João Castello Branco no Rallye de Monte Carlo 1951 - Parte II


Fotos 7/8/9/10 - Passagens  na  famosa Curva do Gazómetro
Foto 11 - Passagem na  curva  St. Devote com subida para Mirabeau 
Foto 12 - Descida para acesso à longa curva do Túnel. Este recorte de um jornal inglês legendava o meu Pai como spanish driver. Os "bifes" sempre fizeram por nos ignorar.
Na 2ª PC Velocidade/Regularidade e tanto quanto consegui apurar (sujeitos a correção): 4º tempo C. Monte Real, 13º tempo J.Duarte Ramos Jorge, 19º tempo Manuel Nunes dos Santos e 25º tempo João Castello Branco.
Foto 13 - Cocktail de homenagem na sede do ACP. Da esq/dir em pé: Manuel Nunes dos  Santos, Carlos Vinhas, Júlio Bastos, C.Monte Real, Manuel Palma, João Freitas Branco (Representante ACP ao  Rallye e bastante mais conhecido como musicólogo), José Duarte Ramos Jorge, João  Graça e João Castello Branco; em baixo Alberto Graça, Jaime Azarujinha, Abílio Lobo, Clemente Cardoso Pinto e José Carvalhosa.

Para a história ficaram as nossas classificações:

2º C.Monte Real/Manuel Palma/Fernando Mascarenhas em Ford
8º Manuel Nunes dos Santos/Júlio Bastos em BMW 340
14º José Duarte Ramos Jorge/Calçada Bastos em Hotchkiss 686
19º João Castello Branco/Clemente Cardoso Pinto/José Carvalhosa em Vanguard
96º Carlos Pinto Coelho/C.Santos em Riley 2.5
102º Alves Brito/M.Ferreira em Frazer
109º João Lacerda/Jaime Azarujinha em Citroen 15/6
119º João Graça/Alberto  Graça em Simca 8
165º Montes Leal/Silva Tavares em Morris
179º Manuel Marçal Mendonça/Luis Filipe Aguiar em Simca 8 Sport

Texto e fotos de João Castello Branco








João Castello Branco no Rallye de Monte Carlo 1951 - Parte I

Rallye de Monte Carlo 1951
Partiram 337 equipas (12 portuguesas a partir de Lisboa)
Para quem partiu de Lisboa a prova de estrada ligou a nossa capital a Reims e daqui, com passagem por Paris, até Monte Carlo (aprox 3000 Km)
Chegaram a Monte Carlo 281 equipas (10 portuguesas)
Na estrada ficaram:
Ferreira Oliveira/Santos Pinto em Lancia
Duarte Gonçalves/J.Arroyo Nogueira Pinto em Nash
Chegaram penalizados:
Montes Leal/Silva Tavares em Morris
Manuel Marçal Mendonça/Luis Filipe Aguiar em Simca 8 Sport
João Graça/Alberto Graça em Simca 8

Agora passo a identificar as fotos enviadas

Foto 1 - Partida de Lisboa do  Vanguard nº 320 com a equipa João CB, Clemente Cardoso Pinto e José Carvalhosa -  Como o  meu Pai dizia, preparadíssimos, com farois de nevoeiro e pneus para pisos seco, molhado e neve, 4 montados e dois na bagageira. Acrescento eu, uma cinta para o capot e umas aplicações no interior do pára-bisas dianteiro, que  julgo serem desembaciadores eléctricos (alta tecnologia, portanto).
Foto 2 - Imagens de provável passagem na zona dos alpes franceses.
Foto 3 - Em Monte Carlo partida para a 1ª Prova Complementar de Arranque e Travagem em 250 m (do acumulado dos tempos desta PC mais o resultado da prova de estrada, apuravam-se os primeiros 50 da geral para a 2ª PC).
Foto 4 -  Classificação dos 50 primeiros na  1ª PC em que se destacam o 4º lugar de C.Monte Real  em Ford, o 6º lugar (ex-aequo) de J.Castello Branco em Vanguard, o 13º lugar (ex-aequo) de Manuel Nunes dos Santos em BMW e o  48º lugar (ex-aequo) de João Graça em Simca 8, este último devido à penalização  na  estrada não ficou selecionado para a 2ª PC.
Além das três primeiras equipas mencionadas foi também apurada para a 2ª PC a equipa de José Duarte Ramos Jorge (primo direito do meu Pai) em Hotchkiss que apesar de deixar ir abaixo o motor durante a 1ª PC (com um tempo para lá do  50º) se classificou em 46º lugar da geral.
Foto 5 -   Croquis do  circuito do Mónaco em  que se disputou a 2ª PC - Regularidade/Velocidade e regras gerais da prova e respectivo cálculo da classificação. Cada carro fazia 6 voltas, duas de reconhecimento e quatro a contar tempo com partida lançada. Para a classificação contava a volta mais  rápida e o menor tempo de diferença entre esta e as restantes três voltas.
Foto 6 - Partida para a 2ª PC Velocidade/Regularidade

O meu Pai falava contava sempre o episódio da aproximação à chicanne (na  descida do túnel do  Casino) quando ficou sem pingo de travões, com o motor a engolir uma 2ª a 120 Km/h (a caixa era de 3 velocidades) e o Cardoso  Pinto a voar lá  dentro juntamente com os  cronómetros e o carro a raspar o muro da saída . A  partir dali foi, como ele dizia, à portuguesa e fé em Deus e fez as quatro voltas de classificação  sem travões. Apesar disso conseguiu o 25 º  lugar na   PC que lhe deu o 19º na geral. Permita-me  a imodéstia, mas foi notável.
(Continua)
Texto e fotos de João Castello Branco 






A Partida

Lisboa, rua Rosa Araújo, junto da sede do ACP. Partida da equipa nº 48 concorrente ao Rallye de Monte Carlo de 1952 formada pelo Conde de Monte Real e Manuel Palma, que tripulavam um Simca Aronde. Este era um dos setenta e três automóveis que escolheram a capital portuguesa para fazerem o percurso de ligação até Monte Carlo, num total de trezentos e vinte e oito participantes. Porém, a falta de fiabilidade do carro impediu a experiente equipa portuguesa de terminar a prova, a mais dura do calendário internacional daquela época.
O Conde de Monte Real tinha obtido um excelente segundo lugar na edição do Rallye de Monte Carlo do ano anterior ao volante de um Ford 100 cv, já com Manuel Palma por companhia. A escolha do modesto Simca 9 Aronde, equipado com um motor de 1221cc que debitava apenas 45 cv de potência, poderá ter sido fatal para as ambições dos portugueses. Não obstante, um exemplar deste carro saído aleatoriamente da linha de montagem conseguiu em 1952 percorrer 100 mil quilómetros seguidos no circuito de Monthléry sem qualquer espécie de problema mecânico. Chapeau!
Foto - Bibioteca de Arte Calouste Gulbenkian, estúdios Horácio Novais.





Duelo ao Entardecer

III Circuito de Vila do Conde, disputado a 31 de Agosto de 1952. Vasco Sameiro, no Ferrari 225S nº 20,  partiu da "pole" e vai comandar a corrida até à quarta volta, altura em que desistirá por avaria (diferencial partido). Casimiro de Oliveira segue logo a seguir num carro idêntico e acabará por ser o grande vencedor da tarde com larga vantagem sobre o segundo classificado, D. Fernando Mascarenhas, que também tripulava um Ferrari 225S.
O III Circuito de Vila do Conde foi preparado em apenas três dias por um grupo de "carolas" vilacondenses formado por Zacarias Peixoto, Eduardo Pinto, José Teixeira da Silva e Miguel Ferreira. Contando com o apoio do ACP e do Presidente do Município, Bento Amorim, os organizadores conseguiram montar duas corridas: uma para carros até 1500 cc de cilindrada e outra para motores de capacidade superior que mais parecia um troféu monomarca, já que foi disputada por cinco Ferraris: três  225S, um 340 America e um 166MM
Fotografia do jornal "O Volante"
Bibliografia - jornal "Renovação" de 6 de Setembro de 1952. Biblioteca José Régio, Vila do Conde.


Simon Knudsen Hansen

À primeira vista não parece mas o concorrente nº 125 ao VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), Simon Knudsen Hansen, é tão português como qualquer um de nós. Descendente do Capitão Didrik Knudsen, um norueguês que em 1882 chegou a Lisboa a bordo do seu navio "Professor Mohn" e por cá foi ficando, Simon Knudsen Hansen viria a distinguir-se como piloto de automóveis ao volante de um HRG, como consta de uma história aqui publicada anteriormmente. Em 1952 conquistou um notável sétimo lugar absoluto na edição desse ano do Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) tripulando um Aston Martin DB2.
Foto - Centro de Documentação do ACP


A Maior Aventura do Mundo

Em 1907 um pequeno grupo de "gloriosos malucos" propôs-se fazer aquilo que na altura muitos consideravam ser "A Maior Aventura do Mundo", a ligação Pequim-Paris por via terrestre. Eram cerca de 13 mil quilómetros para percorrer através das montanhas e desertos da China, Mongólia, Rússia, etc, numa época em que as estradas eram virtualmente inexistentes, os automóveis (?) pouco fiáveis e a insegurança generalizada. O primeiro carro a chegar a Paris foi o ITALA vermelho do Príncipe Borghese, uma proeza extraordinária que teve eco em todo o mundo e faria com que a partir de então todos os carros de competição feitos em Itália tivessem a cor vermelha.
"Fast Forward" para 2007 quando nada menos que 133 automóveis "clássicos" convergem em Pequim para cem anos depois reviverem a grande aventura. Por coincidência (ou não) o número 100 seria atribuído à equipa portuguesa formada por Milu e José Romão de Sousa, que tripulavam um MG Magnette ZA de 1956. Trinta e cinco dias depois, após 12,642 km percorridos através de montes, desertos e vales com muitas peripécias à mistura, a valente representação nacional chegou a Paris intacta, com o carro a funcionar e dentro do tempo previsto para cumprir a gigantesca aventura. Chapeau!
A fotografia em B&W (de autor desconhecido) documenta o ITALA do Príncipe Borghese a ser empurrado algures num local remoto. As restantes imagens  são de Gerard Brown
Nota - Não deixem de ver a tabela com os percursos diários. Impressionante.









III Rallye de Miramar 1950

Vitória de João Castello Branco no III Rallye de Miramar na classe 2,000 cc ao volante de um Standard Vanguard. Junta-se o relato de João Castello Branco filho:
"Continuando no ano de 1950 envio-lhe elementos sobre a participação no III Rallye Miramar (uma foto de uma travagem de uma complementar; um croquis das complementares; um recorte com as classificações e uma foto da entrega de prémios)
O rallye além de uma prova de estrada teve 2 complementares, com as seguintes classificações:
1ª PC 
1º Cemente Menéres - Ford - 20,60 segundos
2º JCB - Vanguard  - 21,31
3º Duarte Gonçalves -  Nash - 21,36
4º Joaquim Filipe Nogueira- MG - 21,39
5º C. Monte Real - Allard - 21,69
  
2ª PC
1º  Clemente Menéres - Ford - 1.11,27 m
2º C.Monte Real - Allard - 1.11,26
3º  Mário Guimarães - Lancia - 1.12,15
4º António Joaquim Correia - Ford - 1.13,79
5º  Joaquim Filipe Nogueira - MG - 1.14,03
13º JCB - Vanguard - 1.17,90
Os valores que serviram para ordenar a classificação geral constituiram-se na base de 1 ponto por cada segundo de tempo gasto em cada PC. Como só possuo os valores relativos à Geral e à 2ª PC obtive os relativos à  1ª PC por  diferença, correndo o risco de errar devido a uma qualquer penalização atribuída e que desconheço. Fica a ressalva.
Na fotografia de grupo reconheço apenas nos sentados da esq/dir: em 5º lugar o Conde Monte Real seguido do meu Pai e do Joaquim Filipe Nogueira.É provável que o 4º seja o Clemente Menéres a avaliar pelo nº de taças."


Yvonne Simon

Causou a maior sensação no Circuito do Porto de 1951 o facto de entre os participantes constar o nome de uma senhora ao volante de um Ferrari 166 MM Berlinetta Touring. Tratava-se de Yvonne Simon, um nome desconhecido em Portugal mas que já se afirmara no desporto automóvel europeu nomeadamente através de um vitória na Coupe des Dames do Rallye de Monte Carlo 1939. Viria ainda a participar por duas vezes nas 24 horas de Le Mans (1950/51) e seria a vencedora absoluta do Circuito de Nice de 1951, sempre com o Ferrari 166. No Circuito do Porto a "madame" Simon, como por cá era conhecida, conquistou a vitória na II Classe e terminou num muito respeitável 4º lugar absoluto. Felice Bonetto, em Alfa Romeo, seria o vencedor.
No momento da partida podem ver-se Carini (Osca nº 11), Wisdom (Jaguar nº 3) e Casimiro de Oliveira (Allard nº 19) na primeira fila, seguidos pelo Allard de José Cabral (nº 18) e Jaguar XK120 de Aquiles de Brito, vindo depois o BMW nº 7 de Nunes dos Santos e o Ferrari 166 nº 2 de Yvonne Simon.
Fotos - Centro de Documentação do ACP

Flying Scotsman 2015

De forma a diversificar o conteúdo desta página mantendo porém como referência os portugueses e os automóveis de desporto anteriores a 1960 iremos agora dar conta das aventuras de alguns dos nossos compatriotas nos grandes palcos internacionais dos automóveis antigos.
Para começar, nada melhor que apresentar Maria e José Romão de Sousa, uma equipa portuense com larga experiência em rallyes e maratonas internacionais destinadas a veículos clássicos ou "pre-war" e que recentemente esteve presente no Flying Scotsman Rallye 2015 tripulando um Alvis Speed 20 SA de 1932 com o número 90, uma prova que levou 115 equipas a percorrerem mais de 1,200 km através da Escócia em condições frequentemente tidas como "desfavoráveis". Passando-se isto no Reino Unido a expressão só pode ser tida como um "understatement".
A classificação? Who cares?
Fotografias - Sports Car Digest e JRS
Alvis Speed 20 - foram produzidos 1165 carros deste tipo entre 1932 e 1936, dos quais 400 unidades na versão SA. Vinham equipados com um motor de 6 cilindros em linha de 2500 cc de cilindrada alimentado por três carburadores SU debitando cerca de 87 cavalos de potência.




Um HRG em Portugal

Em 1950 disputou-se o IV Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), a segunda prova mais importante do calendário europeu de rallyes logo a seguir a Monte Carlo, com 116 equipas a partirem de várias cidades da Europa rumo ao Estoril onde teriam lugar as classificativas finais. Entre os 80 carros que chegaram ao Estoril estava o HRG de Simon Knudsen Hansen, filho de pai norueguês mas nascido  em Portugal que se dedicava a actividades de "shipping" a partir de Lisboa. Infelizmente o invulgar automóvel inglês produzido por Halford, Robins e Godfrey (HRG) sofreu um acidente durante a segunda prova disputada em volta do Casino Estoril e terminou aí a sua participação no IV Rallye Internacional. 
No ano anterior, 1949, Simon Hansen e o seu HRG seriam os vencedores da respectiva classe no II Rallye de Miramar, tendo conquistado a Taça da Gândara e recebido 10 mil escudos em dinheiro.
Muitos anos após os eventos aqui descritos este belíssimo carro de desporto foi adquirido por um conhecido coleccionador nacional e devolvido à sua grandeza original. As imagens são elucidativas.
Fotos - Centro de Documentação do ACP e JG









Equipa C. Santos / Standard Vanguard

Em 1950 disputou-se a quarta edição do Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), na altura a segunda prova mais importante do calendário europeu de rallyes logo a seguir ao Rallye de Monte Carlo. Oitenta concorrentes, partidos de várias cidades europeias, percorriam três mil quilómetros até se encontrarem no Estoril, onde decorreriam as classificativas finais. O vencedor seria o inglês Ken Wharton, em Ford, logo seguido pelo pequeno MG de Joaquim Filipe Nogueira. Mas do que aqui se pretende dar conta é da brilhante participação da Equipa C. Santos, representante da marca Standard Vanguard em Portugal, formada por João Castello Branco, Fernando Mendes de Almeida, Harry Rugeroni e João Ortigão Ramos (da esq. para a dta).
A carreira automobilística de João Castello Branco tinha começado de forma auspiciosa no ano anterior com a sua vitória na classe 1,100 cc da Volta a Portugal 1949 ao volante de um Simca 8.
Foto - colecção da família Castello Branco
Recorte - jornal "O Volante"
Neste interessante VIDEO da Filmoteca Nacional de Espanha, cedido por Ramón de Mateos, podem ver-se, a partir do minuto 3, algumas imagens relativas à participação dos concorrentes partidos de Madrid.



II Circuito da Boavista

Num percurso desenhado na avenida com o mesmo nome, disputou-se em 1932 no Porto aquele que viria a ser designado por II Circuito da Boavista. A prova  consistia em percorrer durante 90 minutos  um traçado que consistia em duas rectas paralelas ligadas por curvas de 180 graus para a esquerda no final de cada uma, tudo isto em piso asfaltado. O carro que desse o maior número de voltas seria o vencedor. Nas imagens podem ver-se o Bugatti de Marques da Fonseca e o Opel de D. Palmira Coelho que assim marcou a primeira vez em que uma senhora disputou uma prova de velocidade em Portugal.
Fotos -  Centro de Documentação do ACP


Vitória em Cannes

Vitória absoluta da equipa portuguesa formada por D. António Guedes de Herédia e João Capucho no II Rallye Soleil de Cannes de 1949, ao volante de um Riley. No final a equipa vencedora fez-se fotografar junto dos ingleses Vernon e Bray que terminaram a prova em 5º lugar tripulando um carro idêntico.
D. António Guedes de Herédia foi também velejador olímpico tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.
O Conde de Monte Real, que viria a ser um nome de referência no automobilismo nacional, faria a sua estreia em ralis nesse mesmo ano ao volante do Riley de D. António Herédia. Dois anos mais tarde (1951) conseguiria o melhor resultado de sempre de uma equipa portuguesa no Rallye de Monte Carlo, o segundo lugar absoluto.