantismo.
Carlos Pinto Coelho era uma destas figuras. Em 1953 participou no Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) ao volante de um Lancia Aurelia, não tendo terminado a prova. Nesse mesmo ano concluiu o Rallye de Monte Carlo em 263º lugar, conduzindo um outro Lancia que partilhou com Lencastre de Freitas. No ano anterior, 1952, partiu de Lisboa ao volante de um Riley mas não conseguiu chegar ao principado.
Agradeço a colaboração de Duarte Pinto Coelho e Angelo Pinto da Fonseca


Lancia Aurelia vs Ferrari 225S

A imagem é referente ao III Circuito do Porto disputado em 1952 e mostra o Lancia Aurelia B20 de Salvatore Ammendola a defender-se dos ataques do Ferrari 225S de D. Fernando Mascarenhas. O Lancia chegaria ao final em 9º lugar, com seis voltas de atraso sobre o Ferrari 225S do vencedor, Eugenio Castellotti, enquanto que D. Fernando Mascarenhas viria a abandonar a corrida por avaria.
Com um motor que debitava apenas 110 cavalos de potência o Lancia Aurelia B20 seria uma presa fácil para os mais de 200 cv do Ferrari 225S, mas a fiabilidade do carro italiano permitiu-lhe chegar ao fim da  prova sem problemas de maior. Note-se em fundo o "placard" com a identificação em tempo real dos quatro primeiros classificados. Castellotti (nº29) já estava no comando.


Monte Carlo 1931

Francisco Ribeiro Ferreira e Bernardo Vilela junto do MG Midget com o número 20 que levaram até ao 14º lugar da classificação geral no X Rallye de Monte Carlo disputado em 1931. Tendo partido de Lisboa, a equipa portuguesa acumulou um total de 2,178 quilómetros entre percurso de ligação e provas complementares. Numa delas, a Rampa Mont des Moles, o pequeno MG de Ribeiro Ferreira / Vilela viria a conquistar um brilhante quarto lugar absoluto.
Foto - Centro de Documentação do ACP

Partida para Monte Carlo 52

Rua Rosa Araújo, Lisboa, frente à sede do ACP. Dia 22 de janeiro de 1952, cerca das quatro e meia da tarde. O Simca Aronde da equipa Conde Monte Real / Manuel Palma vai largar para a edição desse ano do Rallye de Monte Carlo, juntamente com mais 72 concorrentes que escolheram Lisboa como ponto de partida para a grande aventura. Serão 3,346 quilómetros de estrada até chegarem ao principado, aos quais se juntarão depois mais algumas dezenas a percorrer durante as provas complementares. O percurso a partir de Lisboa era como segue: Elvas, Madrid, Burgos, San Sebastian, Bordeaux, Tours, Orleans, Reims, Paris, Montlouçon, Clermont-Ferrand,  Saint Flour, Le Puy, Valence, Gap, Digne, Grosse e Monte Carlo.
Além de Jorge Monte Real / Palma partiram também de Lisboa mais três equipas portuguesas: com o nº 8 João Lacerda / Jaime Azarujinha, em Citroen, depois com o nº 25 Carlos Pinto Coelho, em Riley e , finalmente, com o nº 27  João Graça, em Volkswagen. O vencedor seria Sydney Allard, ao volante de um (what else?) Allard J2, sendo o segundo lugar ocupado por um jovem  Stirling Moss, em Sunbeam Talbot. O melhor classificado dos portugueses seria João Lacerda (13º), enquanto que o melhor resultado de um carro partido de Lisboa seria o 5º lugar conquistado pelo Jowett Jupiter de Becquart / Ziegler.

"O Conde Monte Real, mudou para a categoria 2 neste rali. O problema foi que os Simca Aronde, no geral carros robustos, neste Monte Carlo de 1952 revelaram-se pouco fiáveis e levaram ao abandono dos seus melhores pilotos, tal como aconteceu com a equipa portuguesa e com a de Jean Behra, que tinha feito idêntica aposta no carro francês.
Luis "


À chegada, o Citroen 15-6 de João Lacerda / Jaime Azarujinha e o Sunbeam Talbot de Stirling Moss / Scannell

Circuito da Gávea 1935


CIRCUITO DA GÁVEA 1935 - 

Imagens do Circuito da Gávea de 1935, Grande Prémio do Rio de Janeiro. Os portugueses tiveram comportamento brilhante, conquistando o segundo (Henrique Lehrfeld) e terceiro (José Almeida Araújo)  lugares da classificação final, com o mesmo número de voltas do vencedor, o argentino Ricardo Carú. O Bugatti T37 de Almeida Araújo (nº2) é perfeitamente visível cerca do minuto 01.20.
Esta prova ficou marcada pelo acidente que vitimou o piloto Irineu Correia, cujo carro se despistou logo na primeira volta e caiu num canal situado junto da pista.
Classificação dos cinco primeiros:

José Almeida Araújo

José Almeida Araújo, importador da marca Talbot para Portugal, participou no Circuito da Boavista de 1951 ao volante deste Talbot-Lago T26, tendo terminado a prova em oitavo lugar. Mais tarde, em outubro desse ano, terá sofrido um acidente fatal com este mesmo carro.
Com agradecimentos a Pedro Cortês de Lobão e Portugal Motorsport


Grande Prémio de Lisboa 55 (partida)

Partida para o Grande Prémio de Lisboa de 1955, com uma qualidade e quantidade de pilotos e automóveis difíceis de repetir.
O Jaguar D Type de Duncan Hamilton (nº6) largou na frente mas irá abandonar à 40ª volta com problemas de travões. O Cooper 38-Jaguar de Peter Whitehead (nº5) não terá melhor sorte, tal como o Maserati 300S de Benoit Musy (nº8), que não chegaria ao fim da primeira volta devido a avaria na transmissão. À esquerda pode ver-se o Maserati 300S do Barão de Grafenried tendo a seu lado o Ferrari 750 de Godia Sales (nº15), enquanto que na terceira fila surge o Ferrari 750 Monza branco de Masten Gregory (nº11), o futuro vencedor.
Fotografia de Luis Sousa, que também ajudou na identificação dos protagonistas.


Grande Prémio de Lisboa 1955

Em Julho de 1955 disputou-se no circuito de Monsanto o Grande Prémio de Lisboa, prova que viria a ser ganha por Masten Gregory em Ferrari 750 Monza. A imagem mostra o Aston Martin DB3S de Graham Whitehead (nº4) à frente do Ferrari 250 MM de Borges Barreto (nº20) e do Aston Martin DB3S de Les Cosh (nº2). Depois vem o Ferrari nº 16 de Jean Lucas e um terceiro Aston Martin DB3S, o carro de Tom Sulman (nº3).
Foto - Centro de Documentação do ACP


III Grande Prémio de Portugal 1953


Casimiro de Oliveira apresentou-se à partida para o III Grande Prémio de Portugal , IV Circuito Internacional do Porto de 1953, com o Ferrari 250 MM #0330MM. Terminaria em segundo lugar, com uma volta de atraso em relação ao vencedor, José Nogueira Pinto.
O Conde da Covilhã, Júlio Anahory Quental Calheiros, foi o principal responsável pela instalação da primeira fábrica de pneus em Portugal, a Mabor, e fazia do desporto automóvel a plataforma ideal para promover os seus produtos. Assim, terá sido ele a encomendar os Ferrari 250 MM vermelhos que seriam entregues a Casimiro de Oliveira e Vasco Sameiro para a época de 1953. Equipados com pneus Mabor, os Ferrari viriam porém a sofrer uma série de acidentes que mais tarde seriam atribuídos a esses mesmos pneus e fariam com que a marca portuguesa abandonasse a competição automóvel.





















Curioso que na época os pneus Mabor eram motivo de troça por serem de fabrico nacional.  Casimiro de Oliveira foi protagonista de dois acidentes com violência causados por  pneus … Englebert . Quanto aos Mabor, não provocaram acidentes.
A 250MM do Casimiro #0330 seria mais tarde vendida ao Marquês de Portago com outro número de chassis.

Luis 

I Rallye ao Porto

Estádio do Lima, 1951. I Rallye ao Porto, organização do Académico Futebol Clube do Porto. As provas automobilísticas eram disputadas na pista de ciclismo, uma das poucas então existentes em Portugal.
Colaboração de José Pedro Moreira


II Mannin Moar Grand Prix

A 2 de Junho de 1934 disputou-se na  cidade de Douglas, Ilha de Man, o II Mannin Moar Grand Prix, uma prova que compreendia um total de 50 voltas a um circuito com cerca de seis quilómetros de extensão .
Vasco Sameiro, com o Alfa Romeo 8C 2.3 Monza nº 12, obteve o terceiro tempo nos treinos e partiu para a corrida cheio de confiança. E o caso não era para menos. À 10ª volta Sameiro seguia em   4º lugar, para ser 3º na 20ª volta e 2º na 30ª. Abandonaria após a 40ª volta por avaria mecânica, depois de ter feito uma corrida absolutamente fantástica.
Na imagem vemos o Alfa Monza de Vasco Sameiro a ser perseguido pelo Bugatti T51 de Lindsay Eccles e pelo Alfa Monza de Charlie Dodson. Brian Lewis, com um Alfa Romeo tipo B "Monoposto" alugado à Scuderia Ferrari, seria o vencedor
Com agradecimentos a José Mota Freitas




Bugatti Type 37 Sport

Produzido em 1926, o Bugatti matrícula N-4997 (mais tarde MN-49-97) que venceu o Grande Prémio da Curia de 1927 pelas mãos de Alfredo Marinho veio para Portugal por encomenda de Eduardo Ferreirinha. Mais tarde viria também a pertencer a José Cardoso de Menezes.


O Recomeço

Após mais de uma década de suspensão em consequência da II Guerra Mundial, o Circuito de Vila Real começa a renascer em 1949 com uma corrida em que participaram 23 automóveis, quase todos veículos de série. Só no ano seguinte voltariam os "carros de corrida".
Na imagem pode ver-se o Lancia Aprilia de Manuel Santos Pinto à frente do Riley Sprite de Camilo Fernandes. O primeiro terminaria num honroso 6º lugar enquanto que o segundo viria a abandonar por avaria.
Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931 - 1973", de Carlos Guerra
Foto - Centro de Documentação do ACP


Subindo a Avenida da Liberdade a 200 km/h

Já aqui foi dito que Fritz D´Orey fez a sua curta mas brilhante carreira automobilística como cidadão brasileiro, embora seja filho de portugueses e tenha sido registado no Consulado Português de S. Paulo quando nasceu. Hoje, por opção pessoal, reside em Portugal e é cidadão português de pleno direito. 
A carta que se junta foi-lhe enviada pelo seu amigo Anselmo Duarte, um dos mais talentosos realizadores de cinema da sua geração, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1962 com o filme "O Pagador de Promessas". Vale a pena ler.


Partida para os 500 km de Interlagos 1958. Fritz D´Orey está na primeira fila, à direita, com o Ferrari 375 com o nº 7.

Mille Miglia 1956

Mais imagens da participação de D. Fernando Mascarenhas / Manuel Palma nas edição de 1956 das Mille Miglia



Casimiro de Oliveira no Brasil

Casimiro de Oliveira participou no Circuito da Gávea de 1938, no Rio de Janeiro, com um Bugatti 51 acabado de comprar ao seu amigo engº Ribeiro Ferreira, que ao volante deste carro tinha conseguido alguns resultados de relevo. Mas a aventura brasileira não correu bem para o piloto português que logo nos treinos danificou a suspensão e as rodas do lado esquerdo do Bugatti ao bater num passeio. Em consequência, Casimiro partiu da última linha da grelha e voltou a ter problemas durante a corrida, desta vez com a caixa de velocidades, que encravou em "terceira". Uma jornada desportiva para esquecer mas uma aventura internacional para recordar.
Bibliografia e foto - "Manoel de Oliveira, piloto de automóveis", de José Barros Rodrigues


Heróis de 50

D. Fernando Mascarenhas, José Manuel Simões, D. António Mascarenhas e Joaquim Filipe Nogueira foram figuras que, cada um à sua maneira, marcaram o panorama automobilístico nacional na década de 50. 


José Nogueira Pinto

José Arroyo Nogueira Pinto foi um dos grandes protagonistas do automobilismo nacional durante a década de cinquenta. Ei-lo aqui ao volante do Ferrari 750 Monza (#0572M) nº 8 durante o II Grande Prémio do Porto de 1956 disputado a 17 de Junho no Circuito da Boavista, liderando um grupo em que se distingue com o nº 5 o Maserati 300S do Barão Emmanuel de Graffenried, que viria a abandonar ao fim de vinte voltas. José Nogueira Pinto não foi particularmente feliz nesta prova, que terminou em 10º lugar, mas já tinha conseguido provar o sabor da vitória com este mesmo carro no Grande Prémio de Tânger de 1955 e no Circuito de Vila do Conde do mesmo ano.




De Volta à Vida

Depois do grave acidente sofrido no Grande Prémio de Portugal de 1956, Joaquim Filipe Nogueira viu-se confrontado com a sua própria recuperação e com a necessidade de recuperar  o Ferrari 735 Monza que piotava. Ficaram ambos severamente maltratados mas não demoraram a "voltar à vida".
A imagem de cima documenta o interior das oficinas de Palma & Morgado onde o Ferrari ficou entregue aos cuidados de Manuel (à esquerda, de bata)) e Augusto Palma (à direita, de fato "macaco"). Filipe Nogueira, de casaco, cigarro e óculos escuros parece nada ter a ver com este "filme". Mas tinha. E muito.
Em baixo, o Ferrari virado "do avesso" após ter galgado um passeio na Boavista.




Os Pioneiros

A 10 de Junho de 1910 disputou-se uma das primeiras provas de velocidade automóvel documentadas em Portugal.  Consistia em percorrer a subida "Da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras" no menor tempo possível, tornado-se assim na primeira "rampa" da história do automobilismo nacional.
Fotografia de Joshua Benoliel, suporte gelatina e prata sobre vidro.


Circuito de Santarém

A 31 de maio de 1936 disputou-se o Circuito de Santarém, prova integrada na I Exposição-Feira de Santarém que consistia em percorrer 20 voltas a um traçado com 5,105 metros de extensão. Foram instaladas bancadas na rua da Covilhã, onde se situava também o abastecimento, a meta e a cronometragem. Participaram onze concorrentes, a saber: Manuel de Oliveira (Ford), Eduardo Ferreirinha (Ford), Manuel Soares Mendes (Alfa Romeo), engº Ribeiro Ferreira (Bugatti), Carlos santos Silva (Ford), Jorge Monte Real (Bugatti), António Herédia (MG), Manuel Nunes dos Santos (Adler), Nicol Mac Nicoll (SS), Eduardo Carvalho (NNV8) e Harry Rugeroni (BTR). Jorge Monte Real foi o vencedor absoluto, deixando os demais concorrentes a pelo menos uma volta de distância. A volta mais rápida pertenceu também a Monte Real, à média de 85,3 km/h.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto

O Ford de Eduardo Ferririnha (nº3) já vai na frente, seguido pelo Bugatti de Jorge Monte Real (nº7), pelo BTR de Harry Ruggeroni (nº 14) e pelo Bugatti de Ribeiro Ferreira (nº5) .


O Acidente

Vasco Sameiro (Ferrari 166MM nº 2) e Casimiro de Oliveira (Ferrari 250MM nº 3) protagonizaram um aceso despique no decorrer do III Grande prémio do Porto de 1953, disputado como sempre no circuito da Boavista. Porém, à 54º volta o carro de Vasco Sameiro deu um toque num passeio e começou uma sequência de "cambalhotas" que projectou de imediato o piloto de encontro ao solo. Casimiro de Oliveira, que vinha atrás, parou junto do carro acidentado para se informar sobre o estado de saúde do seu amigo e depois prosseguiu a corrida, terminando em segundo lugar logo após o Ferrari 250 MM de José Nogueira Pinto, o vencedor.
Fotografias de José Francisco Correia


Augusto Palma e o Carburador

Um ainda muito jovem Augusto Palma segura numa das mãos parte de um dos carburadores do Ferrari 166 MM Spider Vignale (s/n 0290M) do Conde de Monte Real durante os treinos para o Circuito Internacional de Monsanto de 1953, que ficou conhecido como o Grande Prémio do Jubileu do Automóvel Clube de Portugal. A corrida viria a ser ganha pelo Lancia D23 de Felice Bonetto, com Stirling Moss a conquistar o segundo lugar tripulando um Jaguar C-type. José Nogueira Pinto levaria o seu Ferrari 250MM ao terceiro lugar enquanto que o Conde não iria além da quinta posição.


A Festa dos Cooper Climax

Imagem da partida para o VIII Grande Prémio de Portugal de 1959, com Jack Brabham  (1) em Cooper Climax na dianteira, seguido de Masten Gregory (2), em carro idêntico. Depois vem o Cooper Climax (4) da equipa de Rob Walker tripulado por Stirling Moss e ainda um outro (3) pilotado por Bruce Mc Laren. No final seria Moss a cortar a meta em primeiro lugar, com o segundo classificado, Masten Gregory, a chegar com uma volta de atraso. Estava definitivamente confirmada a superioridade dos carros de motor traseiro, configuração que se mantém até aos dias de hoje.






Quilómetro Lançado da Boavista

A primeira edição do Quilómetro Lançado da Boavista teve lugar a 26 de Agosto de 1923, tendo como vencedor o Mercedes de Abílio Nunes dos Santos. Carlos Eduardo Bleck (na imagem) em Delage, não iria além do 5º lugar mas voltaria em 1925 para conquistar a vitória absoluta na segunda edição desta mesma prova entre 19 automóveis, desta vez ao volante de um Bugatti. Com este mesmo carro e ainda em 1925 Carlos Bleck viria a vencer o I Circuito do Estoril, terminando a corrida com uma vantagem de 3 segundos sobre  Abílio Nunes dos Santos, em Mercedes.
Foto - Sofia Bleck


Fernando Palhinhas e os automóveis FAP.

A FAP é, provavelmente, a mais carismática de todas as marcas portuguesas de competição que vieram à ribalta durante a década de 50. Foi a primeira a surgir e, por essa razão, foi claramente inspiradora. Foi a que mais modelos produziu, chegando a ter cinco automóveis a correr ao mesmo tempo. Teve 16 pilotos a defendê-la, cabendo a Fernando Palhinhas (Pai) a subida honra de ter feito o maior número de provas ao volante de um automóvel da marca: nada menos de 31. O somatório de todas as participações de todos os concorrentes da marca corresponde a 75 resultados, dos quais 21 – quase um terço – são vitórias, à geral ou à classe. E tem ainda o privilégio de contar com três provas internacionais no seu curriculum: Rali a Vigo, em 1951, Circuito de Tanger, em 1954 e Circuito de Agadir, em 1955. 
Texto de José Barros Rodrigues in "Os Automóveis FAP de Fernando Palhinhas"
Foto - Centro de Documentação do ACP

Nurburgring 1955

Em 28 de Agosto de 1955 D. Fernando Mascarenhas e Joaquim Filipe Nogueira (FE-22-24)  participaram no ADAC 500 Km do Nurburgring, ambos tripulando carros idênticos, os Porsche 550 Spyder que por essa altura se apresentavam como verdadeiras revelações do desporto automóvel internacional. Os pilotos portugueses teriam sortes diferentes, pois enquanto Filipe Nogueira terminou a prova num brilhante 10º lugar absoluto D. Fernando Mascarenhas viria a abandonar a corrida devido a acidente. Note-se que na parte final da sua corrida Filipe Nogueira se sentiu indisposto e foi substituído por José Arroyo Nogueira Pinto.
A imagem é de má qualidade e as condições meteorológicas eram também bastante adversas, mas o carro em primeiro plano revela (tenta revelar, pelo menos) o Spyder deste último.
Jean Behra, em Maserati 150 S seria o vencedor, com Richard von Frankenberg, o fundador da revista Christophorus da Porsche, em segundo lugar ao volante de um Porsche 550 Spyder.
Fotografia - colecção família Mascarenhas


Ferrari 735S #0444MD

O Ferrari 735S chassis #0444 MD foi entregue originalmente a Vasco Sameiro, que o estreou no Circuito do Porto de 1954. Na altura o carro evidenciava sérios problemas de motor mas mesmo assim foi inscrito para o Circuito de Monsanto desse mesmo ano, prova a que a imagem se refere. As coisas também não correram de feição e o Ferrari nº 11 acabou por cumprir apenas 35 das 60 voltas da corrida. De seguida o carro foi enviado para o Brasil, tendo Vasco Sameiro vencido com ele o Circuito do Maracanã, no Rio de Janeiro. No regresso o #0444MD foi entregue a João Gaspar, que o venderia a Herbert Mackay-Frazer, o qual mais tarde lhe introduziu as especificações do 750 Monza.
Fotografia - colecção Augusto Palma


Fotografia de baixo - colecção Domingos Palha da Costa

O Ferrari 735 "0444" foi entregue a Vasco Sameiro com anomalias de alimentação, pois parecia ser uma praxe da Ferrari que os clientes fizessem a afinação do carro. Depois do Porto a saga prosseguiu no Monsanto. Quando o "0444" ficou a ponto  Sameiro venceu no Maracanã e de seguida vendeu o carro ao seu amigo McFrazer. Este inscreve-se na Boavista 1955 onde o carro deu sinais graves de problemas de motor, não se apresentando à partida. Sucedeu que o Vasco Sameiro teve um terrivel acidente nos treinos no qual o seu Ferrari Monza ficou destruído. Mc Frazer compra então a V Sameiro o motor e a caixa do Monza, o que lhe vai permitir a presença no Monsanto, onde termina a corrida. Ainda hoje a "0444" tem o motor trocado com uma  225S que foi de Portugal para o Brasil.
Luis

Vitória de Fangio

Juan Manuel Fangio (Maserati 300S #11) prepara-se para a partida do VI Grande Prémio de Portugal de 1957, disputado em Monsanto, de que viria a ser brilhante vencedor. Ao lado está o Ferrari 860 de Masten Gregory (#16) e na fila seguinte o Osca #"9 de Alexandre de Tomaso e o Maserati 300S de Godia Sales.
Apenas Fangio e Masten Gregory chegaram ao fim na mesma volta, com o terceiro classificado (Menditeguy) a duas voltas de distância. O português melhor classificado foi Joaquim Correia de Oliveira, em Porsche 550 Spyder, com seis voltas de atraso em relação ao vencedor.
Foto - Centro de Documentação do ACP



Foi uma excelente corrida, num traçado difícil. Masten Gregory, na Ferrari 290MM de Temple Buell, foi aguentando até ser ultrapassado na curva do moinho por JM Fangio, que
bem apoiado na ágil Maserati 300S , passou por dentro com facilidade e destreza. Boas as corridas de Phil Hill, enquanto durou , e das 300S de Godia Sales e Carlos Menditeguy assim como a bela corrida do Osca de A de Tomaso. Os nossos representantes nos Porsche Spyder, enquanto pilotos, estiveram furos abaixo da potencialidade dos carros.

Luis