III Rallye de Miramar 1950

Vitória de João Castello Branco no III Rallye de Miramar na classe 2,000 cc ao volante de um Standard Vanguard. Junta-se o relato de João Castello Branco filho:
"Continuando no ano de 1950 envio-lhe elementos sobre a participação no III Rallye Miramar (uma foto de uma travagem de uma complementar; um croquis das complementares; um recorte com as classificações e uma foto da entrega de prémios)
O rallye além de uma prova de estrada teve 2 complementares, com as seguintes classificações:
1ª PC 
1º Cemente Menéres - Ford - 20,60 segundos
2º JCB - Vanguard  - 21,31
3º Duarte Gonçalves -  Nash - 21,36
4º Joaquim Filipe Nogueira- MG - 21,39
5º C. Monte Real - Allard - 21,69
  
2ª PC
1º  Clemente Menéres - Ford - 1.11,27 m
2º C.Monte Real - Allard - 1.11,26
3º  Mário Guimarães - Lancia - 1.12,15
4º António Joaquim Correia - Ford - 1.13,79
5º  Joaquim Filipe Nogueira - MG - 1.14,03
13º JCB - Vanguard - 1.17,90
Os valores que serviram para ordenar a classificação geral constituiram-se na base de 1 ponto por cada segundo de tempo gasto em cada PC. Como só possuo os valores relativos à Geral e à 2ª PC obtive os relativos à  1ª PC por  diferença, correndo o risco de errar devido a uma qualquer penalização atribuída e que desconheço. Fica a ressalva.
Na fotografia de grupo reconheço apenas nos sentados da esq/dir: em 5º lugar o Conde Monte Real seguido do meu Pai e do Joaquim Filipe Nogueira.É provável que o 4º seja o Clemente Menéres a avaliar pelo nº de taças."


Yvonne Simon

Causou a maior sensação no Circuito do Porto de 1951 o facto de entre os participantes constar o nome de uma senhora ao volante de um Ferrari 166 MM Berlinetta Touring. Tratava-se de Yvonne Simon, um nome desconhecido em Portugal mas que já se afirmara no desporto automóvel europeu nomeadamente através de um vitória na Coupe des Dames do Rallye de Monte Carlo 1939. Viria ainda a participar por duas vezes nas 24 horas de Le Mans (1950/51) e seria a vencedora absoluta do Circuito de Nice de 1951, sempre com o Ferrari 166. No Circuito do Porto a "madame" Simon, como por cá era conhecida, conquistou a vitória na II Classe e terminou num muito respeitável 4º lugar absoluto. Felice Bonetto, em Alfa Romeo, seria o vencedor.
No momento da partida podem ver-se Carini (Osca nº 11), Wisdom (Jaguar nº 3) e Casimiro de Oliveira (Allard nº 19) na primeira fila, seguidos pelo Allard de José Cabral (nº 18) e Jaguar XK120 de Aquiles de Brito, vindo depois o BMW nº 7 de Nunes dos Santos e o Ferrari 166 nº 2 de Yvonne Simon.
Fotos - Centro de Documentação do ACP

Flying Scotsman 2015

De forma a diversificar o conteúdo desta página mantendo porém como referência os portugueses e os automóveis de desporto anteriores a 1960 iremos agora dar conta das aventuras de alguns dos nossos compatriotas nos grandes palcos internacionais dos automóveis antigos.
Para começar, nada melhor que apresentar Maria e José Romão de Sousa, uma equipa portuense com larga experiência em rallyes e maratonas internacionais destinadas a veículos clássicos ou "pre-war" e que recentemente esteve presente no Flying Scotsman Rallye 2015 tripulando um Alvis Speed 20 SA de 1932 com o número 90, uma prova que levou 115 equipas a percorrerem mais de 1,200 km através da Escócia em condições frequentemente tidas como "desfavoráveis". Passando-se isto no Reino Unido a expressão só pode ser tida como um "understatement".
A classificação? Who cares?
Fotografias - Sports Car Digest e JRS
Alvis Speed 20 - foram produzidos 1165 carros deste tipo entre 1932 e 1936, dos quais 400 unidades na versão SA. Vinham equipados com um motor de 6 cilindros em linha de 2500 cc de cilindrada alimentado por três carburadores SU debitando cerca de 87 cavalos de potência.




Um HRG em Portugal

Em 1950 disputou-se o IV Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), a segunda prova mais importante do calendário europeu de rallyes logo a seguir a Monte Carlo, com 116 equipas a partirem de várias cidades da Europa rumo ao Estoril onde teriam lugar as classificativas finais. Entre os 80 carros que chegaram ao Estoril estava o HRG de Simon Knudsen Hansen, filho de pai norueguês mas nascido  em Portugal que se dedicava a actividades de "shipping" a partir de Lisboa. Infelizmente o invulgar automóvel inglês produzido por Halford, Robins e Godfrey (HRG) sofreu um acidente durante a segunda prova disputada em volta do Casino Estoril e terminou aí a sua participação no IV Rallye Internacional. 
No ano anterior, 1949, Simon Hansen e o seu HRG seriam os vencedores da respectiva classe no II Rallye de Miramar, tendo conquistado a Taça da Gândara e recebido 10 mil escudos em dinheiro.
Muitos anos após os eventos aqui descritos este belíssimo carro de desporto foi adquirido por um conhecido coleccionador nacional e devolvido à sua grandeza original. As imagens são elucidativas.
Fotos - Centro de Documentação do ACP e JG









Equipa C. Santos / Standard Vanguard

Em 1950 disputou-se a quarta edição do Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), na altura a segunda prova mais importante do calendário europeu de rallyes logo a seguir ao Rallye de Monte Carlo. Oitenta concorrentes, partidos de várias cidades europeias, percorriam três mil quilómetros até se encontrarem no Estoril, onde decorreriam as classificativas finais. O vencedor seria o inglês Ken Wharton, em Ford, logo seguido pelo pequeno MG de Joaquim Filipe Nogueira. Mas do que aqui se pretende dar conta é da brilhante participação da Equipa C. Santos, representante da marca Standard Vanguard em Portugal, formada por João Castello Branco, Fernando Mendes de Almeida, Harry Rugeroni e João Ortigão Ramos (da esq. para a dta).
A carreira automobilística de João Castello Branco tinha começado de forma auspiciosa no ano anterior com a sua vitória na classe 1,100 cc da Volta a Portugal 1949 ao volante de um Simca 8.
Foto - colecção da família Castello Branco
Recorte - jornal "O Volante"
Neste interessante VIDEO da Filmoteca Nacional de Espanha, cedido por Ramón de Mateos, podem ver-se, a partir do minuto 3, algumas imagens relativas à participação dos concorrentes partidos de Madrid.



II Circuito da Boavista

Num percurso desenhado na avenida com o mesmo nome, disputou-se em 1932 no Porto aquele que viria a ser designado por II Circuito da Boavista. A prova  consistia em percorrer durante 90 minutos  um traçado que consistia em duas rectas paralelas ligadas por curvas de 180 graus para a esquerda no final de cada uma, tudo isto em piso asfaltado. O carro que desse o maior número de voltas seria o vencedor. Nas imagens podem ver-se o Bugatti de Marques da Fonseca e o Opel de D. Palmira Coelho que assim marcou a primeira vez em que uma senhora disputou uma prova de velocidade em Portugal.
Fotos -  Centro de Documentação do ACP


Vitória em Cannes

Vitória absoluta da equipa portuguesa formada por D. António Guedes de Herédia e João Capucho no II Rallye Soleil de Cannes de 1949, ao volante de um Riley. No final a equipa vencedora fez-se fotografar junto dos ingleses Vernon e Bray que terminaram a prova em 5º lugar tripulando um carro idêntico.
D. António Guedes de Herédia foi também velejador olímpico tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.
O Conde de Monte Real, que viria a ser um nome de referência no automobilismo nacional, faria a sua estreia em ralis nesse mesmo ano ao volante do Riley de D. António Herédia. Dois anos mais tarde (1951) conseguiria o melhor resultado de sempre de uma equipa portuguesa no Rallye de Monte Carlo, o segundo lugar absoluto.

Circuito do Parque Eduardo VII, Lisboa, 1934

No dia 4 de junho de 1934 uma multidão calculada em 30 mil pessoas convergiu para o Parque Eduardo VII em Lisboa para assistir às provas desportivas que ali se disputavam sob o olhar atento do Presidente da República, Marechal Óscar Carmona. Realizaram-se corridas de motos e automóveis, bem como um concurso de elegância automóvel. No final do programa o consagrado "ás" Henrique Lehrfeld procedeu a uma demonstração com o seu Bugatti de corridas mas ao fim de três voltas sofreu um despiste, arrancou três árvores e o piloto foi parar ao hospital.
Na corrida "Sport" participaram Manuel Nunes dos Santos em Hilman Minx, Rui Gonçalves em Austin, Albano Gomes em Austin, António Guedes de Herédia em Morris, Armando Pombo em MG, Elmano Ribeiro em SS e Virgílio Barroso em Lancia.



Entre os Melhores

Também no automobilismo Manoel de Oliveira andava entre os melhores, tal como aconteceu no cinema. A diferença é que a sua carreira nos automóveis foi breve e sempre algo ofuscada pelo brilhantismo do seu irmão Casimiro, mas mesmo assim chegou a obter resultados de relevo tais como o terceiro lugar conquistado no Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1938 cuja crónica publicada no jornal "A Batalha" aqui se reproduz. O nosso compatriota partiu da segunda fila da grelha logo atrás dos dois italianos Pintacuda e Arzani, pilotos da Alfa Romeo e foi ganhando posições ao longo da corrida. Parabéns, Grande Campeão!



Manoel de Oliveira, 1908 - 2015

Manoel de Oliveira era um genuíno homem do norte, autêntico e frontal, que dedicou toda a sua longa vida a uma imensa paixão, o cinema. Mas antes disso ainda teve oportunidade para se exprimir enquanto piloto de automóveis de mérito, tendo integrado a primeira equipa de corridas do nosso país, a equipa Ford, com a qual disputou provas ao mais alto nível em Portugal e no Brasil. O automobilismo não lhe trouxe qualquer glória especial mas acabaria por atingir dimensão mundial enquanto realizador de cinema que tinha um estilo próprio, inovador e inconfundível. Tal como aconteceu com muitos outros talentos invulgares a sua obra só será devidamente reconhecida algumas décadas após a sua morte.
Que fique em Paz.
Agradeço a Gonçalo Macedo e Cunha o raro cartaz de Vila Real 1937, prova que Manoel  de Oliveira disputou ao volante de um Ford V8 na categoria "corrida". Terminou em quarto lugar.
A imagem de baixo vale pelo simbolismo do "adeus" de Catherine Deneuve, uma das actrizes favoritas do Mestre, que aqui aparece ao lado de John Malkovich.




No Princípio era o Rei

A exemplo do que aconteceu em outros países europeus a Família Real portuguesa desempenhou um papel importantíssimo na introdução do transporte motorizado no nosso país. O Rei D. Carlos comprou vários automóveis e consta que ele próprio fazia questão de os conduzir - uma raridade para a época - tal como acontecia com o Príncipe Real, D. Luis Filipe. Como se tal não bastasse foi o próprio Rei que desenhou pelo seu punho o emblema do Real Automóvel Clube de Portugal.
Em cima, imagens do Rei D. Carlos ao volante dos seus automóveis e a rainha D. Amélia a entrar para um deles.
Em baixo, o Príncipe D. Luis Filipe conduz o seu automóvel tendo a seu lado o Visconde de Asseca, seu oficial às ordens. Emblema do RACP desenhado por D. Carlos 






A Última Volta

Continuando com a história da participação do Etnerap de João Castello Branco na corrida até 1,100 cc de cilindrada integrada no Grande Prémio do Jubileu do ACP de 1953 aqui se juntam mais duas imagens. Na primeira pode ver-se o carro nº 7 em acção com a fita que foi colocada sobre a frente da carroçaria durante a paragem documentada no post anterior. Na outra vemos o Alba de Nunes dos Santos em luta com o Etnerap de Castello Branco pouco antes deste ter sido vítima de uma avaria que o atirou do 3º para o 7º lugar da classificação geral.






Abastecimento

Curiosa imagem obtida durante a corrida de automóveis da categoria até 1,100 cc integrada no Grande Prémio do Jubileu do ACP disputada em 1953 no circuito de Monsanto, em que se vê o Etnerap de João Castello Branco durante uma paragem para abastecimento. Tudo leva a crer que se trata de acrescentar água ao circuito de arrefecimento, operação que é realizada pelo próprio construtor do carro, António Augusto Parente. Repare-se também nas impecáveis indumentárias dos funcionários da Mobil, de fato branco e gravata. Interessante também a "bomba" de gasolina de 80 octanas.
Fotografia do espólio da família Castello Branco

Ilustração Portugueza

Imperdível esta descrição de uma prova automobilística realizada em Junho de 1922 na Avenida da Liberdade em Lisboa a qual consistia em várias eliminatórias disputadas entre dois carros de cada vez. O vencedor seria Abílio Nunes dos Santos que conduzia um Daimler. A reportagem vem na edição número 853 da revista "Ilustração Portugueza", por coincidência a mesma onde se dá a notícia da travessia aérea do Atlântico Sul realizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral

Corrida "Made in Portugal"

Partida para a corrida da categoria até 1,100 cc incluída no Grande Prémio do Jubileu do ACP, conjunto de provas que se disputaram em 1953 no Circuito de Monsanto. Todos os carros participantes eram fabricados artesanalmente  em Portugal, ainda que com recurso a componentes de marcas estrangeiras. 
A fotografia principal pertence ao espólio da família Castello Branco, juntando-se excertos da Revista do ACP com a identificação dos pilotos e a classificação final.
Colaboração de Gonçalo Macedo e Cunha



Grande Prémio da Áustria 1960

Em 1960 "Nicha" Cabral participou no Grande Prémio da Áustria, prova para carros de Fórmula 2 que foi disputada num circuito traçado no aeródromo de Zeltweg. Ao volante do Cooper T51 Climax da Scuderia Centro Sud ( nº 6) o piloto português viria a travar uma interessante batalha com o carro idêntico (nº 22) tripulado pelo Barão Carel Godin de Beaufort, disputa que terminaria com "Nicha" no sexto lugar e Beaufort no oitavo. A título de curiosidade assinale-se que os três primeiros lugares foram conquistados por outros tantos Porsche 718/2, respectivamente tripulados por Stirling Moss, Hans Hermann e Edgar Barth.
Fotos - Luis Sousa e Technisches Museum Wien


Um "Etnerap" em Monsanto 1953

Os carros inscritos para a corrida da classe até 1,100 cc incluída no Circuito de Monsanto de 1953 (Grande Prémio do Jubileu do ACP) eram quase todos de fabrico artesanal e produzidos em Portugal, a maioria com recurso a componentes FIAT nomeadamente no capítulo motor. Entre os participantes encontrava-se João Castello Branco que tripulava o "Etnerap" matrícula EE-11-67 construído por António Parente a partir de uma base FIAT 1100. De resto, a marca do carro não é mais que o nome do fabricante lido "ao contrário", prática relativamente frequente na época. Nas imagens vemos o Etnerap o nº7  no meio da grelha de partida e a curvar em grande estilo numa das zonas sinuosas do circuito. No troço da Auto Estrada de Cascais que fazia parte do circuito os 70 cavalos produzidos pelo motor catapultavam esta bonita "barchetta" a velocidades superiores a 160 km/h.
O vencedor da corrida seria Abílio Barros, que tripulava o FAP com o nº 2, seguido do Alba nº 5 de Corte Real Pereira
O autor do blogue agradece a João Castello Branco, filho do piloto com o mesmo nome, a forma como permitiu o acesso ao espólio que se encontra ainda hoje em poder da família. As fotografias aqui publicadas são inéditas, facto que muito nos honra.

 



Onde Está o meu Alfa?

Esta imagem foi obtida em Milão frente ao hotel onde Fritz d´Orey (à esquerda, de óculos) esteve hospedado antes de se dirigir a Le Mans onde iria disputar a edição das 24 Horas de 1960 ao volante de um Ferrari 250 GT SWB. O Alfa Romeo SS que então conduzia tinha pertencido anteriormente a "Mané" Nogueira Pinto e resultou de um negócio entre ambos: "Mané" Nogueira Pinto ficou com o Ferrari 250 Scaglietti de Fritz d´Orey e deu em troca o Alfa mais 3,000 dólares ao piloto luso-brasileiro.
Chegado a Le Mans o jovem Fritz arrumou o carro no parque de estacionamento do circuito e foi treinar, só que as coisas acabariam por correr extremamente mal nessa tarde: em consequência de uma manobra arriscada de outro concorrente d´Orey perdeu o controle do Ferrari e acabou por sair da pista com violência. Esteve dezoito dias em coma e passou oito meses no hospital até receber "alta" médica. Mais tarde, quando foi à procura do lindíssimo Alfa no parque de estacionamento do circuito só encontrou um lugar vazio. Até hoje.