Carlos Pinto Coelho (1915-2000) foi advogado por profissão mas era no automobilismo que encontrava uma das suas grandes paixões, facto que o levou a inscrever-se por três vezes no Rallye de Monte Carlo. Em 1951 terminou a grande clássica europeia em 96º lugar ao volante de um Riley 2,5 L, a única vez que completou a prova. Voltou em 1952 com o mesmo carro, mas foi forçado a abandonar, tendo repetido a experiência em 1953, desta vez ao volante de um Lancia Aurelia, só que também não foi feliz. No final da década de 40 utilizava este belo Lancia Aprilia Boneschi para as suas deslocações pessoais.
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As Vencedoras
Délia Gonçalves e Maria da Conceição Maia Loureiro, vencedoras da Taça de Senhoras do II Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) de 1948 tripulando um Mercury Eight Convertible.
Foto . Centro de Documentação do ACP
Rallye a Évora 1949
Registo da participação de João Castello Branco no Rallye a Évora de 1949 ao volante do seu Renault 4CV, prova que terminou em 4º lugar da classe respectiva. Juntam-se detalhes do circuito de S. Bento, um traçado com 4,900 metros de extensão onde se disputava o contra-relógio e o desenho da prova de perícia. Era aqui que tudo se decidia. Repare-se, foto de cima, na enorme multidão que se juntava nas ruas de Évora para ver passar os concorrentes.
Fotos - colecção João Castello Branco
Fotos - colecção João Castello Branco

Quilómetro de Arranque e Lançado de Esposende
A 18 de Setembro de 1949 disputou-se a prova conhecida por Quilómetro de Arranque e Lançado de Esposende, pequeno município situado entre os concelhos de Viana do Castelo e Póvoa de Varzim. A vitória em ambas as competições viria a sorrir a Clemente Menéres, que tripulava um Ford 100 cv Two Door Sedan. O recentemente falecido cineasta Manoel de Oliveira levou este mesmo carro ao segundo lugar da prova de arranque e ao quinto do quilómetro lançado, enquanto que João Castello Branco (nas fotos) se ficaria pelo 11º lugar do Quilómetro de Arranque com o seu Talbot Lago 4L
João Rezende dos Santos
Após um interregno de mais de dez anos ditado pela II Grande Guerra, o Circuito de Vila Real regressou em 1949 tendo despertado o maior entusiasmo. Por razões óbvias o material disponível para competir não era de primeira ordem mas apesar disso a prova foi um sucesso e permitiu abrir caminho para outras corridas, essas sim de primeira grandeza.
A imagem documenta o Simca 8 de João Rezende dos Santos, um pequeno carro familiar equipado com um motor de apenas 1089 cc que venceu a primeira corrida destinada às cilindradas mais baixas, cumprindo as vinte voltas do programa à respeitável média de 83,629 km/h. A segunda corrida foi ganha pelo Allard K1 de José Cabral, que viria a ser considerado o vencedor absoluto depois de ponderados os resultados de ambas as corridas. João Rezende dos Santos terminaria no quinto lugar da classificação agregada, um resultado verdadeiramente notável que aqui se regista
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - O Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra
Um HRG em Portugal
Em 1950 disputou-se o IV Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), a segunda prova mais importante do calendário europeu de rallyes logo a seguir a Monte Carlo, com 116 equipas a partirem de várias cidades da Europa rumo ao Estoril onde teriam lugar as classificativas finais. Entre os 80 carros que chegaram ao Estoril estava o HRG de Simon Knudsen Hansen, filho de pai norueguês mas nascido em Portugal que se dedicava a actividades de "shipping" a partir de Lisboa. Infelizmente o invulgar automóvel inglês produzido por Halford, Robins e Godfrey (HRG) sofreu um acidente durante a segunda prova disputada em volta do Casino Estoril e terminou aí a sua participação no IV Rallye Internacional.
No ano anterior, 1949, Simon Hansen e o seu HRG seriam os vencedores da respectiva classe no II Rallye de Miramar, tendo conquistado a Taça da Gândara e recebido 10 mil escudos em dinheiro.
Muitos anos após os eventos aqui descritos este belíssimo carro de desporto foi adquirido por um conhecido coleccionador nacional e devolvido à sua grandeza original. As imagens são elucidativas.
Fotos - Centro de Documentação do ACP e JG
Fotos - Centro de Documentação do ACP e JG

Vitória em Cannes
Vitória absoluta da equipa portuguesa formada por D. António Guedes de Herédia e João Capucho no II Rallye Soleil de Cannes de 1949, ao volante de um Riley. No final a equipa vencedora fez-se fotografar junto dos ingleses Vernon e Bray que terminaram a prova em 5º lugar tripulando um carro idêntico.
D. António Guedes de Herédia foi também velejador olímpico tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.
O Conde de Monte Real, que viria a ser um nome de referência no automobilismo nacional, faria a sua estreia em ralis nesse mesmo ano ao volante do Riley de D. António Herédia. Dois anos mais tarde (1951) conseguiria o melhor resultado de sempre de uma equipa portuguesa no Rallye de Monte Carlo, o segundo lugar absoluto.
D. António Guedes de Herédia foi também velejador olímpico tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.
O Conde de Monte Real, que viria a ser um nome de referência no automobilismo nacional, faria a sua estreia em ralis nesse mesmo ano ao volante do Riley de D. António Herédia. Dois anos mais tarde (1951) conseguiria o melhor resultado de sempre de uma equipa portuguesa no Rallye de Monte Carlo, o segundo lugar absoluto.
Conde de Monte Real
Comemora-se hoje, 31 de Julho, o 98º aniversário do nascimento de Jorge Pereira da Silva de Melo e Faro, 2º Conde de Monte Real, uma das figuras mais importantes da história do automobilismo nacional cuja brilhante carreira se estendeu por mais de três décadas. Conquistou muitas vitórias em rampas e circuitos mas o seu mais importante registo terá sido o brilhante 2º lugar absoluto obtido no Rallye de Monte Carlo de 1951, prova em que partilhou um Ford 100cv com D. Fernando Mascarenhas e Manuel Palma.
O desenho mostra o 1º Conde de Monte Real, Artur Porto de Melo e Faro, ligeiramente desconfortável perante os talentos automobilístico de seu filho Jorge, o 2º Conde de Monte Real.
O "Atestado"
Documento passado pelo Automóvel Clube de Portugal a atestar a condição de piloto de automóveis de José de Almeida Araújo no qual é referida a sua participação no Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro.
O Recomeço
Após mais de uma década de suspensão em consequência da II Guerra Mundial, o Circuito de Vila Real começa a renascer em 1949 com uma corrida em que participaram 23 automóveis, quase todos veículos de série. Só no ano seguinte voltariam os "carros de corrida".
Na imagem pode ver-se o Lancia Aprilia de Manuel Santos Pinto à frente do Riley Sprite de Camilo Fernandes. O primeiro terminaria num honroso 6º lugar enquanto que o segundo viria a abandonar por avaria.
Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931 - 1973", de Carlos Guerra
Foto - Centro de Documentação do ACP
O Stand da Ford em Lisboa
Concebidas por um dos mais importantes arquitectos portugueses do século XX, Porfírio Pardal Monteiro, as instalações da Ford Lusitana na rua Rosa Araújo tornaram-se na década de 40 num local de visita obrigatória para quem se interessava por automóveis … e por arquitectura.
Entre muitas outras obras, Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957) é também o autor dos projectos do Instituto Superior Técnico, da estação ferroviária do Cais do Sodré, do Hotel Ritz e da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, tendo conquistado por quatro vezes o Prémio Valmor.
Fotografias - Bibliteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian, Estúdios Mário Novais
Entre muitas outras obras, Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957) é também o autor dos projectos do Instituto Superior Técnico, da estação ferroviária do Cais do Sodré, do Hotel Ritz e da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, tendo conquistado por quatro vezes o Prémio Valmor.
Fotografias - Bibliteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian, Estúdios Mário Novais
Uma pena...
Eis o estado em que ficou o Edfor tão carinhosamente construído por Eduardo Ferreirinha depois do acidente que sofreu durante o Rallye Internacional de Lisboa de 1947, quando era tripulado por Augusto Madureira. O carro foi dado como irrecuperável e não voltaria aos circuitos. Apenas a matrícula voltou, como se constata através do post "Edfor-Allard" recentemente aqui publicado.
Colaboração de José Francisco Correia
Colaboração de José Francisco Correia
EDFOR
Concebido por sugestão de Manuel Menéres, concessionário Ford no Porto, EDFOR é o nome de um carro de sport produzido em 1937 nas oficinas de Eduardo Ferreirinha & Irmão (EFI) a partir de componentes Ford, nomeadamente um motor V8 de 3620 cc e um chassis da mesma marca. Dotado de uma carroçaria em alumínio que pesava pouco mais de 150 quilos, o Edfor matrícula RP-10-30 mostrou-se competitivo logo na estreia, no circuito de Vila Real, onde comandou a corrida de Sport durante 8 voltas até ser forçado a parar com problemas de aquecimento do motor. Um segundo carro foi construído em 1939, havendo especulações sobre a possível construção de um terceiro exemplar, facto não documentado. Este segundo carro (NT-10-68) perdura até aos dias de hoje.
A imagem documenta Augusto Madureira ao volante do primeiro Edfor (RP-10-30) à partida para o Rali Internacional de Lisboa de 1947, prova que abandonaria devido a acidente. O carro ficou parcialmente destruído.
Imagem - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973 , de Carlos Guerra
- http://autoentusiastas.blogspot.com
- http://autoentusiastas.blogspot.com
Heróis Improváveis
A história das corridas de automóvel em Portugal não é feita apenas com vencedores e vencidos. Faz-se também com todos aqueles que participaram em provas apenas pelo prazer de participar e cujo objectivo era tão só viver por dentro, ainda que de forma efémera, a grande aventura do automobilismo.
É para homenagear essas figuras, únicas e imprescindíveis, que hoje aqui trazemos alguns dos concorrentes ao Circuito de Vila Real de 1949, disputado numa altura em que a Europa estava ainda a sair da tragédia da II Guerra Mundial, o que justifica a presença em pista de automóveis pouco adequados a provas de velocidade, alguns dos quais tripulados por simples amadores locais. No Portugal de então quase nada acontecia de importante e as corridas de Vila Real traziam uma breve lufada de emoção a um país rural e deprimido que começava lentamente a recuperar de um atraso de décadas.
As imagens:
As imagens:
À esquerda, D. Afonso de Burnay, em Healey Westland Roadster e , à direita, António Pinto Correia, em Simca 8.
Em baixo - António Camilo Fernandes, em Riley Sprite
Bibliografia:
- Fotos Arquivo do ACP
- Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra
Bibliografia:
- Fotos Arquivo do ACP
- Circuito de Vila Real 1931 - 1973, de Carlos Guerra
II Rallye de Miramar 1949
A equipa formada por Jorge Seixas e Martinho Lacasta, em Allard, venceu brilhantemente o II Rallye de Miramar, disputado em volta daquela então lindíssima praia do norte de Portugal. Manuel Nunes dos Santos, acompanhado por Jaime Rodrigues, levaria o BMW 328 até ao terceiro lugar da classificação geral.
Um jovem quase desconhecido, Joaquim Filipe Nogueira, deu nas vistas ao vencer a III categoria, ao volante de um Simca.
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