O Ferrari 750 Monza #0572M

Em 1956 José Arroyo Nogueira Pinto participou no Circuito do Porto ao volante de um Ferrari 750 Monza Scaglietti Spyder com o chassis #0572M. A corrida não correu muito bem e Nogueira Pinto terminou em décimo e último lugar a seis voltas do vencedor, o Ferrari 857 do Marquês de Portago.
Porém, este mesmo piloto, conduzindo este mesmo carro, venceu no ano anterior o Grande Prémio de Tanger e o Circuito de Vila do Conde, as únicas vitórias absolutas deste chassis.
O Ferrari # 0572M reapareceu mais de cinquenta anos depois no estado que a imagem de baixo documenta: simplesmente magnífico. Uma pena não ter continuado em Portugal.



O Primeiro Estrangeiro

Hans Leo van Hocsch, cujo Porsche 356 aqui vemos durante a prova final disputada no Estoril, foi o melhor classificado de todos os estrangeiros (e eram muitos) que participaram no Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) de 1952. Tendo partido de Frankfurt, van Hocsch e o seu desconhecido companheiro de viagem - que surge "de braço de fora" durante a complementar do Casino - terminariam a prova num honroso quarto lugar, atrás dos portugueses Filipe Nogueira (vencedor absoluto), Conde de Monte Real e D. Fernando Mascarenhas.


Vitória de Jorge Monte Real em Santarém

O Conde de Monte Real foi o brilhante vencedor do Circuito de Santarém de 1936 tripulando um Bugatti T35C, tendo deixado o adversário mais próximo a mais de uma volta de distância.

Results
 1  7 Jorge Monte Real          Bugatti T35C            1h14m18.2s, 82.445 kph
 2  3 Eduardo Ferreirinha       Ford V8 Especial        19 laps
 3  1 Manuel de Oliveira        Ford V8 Especial        19 laps
 4 14 Harry Rugeroni            Bugatti-Railton-Terraplane  19 laps
 5  4 Manuel José Soares Mendes Alfa Romeo 8C-2300      18 laps
 6  9 Manues Nunes dos Santos   Adler                   17 laps

Fastest Lap: Monte Real (Bugatti T35C), 3m35.4s, 85.320 kph


Not Classified:
    5 Francisco Ribeiro Ferreira  Bugatti T51            9 laps/lost rear wheel
   11 Nicol MacNicoll           SS                       6 laps
    6 Carlos Santos Silva       Ford                     4 laps
   12 Eduardo Carvalho          NN V8                    3 laps
    8 António Guedes de Herédia MG                       1 lap

Did Not Arrive:
      Carlos Wanzeller          Alfa Romeo
 
 

Corrida na Auto Estrada

Esta curiosa fotografia mostra o Cooper Climax nº 4 de Sirling Moss em plena aceleração na auto estrada  que ligava Lisboa ao Estádio Nacional durante o Grande Prémio de Portugal de 1959, disputado no circuito de Monsanto. 
Inaugurada em 1944 pelo Ministro das Obras Públicas de então,  Duarte Pacheco,  a EN7, como se denominava oficialmente, foi uma das primeiras auto estradas do seu género a serem construídas na Europa, tendo sida integralmente realizada em cimento e brita ao longo de cerca de oito quilómetros.
Stirling Moss foi o vencedor do Grande Prémio, tendo deixado o segundo classificado, Masten Gregory, a uma volta de distância.
Fotografia - The Cahier Archives


Foi um dia de sol magnifico, com um Stirling  Moss demolidor no Cooper de Rob Walker equipado com uma caixa de velocidades Colloti que ficou finalmente fiável. Jack Brabham teve um acidente causado por um desentendimento com "Nicha" Cabral, que se estreava na F1. Masten Gregory foi
outro que resistiu ao calor e no fim da corrida o único motivo de interesse era a luta pelo terceiro lugar entre Trintignant e Gurney, até que o francês teve de parar para receber água de um posto improvisado pelo  autor da foto (Bernard Cahier) .
Esta corrida acabou também por afastar as pretensões ao titulo de Tony Brooks que não se entendeu com o traçado lisboeta e fez uma má corrida. Foi também o canto do cisne para os Aston Martin que
passaram a pertencer ao passado.
Luis Sousa

Era Uma Vez...

Era uma vez um Ferrari 250MM Spyder Vignale chassis #0326MM com o qual D. Fernando Mascarenhas participou no Circuito Internacional de Lisboa de 1953, também conhecido como Grande Prémio do Jubileu do Automóvel Clube de Portugal. As coisas não correram bem ao Marquês de Fronteira, que acabou por sofrer um acidente que deixou o Ferrari muito maltratado.
Cinquenta e quatro anos e várias carroçarias depois este mesmo carro iria surgir no Concurso de Elegância de Pebble Beach 2007 pelas mãos de "Chip" Connor, o seu proprietário de então. Mais de meio século depois da sua chegada a Portugal a exuberante beleza deste automóvel de competição continua a fazer as delícias dos entusiastas de todo o mundo.


 


Duelo de Brasileiros em Monsanto

Circuito Internacional de Monsanto, IV Grande Prémio de Portugal 1954. O Ferrari 166MM chassis #0290M com o nº 1  tripulado pelo piloto brasileiro Mário Valentim precede o Ferrari 225S nº 2 do seu compatriota Sérgio Bernardes. O carro de Valentim fora originalmente importado em 1953 por João Gaspar para Vasco Sameiro, que com ele sofreu um acidente no circuito da Boavista desse ano. Mais tarde este mesmo Ferrari viria a ser tripulado pelo Conde de Monte Real no Grande Prémio do Jubileu do ACP disputado em Monsanto.
Sérgio Bernardes teve uma breve e discreta carreira como piloto de automóveis mas viria a tornar-se um dos mais importantes arquitectos brasileiros da sua geração.
Foto - Centro de Documentação do ACP


O Ferrari que o Conde Monte Real usou em Monsanto era o chassis 0288. Vasco Sameiro usou o 0288 na Boavista 53, equipado com o motor 2litros do 0290. Após o acidente de Sameiro o motor 3 litros foi reparado e instalado na 0288 com que o Conde Monte Real andou bem, apenas se queixando que o carro era muito instável, o que era normal pois nem tiveram tempo de o afinar. Este carro 0288 esteve em Monsanto 54 com Francisco Marques ao volante e Mário Valentim usou o 0290MM . Sérgio Bernardes não só foi dos maiores arquitetos do Brasil como tinha gosto por obras de arte sobre rodas, pois foi também proprietário de um Maserati 450S.
Luis

Um Denzel em 1954

Em 1954 Filipe Nogueira (visto aqui no III Rallye de Aveiro) utilizaria o Denzel FH-20-49 em várias provas com resultados meritórios. O carro preparado por Jaime Rodrigues conquistaria o 2º lugar no Circuito da Boavista e uma posição idêntica no Circuito Internacional de Tanger desse mesmo ano. José Arroyo Nogueira Pinto, em Ferrari 250 MM Spyder Vignale seria o vencedor.
Foto - Luis Sousa




Um Herói em Nurburgring

Joaquim Filipe Nogueira foi uma figura ímpar da história do automobilismo português, afirmando-se aquém e além fronteiras como um dos nomes grandes da sua geração. Tendo conquistado tudo o que havia para conquistar em Portugal decidiu partir também à conquista da Europa (e da África do norte...) com resultados mais que meritórios.
Em Agosto de 1955 o grande campeão português enfrentou alguns dos melhores pilotos do mundo no mítico circuito de Nurburgring, um traçado com 22 quilómetros de extensão que incluía montes, vales e "curvas cegas" em número assustador, o qual deveria ser percorrido por vinte e duas vezes. Alinharam à partida (tipo "Le Mans") 60 concorrentes, mas apenas 38 chegariam ao fim, o que diz bem da dureza da corrida. Filipe Nogueira levou o Porsche 550 Spyder nº 3 ao "top ten", tendo terminado a prova num brilhante décimo lugar. Jean Behra, em Maserati 150S, seria o vencedor.
Na foto da partida pode ver-se o Porsche Spyder nº 2 de Richard von Frankenberg a sair na frente, com o carro idêntico de Wolfgang Seidel (nº5) logo atrás. Jean Behra (nº16) teve um arranque modesto, ao contrário de Filipe Nogueira, cujo carro aparece já "embalado" ao meio da imagem assinalado com um"X".
Fotos - Luis Sousa e Interclássico



Tour d´Europe 1956

De 1 a 13 de Junho de 1956 tem lugar a primeira edição do Tour d´Europe, uma prova de longa duração realizada numa Europa ainda em ruínas mas que pretende dar uma ideia de união ao resto do mundo. Konrad Adenauer, o chanceler alemão , encabeça a lista de patrocinadores e apoiantes, o que diz bem da importância do evento.
São treze dias intensos que levam os participantes a atravessar treze países num circuito que começa em Hannover, seguindo depois por Bruxelas, Bonn, Luxemburgo, Reims, Lisboa, Madrid, Monte Carlo, Roma, Trieste, Atenas, Istambul, Belgrado, Viena e novamente Hannover.
Apenas uma equipa portuguesa participou nesta grande maratona: Fernando Stock / Harry Rugeroni, que tripulavam o Mercedes 300 SL com o nº 101. Os vencedores seriam Joachim Springer / Erwin von Regius, em Ford 15M
Fotografias - Duarte Stock



Fernando Stock foi um verdadeiro Gentleman Driver e Harry Rugeronni uma pessoa de carácter muito especial. Pelas fotos o DC-24-08 foi outro 300SL que o dono foi buscar à fábrica.

Luis

Almeida Araújo

Últimas imagens da série dedicada a José Almeida Araújo e à sua participação nos Grandes Prémios do Rio de Janeiro de 1935 e 1937.
Como era norma na altura, o Alfa Romeo 8C Monza ostentava orgulhosamente as cores portuguesas, vermelho em cima e uma faixa branca em baixo. Repare-se também no emblema do Automóvel Clube de Portugal gravado no fato de competição do piloto português.



Vitória em Monsanto

A 24 de Julho de 1955 disputou-se no circuito de Monsanto perante largos milhares de pessoas a Taça Cidade de Lisboa, prova integrada no III Circuito Internacional de Lisboa. Apesar da trajectória pouco "ortodoxa" revelada na abordagem desta curva, o Mercedes Benz 300SL de D. Fernando Mascarenhas viria cortar a meta em primeiro lugar, à frente de Fernando Stock e Mário Rodrigues, que tripulavam carros idênticos.
Mais de cinquenta anos depois o artista Ricardo Assis Cordeiro passou para a tela a batalha "fratricida" vivida pelos pilotos dos Mercedes 300 SL nas colinas de Monsanto.

Os Mercedes Benz de D. Fernando Mascarenhas e Mário Rodrigues no circuito de Monsanto de 1955. Aguarela de Ricardo Assis Cordeiro. Saiba mais aqui .


Boa foto de D Fernando Mascarenhas a preparar nova curva, agora para a direita. A roda traseira vai perto do limite, um pouco mais e começava o camber positivo, ou seja, o calcanhar de Aquiles do Gull Wing, isto para não falar dos travões. Dois anos depois, nesta mesma curva, Araujo Cabral ao  querer ultrapassar J M Simoes partia a caixa de velocidades, outro ponto frágil do carro quando se usava com força. J Manuel Simoes, ao querer segurar A Cabral , foi vitima do eixo traseiro e roçou os fardos de palha. 
Em 1957 a luta dos 300SL foi tão renhida que baixaram os tempos de D Fernando em 3 segundos por volta mas em 1959 os tempos de António Barros foram idênticos aos do Marquês em 55.
Luis

De "pernas para o ar"

Curiosa forma de John Cooper celebrar a vitória de Jack Brabham em Cooper-Climax no Grande Prémio de Portugal de 1960 disputado no Circuito da Boavista, no Porto. O português "Nicha" Cabral também participou nesta corrida mas acabou por abandonar devido a acidente.
Colaboração de Luis Sousa



                                         Jack Brabham, em Cooper-Climax, a caminho da vitória.

Alfa contra Alfa

Durante o Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1937 o Alfa Romeo 8C 2300 Monza de José Almeida Araújo (na frente) revelou-se uma presa relativamente fácil para os mais modernos e potentes Alfas 35C (a seguir) equipados com o motor oito cilindros de 3,800 cc que debitavam uns impressionantes 330 cavalos de potência às 5,500 rpm.
Esta imagem foi obtida naquela que é hoje a Avenida Niemeyer, perto do acesso à "Favela do Vidigal", que então ainda não existia. Repare-se no impressionante número de espectadores espalhados sem qualquer segurança pelos mais de onze quilómetros do circuito.
Foto - Arquivo família Almeida Araújo


Outros Tempos

Tal era a importância que as corridas de automóveis tinham no Brasil dos anos 30 que os "corredores", como se dizia na altura, tinham direito a recepção especial pelo Chefe de Estado. A imagem mostra os concorrentes portugueses fotografados junto do Presidente Getúlio Vargas, o único de fato escuro, nas vésperas do Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1936. Os portugueses Henrique Lehrfeld (à frente, segundo a contar da esquerda) e Almeida Araújo ("espreitando" por cima do ombro esquerdo do Presidente) tiveram pouca sorte nesta prova: o Bugatti T37 de Lehrfeld esteve envolvido num acidente durante a corrida e o carro idêntico de Almeida Araújo não chegou ao Rio a tempo de participar. Note-se também a presença da concorrente francesa Hellé Nice, entre Lehrfeld e Getúlio Vargas, que se apresentou no palácio presidencial totalmente equipada para correr. 
Semanas depois, durante uma corrida em S. Paulo, Hellé Nice viria a sofrer um acidente trágico ainda que algo caricato que a afastou definitivamente das provas de Grande Prémio. Quando seguia em segundo lugar já perto do final da corrida,  um fardo de palha foi projectado para a pista por outro concorrente e foi embater na frente do  Alfa Romeo Monza da francesa, provocando o seu despiste. Quatro pessoas morreram, entre elas um soldado que recebeu nos braços o corpo de Hellé Nice "cuspido" do carro pela violência do embate. Embora tenha sobrevivido ao acidente, devendo a vida ao infeliz soldado que lhe amorteceu a queda, esta mulher invulgar saída dos "loucos" anos 30 que marcaram a Europa e os Estados Unidos nunca mais seria a mesma. Abandonada e esquecida pela mesma sociedade que a idolatrou durante a sua juventude, viria a morrer na mais profunda miséria aos 84 anos de idade.
Getúlio Vargas também teria um final trágico: suicidou-se em 1951 com um tiro no coração quando decorria o seu segundo mandato como Presidente do Brasil.

Foto - arquivo da família Almeida Araújo.


                                                   Hellé Nice e o seu Monza numa prova disputada em 1935

Partida de Paris

Eram nada menos que treze os participantes no VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) que escolheram a cidade de Paris como ponto de partida para esta prova. Ei-los na imagem, com os Porsche 356 de Max Nathan (nº 50) e Sauerein (nº 47) em primeiro plano, com o Citroen de Robert Labat logo a seguir. À chegada ao Estoril Max Nathan seria o melhor classificado deste grupo, mesmo assim registando apenas o 9º lugar da classificação geral. Joaquim Filipe Nogueira, em Porsche, seria o vencedor absoluto.
De Paris partiu igualmente o Porsche de Richard von Frankenberg,  jornalista e piloto oficial da marca que foi também o fundador e primeiro director da revista Christophorus. Foi ele quem pela primeira vez  divulgou a curiosa história da possível troca de carros por sardinhas de conserva que o governo português propôs a Ferry Porsche.


Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Almeida Araújo

José Almeida Araújo tripulou no Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1937, também conhecido por Circuito da Gávea, um Alfa Romeo 8C 2300 Monza que pertencera anteriormente ao piloto português   Manuel José Soares Mendes, o qual por sua vez o tinha adquirido em França ao grande campeão Jean Pierre Wimille. 
Produzido em 1931, o Alfa Romeo 8C Monza de José Almeida Araújo era já um carro  gasto e cansado quando participou no Circuito da Gávea de 1937. Apesar disso terminou a prova num honroso décimo lugar.
Reparem no "empedrado" do piso e nos carris dos eléctricos que se encontravam na zona da meta. Como se isto não bastasse a chuva caiu com grande intensidade durante a corrida.
Fotos - Arquivo da família Almeida Araújo e Centro de Documentação do ACP



O Alfa Romeo 8C 2300 Monza, adquirido em 1935, pelo piloto português Manuel José Soares Mendes - a par do fabuloso e mais potente Alfa Romeo de Vasco Sameiro - foi um dos mais extraordinários Alfa Romeo, históricos, que passaram pelo nosso Portugal.
Embora, desde logo, Soares Mendes tenha demonstrado que a " afinação " que tinha para aquele " fado" , era afinal, para outro tipo de guitarra, a do " fado de Coimbra"...Ao ponto, de solicitar ao grande Vasco Sameiro para que o pudesse " testar " - como refere o autor José Barros Rodrigues - Atestando a Soares Mendes, que as vibrações em andamento, das quais se queixava, afinal, seriam normais.
Apesar de " algo cansado " , quando da sua compra, o Alfa Romeo não terá sido pilotado ao máximo das suas capacidades pelo seu 1o proprietário no nosso país. Nos vários circuitos e rampa em que participou, obtendo classificações aquém do potencial da sua macchina milanesa.
Acabando por vender ao piloto Almeida Araújo.
Lindas imagens de um belíssimo Alfa Romeo 8C 2300 Monza. Um dos modelos de competição de maior sucesso da marca lombarda, fundada por Ugo Stella em 24 de Junho de 1910.
À sua época seriam imbatíveis, nas provas de estrada e nas pistas das principais provas mundiais. Desde a pista de Monza - onde pela 1a vez ganhou e por esse facto, ganhou a alcunha homónima - à de Brooklands, na Inglaterra, aos principais circuitos dos anos 30, até claro está, ao Circuito da Gavea - alcunhado de " Trampolim do Diabo " , no Rio de Janeiro ! Pela exigência na condução, dadas as suas características de percurso e tipos diferentes de piso - a par da chuva intensa, como ocorreu neste ano de 1937 - onde este modelo da Alfa Romeo tem larga tradição, pela contínua participação desde o seu início, com pilotos forasteiros, e mais tarde locais - como o Benedicto Lopes .
Algo semelhante ocorre neste ano de 1937, com a venda - logo após a sua participação - deste fantástico Alfa Romeo 8C 2300 Monza " português " com pergaminhos nas competições ao longo da sua história, a um piloto brasileiro, por parte do piloto Almeida Araújo, o seu último proprietário luso.
Todavia, marcado para sempre, pela sua passagem pelo nosso país, graças à ousadia na sua compra e persistência do volante nacional : Manuel Soares Mendes ! 
Ele e Almeida Araújo, sem dúvida, são dois dos nossos " Heróis do volante " merecedores de menção neste Blog.
Viva a Alfa Romeo.
Marco Pestana

Foto - Soares Mendes em Vila Real 1936 (Centro de documentação do ACP)

Uma Moto no Rallye Internacional do Estoril

Nem só automóveis disputaram o Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) de 1952, como a imagem documenta. De facto, o senhor Otto Kurt Benz e sua mulher (presume-se) montaram na sua moto Adler MB 250S com side car e enfrentaram a longa viagem que os traria de Frankfurt até ao Estoril. Não se classificaram, mas completaram o percurso que, a avaliar pelo sorriso de ambos, deve ter sido mais turístico que desportivo.
 A Adler é uma marca alemã que começou por produzir automóveis, alguns dos quais de inegável qualidade, que conquistaram sucessos em várias provas desportivas entre a primeira e a segunda Guerra Mundial. As suas instalações foram praticamente destruídas por bombardeamentos aliados durante o conflito, pelo que a produção automóvel cessou e não foi retomada. Em vez disso a marca começou a produzir motos a partir de 1948, sendo a MB 250 o seu modelo mais bem sucedido e respeitado, uma vez que apresentava soluções técnicas bem avançadas para a época. A marca viria a fundir-se com a Triumph e acabou por perder a sua identidade. Os desenhos das motos Adler foram confiscados pelos ingleses no âmbito das compensações pós-guerra e entregues ao fabricante BSA.
Foto - Centro de Documentação do ACP


Boavista 1951

Junho de 1951. O Allard J2 de D. Fernando Mascarenhas (nº8) vai perder mais uma volta para o Ferrari 340 America Berlinetta Vignale de Casimiro de Oliveira (nº 14), o futuro vencedor do II Circuito Internacional do Porto, I Grande Prémio de Portugal, cujas 45 voltas percorreu em mais de 2 horas e 46 minutos. Atente-se na irregularidade do pavimento e na abundância de árvores a ladear a pista. Eram verdadeiros Heróis os pilotos desta época.


VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) 1952

Joaquim Filipe Nogueira foi o vencedor do VI Rallye Internacional de Lisboa, prova organizada pelo ACP e que contava com o patrocínio dos jornais "Diário de Notícias" e "O Século". A prova seguia o mesmo modelo do Rallye de Monte Carlo, com os concorrentes a partirem de várias cidades europeias convergindo depois para o Estoril, onde tudo se decidia. 
A edição de 1952 seria a primeira a privilegiar a classificação por categorias sem contudo abandonar a designação de um "vencedor absoluto". Tal facto terá atraído um bom lote de carros de baixa cilindrada tais como os recentemente aparecidos Porsche 356, um modelo que viria a dominar claramente os acontecimentos oferecendo à marca uma das suas primeiras grandes vitórias internacionais.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia -  Gonga World de Gonçalo Macedo e Cunha






Vasco Sameiro e Almeida Araújo no V Circuito da Gávea

A 6 de Junho de 1937 disputou-se no Rio de Janeiro, Brasil o V Circuito da Gávea, prova que contou com a presença do Presidente Getúlio Vargas e atraiu mais de 300 mil espectadores. Os portugueses Vasco Sameiro e José Almeida Araújo encontravam-se entre os vinte e sete concorrentes, tendo ambos terminado a corrida, Sameiro em 4º lugar e Araújo em 10º. Hans Stuck, em Auto Union, era o grande favorito, mas seria o Alfa Romeo de Carlos Pintacuda a cortar a meta em primeiro lugar.


Partida para o V Circuito da Gávea. Na frente estão o Auto Union de Hans Stuck (nº4) e os Alfa Romeo de Antonio Brivio, Carlos Pintacuda (futuro vencedor) e Carlo Arzani. Na segunda fila está o Alfa Romeo de Vasco Sameiro, com o nº 38 (segundo a contar da esquerda).


Vasco Sameiro (nº 38) prepara-se para ultrapassar um concorrente atrasado na parte do percurso que é hoje a avenida Niemeyer.

Mais duas belas fotos históricas, testemunhando a presença dos heróis do volante lusos, uma vez mais, por terras de Vera Cruz, e de Alfa Romeo...
Desta participação - e tentando colocar a minha assolapada paixão alfistade parte - desde logo destaco a fabulosa classificação do nosso piloto Vasco SAMEIRO, provando uma vez mais o grande piloto que era, e nesra prova em concreto, com maior destaque ainda, dadas as condições péssimas de tempo, que " à força de braços " mantinham as suas máquinas incólumes...
Mas também pelo facto do seu Alfa Romeo 8C segundo consta já com motor 2600, era nesta época , já uma máquina de 2a linha, em relação aos Alfa Romeo da Scuderia Ferrari, em especial o mais actual em prova, o Alfa Romeo 8C-36 apresentado pelo piloto Brivio. 
Mesmo o Alfa Romeo de Pintacuda, era a versão anterior ao de Brivio, o Alfa Romeo 8C-35, que seria o vencedor, muito provavelmente, dadas as condições de tempo, pelo seu maior conhecimento e experiência nesta prova rainha brasileira. 
A classificação de Vasco Sameiro foi excepcional face ao Alfa Romeo que dispunha, para enfrentar a armada da Scuderia Ferrari e o Argentino Pintacuda...
O Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Almeida Araújo, era da 1a geração destas belas macchina vindas da Lombardia, mas em 1937, não tinha argumentos para ficar melhor classificado. Mesmo o Alfa Romeo de Sameiro era semelhante, mas dispunha de motor mais potente, visto ser um ex-Scuderia Ferrari...
Pelo tempo chuvoso, julgo que os mais potentes à partida, e pelas más condições de aderência, perderam desde logo essa vantagem teórica, pois o problema maior, seria precisamente colocar esses mesmo cv na estrada...
Mas, são de uma beleza indiscutível, sempre, estes Alfa Romeo desta fabulosa época !
E com grande tradição no Circuito da Gavea, pois desde o início dos anos 30, vários pilotos competiram desde logo com os Alfa Romeo 8C 2300 Monza. Destaco desde logo, a sempre enigmática piloto francesa Helle-Nice, com o seu Alfa Romeo azul, com um qual foi protagonista de um dos maiores acidentes ocorridos no Circuito da Gavea...
Mais tarde vendido a um jovem piloto brasileiro, que procede ao seu restauro, e anos mais tarde com ele corre em Portugal…

Marco Pestana

III Grande Prémio do Rio de Janeiro

2 de Junho de 1935. Segundo a revista carioca "O Cruzeiro" mais de 500 mil pessoas juntaram-se à volta do chamado "circuito da Gávea", um traçado de 11,2 quilómetros desenhado entre "penedias e abismos", para assistirem à grande corrida. A colónia portuguesa apresentou-se em força, mobilizando ranchos folclóricos, bandas de música e toda uma panóplia de dísticos e bandeiras para apoiar os três corredores nacionais que se apresentavam à partida. Henrique Lehrfeld e José Almeida Araújo trouxeram de Portugal os respectivos Bugattis, enquanto que Nunes dos Santos se inscreveu com um Adler.
Os portugueses assustavam a concorrência, como o comprova o facto de os seus carros terem sido sabotados na véspera do Grande Prémio. O Bugatti de Lehrfeld teve os cabos das velas cortados e o depósito de gasolina do carro de Almeida Araújo foi atestado com … água. O Adler de Nunes dos Santos sofreu apenas a destruição de uma vela e respectivo assento. Não obstante, os  nossos compatriotas acabariam por conseguir um resultado brilhante no final da corrida. Dos 44 concorrentes à partida apenas seis chegaram ao final da prova, entre eles os três valentes lusitanos. Lehrfeld foi segundo, Araújo foi terceiro e Nunes dos Santos chegou em sexto. O argentino Caru seria o vencedor.
Henrique Lehrfeld recebeu 20 contos e uma medalha de prata pelo seu resultado. Almeida Araújo teve de se contentar com apenas 10 contos e uma medalha.

Com agradecimentos a Gonçalo Almeida Araújo

Em baixo, José Almeida Araújo antes da partida e ao cortar a meta no final do III Grande Prémio do Rio de Janeiro.




                                             Henrique Lehrfeld e o seu Bugatti Grand Prix

Vencedores em Mónaco

O Mercedes 300 SL de Fernando Duarte Ferreira / José Manuel Simões durante a edição de 1959 do Rallye de Monte Carlo em que viriam a conquistar a vitória na complementar disputada no circuito de Mónaco. Tal como refere Carlos Duarte Ferreira no post anterior, seria a princesa Grace a entregar o troféu aos vencedores.
A foto é de Luis Sousa


Preparativos para Monte Carlo

De 19 a 23 de Janeiro de 1960 disputou-se a 29ª edição do Rallye de Monte Carlo, prova que viria a contar com a participação de algumas equipas portuguesas que escolheram Lisboa como ponto de partida. Entre elas contava-se a dupla formada por Fernando Duarte Ferreira / João Botequilha (embora seja Horácio Macedo quem ocupa o lugar do "pendura"), que tripulava o Mercedes Benz 300 SL com o nº 161 que aqui vemos a ser preparado nas oficinas de Palma & Morgado e a receber a bandeirada de partida na Rua Rosa Araújo, Lisboa, em frente à sede do ACP. 
Segundo Carlos Duarte Ferreira, o Mercedes azul metalizado dos portugueses terá vencido a complementar disputada no circuito de Mónaco em 1959, tendo seu primo Fernando recebido o troféu respectivo das mãos da princesa Grace.
Fotos - Centro de Documentação do ACP




Carlos Pinto Coelho

Na década de 50 abundava no meio automobilístico europeu um tipo de concorrente cujo objectivo principal tinha mais a ver com uma certa ideia de aventura do que propriamente com a obtenção de resultados. Os ingleses davam a estes desportistas o nome de "gentleman drivers", conceito que atravessou mais que uma geração de automobilistas e que emprestou à competição automóvel de então toda uma aura de aristocrático romantismo.
Carlos Pinto Coelho era uma destas figuras. Em 1953 participou no Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) ao volante de um Lancia Aurelia, não tendo terminado a prova. Nesse mesmo ano concluiu o Rallye de Monte Carlo em 263º lugar, conduzindo um outro Lancia que partilhou com Lencastre de Freitas. No ano anterior, 1952, partiu de Lisboa ao volante de um Riley mas não conseguiu chegar ao principado.
Agradeço a colaboração de Duarte Pinto Coelho e Angelo Pinto da Fonseca


Lancia Aurelia vs Ferrari 225S

A imagem é referente ao III Circuito do Porto disputado em 1952 e mostra o Lancia Aurelia B20 de Salvatore Ammendola a defender-se dos ataques do Ferrari 225S de D. Fernando Mascarenhas. O Lancia chegaria ao final em 9º lugar, com seis voltas de atraso sobre o Ferrari 225S do vencedor, Eugenio Castellotti, enquanto que D. Fernando Mascarenhas viria a abandonar a corrida por avaria.
Com um motor que debitava apenas 110 cavalos de potência o Lancia Aurelia B20 seria uma presa fácil para os mais de 200 cv do Ferrari 225S, mas a fiabilidade do carro italiano permitiu-lhe chegar ao fim da  prova sem problemas de maior. Note-se em fundo o "placard" com a identificação em tempo real dos quatro primeiros classificados. Castellotti (nº29) já estava no comando.


Monte Carlo 1931

Francisco Ribeiro Ferreira e Bernardo Vilela junto do MG Midget com o número 20 que levaram até ao 14º lugar da classificação geral no X Rallye de Monte Carlo disputado em 1931. Tendo partido de Lisboa, a equipa portuguesa acumulou um total de 2,178 quilómetros entre percurso de ligação e provas complementares. Numa delas, a Rampa Mont des Moles, o pequeno MG de Ribeiro Ferreira / Vilela viria a conquistar um brilhante quarto lugar absoluto.
Foto - Centro de Documentação do ACP