Um Fiat muito Especial

Grande Prémio do Jubileu do Automóvel Clube de Portugal de 1953, Circuito de Monsanto. O Ferrari 250 MM Spyder Vignale de D. Fernando Mascarenhas vai ultrapassar o invulgar Fiat 8V de Edouard Meyer. Porém, nem um nem outro chegariam ao final da corrida, Mascarenhas por acidente e Meyer por avaria.
O Fiat 8V, tal como o nome sugere, utilizava um raro motor V8 da casa italiana com 2,000 cc de cilindrada inclinado a 70 graus e debitando 115 cavalos de potência, tendo sido produzido em pequeníssimas quantidades (114 exemplares apenas).
Foto - Centro de Documentação do ACP

Este foi um modelo em que a Fiat muito se empenhou como mostruário da sua capacidade técnica mas, apesar de ser técnicamente evoluído e bastante bem executado, nunca correspondeu às expectativas quer em termos comerciais quer desportivos, e daí a sua pequena produção. Como curiosidade - O nome oficial deste modelo é 8V que em italiano se pronuncia "Otto Vu", e foi assim chamado porque a Fiat, por qualquer razão, estava convencida que a sigla V8 estava patenteada pela Ford ...
Duarte Pinto Coelho

Nas "Boxes"

Imagem das "boxes" do circuito de Monsanto durante o Grande Prémio de Portugal de 1959. Em primeiro plano está o Ferrari 246 de Dan Gurney, que terminaria a prova em terceiro lugar e logo depois o carro idêntico tripulado por Phil Hill, que abandonou à sétima volta.
Pela primeira vez na história do automobilismo nacional um português ("Nicha" Cabral) iria participar numa corrida de Fórmula 1. Terminou em 10º lugar, a seis voltas do vencedor (Stirling Moss, Cooper Climax T-51) e esteve involuntariamente envolvido num incidente que por pouco não custou a vida ao futuro campeão mundial, Jack Brabham. Segundo as crónicas da época, o piloto australiano perdeu o controle do seu carro quando se preparava para ultrapassar o Cooper- Maserati nº 18 de "Nicha", bastante mais lento, bateu num poste e foi catapultado de novo para a pista. Jack Brabham acabou estendido no asfalto e por pouco não foi "atropelado" pelo Cooper de Masten Gregory. O seu carro ficou completamente destruído. Numa entrevista concedida a um jornal australiano poucos anos antes de falecer "Sir" Jack Brabham considerou este o pior acidente da sua carreira automobilística atribuindo a sua sobrevivência ao facto de na altura não se usarem cintos de segurança.
Foto - Centro de Documentação do ACP


Homenagem a "Nicha" Cabral

A caminho dos 81 anos de idade Mário de Araújo Cabral, o popular "Nicha", foi alvo de uma singela homenagem por parte de um grupo de amigos que com ele se reuniram no Clube do Peixe, em Lisboa, um local que começa a tornar-se numa espécie de "santuário" do automobilismo português. As paredes recheadas de fotografias dizem bem das memórias que ali se enaltecem e preservam.
"Nicha" Cabral foi o primeiro português a participar numa corrida de Fórmula 1 (Grande Prémio de Portugal 1959, em Monsanto) e se nada mais houvesse (mas houve, e muito) só isso bastaria para guardar o seu lugar na História.
Estiveram presentes, entre outros, Ernesto "Nené" Neves, António Peixinho, Augusto Palma, Gisele Barbosa Araújo, Fernando Baptista, Vasco Pinto Basto, António Matos Chaves, Carlos Guerra, Ângelo Pinto da Fonseca, Idalino Bettencourt Pinto, Artur Lemos, Luis Caramelo, Fernando Matias e José Guedes.
Ficam algumas das imagens do almoço realizado a 12 de Novembro.







Rallye Aveiro Estoril 1959

Organizado pelo Automóvel Clube de Portugal realizou-se em Dezembro de 1959 o Rallye Aveiro / Estoril cujo vencedor viria a ser o Engº Abreu Valente tripulando um Mercedes 300 SL. Mas a grande atracção da prova era o Austin Healey 100/Six nº 70 tripulado por Pat Moss / Anne Wisdon, uma equipa feminina que começava a fazer sucesso no mundo dos ralis. A época de 1959 não foi particularmente feliz para a dupla inglesa que não terminou a maior parte das provas internacionais em que participou (54º lugar na prova portuguesa) mas tudo mudaria a partir do ano seguinte com a vitória absoluta no duríssimo Rallye Liége-Roma-Liége
Fotos - Centro de Documentação do ACP




Grande Prémio de Macau 1954

O Grande Prémio de Macau conheceu a sua primeira edição em 1954, fruto de uma convergência de boas vontades entre a população de origem portuguesa e alguns expatriados residentes na cidade. O vencedor que ficou para a história foi Eduardo Carvalho, em Triumph TR2 (nº 5). Seria necessário esperar várias décadas até que outro português (André Couto) subisse ao lugar mais alto do pódio.




Estoril 1937

Apenas cinco automóveis disputaram o Circuito do Estoril de 1937, prova a que assistiu o Presidente da República, Óscar Carmona. O vencedor seria Manoel de Oliveira, o conhecido cineasta, que tripulava um Ford V8 preparado por Eduardo Ferreirinha.
Segundo a revista "Stadium", Jorge Monte Real tencionava "rebentar" o Bugatti 35C que adquirira recentemente a Alfredo Marinho "para que o pai lhe desse outro".
Note-se em segundo plano o espaço das "boxes" e o painel informativo com os números dos concorrentes.

A apresentação dos "corredores" ao Presidente da República: Jorge Monte Real, Henrique Lehrfeld, Manoel de Oliveira, Rayson e Benedito Lopes
 Uma imagem da corrida junto da praia do Tamariz. O Alfa Romeo 8C 2300 de Benedito Lopes será ultrapassado pelo Ford V8 de Manoel de Oliveira.

Manoel de Oliveira a ser felicitado pelo Presidente da República no final da corrida.




III Quilómetro de Arranque do Campo Grande

A 20 de Abril de 1930 disputou-se o III Quilómetro de Arranque do Campo Grande, prova disputada nas categorias Sport e Corrida. Henrique Lehrfeld, em Bugatti Grand Prix, seria o vencedor absoluto à média de 104,681 Km/h. Abílio Nunes dos Santos e Eduardo Ferreirinha, tripulando Bugattis de cilindrada inferior, completariam o trio dos mais rápidos.
Note-se na tabela classificativa em baixo a menção ao facto de Henrique Lehrfeld ter ficado de apresentar comprovativo da cilindrada do seu Bugatti, neste caso superior a 3,000 centímetros cúbicos.
Segundo os jornais da época a prova despertou grande entusiasmo na capital tendo sido presenciada por milhares de pessoas.

 O vencedor - Henrique Lehrfeld, em Bugatti Grand Prix

Uma imagem da prova em que está patente o elevado número de espectadores que se deslocaram ao Campo Grande.
Em baixo, a classificação da categoria "Corrida" e o Peugeot nº 42 de Campos Júnior, o director do jornal O Volante que venceu a classe até 750 cc na categoria "Sport".

Raid a Estremoz

Nash - Packard no Raid Automóvel a Estremoz, 1927
Fotografia dos estúdios Mário Novais, Biblioteca de Arte Calouste Gulbenkian


O Vencedor

Alfredo Marinho Júnior corta a meta como grande vencedor do I Circuito da Curia, disputado em 1927. Acontece que o Bugatti foi o único carro a apresentar-se à partida se descontarmos a colaboração de última hora de Carlos Moniz Pereira, um membro da organização chamado a participar com o seu automóvel de passeio para que o evento pudesse ser considerado uma "corrida".
Fotografia - Centro de Documentação do ACP


Ferrari 246 na Boavista

Phill Hill e o seu Ferrari D246 não terminariam o Grande Prémio de Portugal de 1960 em consequência de um acidente ocorrido à 29ª volta. Os Ferrari D246 não se deram bem com o traçado do circuito da Boavista como o comprova o facto de terem obtido apenas o nono (Von Trips) e décimo (Hill) lugares nos treinos de qualificação.
Note-se o fardo de palha a "proteger" o marco de correio.
Foto - The Cahier Archives


"Renaissance Man"

D. Fernando de Mascarenhas, Marquês de Fronteira e detentor de um sem número de outros títulos que daria para preencher este post, era uma verdadeiro "renaissance man", tal a diversidade das actividades a que se dedicava e que tinham todas elas um denominador comum, o perigo. Foi motociclista, automobilista de mérito e forcado, desafios que sempre enfrentou com coragem e entusiasmo. Porém, por trágica ironia do Destino, seria um mero acidente rodoviário que o levaria do mundo dos vivos em 1956.
A imagem de cima mostra D. Fernando no Grande Prémio de Tanger de 1955 ao volante do Ferrari 750 Monza #560 MD ainda antes de Manuel Palma lhe ter acrescentado um par de "barbatanas aerodinâmicas" na parte posterior da carroçaria, característica que tornaria este carro único no mundo.
As outras imagens são de uma "pega de caras" no Campo Pequeno e de um circuito de motos no Parque Eduardo VII (em perseguição).




Porto 1958 - Uma História de Cavalheiros

Em 1958 disputou-se no Circuito da Boavista o VII Grande Prémio de Portugal, prova que seria ganha por Stirling Moss, em Vanwall. Porém o grande protagonista daquele fim de semana viria a ser Mike Hawthorn, piloto da Ferrari  e seu grande rival.
Depois de se bater duramente com Stirling Moss nas primeiras voltas da corrida, o "piloto do laço" (nome por que era conhecido Hawthorn) veio às boxes com problemas de travões e perdeu tempo para o primeiro classificado. Viria a recuperar o segundo lugar e a conquistar os seis pontos da praxe no final, mas acabaria por ser alvo de um protesto algo caricato. Foi acusado de ter percorrido alguns metros em sentido contrário ao da corrida quando veio às boxes, circunstância que ditaria a sua desclassificação e a perda dos seis pontos. Porém, seria o próprio vencedor da corrida, Stirling Moss, que no final declarou que a manobra fora executada fora do asfalto e que portanto a punição não faria sentido. Os comissários desportivos aceitaram a explicação de Moss pelo que Hawthorn acabou por ficar com o segundo lugar e respectivos pontos.
No final da época Hawthorn sagrou-se Campeão do Mundo com um ponto de vantagem sobre Stirling Moss, o grande campeão que nunca o foi. Mas ficou mais este gesto de grande nobreza.
Em baixo, Hawthorn e Moss em plena luta na avenida da Boavista (esq) e Hawthorn a caminho do seu  Ferrari (dir) ostentando o laço que usava mesmo em corrida.
Fotos - The Cahier Archives





Alfa Romeo Giulietta Sprint em Le Mans 1960


A misteriosa Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale portuguesa em Le Mans - 1960
Os Alfa Romeo Giulietta Sprint, apresentados no Salão automóvel de Turim, em 1954 , desde sempre, fizeram-se notar. Quer pela  beleza e equilíbrio das suas linhas QUER PELO SEU CARACTER DE VERDADEIRO ALFA ROMEO DESPORTIVO, COM O FAMOSO " CUORE SPORTIVO " resultado  do  trabalho de equipa liderada, à época,  pelo Director da Alfa Romeo : Orazio Satta Puliga.
A sua supervisão sobre o trabalho da equipa de design da Casa Bertone, onde se destacou Franco Scaglione, e a ele se atribui o design elegante do modelo Giulietta Sprint.
Mais tarde, o mesmo Franco Scaglione, desenha um dos mais belos exemplares Alfa Romeo, pós-II Guerra mundial : O Giulietta Sprint Speciale, motorizado com o mesmo 1290cc, mas a debitar, no fim dos anos 50, os fabulosos mais de 100cv !
Nesta tão interessante quão enigmática fotografia, datada de 1960, algures no Paddock de Le Mans, ficou registada este Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale com matrícula portuguesa, e se dúvidas houvessem em relação à sua proveniência - Holandesa , no caso, pelas matrículas na época muito semelhantes - O dístico oval, com o " P " dissipavam-nas por completo.
Mas as questões surgem na mesma, em relação à sua propriedade:
Quem a conduziu até Le Mans ?
Quem era o seu proprietário ?
Terá ido a Le Mans, acompanhar ou apoiar alguém ?
Teria sido uma Giulietta SS vendida, na época,  para a França,  e ainda mantinha a matrícula portuguesa ?
Se alguém conhecer a sua história...
Esta interessante foto, publicada originalmente numa revista que possuo, com os créditos fotográficos à Francesa " Ferret Foto " .



O mesmo carro (nº 11) à partida para o circuito de Vila do Conde 1959 tripulado por "Mané" Nogueira Pinto.


Pausa para o Chá

E que fazem dois aristocratas quando decidem fazer uma pausa durante a viagem de regresso de Monte Carlo? Estávamos em 1951, a dupla Conde de Monte Real / Marquês de Fronteira (com Manuel Palma) acabara de conquistar a melhor classificação de sempre de uma equipa portuguesa no Rallye mais duro do mundo e portanto uma reconfortante chávena de chá era mais que bem vinda.
O comentário escrito por Manuel Palma, em baixo à esquerda, refere  "Turistas? Não!" e fala de uma viagem extremamente difícil mas proveitosa.


Conde de Monte Real


Comemora-se hoje, 31 de Julho, o 98º aniversário do nascimento de Jorge Pereira da Silva de Melo e Faro, 2º Conde de Monte Real, uma das figuras mais importantes da história do automobilismo nacional cuja brilhante carreira se estendeu por mais de três décadas. Conquistou muitas vitórias em rampas e circuitos mas o seu mais importante registo terá sido o brilhante 2º lugar absoluto obtido no Rallye de Monte Carlo de 1951, prova em que partilhou um Ford 100cv com D. Fernando Mascarenhas e Manuel Palma.
O desenho mostra o 1º Conde de Monte Real, Artur Porto de Melo e Faro, ligeiramente desconfortável perante os talentos automobilístico de seu filho Jorge, o 2º Conde de Monte Real.


Os Alfa Romeo na Ilha da Madeira - De Milão à Madeira , 1ª parte



" O herói do volante " madeirense : O Alfista " piloto " Cunha.

António Luis da Cunha Teixeira, mais  conhecido pelo " petit nom " :  o " piloto " Cunha . Alcunha esta, pelo facto de ser " piloto" do Porto do Funchal, onde controlava o movimento de Navios que atravessavam o Atlântico, efectuando escala na Cidade do Funchal, capital da Ilha da Madeira ( Portugal ). 
 É,  desde sempre , um entusiasta do desporto automóvel e, que logo em 1959 participa na " I Volta a Ilha da Madeira em automóvel ". Ano em que participam vários Alfa Romeo Giulietta de pilotos continentais, facto, que será importante nesta história alfista madeirense.
Será nesse ano de 1959, e por influência dessa autêntica armada Alfa Romeo, vinda desde Lisboa, para participar na prova , que verifica o excelente comportamento nas dificílimas estradas de " paralelo " de basalto ilhéu e a performance daquelas pequenas jóias da mecânica, vindas desde a fábrica Alfa Romeo de Portello, em Milão.  Que e o " Piloto " Cunha decide adquirir um Alfa Romeo Giulietta Ti , com a qual participa na 2a volta a Ilha da Madeira, em 1960.
Das 3 imagens que envio, além da imagem alusiva à " 2a Volta a Ilha da Madeira em automóvel " , adiciono mais duas fotos da época,   do Alfa Romeo Giulietta Ti berlina  utilizado pelo " piloto " Cunha nas provas de 1960 e 1961.

Na primeira, composta de 4 imagens, onde podemos ver o Alfa Romeo Giulietta do " Piloto Cunha na 2a  Volta à Ilha " da Madeira  - Note-se que a Giulietta, ainda apresentava a matrícula de registo em Lisboa. Mais tarde passa a ter o registo na Madeira, como " MD - 38-13 " . Esta prova foi organizada pelo " Clube Sports Madeira " e decorreu no dia 19 de Julho de 1960.
Com este registo madeirense, a mesma Giulietta TI ( 2a foto ) , à qual foram adicionados 2 " faróis de nevoeiro "    durante  a sua participação,  em 1961, na " PARTIDA " situada na Avenida Arriaga, na Cidade do Funchal para a " 3a Volta à Ilha da Madeira ".
( legendas as fotos )
Foto 1 - #19 - Alfa Romeo Giulietta TI - 1960 - II Volta à Ilha da Madeira
Luís Cunha Teixeira
Foto 2 - #16 - Alfa Romeo Giulietta TI - 1961 - " III Volta a Ilha da Madeira "

Texto e fotos de Marco Pestana






Grande Prémio de Portugal 1958

Imagens inéditas do Grande Prémio de Portugal de 1958 disputado no circuito da Boavista. Stirling Moss foi o vencedor.



Jack Brabham

Recentemente falecido, Jack Brabham foi o único piloto da história do automobilismo a conquistar um campeonato do mundo de Fórmula 1 ao volante de um carro construído por si próprio e com o seu nome. Na imagem podemos vê-lo no Cooper Climax T-53 com o nº 2 à partida do Grande Prémio de Portugal de 1960, de que seria  vencedor, seguido pelo BRM nº 24 de Dan Gurney. Nesta prova participou também "Nicha" Cabral, ao volante de um Cooper Maserati, que viria a abandonar devido a um acidente.



Onde está o condutor?

Integrado no I Rallye Ibérico de 1956 disputou-se no Estoril uma prova de regularidade / velocidade que viria a ser decisiva para a classificação final. O traçado com cerca de 3000 metros de extensão reproduzia o percurso dos circuitos do Estoril dos anos 30 que viram os Bugattis de Henrique Lehrfeld, Conde de Monte Real, Ribeiro Ferreira e outros travarem épicas batalhas. 
Os concorrentes de 1956 também andavam nos limites, como o comprova a imagem junto. Nela vemos o Alfa Romeo 1900 Cabrio de Ângelo Moreno a sofrer um pequeno despiste e a embater nos sacos de areia que delimitavam o circuito. A colisão aconteceu há instantes, como o atesta a pequena nuvem de areia, mas o condutor parece ter desaparecido. Terá sido projectado para o lugar da direita? Em qualquer caso a penalização terá sido severa uma vez que este concorrente terminaria o rallye no 54º lugar da classificação geral. Concluíram a prova 62 das 85 equipas que se apresentaram à partida.
Foto - Centro de Documentação do ACP


A Estreia

O Alba #001, matrícula OT-10-54, é um veículo de produção artesanal construído na fábrica com o mesmo nome situada em Albergaria-a-Velha. Utilizava um motor Fiat de 1089 cc, o que lhe permitia inscrever-se na categoria até 1100 cc. Na imagem podemos vê-lo na prova de estreia, em Vila do Conde 1952, a qual terminaria em segundo lugar na classe. Porém, no ano seguinte viria a vencer  o Circuito da Boavista, sempre com Corte Real Pereira ao volante.
Este carro foi completamente recuperado e encontra-se agora patente ao público no Museu do Caramulo.
Fotos de Olívio França



O Ferrari 225S #0198ET

O Ferrari 225S Vignale Spider #0198ET que Vasco Sameiro levou à vitória no Circuito de Vila do Conde de 1952 (Setembro) foi produzido nesse mesmo ano e importado para Portugal por João Gaspar, do Porto, que o vendeu ao conhecido piloto de Braga. O carro foi pintado de amarelo e recebeu a matrícula portuguesa GD-18-48. Mais tarde Vasco Sameiro inscreveu este Ferrari no Circuito do Maracanã, no Rio de Janeiro, corrida que viria a vencer. Na sequência dessa vitória o #0198ET foi vendido ao piloto brasileiro Mário Valentim, tendo permanecido no Brasil durante mais de uma década até ser exportado para Inglaterra onde passou por vários processos de restauro, o último dos quais em 1998 na DK Engineering. Voltou a ser pintado de vermelho e tornou-se num dos poucos Ferrari 225S Spider Vignale aptos a participar em eventos de carros históricos.
Foto de Olívio França cedida por Gonçalo Macedo e Cunha
PS - Dizem-me agora que o #0198 voltou há cerca de dois anos ao amarelo original. Ainda bem. Junta-se comprovativo. A foto é de Ludovic Manchon.


Ferrari em Vila do Conde

Imagem inédita da autoria do Dr Olívio França obtida durante o Circuito de Vila do Conde de 1952 e que mostra o Ferrari 340 America Vignale Coupé de José Nogueira Pinto em plena acção na curva do Castelo a caminho do terceiro lugar da classificação geral. Este chassis, #082A, foi inicialmente entregue a Luigi Villoresi, que com ele venceu as Mille Miglia de 1951, tendo posteriormente sido vendido a Casimiro de Oliveira.
O edifício que se vê em fundo albergava o "salva-vidas", um barco de madeira de grandes dimensões, movido a remos, que era chamado a actuar em situações de emergência marítima. A sua operação era de tal forma dura e difícil que os remadores que compunham a tripulação ficavam isentos do serviço militar.
Com agradecimentos a Gonçalo Macedo e Cunha.


Um Protesto Original

Em 10 de Julho de 1910 disputou-se uma das primeiras provas automobilísticas de que há registo em Portugal, a Rampa da Pimenteira,  também conhecida por Rampa da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras, disputada num percurso situado na área de Monsanto, perto de Lisboa.
A fotografia de Joshua Benoliel documenta o concorrente Henrique Chaves em plena prova, na qual não conseguiria qualquer resultado significativo. O vencedor seria Estevão Fernandes, tripulando um Brazier 35HP, mas a atribuição da taça do Sports Ilustrado seria contestada pelo senhor Albert Beauvalet, pai do concorrente segundo classificado, Angel Beauvalet, alegando que o primeiro classificado não ia ao volante do seu carro durante a subida vitoriosa.
Curiosa a silhueta do fotógrafo, em plena acção, projectada em primeiro plano.


Em baixo: Joshua Benoliel, à esquerda, em serviço de reportagem. À direita o "anúncio que saiu nos jornais sobre o verdadeiro vencedor da Rampa da Pimenteira. Não consta que tenha havido duelo.

                                           

Vitória de Bonetto em Monsanto

Extraordinária fotografia de Claudino Madeira obtida em 26 de Julho de 1953 durante a partida para o I Circuito Internacional de Lisboa, Grande Prémio do Jubileu do ACP, disputado no traçado de Monsanto. O Lancia D23 de Piero Taruffi (nº 25) sai na frente, seguido do carro idêntico de Felice Bonetto (nº 24) e do Ferrari 250 MM (nº18) de Casimiro de Oliveira. Um pouco mais atrás vem o Jaguar C Type de Stirling Moss (nº 22). A vitória viria a pertencer ao lancia de Felice Bonetto, ficando Stirling Moss em segundo lugar com uma volta de atraso em relação ao vencedor. Casimiro de Oliveira abandonou por avaria.
Foto - Arquivo Municipal de Lisboa


A Última Corrida

Vasco Sameiro 
A ultima corrida

Vasco Santiago Sameiro  foi o primeiro piloto português  a merecer o epíteto de "Herói", uma vez que corria por prazer e para gáudio dos seus inúmeros admiradores. Foi também o primeiro a ter uma carreira verdadeiramente internacional, disputando corridas ao logo de vinte e seis anos sempre que os seus afazeres profissionais o permitiam .
Pilotou carros como o Ford, Invicta, Alfa Romeo e  Maserati, estes últimos antes da II Guerra quando era o único embaixador do automobilismo português no estrangeiro. No período pós guerra Sameiro usou  exclusivamente carros da marca Ferrari com maior ou menor sucesso, sendo que na esmagadora maioria das vezes não era por sua culpa que os carros davam problemas.
No V Grande Premio de Portugal, disputado na Boavista em junho de 1955, o volante nortenho estreou um novo Ferrari 750 Monza, a última palavra de Maranello na altura. Este chassis, numerado 0576M, teve o primeiro contacto com o piloto na ante véspera do GP, momento em que o carro começou a carburar mal e a criar dificuldades a Vasco Sameiro. Diagnosticado o problema numa verdadeira  corrida contra o tempo, chegaram por via aérea as velas necessárias ao bom funcionamento do motor. Nos treinos os tempos por volta foram baixando regularmente, mas ainda assim longe do inacessível Maserati 300S de Jean Behra, que tinha chassis e motor superiores ao carro que Maranello oferecia. Sameiro na primeira vez que guiou a Monza fez um tempo que lhe dava um lugar na primeira fila ao lado de Behra e Casimiro de Oliveira, que tripulava um novo Monza encomendado para substituir o carro acidentado em Dakar, mas ao qual foi atribuído o mesmo numero de chassis. Porém, Vasco Sameiro estava ainda 0,02 décimas de segundo mais lento que Casimiro e decidiu continuar em pista para tentar melhorar esse tempo. Mas o Destino tinha outros planos e o corajoso piloto nortenho acabou por sofrer uma violenta saída de pista que deixou o # 0576M  partido em dois e lhe provocou sérios ferimentos que o deixaram imobilizado durante meses. Mais tarde, numa entrevista concedida a um semanário em 1988, Vasco Sameiro contou que nunca percebeu as razões do acidente, uma vez que o carro saiu da trajectória sem qualquer motivo e simplesmente "disparou" noutro sentido . Depois disto Vasco Sameiro, então com 52 anos de idade, decidiu retirar-se do automobilismo, saindo de cena um verdadeiro Herói destemido e corajoso mas que, apesar de tudo,  acabou por ter melhor sorte que outros colegas que também guiaram Monzas tais como Ascari, Castelloti, Mc Fee, Warthon, Picard e Casimiro de Oliveira.
Texto e fotos de Luis Sousa


Vila do Conde "tipo" Le Mans

A 20 de Setembro de 1959 disputou-se o V Circuito de Vila do Conde, prova organizada pelo Automóvel Clube de Portugal e que contou com o apoio das secções de motorismo do Estrela e Vigorosa Sport, Futebol Clube do Porto,  Sport Clube do Porto,  Académico Clube de Portugal e do Clube Nacional de Montanhismo. Milhares de pessoas assistiram às corridas disputadas num traçado com 2,950 metros de extensão, estando em jogo um total de 50 contos (250 euros) em prémios para dividir pelos concorrentes.
Dada a partida o Mercedes 300 SL de Horácio Macedo começa a distanciar-se e virá a vencer a corrida principal. Os Alfa Romeo de "Mané" Nogueira Pinto e Francisco Marques Pinto vão logo a seguir, sendo visível também o Porsche 356 de José Valentim dos Santos. Louve-se a coragem do fotógrafo "plantado" a menos de dois metros da faixa de rodagem.
O autor do blogue estava entre a multidão que se vê em fundo.
Foto - Centro de Documentação do ACP