Grande Prémio da Áustria 1960

Em 1960 "Nicha" Cabral participou no Grande Prémio da Áustria, prova para carros de Fórmula 2 que foi disputada num circuito traçado no aeródromo de Zeltweg. Ao volante do Cooper T51 Climax da Scuderia Centro Sud ( nº 6) o piloto português viria a travar uma interessante batalha com o carro idêntico (nº 22) tripulado pelo Barão Carel Godin de Beaufort, disputa que terminaria com "Nicha" no sexto lugar e Beaufort no oitavo. A título de curiosidade assinale-se que os três primeiros lugares foram conquistados por outros tantos Porsche 718/2, respectivamente tripulados por Stirling Moss, Hans Hermann e Edgar Barth.
Fotos - Luis Sousa e Technisches Museum Wien


Um "Etnerap" em Monsanto 1953

Os carros inscritos para a corrida da classe até 1,100 cc incluída no Circuito de Monsanto de 1953 (Grande Prémio do Jubileu do ACP) eram quase todos de fabrico artesanal e produzidos em Portugal, a maioria com recurso a componentes FIAT nomeadamente no capítulo motor. Entre os participantes encontrava-se João Castello Branco que tripulava o "Etnerap" matrícula EE-11-67 construído por António Parente a partir de uma base FIAT 1100. De resto, a marca do carro não é mais que o nome do fabricante lido "ao contrário", prática relativamente frequente na época. Nas imagens vemos o Etnerap o nº7  no meio da grelha de partida e a curvar em grande estilo numa das zonas sinuosas do circuito. No troço da Auto Estrada de Cascais que fazia parte do circuito os 70 cavalos produzidos pelo motor catapultavam esta bonita "barchetta" a velocidades superiores a 160 km/h.
O vencedor da corrida seria Abílio Barros, que tripulava o FAP com o nº 2, seguido do Alba nº 5 de Corte Real Pereira
O autor do blogue agradece a João Castello Branco, filho do piloto com o mesmo nome, a forma como permitiu o acesso ao espólio que se encontra ainda hoje em poder da família. As fotografias aqui publicadas são inéditas, facto que muito nos honra.

 



Onde Está o meu Alfa?

Esta imagem foi obtida em Milão frente ao hotel onde Fritz d´Orey (à esquerda, de óculos) esteve hospedado antes de se dirigir a Le Mans onde iria disputar a edição das 24 Horas de 1960 ao volante de um Ferrari 250 GT SWB. O Alfa Romeo SS que então conduzia tinha pertencido anteriormente a "Mané" Nogueira Pinto e resultou de um negócio entre ambos: "Mané" Nogueira Pinto ficou com o Ferrari 250 Scaglietti de Fritz d´Orey e deu em troca o Alfa mais 3,000 dólares ao piloto luso-brasileiro.
Chegado a Le Mans o jovem Fritz arrumou o carro no parque de estacionamento do circuito e foi treinar, só que as coisas acabariam por correr extremamente mal nessa tarde: em consequência de uma manobra arriscada de outro concorrente d´Orey perdeu o controle do Ferrari e acabou por sair da pista com violência. Esteve dezoito dias em coma e passou oito meses no hospital até receber "alta" médica. Mais tarde, quando foi à procura do lindíssimo Alfa no parque de estacionamento do circuito só encontrou um lugar vazio. Até hoje.


Entrega de Prémios (actualização)

Estas duas invulgares imagens serão relativas à entrega de prémios do V Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), disputado em 1951 e que teve Joaquim Filipe Nogueira como vencedor absoluto, ao volante de um Jowett Jupiter. Ernesto Martorell venceu a classe e o Conde de Monte Real foi segundo da classe e terceiro na Geral. Manuel de Oliveira (o cineasta), fazendo equipa com Clemente Meneres, seria o segundo classificado.
Na fotografia maior podem ver-se alguns dos principais protagonistas das provas de rallye e velocidade em Portugal na década de cinquenta, tais como os referidos Filipe Nogueira, Conde de Monte Real e Ernesto Martorell (o trio da fotografia mais pequena), além de Soares Mendes , Fernando Stock e muitos outros cuja identificação só será possível com a colaboração dos leitores mais antigos e conhecedores.
A distribuição de prémios do V Rallye Internacional de Lisboa teve lugar durante um jantar no Casino do Estoril, no dia em que a prova terminou.


Vamos lá a dar uma ajuda com base nas legendas duma cópia que meu Pai me deixou, seguindo da esq para a dir. Na primeira fila dos mais ou menos sentados:, em 4º lugar (um pouco mais à frente) Ernesto Martorell, e em 6º C.Monte Real. Na 2ª fila : 1º lugar João Castelo Branco (meu Pai), em 2º lugar Furtado Leite, em 3º lugar Emídio Silva, em 5º lugar J.Tojal, em 6º lugar J.Filipe Nogueira, em 7º lugar Santos Silva, em 9º lugar Luis Aguiar e em 10º lugar Fernando Stock. Em pé, em 1º lugar Fernando Mendes de Almeida, em 3º lugar (lá atrás) Manuel Palma, em 7º lugar (a espreitar) "Pipas" Vinhas. De pé à direita temos em 1º lugar Manuel Almeida, em 2º lugar Infante da Câmara e em 3º lugar Danilo Magalhães. Os restante não estão nomeados pelo meu Pai, certamente por esquecimento passados tantos anos, pois lembro-me que a legenda foi feita já nos anos 80. Cumprimentos. JCB

Lourenço Marques 1959

"No dia 19 de Julho de 1959 disputou-se o Grande Circuito Internacional de Lourenço Marques, que para além dos pilotos locais contou com a participação de pilotos sul-africanos, rodesianos e com a novidade de 3 pilotos vindos de Angola (Álvaro Lopes, José Alves e S. Santos).
A prova da categoria III - Sport e Corrida - realizou-se no final da tarde tendo sido inicialmente liderada pelo piloto Álvaro Lopes no Maserati 300S do ATCA (n.º 34) seguido de perto pelo sul-africano Ian Frazer Jones em Porsche RS Spyder (n.º 29). Este viria a conquistar a primeira posição na sétima volta, para a perder novamente para Álvaro Lopes na 12ª. Este não mais a largaria até final para alegria do público local, que via um piloto português a triunfar.
As fotografias são do Maserati de Álvaro Lopes e do Porsche de Frazer Jones".
Gonçalo Macedo e Cunha

Bibliografia: História do Desporto Motorizado em Moçambique
João Mendes de Almeida/ Ricardo Brízido



Vitória em Siracusa

Casimiro de Oliveira, ao volante do Ferrari 250 MM #0332, foi o brilhante vencedor da Copa d´Oro di Sicila, prova disputada em duas mãos no circuito de Siracusa em Outubro de 1953. O piloto português conseguiria também a volta mais rápida, facto que terá chamado a atenção dos responsáveis da Ferrari para o talento do piloto português. Em segundo lugar ficou o Gordini  T15S de Franco Bordoni e em terceiro o Maserati A6GCS inscrito pelas Officine Alfieri Maserati para Luigi Musso.
Fotografia de Luis Sousa


Casimiro de Oliveira nas 12 Horas de Pescara

A 15 de Agosto de 1953 disputaram-se as 12 Horas de pescara, Itália, prova em que Casimiro de Oliveira participou ao volante do seu Ferrari 250 MM Spyder Vignale #0332 fazendo equipa com o italiano Bolognini. Rezam as crónicas que o piloto português terá estado ao volante durante 8 horas consecutivas, após o que terá abandonado a corrida por razões desconhecidas numa altura em que era terceiro da classificação geral. Os vencedores absolutos seriam Hawthorn / Maglioli em Ferrari 375 MM Coupe enquanto que na classe até 1100 cc a vitória iria para o Osca MT4 da nossa bem conhecida Maria Teresa de Filippis
Foto de cima e Bibliografia: "Casimiro de Oliveira - Um Piloto de Carreira Internacional", de António Menéres e José Barros Rodrigues


Após a partida "tipo Le Mans" o  Ferrari 250 MM de Casimiro de Oliveira surge a meio da imagem sobre a linha branca na sexta posição.
Veja aqui o vídeo das 12 Horas de Pescara 1953

Apenas um Percalço

Em Agosto de 1925 Fernando Palhinhas (pai) participou no Circuito de Trás-os-Montes, prova disputada em Chaves que venceu categoricamente. Porém, naquele tempo não havia reboques nem "trailers" para transportar os carros de corrida, pelo que estes tinham que se deslocar pelos seus próprios meios. Como se tal não bastasse, as estradas (?) deixavam muito a desejar. Não admira portanto que nem sempre as viagens tivessem um final feliz, tal como viria a acontecer quando do regresso do ilustre piloto e construtor à sua cidade natal, Porto. Felizmente Fernando Palhinhas escapou ileso e semanas depois estava novamente a competir.
Foto - centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Os Automóveis FAP - Fernando Palhinhas", António Menérres e José Barros Rodrigues


Nicha Cabral do GP de Pau 1961

Esta imagem sai um pouco do âmbito deste blogue (1910 - 1960) mas vale pela raridade da mesma . Pouco depois da partida para o Grande Prémio de Pau de 1961 pode ver-se o Cooper Maserati T51 de Nicha Cabral (nº 22) no meio de uma grupo liderado por Lorenzo Bandini (nº24) em carro idêntico. O vencedor seria Jim Clark, em Lotus 18, com Jo Bonnier em segundo (Lotus 18), Bandini em terceiro e Nicha Cabral em quarto lugar.


Vitória na Suécia

A 23 de maio de 1954 disputou-se no circuito de Hedemora o então chamado Grande Prémio da Suécia, prova que o português Casimiro de Oliveira venceu ao volante de um Ferrari 375 MM (#0366) tendo cumprido uma impressionante média de 154 km/h. A concorrência era de respeito, como se confirma pelo segundo lugar obtido por George Abecassis (HWM Jaguar) e pelo terceiro de Duncan Hamilton (Jaguar C Type).
A prova principal foi antecedida por uma interessante corrida destinada em exclusivo a Porsches 356. Ora vejam aqui o vídeo - Hedemora 1954
Uma reportagem mais completa sobre as corridas desse dia pode ser vista AQUI a partir do minuto 03:10


Um "Monte" de má memória

Mais de quatrocentos carros compareceram à partida para o Rallye de Monte Carlo de 1953. Destes, 112 partiram de Lisboa, 103 de Glasgow, 42 de Estocolmo, 15 de Oslo, 11 de Palerne, 84 de Monte Carlo e 37 de Munique. O percurso comum pouco contribuiu para a classificação pelo que 253 concorrentes chegaram empatados ao principado, sendo a prova decidia nas duas complementares finais, uma "aceleração e travagem" e um a regularidade que devia ser percorrida à média de 47 km/h.
Os muitos Porsche 356 presentes, entre eles o carro nº1 de Fernando Stock / Pinto Basto (na foto), foram seriamente penalizados ou afastados do rallye devido a um detalhe das verificações técnicas. Ora vejam:


The Porsches were heavily scrutinised by the officials: indeed, several of these cars did not pass the technical checks due to a height of case. Problem: according to the card of the manufacturer, the height of those were to be 88cm, and they were measured at... 91 cm. The organizers tolerated only one small centimetre of variation, the Porsches were thus excluded from the rally for 2 unfortunate centimetres. This occurrence caused great commotion, and once more, the organisation was taunted and scorned by the press. 
 Colaboração de Luis Sousa

II Circuito da Boavista

Em 1932 disputou-se O II Circuito da Boavista, prova que se desenrolava num percurso muito simples que consistia em subir a avenida da Boavista por uma das faixas e depois descer a mesma avenida pela faixa contrária. Obviamente, no final da cada uma das duas rectas existia uma curva de 180 graus que permitia a inversão de sentido. Cada volta tinha cerca de 4,000 metros de extensão e as velocidades eram, naturalmente, bastante elevadas para a época. 
Na imagem da partida da corrida de Sport pode ver-se à esquerda o Invicta de Vasco Sameiro, futuro vencedor e o Chrysler de Mário Ferreira, que terminaria em quarto lugar. Nesta prova participou pela primeira vez uma senhora, D. Palmira Coelho, muito aplaudida e estimulada pelos cerca de 12,000 espectadores presentes.
Fotos - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Circuito da Boavista", de António Menéres e José Barros Rodrigues



Taça Cidade de Lisboa 1955

Vitória fácil de D. Fernando Mascarenhas na Taça Cidade de Lisboa de 1955 ao volante do seu Mercedes Benz 300 SL matrícula HH-22-15 importado há menos de um mês. No texto do Diário de Lisboa de 24 de Julho de 1955 fica a saber-se que o motor do Porsche 550 Spyder que Stirling Moss utilizou na corrida da Taça Governador Civil de Lisboa dava mais 2.000 rotações que os seus equivalentes portugueses. Assim não admira.
A versão de Luis Sousa, provavelmente a mais exacta:
  "O Porsche 550 de Stirling Moss não dava mais 2000 rpm que os Spyder portugueses, dava sim mais 1000 rpm, tinha cames mais evoluidas e não só, o que reflectia um aumento de 30 bhp em relação aos outros Spyder. De notar que após os treinos a entourage do Filipe Nogueira quis adquirir o motor de reserva do carro de fábrica do Moss  e a resposta foi não, talvez por o Dennis Jackson  nos treinos ter chamado o S Moss para ver o Filipe Nogueira a curvar , dizendo que o português travava nas curvas com o pé esquerdo  continuava a acelarar. Good old times."



Um Fiat muito Especial

Grande Prémio do Jubileu do Automóvel Clube de Portugal de 1953, Circuito de Monsanto. O Ferrari 250 MM Spyder Vignale de D. Fernando Mascarenhas vai ultrapassar o invulgar Fiat 8V de Edouard Meyer. Porém, nem um nem outro chegariam ao final da corrida, Mascarenhas por acidente e Meyer por avaria.
O Fiat 8V, tal como o nome sugere, utilizava um raro motor V8 da casa italiana com 2,000 cc de cilindrada inclinado a 70 graus e debitando 115 cavalos de potência, tendo sido produzido em pequeníssimas quantidades (114 exemplares apenas).
Foto - Centro de Documentação do ACP

Este foi um modelo em que a Fiat muito se empenhou como mostruário da sua capacidade técnica mas, apesar de ser técnicamente evoluído e bastante bem executado, nunca correspondeu às expectativas quer em termos comerciais quer desportivos, e daí a sua pequena produção. Como curiosidade - O nome oficial deste modelo é 8V que em italiano se pronuncia "Otto Vu", e foi assim chamado porque a Fiat, por qualquer razão, estava convencida que a sigla V8 estava patenteada pela Ford ...
Duarte Pinto Coelho

Nas "Boxes"

Imagem das "boxes" do circuito de Monsanto durante o Grande Prémio de Portugal de 1959. Em primeiro plano está o Ferrari 246 de Dan Gurney, que terminaria a prova em terceiro lugar e logo depois o carro idêntico tripulado por Phil Hill, que abandonou à sétima volta.
Pela primeira vez na história do automobilismo nacional um português ("Nicha" Cabral) iria participar numa corrida de Fórmula 1. Terminou em 10º lugar, a seis voltas do vencedor (Stirling Moss, Cooper Climax T-51) e esteve involuntariamente envolvido num incidente que por pouco não custou a vida ao futuro campeão mundial, Jack Brabham. Segundo as crónicas da época, o piloto australiano perdeu o controle do seu carro quando se preparava para ultrapassar o Cooper- Maserati nº 18 de "Nicha", bastante mais lento, bateu num poste e foi catapultado de novo para a pista. Jack Brabham acabou estendido no asfalto e por pouco não foi "atropelado" pelo Cooper de Masten Gregory. O seu carro ficou completamente destruído. Numa entrevista concedida a um jornal australiano poucos anos antes de falecer "Sir" Jack Brabham considerou este o pior acidente da sua carreira automobilística atribuindo a sua sobrevivência ao facto de na altura não se usarem cintos de segurança.
Foto - Centro de Documentação do ACP


Homenagem a "Nicha" Cabral

A caminho dos 81 anos de idade Mário de Araújo Cabral, o popular "Nicha", foi alvo de uma singela homenagem por parte de um grupo de amigos que com ele se reuniram no Clube do Peixe, em Lisboa, um local que começa a tornar-se numa espécie de "santuário" do automobilismo português. As paredes recheadas de fotografias dizem bem das memórias que ali se enaltecem e preservam.
"Nicha" Cabral foi o primeiro português a participar numa corrida de Fórmula 1 (Grande Prémio de Portugal 1959, em Monsanto) e se nada mais houvesse (mas houve, e muito) só isso bastaria para guardar o seu lugar na História.
Estiveram presentes, entre outros, Ernesto "Nené" Neves, António Peixinho, Augusto Palma, Gisele Barbosa Araújo, Fernando Baptista, Vasco Pinto Basto, António Matos Chaves, Carlos Guerra, Ângelo Pinto da Fonseca, Idalino Bettencourt Pinto, Artur Lemos, Luis Caramelo, Fernando Matias e José Guedes.
Ficam algumas das imagens do almoço realizado a 12 de Novembro.







Rallye Aveiro Estoril 1959

Organizado pelo Automóvel Clube de Portugal realizou-se em Dezembro de 1959 o Rallye Aveiro / Estoril cujo vencedor viria a ser o Engº Abreu Valente tripulando um Mercedes 300 SL. Mas a grande atracção da prova era o Austin Healey 100/Six nº 70 tripulado por Pat Moss / Anne Wisdon, uma equipa feminina que começava a fazer sucesso no mundo dos ralis. A época de 1959 não foi particularmente feliz para a dupla inglesa que não terminou a maior parte das provas internacionais em que participou (54º lugar na prova portuguesa) mas tudo mudaria a partir do ano seguinte com a vitória absoluta no duríssimo Rallye Liége-Roma-Liége
Fotos - Centro de Documentação do ACP




Grande Prémio de Macau 1954

O Grande Prémio de Macau conheceu a sua primeira edição em 1954, fruto de uma convergência de boas vontades entre a população de origem portuguesa e alguns expatriados residentes na cidade. O vencedor que ficou para a história foi Eduardo Carvalho, em Triumph TR2 (nº 5). Seria necessário esperar várias décadas até que outro português (André Couto) subisse ao lugar mais alto do pódio.




Estoril 1937

Apenas cinco automóveis disputaram o Circuito do Estoril de 1937, prova a que assistiu o Presidente da República, Óscar Carmona. O vencedor seria Manoel de Oliveira, o conhecido cineasta, que tripulava um Ford V8 preparado por Eduardo Ferreirinha.
Segundo a revista "Stadium", Jorge Monte Real tencionava "rebentar" o Bugatti 35C que adquirira recentemente a Alfredo Marinho "para que o pai lhe desse outro".
Note-se em segundo plano o espaço das "boxes" e o painel informativo com os números dos concorrentes.

A apresentação dos "corredores" ao Presidente da República: Jorge Monte Real, Henrique Lehrfeld, Manoel de Oliveira, Rayson e Benedito Lopes
 Uma imagem da corrida junto da praia do Tamariz. O Alfa Romeo 8C 2300 de Benedito Lopes será ultrapassado pelo Ford V8 de Manoel de Oliveira.

Manoel de Oliveira a ser felicitado pelo Presidente da República no final da corrida.




III Quilómetro de Arranque do Campo Grande

A 20 de Abril de 1930 disputou-se o III Quilómetro de Arranque do Campo Grande, prova disputada nas categorias Sport e Corrida. Henrique Lehrfeld, em Bugatti Grand Prix, seria o vencedor absoluto à média de 104,681 Km/h. Abílio Nunes dos Santos e Eduardo Ferreirinha, tripulando Bugattis de cilindrada inferior, completariam o trio dos mais rápidos.
Note-se na tabela classificativa em baixo a menção ao facto de Henrique Lehrfeld ter ficado de apresentar comprovativo da cilindrada do seu Bugatti, neste caso superior a 3,000 centímetros cúbicos.
Segundo os jornais da época a prova despertou grande entusiasmo na capital tendo sido presenciada por milhares de pessoas.

 O vencedor - Henrique Lehrfeld, em Bugatti Grand Prix

Uma imagem da prova em que está patente o elevado número de espectadores que se deslocaram ao Campo Grande.
Em baixo, a classificação da categoria "Corrida" e o Peugeot nº 42 de Campos Júnior, o director do jornal O Volante que venceu a classe até 750 cc na categoria "Sport".

Raid a Estremoz

Nash - Packard no Raid Automóvel a Estremoz, 1927
Fotografia dos estúdios Mário Novais, Biblioteca de Arte Calouste Gulbenkian


O Vencedor

Alfredo Marinho Júnior corta a meta como grande vencedor do I Circuito da Curia, disputado em 1927. Acontece que o Bugatti foi o único carro a apresentar-se à partida se descontarmos a colaboração de última hora de Carlos Moniz Pereira, um membro da organização chamado a participar com o seu automóvel de passeio para que o evento pudesse ser considerado uma "corrida".
Fotografia - Centro de Documentação do ACP


Ferrari 246 na Boavista

Phill Hill e o seu Ferrari D246 não terminariam o Grande Prémio de Portugal de 1960 em consequência de um acidente ocorrido à 29ª volta. Os Ferrari D246 não se deram bem com o traçado do circuito da Boavista como o comprova o facto de terem obtido apenas o nono (Von Trips) e décimo (Hill) lugares nos treinos de qualificação.
Note-se o fardo de palha a "proteger" o marco de correio.
Foto - The Cahier Archives


"Renaissance Man"

D. Fernando de Mascarenhas, Marquês de Fronteira e detentor de um sem número de outros títulos que daria para preencher este post, era uma verdadeiro "renaissance man", tal a diversidade das actividades a que se dedicava e que tinham todas elas um denominador comum, o perigo. Foi motociclista, automobilista de mérito e forcado, desafios que sempre enfrentou com coragem e entusiasmo. Porém, por trágica ironia do Destino, seria um mero acidente rodoviário que o levaria do mundo dos vivos em 1956.
A imagem de cima mostra D. Fernando no Grande Prémio de Tanger de 1955 ao volante do Ferrari 750 Monza #560 MD ainda antes de Manuel Palma lhe ter acrescentado um par de "barbatanas aerodinâmicas" na parte posterior da carroçaria, característica que tornaria este carro único no mundo.
As outras imagens são de uma "pega de caras" no Campo Pequeno e de um circuito de motos no Parque Eduardo VII (em perseguição).




Porto 1958 - Uma História de Cavalheiros

Em 1958 disputou-se no Circuito da Boavista o VII Grande Prémio de Portugal, prova que seria ganha por Stirling Moss, em Vanwall. Porém o grande protagonista daquele fim de semana viria a ser Mike Hawthorn, piloto da Ferrari  e seu grande rival.
Depois de se bater duramente com Stirling Moss nas primeiras voltas da corrida, o "piloto do laço" (nome por que era conhecido Hawthorn) veio às boxes com problemas de travões e perdeu tempo para o primeiro classificado. Viria a recuperar o segundo lugar e a conquistar os seis pontos da praxe no final, mas acabaria por ser alvo de um protesto algo caricato. Foi acusado de ter percorrido alguns metros em sentido contrário ao da corrida quando veio às boxes, circunstância que ditaria a sua desclassificação e a perda dos seis pontos. Porém, seria o próprio vencedor da corrida, Stirling Moss, que no final declarou que a manobra fora executada fora do asfalto e que portanto a punição não faria sentido. Os comissários desportivos aceitaram a explicação de Moss pelo que Hawthorn acabou por ficar com o segundo lugar e respectivos pontos.
No final da época Hawthorn sagrou-se Campeão do Mundo com um ponto de vantagem sobre Stirling Moss, o grande campeão que nunca o foi. Mas ficou mais este gesto de grande nobreza.
Em baixo, Hawthorn e Moss em plena luta na avenida da Boavista (esq) e Hawthorn a caminho do seu  Ferrari (dir) ostentando o laço que usava mesmo em corrida.
Fotos - The Cahier Archives