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Diogo Cabral

Promovido pelo Governador Civil de Lisboa realizou-se a 3 e 4 de Abril de 1932 o II Circuito do Campo Grande, prova automobilística que contava com o apoio do ACP e cuja receita revertia a favor dos pobres de Lisboa. Os concorrentes do Porto dominaram as corridas com especial destaque para Diogo Cabral, pai do consagrado piloto "Nicha" Cabral", que com o seu Bugatti venceu a categoria Sport tendo cumprido  trinta voltas durante uma hora, realizando a volta mais rápida (27ª) à considerável média de 107, 560 km/hora.


O Embrião da Volta a Portugal

II Grande Prova de Resistência e Turismo. Um nome pomposos para uma prova de estrada que se tornaria no embrião daquilo que mais tarde viria a ser a Volta a Portugal em Automóvel. Disputada entre 20 e 25 de Junho de 1933 com um total de 1800 km de extensão esta grande maratona automobilística dividia-se em seis etapas: Cacilhas-Faro-Évora, Évora-Covilhã, Covilhã-Braga, Braga-Porto-Curia, Curia-Leiria-Tomar e finalmente Tomar-Caldas-Estoril. O júri era formado pelos distintos automobilistas Jorge Ortigão Ramos, Vasco Callixto, Mário Madeira e o recentemente falecido Carlos Moniz Pereira, entre outros, tendo-se apresentado à partida 16 concorrentes. João Gellweiller, em Terraplane, seria o vencedor absoluto vencendo também a Classe C. As classes B e A foram ganhas respectivamente por Arnaldo Stocker, em Triumph, e Júlio Trigo, em Fiat.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto
Fotos - Arquivo Digital da Torre do Tombo



 

Talbot Lago T-150 C Cabriolet

 Trata-se de um Talbot Darracq T-150 C chassis 90019, motor 85135, caixa Wilson, by  Figoni & Falaschi construído em 1938 e que pertenceu ao Conde da Covilhã. Originalmente tinha corpo azul claro e guarda lamas azuis escuros. Enquanto esteve por cá, sobretudo antes da guerra, era presença assídua nos concursos de elegância de Miramar e outras praias da moda sobretudo no Norte.
 Ficou sempre na mesma família e foi de cá levado em finais dos anos 70's, época em que ainda não se ligava muito a este género de carro. Foi vendido em 1975 a Mike Sparken e mais tarde seguiu para a Austrália onde foi restaurado por Le Coq. Esteve presente no Rétromobile de 1985. No ano 2000 foi adquirido pelo actual proprietário, Marriott Junior.
Uma perda de valor incalculável para o nosso património.
Texto de Duarte Pinto Coelho e José Manuel Albuquerque





No Canal do Leblon

O Bugatti de Henrique Lehrfeld visto aqui a passar junto do canal do Leblon viria a terminar o Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1935 em segundo lugar ao fim de quatro horas de corrida sendo o piloto português considerado um dos heróis da prova. Neste mesmo local e nesta mesma corrida perdeu a vida o piloto brasileiro Ireneu Correia que após ter batido numa árvore com o seu Ford mergulhou no canal acabando por morrer afogado.
Na fotografia de baixo é possível ver o corpo de Ireneu Correia a ser projectado para dentro do canal após o seu carro ter colidido com a árvore.


Rampa do Cabo da Roca 1935

A 6 de Outubro de 1935 disputou-se na região de Sintra a II Rampa do Cabo da Roca tendo-se registado a presença de 16 concorrentes, 12 em "Sport" e 4 em "Corrida". Jorge Monte Real seria o vencedor em ambas as categorias ao volante do seu pequeno MG tendo-se sagrado Campeão Nacional de Rampas dessa época em "Corrida". O Engº Ribeiro Ferreira, em Railton, ficaria em segundo lugar nas duas categorias enquanto que os terceiros classificados seriam respectivamente  Manuel Nunes dos santos (Adler) em "Sport" e Roque da Fonseca (Bugatti) em "Corrida".
Fotografias - jornal O Volante
Bibliografia _ Primeiro Arranque, de Vasco Callixto



O SS1 de Jorge Monte Real

Nascido em 1916, Jorge Monte Real seria um dos primeiros portugueses a adquirir um Standard Swallow SS1, tipo de automóvel produzido em Inglaterra entre 1931 e 1934 por William Lyons que após o final da II Guerra daria origem à marca Jaguar. Não existe qualquer registo da participação em provas desportivas deste carro pelas mãos de Jorge Monte Real, cuja estreia no automobilismo nacional teve lugar em 1933 ao volante de um pequeno MG.
Ao volante de um Standard Swallow 100 (SS100) Casimiro de Oliveira conquistaria em Vila Real 1937 a primeira vitória em circuito de um automóvel de marca Jaguar.




I Circuito do Parque Eduardo VII

 Organizado pelo Governador Civil de Lisboa com o apoio do ACP teve lugar a 3 junho de 1934 a primeira jornada do I Circuito do Parque Eduardo VII. A segunda jornada decorreria a 1 de Julho seguinte. António Herédia ao volante do seu pequeno Morris com 846 cc de cilindrada (nº 15) seria o vencedor na categoria Sport "pequenas cilindradas". Elmano Ribeiro, em SS, ficou em segundo lugar e Armando Pombo (MG) em terceiro.
A seguir a esta prova Henrique Lehrfeld tentou bater o record da volta mais rápida a este circuito ao volante do seu Bugatti. Teve azar. Galgou o passeio, derrubou três árvores, destruiu uma maca dos bombeiros e foi parar ao hospital.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto e jornal O Volante




"Os Heróis" de 1935

Não eram muitos os portugueses que em 1935 participavam nas poucas corridas de automóveis que o Automóvel Clube de Portugal organizava nas improvisadas pistas do país. Conheciam-se todos e formavam como que um grupo de amigos. O Circuito do Estoril era sem dúvida a prova mais importante do calendário e a que mais concorrentes atraía como se constata por esta imagem relativa à cerimónia de entrega dos prémios realizada na noite de 20 de Outubro no Casino. O vencedor, Francisco Ribeiro Ferreira, recebeu a maior taça e dez mil escudos em dinheiro. António Guedes Herédia realizou a volta mais rápida.
Os protagonistas, da esquerda para a direita:
António Guedes Herédia (Railton), Manuel José Soares Mendes (Alfa Romeo), Jorge Monte Real (Bugatti), Francisco Ribeiro Ferreira (Bugatti), Manuel Nunes dos Santos (Adler), Henrique Lehrfeld (Bugatti) e um concorrente não identificado.
Foto da família Lehrfeld


Duelo no Estoril

Em 1935 disputou-se na zona envolvente do Casino aquele que viria a ficar conhecido como o I Circuito do Estoril, prova organizada pelo ACP. Não é inteiramente verdade porque dez anos antes (1925) já ali se tinha disputado uma corrida mas foi esta a designação que perdurou. Nove concorrentes alinharam à partida para esta competição que consistia em realizar 60 voltas a um traçado que tinha pouco mais de três quilómetros de extensão. Eram eles: Henrique Lehrfeld, Francisco Ribeiro Ferreira, Jorge Monte Real e Almeida Araújo, todos em Bugatti, Nunes dos Santos em Adler, Manuel Soares Mendes em Alfa Romeo, José Alves da Silva em Adler e António Guedes de Herédia em Railton.
Dada a partida assistiu-se a um épico duelo entre os Bugattis de Ribeiro Ferreira, Monte Real e Lehrfeld que se alternavam frequentemente no comando até que este último sofreu um furo e teve que parar para mudar a roda afectada, operação que lhe custou três voltas de atraso. António Herédia ainda viria a intrometer-se conseguindo a volta mais rápida mas a vitória acabou por sorrir a Francisco Ribeiro Ferreira (#5). Jorge Monte Real (#8), aliás Conde de Monte Real, terminaria em segundo lugar. Tinha apenas dezanove anos de idade.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto e Jornal "O Volante" 
Centro de Documentação do ACP



Monte Carlo 1933

Francisco Ribeiro Ferreira e os seus passageiros António Herédia e Estêvão Vanzeller no Delage com o nº 20 que terminaria o Rallye de Monte Carlo de 1933 num honroso 44º lugar da classificação geral cotando-se como a equipa portuguesa que obteve o melhor resultado nesta edição da grande clássica europeia. A dureza da prova fica refletida no facto de apenas 71 dos 115 concorrentes iniciais terem conseguido chegar ao fim.
Junta-se um pequeno filme da Pathé sobre o  Rallye Monte Carlo 1933


O Valente do Carro 86

"O Valente do Carro 86". Assim se referia a imprensa do Rio de Janeiro ao talento e coragem de Henrique Lehrfeld que tendo partido com o seu Bugatti da última fila da grelha para o Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1935 conseguiu terminar a corrida em segundo lugar depois de ter batido o record da volta mais rápida por várias vezes.
Fotografia da família Lehrfeld


Vitória no Campo Grande

A 14 de Maio de 1933 disputou-se o III Circuito do Campo Grande, em Lisboa, prova que despertou enorme interesse entre os entusiastas do automobilismo em virtude no anunciado "duelo" entre Henrique Lehrfeld e Vasco Sameiro, os grandes "volantes" da época. Inscreveram-se 15 automóveis, oito na categoria "Sport" e sete em "Corrida". A prova de "Sport" foi claramente dominada pelos Invicta dos irmãos Vasco e Roberto Sameiro, com o primeiro a sagrar-se vencedor. Tal como se esperava a corrida principal teve no Bugatti de Henrique Leherfeld e no Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Vasco Sameiro os principais protagonistas, com os dois pilotos a alternarem-se várias vezes na liderança para gáudio da enorme assistência. Lehrfeld deu tudo por tudo e ainda conseguiu a volta mais rápida (126, 920 km/h) mas a vitória acabou por sorrir a Vasco Sameiro naquela que a imprensa da época classificou como "a primeira grande e autêntica corrida de automóveis em Portugal".
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto.
Foto - Jornal "O Volante".


II Grande Prova de Resistência e Turismo

De 20 a 25 de Junho de 1933 disputou-se a segunda edição da Grande Prova de Resistência e Turismo, embrião daquilo que mais tarde viria a ser a "Volta a Portugal" e que consistia em percorrer mais de 1800 km através do nosso país ao longo de seis etapas. Dezasseis equipas compareceram à partida em Cacilhas, menos seis que no ano anterior. O vencedor absoluto seria João Gelweiller que partilhava o Essex-Terraplane com Dionísio Gallino (na imagem) tendo Arnaldo Stocker (Triumph) e Júlio Trigo (Fiat) vencido as classes respetivas. D. Maria La Caze Noronha terminou em sexto lugar e venceu a Taça de Senhoras enquanto que Armando Pombo, vencedor das complementares de Évora e da Covilhã, seria forçado a desistir após ter atropelado um cavalo.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto
Foto - jornal O Volante


Alta Emoção no Campo Grande

Lisboa. Às 17:45 do dia 14 de Maio de 1933 teve início a volta de preparação do III Circuito do Campo Grande após a qual foi dada a partida para a corrida mais importante do dia, a Prova Automóvel Clube de Portugal. Alinharam sete concorrentes, a saber: Henrique Lehrfeld (Bugatti), Vasco Sameiro (Alfa Romeo), Carlos Bleck (Bugatti), Alfredo Marinho Jr (Bugatti), Leopoldo Roque da Fonseca (Bugatti), Gaspar Sameiro (Invicta) e Eduardo Carvalho(Ford). A vitória seria decidida entre Henrique Lehrfeld e Vasco Sameiro que travaram uma batalha épica ao longo das vinte e oito voltas previstas deixando os demais participantes a grande distância tendo o piloto de Braga sido o primeiro a cortar a meta logo seguido por Lehrfeld, que nunca baixou os braços. No final o público entusiasmado invadiu a pista e carregou aos ombros os dois principais protagonistas.
Foto - colecção da família Lehrfeld
Bibliografia - Diário de Lisboa / Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Vitória no Cabo

A 4 de Abril de 1937 disputou-se na chamada recta do Cabo, perto de Vila Franca de Xira, o "I Quilómetro Lançado do Cabo". O percurso com um total de 4 mil metros compreendia 2 mil metros para aceleração, mil metros para a prova e outro tanto para travar. Inscreveram-se 14 carros, 10 na categoria Sport e 4 na categoria Corrida. A vitória absoluta viria a pertencer a Francisco Ribeiro Ferreira (na foto), em Bugatti, com uma marca que viria a tornar-se novo record nacional: 203,735 km/hora. O anterior recordista, Henrique Lehrfeld, não foi autorizado a participar por não ter comparecido às verificações técnicas. O carro mais lento seria o DKW de Emídio Correia Guedes que não foi além de uns modestos 79 km/hora.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Sucesso no Trampolim do Diabo

"Trampolim do Diabo" era o nome por que era conhecido o circuito desenhado nas zonas da Gávea e Leblon, no Rio de Janeiro, com uma extensão de 11,760 metros. Traçado difícil e perigoso como se comprovaria em 1935 com a morte do piloto brasileiro Irineu Corrêa vítima de um acidente ocorrido logo na primeira volta do Grande Prémio que levou o seu carro a mergulhar nas águas turvas do canal do Leblon. O português Henrique Lehrfeld (na foto) arrancou da 37ª posição da grelha de partida mas isso não o impediu de levar o seu Bugatti T37A até ao segundo lugar da classificação geral realizando também a volta mais rápida ao circuito à média de 74,208 km/hora.


Vitória Ford no Estoril

Organizado pelas Forças Motorizadas da Legião Portuguesa realizou-se em Agosto de 1937 o II Circuito do Estoril, prova disputada num traçado com 2810 metros de extensão que era suposto ser percorrido por 30 vezes. Apenas cinco carros compareceram à partida: o Ford "Especial" de Manoel de Olviveira, os Bugatti de Jorge Monte Real e Henrique Lehrfeld, o Alfa Romeo de Benedito Lopes e o Maserati de E. K. Rayson. Na presença do Presidente da República, Óscar Carmona, e de uma grande assistência o Ford de Manoel de Oliveira viria a dominar a corrida não dando hipóteses a qualquer dos seus opositores.
Na foto do jornal O Volante vê-se à esquerda o Ford "Especial" de Manoel de Oliveira magnificamente preparado por Eduardo Ferreirinha na grelha de partida situada na Avenida Amaral junto à entrada norte do Casino. À direita o Bugatti de Jorge Monte Real.


Rallye do Algarve 1937

Com partidas de Lisboa, Beja e Faro disputou-se nos dias 20 e 21 de Fevereiro de 1937 o I Rallye ao Algarve, prova organizada pelo jornal "Sports do Algarve" com o apoio do ACP.  Depois de terem convergido para Faro no sábado os concorrentes cumpririam durante a tarde de domingo no Estádio da Senhora da Saúde as provas complementares que viriam a ditar a classificação. O vencedor absoluto foi Mateus d´Oliveira Monteiro, em Hansa 1100, que recebeu o respectivo troféu durante um baile realizado nessa mesma noite na Câmara Municipal.
Foto - Jornal "O Volante"
Bibliografia - Jornal "O Volante" e "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto



III Quilómetro de Arranque do Campo Grande

Na presença do Presidente da República, general Óscar Carmona, disputou-se a 20 de Abril de 1930 a terceira edição do Quilómetro de Arranque do Campo Grande, em Lisboa, prova que contou com a participação de 45 concorrentes divididos por duas categorias, Corrida (14) e Sport (31). Em paralelo realizou-se uma corrida de motos e, como habitualmente, um Concurso de Elegância.
 Jorge Ortigão Ramos, em Auburn, venceu em Sport e Henrique Lehrfeld (na foto) venceu na categoria Corrida com o Bugatti Grand Prix 2 Litros acabado de adquirir em França por uma pequena fortuna (160 mil francos). Segundo a imprensa da época "apesar de entrar na meta com o motor a falhar o grande corredor cumpriu 3/4 do percurso numa velocidade verdadeiramente excepcional que lhe permitiu atingir a média de 104.681 km/h".
Registe-se a presença em prova na categoria Sport de uma senhora, D. Dália Mendes Xavier, que conseguiu a respeitável média de 63,135 km/h.

Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto
Foto - arquivos da família Lehrfeld


Os "Especiais" de Henrique Lehrfeld

Nascido em 1897 Henrique Lehrfeld viria a tornar-se num dos mais bem sucedidos pilotos portugueses de automóveis na década de 30, distinguindo-se especialmente ao volante de carros de corrida de marca Bugatti. Porém, alguns dos automóveis que marcaram a sua vida privada tiveram tanta ou mais relevância que aqueles que utilizou na sua carreira desportiva. Aqui ficam dois exemplos:
- Em cima, o extraordinário carro de pedais de marca desconhecida em que um muito jovem Henrique Lehrfeld já dava claros sinais daquilo que queria fazer na vida. A fotografia será da primeira década do século XX.
- Em baixo, o casal Lehrfeld passeando por Lisboa no seu raríssimo Gardner Roadster, um carro construído em St Louis, Estados Unidos, por uma empresa com o mesmo nome que existiu apenas entre 1920 e 1931. Note-se a chapa de matrícula com a inscrição "Experiência".
Desconhece-se o paradeiro destas duas preciosidades.
Com agradecimentos a Linda Raposo de Magalhães e família Lehrfeld.



Escreve Robert Garner:

 "Hi Jose,
Thanks for the picture, it is one I have not seen before. The car is a 1930 Model 150 Gardner Sport Roadster.  Powered by the large Lycoming engine
299 CID and 126 HP.  Gardner used two different roadsters for 1930; this is the later one, and
was built between Feb and July 1930."

Bob Gardner