Tour d´Europe 1956

De 1 a 13 de Junho de 1956 tem lugar a primeira edição do Tour d´Europe, uma prova de longa duração realizada numa Europa ainda em ruínas mas que pretende dar uma ideia de união ao resto do mundo. Konrad Adenauer, o chanceler alemão , encabeça a lista de patrocinadores e apoiantes, o que diz bem da importância do evento.
São treze dias intensos que levam os participantes a atravessar treze países num circuito que começa em Hannover, seguindo depois por Bruxelas, Bonn, Luxemburgo, Reims, Lisboa, Madrid, Monte Carlo, Roma, Trieste, Atenas, Istambul, Belgrado, Viena e novamente Hannover.
Apenas uma equipa portuguesa participou nesta grande maratona: Fernando Stock / Harry Rugeroni, que tripulavam o Mercedes 300 SL com o nº 101. Os vencedores seriam Joachim Springer / Erwin von Regius, em Ford 15M
Fotografias - Duarte Stock



Fernando Stock foi um verdadeiro Gentleman Driver e Harry Rugeronni uma pessoa de carácter muito especial. Pelas fotos o DC-24-08 foi outro 300SL que o dono foi buscar à fábrica.

Luis

Almeida Araújo

Últimas imagens da série dedicada a José Almeida Araújo e à sua participação nos Grandes Prémios do Rio de Janeiro de 1935 e 1937.
Como era norma na altura, o Alfa Romeo 8C Monza ostentava orgulhosamente as cores portuguesas, vermelho em cima e uma faixa branca em baixo. Repare-se também no emblema do Automóvel Clube de Portugal gravado no fato de competição do piloto português.



Vitória em Monsanto

A 24 de Julho de 1955 disputou-se no circuito de Monsanto perante largos milhares de pessoas a Taça Cidade de Lisboa, prova integrada no III Circuito Internacional de Lisboa. Apesar da trajectória pouco "ortodoxa" revelada na abordagem desta curva, o Mercedes Benz 300SL de D. Fernando Mascarenhas viria cortar a meta em primeiro lugar, à frente de Fernando Stock e Mário Rodrigues, que tripulavam carros idênticos.
Mais de cinquenta anos depois o artista Ricardo Assis Cordeiro passou para a tela a batalha "fratricida" vivida pelos pilotos dos Mercedes 300 SL nas colinas de Monsanto.

Os Mercedes Benz de D. Fernando Mascarenhas e Mário Rodrigues no circuito de Monsanto de 1955. Aguarela de Ricardo Assis Cordeiro. Saiba mais aqui .


Boa foto de D Fernando Mascarenhas a preparar nova curva, agora para a direita. A roda traseira vai perto do limite, um pouco mais e começava o camber positivo, ou seja, o calcanhar de Aquiles do Gull Wing, isto para não falar dos travões. Dois anos depois, nesta mesma curva, Araujo Cabral ao  querer ultrapassar J M Simoes partia a caixa de velocidades, outro ponto frágil do carro quando se usava com força. J Manuel Simoes, ao querer segurar A Cabral , foi vitima do eixo traseiro e roçou os fardos de palha. 
Em 1957 a luta dos 300SL foi tão renhida que baixaram os tempos de D Fernando em 3 segundos por volta mas em 1959 os tempos de António Barros foram idênticos aos do Marquês em 55.
Luis

De "pernas para o ar"

Curiosa forma de John Cooper celebrar a vitória de Jack Brabham em Cooper-Climax no Grande Prémio de Portugal de 1960 disputado no Circuito da Boavista, no Porto. O português "Nicha" Cabral também participou nesta corrida mas acabou por abandonar devido a acidente.
Colaboração de Luis Sousa



                                         Jack Brabham, em Cooper-Climax, a caminho da vitória.

Alfa contra Alfa

Durante o Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1937 o Alfa Romeo 8C 2300 Monza de José Almeida Araújo (na frente) revelou-se uma presa relativamente fácil para os mais modernos e potentes Alfas 35C (a seguir) equipados com o motor oito cilindros de 3,800 cc que debitavam uns impressionantes 330 cavalos de potência às 5,500 rpm.
Esta imagem foi obtida naquela que é hoje a Avenida Niemeyer, perto do acesso à "Favela do Vidigal", que então ainda não existia. Repare-se no impressionante número de espectadores espalhados sem qualquer segurança pelos mais de onze quilómetros do circuito.
Foto - Arquivo família Almeida Araújo


Outros Tempos

Tal era a importância que as corridas de automóveis tinham no Brasil dos anos 30 que os "corredores", como se dizia na altura, tinham direito a recepção especial pelo Chefe de Estado. A imagem mostra os concorrentes portugueses fotografados junto do Presidente Getúlio Vargas, o único de fato escuro, nas vésperas do Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1936. Os portugueses Henrique Lehrfeld (à frente, segundo a contar da esquerda) e Almeida Araújo ("espreitando" por cima do ombro esquerdo do Presidente) tiveram pouca sorte nesta prova: o Bugatti T37 de Lehrfeld esteve envolvido num acidente durante a corrida e o carro idêntico de Almeida Araújo não chegou ao Rio a tempo de participar. Note-se também a presença da concorrente francesa Hellé Nice, entre Lehrfeld e Getúlio Vargas, que se apresentou no palácio presidencial totalmente equipada para correr. 
Semanas depois, durante uma corrida em S. Paulo, Hellé Nice viria a sofrer um acidente trágico ainda que algo caricato que a afastou definitivamente das provas de Grande Prémio. Quando seguia em segundo lugar já perto do final da corrida,  um fardo de palha foi projectado para a pista por outro concorrente e foi embater na frente do  Alfa Romeo Monza da francesa, provocando o seu despiste. Quatro pessoas morreram, entre elas um soldado que recebeu nos braços o corpo de Hellé Nice "cuspido" do carro pela violência do embate. Embora tenha sobrevivido ao acidente, devendo a vida ao infeliz soldado que lhe amorteceu a queda, esta mulher invulgar saída dos "loucos" anos 30 que marcaram a Europa e os Estados Unidos nunca mais seria a mesma. Abandonada e esquecida pela mesma sociedade que a idolatrou durante a sua juventude, viria a morrer na mais profunda miséria aos 84 anos de idade.
Getúlio Vargas também teria um final trágico: suicidou-se em 1951 com um tiro no coração quando decorria o seu segundo mandato como Presidente do Brasil.

Foto - arquivo da família Almeida Araújo.


                                                   Hellé Nice e o seu Monza numa prova disputada em 1935

Partida de Paris

Eram nada menos que treze os participantes no VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) que escolheram a cidade de Paris como ponto de partida para esta prova. Ei-los na imagem, com os Porsche 356 de Max Nathan (nº 50) e Sauerein (nº 47) em primeiro plano, com o Citroen de Robert Labat logo a seguir. À chegada ao Estoril Max Nathan seria o melhor classificado deste grupo, mesmo assim registando apenas o 9º lugar da classificação geral. Joaquim Filipe Nogueira, em Porsche, seria o vencedor absoluto.
De Paris partiu igualmente o Porsche de Richard von Frankenberg,  jornalista e piloto oficial da marca que foi também o fundador e primeiro director da revista Christophorus. Foi ele quem pela primeira vez  divulgou a curiosa história da possível troca de carros por sardinhas de conserva que o governo português propôs a Ferry Porsche.


Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Almeida Araújo

José Almeida Araújo tripulou no Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1937, também conhecido por Circuito da Gávea, um Alfa Romeo 8C 2300 Monza que pertencera anteriormente ao piloto português   Manuel José Soares Mendes, o qual por sua vez o tinha adquirido em França ao grande campeão Jean Pierre Wimille. 
Produzido em 1931, o Alfa Romeo 8C Monza de José Almeida Araújo era já um carro  gasto e cansado quando participou no Circuito da Gávea de 1937. Apesar disso terminou a prova num honroso décimo lugar.
Reparem no "empedrado" do piso e nos carris dos eléctricos que se encontravam na zona da meta. Como se isto não bastasse a chuva caiu com grande intensidade durante a corrida.
Fotos - Arquivo da família Almeida Araújo e Centro de Documentação do ACP



O Alfa Romeo 8C 2300 Monza, adquirido em 1935, pelo piloto português Manuel José Soares Mendes - a par do fabuloso e mais potente Alfa Romeo de Vasco Sameiro - foi um dos mais extraordinários Alfa Romeo, históricos, que passaram pelo nosso Portugal.
Embora, desde logo, Soares Mendes tenha demonstrado que a " afinação " que tinha para aquele " fado" , era afinal, para outro tipo de guitarra, a do " fado de Coimbra"...Ao ponto, de solicitar ao grande Vasco Sameiro para que o pudesse " testar " - como refere o autor José Barros Rodrigues - Atestando a Soares Mendes, que as vibrações em andamento, das quais se queixava, afinal, seriam normais.
Apesar de " algo cansado " , quando da sua compra, o Alfa Romeo não terá sido pilotado ao máximo das suas capacidades pelo seu 1o proprietário no nosso país. Nos vários circuitos e rampa em que participou, obtendo classificações aquém do potencial da sua macchina milanesa.
Acabando por vender ao piloto Almeida Araújo.
Lindas imagens de um belíssimo Alfa Romeo 8C 2300 Monza. Um dos modelos de competição de maior sucesso da marca lombarda, fundada por Ugo Stella em 24 de Junho de 1910.
À sua época seriam imbatíveis, nas provas de estrada e nas pistas das principais provas mundiais. Desde a pista de Monza - onde pela 1a vez ganhou e por esse facto, ganhou a alcunha homónima - à de Brooklands, na Inglaterra, aos principais circuitos dos anos 30, até claro está, ao Circuito da Gavea - alcunhado de " Trampolim do Diabo " , no Rio de Janeiro ! Pela exigência na condução, dadas as suas características de percurso e tipos diferentes de piso - a par da chuva intensa, como ocorreu neste ano de 1937 - onde este modelo da Alfa Romeo tem larga tradição, pela contínua participação desde o seu início, com pilotos forasteiros, e mais tarde locais - como o Benedicto Lopes .
Algo semelhante ocorre neste ano de 1937, com a venda - logo após a sua participação - deste fantástico Alfa Romeo 8C 2300 Monza " português " com pergaminhos nas competições ao longo da sua história, a um piloto brasileiro, por parte do piloto Almeida Araújo, o seu último proprietário luso.
Todavia, marcado para sempre, pela sua passagem pelo nosso país, graças à ousadia na sua compra e persistência do volante nacional : Manuel Soares Mendes ! 
Ele e Almeida Araújo, sem dúvida, são dois dos nossos " Heróis do volante " merecedores de menção neste Blog.
Viva a Alfa Romeo.
Marco Pestana

Foto - Soares Mendes em Vila Real 1936 (Centro de documentação do ACP)

Uma Moto no Rallye Internacional do Estoril

Nem só automóveis disputaram o Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) de 1952, como a imagem documenta. De facto, o senhor Otto Kurt Benz e sua mulher (presume-se) montaram na sua moto Adler MB 250S com side car e enfrentaram a longa viagem que os traria de Frankfurt até ao Estoril. Não se classificaram, mas completaram o percurso que, a avaliar pelo sorriso de ambos, deve ter sido mais turístico que desportivo.
 A Adler é uma marca alemã que começou por produzir automóveis, alguns dos quais de inegável qualidade, que conquistaram sucessos em várias provas desportivas entre a primeira e a segunda Guerra Mundial. As suas instalações foram praticamente destruídas por bombardeamentos aliados durante o conflito, pelo que a produção automóvel cessou e não foi retomada. Em vez disso a marca começou a produzir motos a partir de 1948, sendo a MB 250 o seu modelo mais bem sucedido e respeitado, uma vez que apresentava soluções técnicas bem avançadas para a época. A marca viria a fundir-se com a Triumph e acabou por perder a sua identidade. Os desenhos das motos Adler foram confiscados pelos ingleses no âmbito das compensações pós-guerra e entregues ao fabricante BSA.
Foto - Centro de Documentação do ACP


Boavista 1951

Junho de 1951. O Allard J2 de D. Fernando Mascarenhas (nº8) vai perder mais uma volta para o Ferrari 340 America Berlinetta Vignale de Casimiro de Oliveira (nº 14), o futuro vencedor do II Circuito Internacional do Porto, I Grande Prémio de Portugal, cujas 45 voltas percorreu em mais de 2 horas e 46 minutos. Atente-se na irregularidade do pavimento e na abundância de árvores a ladear a pista. Eram verdadeiros Heróis os pilotos desta época.


VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) 1952

Joaquim Filipe Nogueira foi o vencedor do VI Rallye Internacional de Lisboa, prova organizada pelo ACP e que contava com o patrocínio dos jornais "Diário de Notícias" e "O Século". A prova seguia o mesmo modelo do Rallye de Monte Carlo, com os concorrentes a partirem de várias cidades europeias convergindo depois para o Estoril, onde tudo se decidia. 
A edição de 1952 seria a primeira a privilegiar a classificação por categorias sem contudo abandonar a designação de um "vencedor absoluto". Tal facto terá atraído um bom lote de carros de baixa cilindrada tais como os recentemente aparecidos Porsche 356, um modelo que viria a dominar claramente os acontecimentos oferecendo à marca uma das suas primeiras grandes vitórias internacionais.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia -  Gonga World de Gonçalo Macedo e Cunha






Vasco Sameiro e Almeida Araújo no V Circuito da Gávea

A 6 de Junho de 1937 disputou-se no Rio de Janeiro, Brasil o V Circuito da Gávea, prova que contou com a presença do Presidente Getúlio Vargas e atraiu mais de 300 mil espectadores. Os portugueses Vasco Sameiro e José Almeida Araújo encontravam-se entre os vinte e sete concorrentes, tendo ambos terminado a corrida, Sameiro em 4º lugar e Araújo em 10º. Hans Stuck, em Auto Union, era o grande favorito, mas seria o Alfa Romeo de Carlos Pintacuda a cortar a meta em primeiro lugar.


Partida para o V Circuito da Gávea. Na frente estão o Auto Union de Hans Stuck (nº4) e os Alfa Romeo de Antonio Brivio, Carlos Pintacuda (futuro vencedor) e Carlo Arzani. Na segunda fila está o Alfa Romeo de Vasco Sameiro, com o nº 38 (segundo a contar da esquerda).


Vasco Sameiro (nº 38) prepara-se para ultrapassar um concorrente atrasado na parte do percurso que é hoje a avenida Niemeyer.

Mais duas belas fotos históricas, testemunhando a presença dos heróis do volante lusos, uma vez mais, por terras de Vera Cruz, e de Alfa Romeo...
Desta participação - e tentando colocar a minha assolapada paixão alfistade parte - desde logo destaco a fabulosa classificação do nosso piloto Vasco SAMEIRO, provando uma vez mais o grande piloto que era, e nesra prova em concreto, com maior destaque ainda, dadas as condições péssimas de tempo, que " à força de braços " mantinham as suas máquinas incólumes...
Mas também pelo facto do seu Alfa Romeo 8C segundo consta já com motor 2600, era nesta época , já uma máquina de 2a linha, em relação aos Alfa Romeo da Scuderia Ferrari, em especial o mais actual em prova, o Alfa Romeo 8C-36 apresentado pelo piloto Brivio. 
Mesmo o Alfa Romeo de Pintacuda, era a versão anterior ao de Brivio, o Alfa Romeo 8C-35, que seria o vencedor, muito provavelmente, dadas as condições de tempo, pelo seu maior conhecimento e experiência nesta prova rainha brasileira. 
A classificação de Vasco Sameiro foi excepcional face ao Alfa Romeo que dispunha, para enfrentar a armada da Scuderia Ferrari e o Argentino Pintacuda...
O Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Almeida Araújo, era da 1a geração destas belas macchina vindas da Lombardia, mas em 1937, não tinha argumentos para ficar melhor classificado. Mesmo o Alfa Romeo de Sameiro era semelhante, mas dispunha de motor mais potente, visto ser um ex-Scuderia Ferrari...
Pelo tempo chuvoso, julgo que os mais potentes à partida, e pelas más condições de aderência, perderam desde logo essa vantagem teórica, pois o problema maior, seria precisamente colocar esses mesmo cv na estrada...
Mas, são de uma beleza indiscutível, sempre, estes Alfa Romeo desta fabulosa época !
E com grande tradição no Circuito da Gavea, pois desde o início dos anos 30, vários pilotos competiram desde logo com os Alfa Romeo 8C 2300 Monza. Destaco desde logo, a sempre enigmática piloto francesa Helle-Nice, com o seu Alfa Romeo azul, com um qual foi protagonista de um dos maiores acidentes ocorridos no Circuito da Gavea...
Mais tarde vendido a um jovem piloto brasileiro, que procede ao seu restauro, e anos mais tarde com ele corre em Portugal…

Marco Pestana

III Grande Prémio do Rio de Janeiro

2 de Junho de 1935. Segundo a revista carioca "O Cruzeiro" mais de 500 mil pessoas juntaram-se à volta do chamado "circuito da Gávea", um traçado de 11,2 quilómetros desenhado entre "penedias e abismos", para assistirem à grande corrida. A colónia portuguesa apresentou-se em força, mobilizando ranchos folclóricos, bandas de música e toda uma panóplia de dísticos e bandeiras para apoiar os três corredores nacionais que se apresentavam à partida. Henrique Lehrfeld e José Almeida Araújo trouxeram de Portugal os respectivos Bugattis, enquanto que Nunes dos Santos se inscreveu com um Adler.
Os portugueses assustavam a concorrência, como o comprova o facto de os seus carros terem sido sabotados na véspera do Grande Prémio. O Bugatti de Lehrfeld teve os cabos das velas cortados e o depósito de gasolina do carro de Almeida Araújo foi atestado com … água. O Adler de Nunes dos Santos sofreu apenas a destruição de uma vela e respectivo assento. Não obstante, os  nossos compatriotas acabariam por conseguir um resultado brilhante no final da corrida. Dos 44 concorrentes à partida apenas seis chegaram ao final da prova, entre eles os três valentes lusitanos. Lehrfeld foi segundo, Araújo foi terceiro e Nunes dos Santos chegou em sexto. O argentino Caru seria o vencedor.
Henrique Lehrfeld recebeu 20 contos e uma medalha de prata pelo seu resultado. Almeida Araújo teve de se contentar com apenas 10 contos e uma medalha.

Com agradecimentos a Gonçalo Almeida Araújo

Em baixo, José Almeida Araújo antes da partida e ao cortar a meta no final do III Grande Prémio do Rio de Janeiro.




                                             Henrique Lehrfeld e o seu Bugatti Grand Prix

Vencedores em Mónaco

O Mercedes 300 SL de Fernando Duarte Ferreira / José Manuel Simões durante a edição de 1959 do Rallye de Monte Carlo em que viriam a conquistar a vitória na complementar disputada no circuito de Mónaco. Tal como refere Carlos Duarte Ferreira no post anterior, seria a princesa Grace a entregar o troféu aos vencedores.
A foto é de Luis Sousa


Preparativos para Monte Carlo

De 19 a 23 de Janeiro de 1960 disputou-se a 29ª edição do Rallye de Monte Carlo, prova que viria a contar com a participação de algumas equipas portuguesas que escolheram Lisboa como ponto de partida. Entre elas contava-se a dupla formada por Fernando Duarte Ferreira / João Botequilha (embora seja Horácio Macedo quem ocupa o lugar do "pendura"), que tripulava o Mercedes Benz 300 SL com o nº 161 que aqui vemos a ser preparado nas oficinas de Palma & Morgado e a receber a bandeirada de partida na Rua Rosa Araújo, Lisboa, em frente à sede do ACP. 
Segundo Carlos Duarte Ferreira, o Mercedes azul metalizado dos portugueses terá vencido a complementar disputada no circuito de Mónaco em 1959, tendo seu primo Fernando recebido o troféu respectivo das mãos da princesa Grace.
Fotos - Centro de Documentação do ACP




Carlos Pinto Coelho

Na década de 50 abundava no meio automobilístico europeu um tipo de concorrente cujo objectivo principal tinha mais a ver com uma certa ideia de aventura do que propriamente com a obtenção de resultados. Os ingleses davam a estes desportistas o nome de "gentleman drivers", conceito que atravessou mais que uma geração de automobilistas e que emprestou à competição automóvel de então toda uma aura de aristocrático romantismo.
Carlos Pinto Coelho era uma destas figuras. Em 1953 participou no Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) ao volante de um Lancia Aurelia, não tendo terminado a prova. Nesse mesmo ano concluiu o Rallye de Monte Carlo em 263º lugar, conduzindo um outro Lancia que partilhou com Lencastre de Freitas. No ano anterior, 1952, partiu de Lisboa ao volante de um Riley mas não conseguiu chegar ao principado.
Agradeço a colaboração de Duarte Pinto Coelho e Angelo Pinto da Fonseca


Lancia Aurelia vs Ferrari 225S

A imagem é referente ao III Circuito do Porto disputado em 1952 e mostra o Lancia Aurelia B20 de Salvatore Ammendola a defender-se dos ataques do Ferrari 225S de D. Fernando Mascarenhas. O Lancia chegaria ao final em 9º lugar, com seis voltas de atraso sobre o Ferrari 225S do vencedor, Eugenio Castellotti, enquanto que D. Fernando Mascarenhas viria a abandonar a corrida por avaria.
Com um motor que debitava apenas 110 cavalos de potência o Lancia Aurelia B20 seria uma presa fácil para os mais de 200 cv do Ferrari 225S, mas a fiabilidade do carro italiano permitiu-lhe chegar ao fim da  prova sem problemas de maior. Note-se em fundo o "placard" com a identificação em tempo real dos quatro primeiros classificados. Castellotti (nº29) já estava no comando.


Monte Carlo 1931

Francisco Ribeiro Ferreira e Bernardo Vilela junto do MG Midget com o número 20 que levaram até ao 14º lugar da classificação geral no X Rallye de Monte Carlo disputado em 1931. Tendo partido de Lisboa, a equipa portuguesa acumulou um total de 2,178 quilómetros entre percurso de ligação e provas complementares. Numa delas, a Rampa Mont des Moles, o pequeno MG de Ribeiro Ferreira / Vilela viria a conquistar um brilhante quarto lugar absoluto.
Foto - Centro de Documentação do ACP

Partida para Monte Carlo 52

Rua Rosa Araújo, Lisboa, frente à sede do ACP. Dia 22 de janeiro de 1952, cerca das quatro e meia da tarde. O Simca Aronde da equipa Conde Monte Real / Manuel Palma vai largar para a edição desse ano do Rallye de Monte Carlo, juntamente com mais 72 concorrentes que escolheram Lisboa como ponto de partida para a grande aventura. Serão 3,346 quilómetros de estrada até chegarem ao principado, aos quais se juntarão depois mais algumas dezenas a percorrer durante as provas complementares. O percurso a partir de Lisboa era como segue: Elvas, Madrid, Burgos, San Sebastian, Bordeaux, Tours, Orleans, Reims, Paris, Montlouçon, Clermont-Ferrand,  Saint Flour, Le Puy, Valence, Gap, Digne, Grosse e Monte Carlo.
Além de Jorge Monte Real / Palma partiram também de Lisboa mais três equipas portuguesas: com o nº 8 João Lacerda / Jaime Azarujinha, em Citroen, depois com o nº 25 Carlos Pinto Coelho, em Riley e , finalmente, com o nº 27  João Graça, em Volkswagen. O vencedor seria Sydney Allard, ao volante de um (what else?) Allard J2, sendo o segundo lugar ocupado por um jovem  Stirling Moss, em Sunbeam Talbot. O melhor classificado dos portugueses seria João Lacerda (13º), enquanto que o melhor resultado de um carro partido de Lisboa seria o 5º lugar conquistado pelo Jowett Jupiter de Becquart / Ziegler.

"O Conde Monte Real, mudou para a categoria 2 neste rali. O problema foi que os Simca Aronde, no geral carros robustos, neste Monte Carlo de 1952 revelaram-se pouco fiáveis e levaram ao abandono dos seus melhores pilotos, tal como aconteceu com a equipa portuguesa e com a de Jean Behra, que tinha feito idêntica aposta no carro francês.
Luis "


À chegada, o Citroen 15-6 de João Lacerda / Jaime Azarujinha e o Sunbeam Talbot de Stirling Moss / Scannell

Circuito da Gávea 1935


CIRCUITO DA GÁVEA 1935 - 

Imagens do Circuito da Gávea de 1935, Grande Prémio do Rio de Janeiro. Os portugueses tiveram comportamento brilhante, conquistando o segundo (Henrique Lehrfeld) e terceiro (José Almeida Araújo)  lugares da classificação final, com o mesmo número de voltas do vencedor, o argentino Ricardo Carú. O Bugatti T37 de Almeida Araújo (nº2) é perfeitamente visível cerca do minuto 01.20.
Esta prova ficou marcada pelo acidente que vitimou o piloto Irineu Correia, cujo carro se despistou logo na primeira volta e caiu num canal situado junto da pista.
Classificação dos cinco primeiros:

José Almeida Araújo

José Almeida Araújo, importador da marca Talbot para Portugal, participou no Circuito da Boavista de 1951 ao volante deste Talbot-Lago T26, tendo terminado a prova em oitavo lugar. Mais tarde, em outubro desse ano, terá sofrido um acidente fatal com este mesmo carro.
Com agradecimentos a Pedro Cortês de Lobão e Portugal Motorsport


Grande Prémio de Lisboa 55 (partida)

Partida para o Grande Prémio de Lisboa de 1955, com uma qualidade e quantidade de pilotos e automóveis difíceis de repetir.
O Jaguar D Type de Duncan Hamilton (nº6) largou na frente mas irá abandonar à 40ª volta com problemas de travões. O Cooper 38-Jaguar de Peter Whitehead (nº5) não terá melhor sorte, tal como o Maserati 300S de Benoit Musy (nº8), que não chegaria ao fim da primeira volta devido a avaria na transmissão. À esquerda pode ver-se o Maserati 300S do Barão de Grafenried tendo a seu lado o Ferrari 750 de Godia Sales (nº15), enquanto que na terceira fila surge o Ferrari 750 Monza branco de Masten Gregory (nº11), o futuro vencedor.
Fotografia de Luis Sousa, que também ajudou na identificação dos protagonistas.


Grande Prémio de Lisboa 1955

Em Julho de 1955 disputou-se no circuito de Monsanto o Grande Prémio de Lisboa, prova que viria a ser ganha por Masten Gregory em Ferrari 750 Monza. A imagem mostra o Aston Martin DB3S de Graham Whitehead (nº4) à frente do Ferrari 250 MM de Borges Barreto (nº20) e do Aston Martin DB3S de Les Cosh (nº2). Depois vem o Ferrari nº 16 de Jean Lucas e um terceiro Aston Martin DB3S, o carro de Tom Sulman (nº3).
Foto - Centro de Documentação do ACP


III Grande Prémio de Portugal 1953


Casimiro de Oliveira apresentou-se à partida para o III Grande Prémio de Portugal , IV Circuito Internacional do Porto de 1953, com o Ferrari 250 MM #0330MM. Terminaria em segundo lugar, com uma volta de atraso em relação ao vencedor, José Nogueira Pinto.
O Conde da Covilhã, Júlio Anahory Quental Calheiros, foi o principal responsável pela instalação da primeira fábrica de pneus em Portugal, a Mabor, e fazia do desporto automóvel a plataforma ideal para promover os seus produtos. Assim, terá sido ele a encomendar os Ferrari 250 MM vermelhos que seriam entregues a Casimiro de Oliveira e Vasco Sameiro para a época de 1953. Equipados com pneus Mabor, os Ferrari viriam porém a sofrer uma série de acidentes que mais tarde seriam atribuídos a esses mesmos pneus e fariam com que a marca portuguesa abandonasse a competição automóvel.





















Curioso que na época os pneus Mabor eram motivo de troça por serem de fabrico nacional.  Casimiro de Oliveira foi protagonista de dois acidentes com violência causados por  pneus … Englebert . Quanto aos Mabor, não provocaram acidentes.
A 250MM do Casimiro #0330 seria mais tarde vendida ao Marquês de Portago com outro número de chassis.

Luis 

I Rallye ao Porto

Estádio do Lima, 1951. I Rallye ao Porto, organização do Académico Futebol Clube do Porto. As provas automobilísticas eram disputadas na pista de ciclismo, uma das poucas então existentes em Portugal.
Colaboração de José Pedro Moreira


II Mannin Moar Grand Prix

A 2 de Junho de 1934 disputou-se na  cidade de Douglas, Ilha de Man, o II Mannin Moar Grand Prix, uma prova que compreendia um total de 50 voltas a um circuito com cerca de seis quilómetros de extensão .
Vasco Sameiro, com o Alfa Romeo 8C 2.3 Monza nº 12, obteve o terceiro tempo nos treinos e partiu para a corrida cheio de confiança. E o caso não era para menos. À 10ª volta Sameiro seguia em   4º lugar, para ser 3º na 20ª volta e 2º na 30ª. Abandonaria após a 40ª volta por avaria mecânica, depois de ter feito uma corrida absolutamente fantástica.
Na imagem vemos o Alfa Monza de Vasco Sameiro a ser perseguido pelo Bugatti T51 de Lindsay Eccles e pelo Alfa Monza de Charlie Dodson. Brian Lewis, com um Alfa Romeo tipo B "Monoposto" alugado à Scuderia Ferrari, seria o vencedor
Com agradecimentos a José Mota Freitas




Bugatti Type 37 Sport

Produzido em 1926, o Bugatti matrícula N-4997 (mais tarde MN-49-97) que venceu o Grande Prémio da Curia de 1927 pelas mãos de Alfredo Marinho veio para Portugal por encomenda de Eduardo Ferreirinha. Mais tarde viria também a pertencer a José Cardoso de Menezes.


O Recomeço

Após mais de uma década de suspensão em consequência da II Guerra Mundial, o Circuito de Vila Real começa a renascer em 1949 com uma corrida em que participaram 23 automóveis, quase todos veículos de série. Só no ano seguinte voltariam os "carros de corrida".
Na imagem pode ver-se o Lancia Aprilia de Manuel Santos Pinto à frente do Riley Sprite de Camilo Fernandes. O primeiro terminaria num honroso 6º lugar enquanto que o segundo viria a abandonar por avaria.
Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931 - 1973", de Carlos Guerra
Foto - Centro de Documentação do ACP


Subindo a Avenida da Liberdade a 200 km/h

Já aqui foi dito que Fritz D´Orey fez a sua curta mas brilhante carreira automobilística como cidadão brasileiro, embora seja filho de portugueses e tenha sido registado no Consulado Português de S. Paulo quando nasceu. Hoje, por opção pessoal, reside em Portugal e é cidadão português de pleno direito. 
A carta que se junta foi-lhe enviada pelo seu amigo Anselmo Duarte, um dos mais talentosos realizadores de cinema da sua geração, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1962 com o filme "O Pagador de Promessas". Vale a pena ler.


Partida para os 500 km de Interlagos 1958. Fritz D´Orey está na primeira fila, à direita, com o Ferrari 375 com o nº 7.