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Jorge Seixas

Circuito da Boavista 1953. O Ferrari 225S #0180 ED de Jorge Seixas terminaria a corrida em sexto e último lugar a sete voltas do vencedor, Nogueira Pinto, que guiava um Ferrari 250 MM. Engenheiro de profissão e residente em França o português Jorge Seixas tinha muito pouca experiência de corridas quando se apresentou no III Grande Prémio de Portugal de 1953 ao volante do Ferrari 225S propriedade do Conde da Covilhã que no ano anterior tinha sido utilizado por Casimiro de Oliveira. Andou sempre em último lugar mas o seu desempenho foi melhorando gradualmente ao longo da prova acabando por realizar a volta mais rápida entre todos os carros deste modelo.
Bibliografia - Ferrari em Portugal, de Manuel Taboada


Ferrari 340 America Vignale Berlinetta

Casimiro de Oliveira junto do seu Ferrari 340 America Vignale chassis #0082A com o qual venceu o I Grande Prémio de Portugal disputado em Junho de 1951 no circuito da Boavista. Tal como era comum na época o carro ostentava no local da chapa de matrícula o número indicativo do chassis.
No ano seguinte este Ferrari permaneceu em Portugal participando em pelo menos três corridas guiado por José Arroyo Nogueira Pinto. Em 1953 foi vendido para o exterior e nunca mais voltou.


Ferrari 250 MM

Junho de 1953. Os Ferrari 250 MM Spider Vignale de Vasco Sameiro (nº 2, #288MM) e Casimiro de Oliveira (nº 3, #0330 MM) em luta renhida durante o III Grande Prémio de Portugal disputado no circuito da Boavista. O vencedor da corrida seria José Nogueira Pinto, também em Ferrari 250 MM, ficando Casimiro de  Oliveira no segundo lugar. Vasco Sameiro não terminou.
Dos dezasseis carros à partida apenas seis terminaram a corrida, todos de marca Ferrari. A prova teve mais de três horas de duração e só o vencedor completou as 60 voltas previstas.


"Nicha" Cabral no Grande Prémio de Portugal 1960

Imagens de David Phillips que documentam a participação de Mário "Nicha" Araújo Cabral no Grande Prémio de Portugal de 1960 que teve lugar no Circuito da Boavista, no Porto. Em cima o piloto português em plena prova ao volante do Cooper-Maserati T51 da Scuderia Centro Sud e em baixo a ser perseguido pelo Cooper Climax T51 de Olivier Gendebien. Ainda pouco à vontade junto das grandes estrelas da Fórmula 1 "Nicha" Cabral realizou o 15º e último tempo nos treinos de qualificação e abandonou a corrida à 38º volta devido a acidente. Jack Brabham, em Cooper Climax, seria o vencedor.



Maria Teresa de Filippis, 1927 - 2016

Foi uma das primeiras mulheres a correr em Fórmula 1 e seguramente a primeira nessa condição a surgir nos circuitos portugueses. Participou no Grande Prémio de Portugal de 1958 disputado no circuito da Boavista e nesse mesmo ano correu também em Vila Real. Maria Teresa de Filippis ficou desde então no coração dos portugueses que por ela nutriam uma admiração muito especial. O vídeo que aqui juntamos, realizado pouco antes do seu desaparecimento, é bem uma lição de vida sobre a qual vale a pena reflectir.




                                      Maria Teresa de Filippis ao volante do seu Maserati 250F durante o Grande Prémio de Portugal de 1958







Memórias da Boavista 1960

Em 1960 será a vez do Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1 ser disputado no circuito da Boavista, no Porto, tendo Jack Brabham sido o vencedor da corrida ao volante do seu Cooper Climax. A sequência de imagens da autoria de George Philips ilustra bem aquilo que eram "Os Heróis" da Fórmula 1 no início dos anos sessenta.
De cima para baixo, da esquerda para a direita:
- A equipa de emergência na Avenida da Boavista, o Ferrari 246 de Phil Hill a deslizar sobre os carris dos eléctricos, a Volta de Honra de Jack Brabham  no Rolls Royce da organização, o embarque no voo de regresso a Londres com Stirling Moss, Graham Hill, Bruce Mc Laren e Innes Ireland bem visíveis, o jogo de cartas em voo de Roy Salvadori e Carrol Shelby e finalmente Stirling Moss a fingir que pilotava o Handley Page Hermes IV da Britavia







Grande Prémio de Portugal 1958

Debaixo de um céu cinzento e ameaçador disputou-se a 24 de Agosto de 1958 no circuito da Boavista  o Grande Prémio de Portugal, prova para carros de Fórmula 1 que consistia em 50 voltas a um traçado com cerca de 7,4 km de extensão. Stirling Moss levaria o Vanwall nº 2 à vitória mas começavam a surgir sinais de mudança com o aparecimento dos primeiros carros com motor traseiro, os pequenos  Cooper Climax neste caso. 
Causou sensação a presença de uma senhora, Maria Teresa de Filippis, entre os inscritos. Porém o Maserati 250F com o nº 30 acabaria por abandonar com avaria no motor. Também Graham Hill não foi feliz, tendo perdido o controle do seu Lotus 16 e galgado os fardos de palha no início da avenida da Boavista.
Na imagem a cores (uma raridade) podem ver-se os Vanwall de Stirling Moss e Lewis Evans em plena avenida da Boavista e um grupo de espectadores em ambiente festivo, como era habitual nas corridas de automóveis disputadas no Porto.





Os "Híbridos"

O ano de 1954 foi pródigo em novidades no que respeita à criatividade dos construtores e mecânicos portugueses sendo os FAP, Olda, Alba, DM e Etnerap alguns bons exemplos de carros de corrida produzidos no nosso país com recurso a componentes de marcas já estabelecidas como a FIAT, por exemplo. Mas um dos casos mais curiosos terá sido o dos Denzel que surgiram no Grande Prémio do Porto na categoria S1500 equipados com motores Porsche 1500 e que seriam conduzidos por Ernesto Martorell, Filipe Nogueira e Fernando Stock. Sendo todos eles “clientes” de Jaime Rodrigues admite-se que tenha partido do conhecido mecânico de Lisboa a ideia de instalar motores Porsche nos pequenos carros austríacos. O que é certo é que Ernesto Martorell ganhou a corrida e que o dito Jaime Rodrigues “mexeu” na mecânica do carro, tal como faria na corrida seguinte disputada em Monsanto em que pela primeira vez foram instalados carburadores Weber no motor Porsche de um Denzel, neste caso no carro de Ernesto Martorell, que voltou a vencer.

















Na corrida de Monsanto iria surgir também o Etnerap de António Augusto Parente  que não era mais que um chassis Porsche 356 equipado com um motor Fiat instalado ... na frente (!).
Em Angola ficou conhecido o Porsche 356 1500 de Ahrens de Novais que depois de um período de relativa obscuridade renasceu com uma carroçaria "à la 935" de eficácia duvidosa mas que causaria alguma sensação.

Nas imagens de cima o Denzel-Porsche de Fernando Stock no circuito da Boavista 1954. Com agradecimentos a José Stock.

À direita, o Etnerap / Porsche / Fiat tal como se apresentou em Monsanto. Tratava-se basicamente de um Porsche 356 em que a dianteira foi profundamente modificada para acomodar o motor Fiat. O carro abandonou à oitava volta com a alavanca de velocidades partida.


Boavista 1955

 Circuito da Boavista 1955 - III  Taça Cidade do Porto
Alinharam à partida quatro Porsche 550 Spyder :
1 - Filipe Nogueira                    chassis  039
2 - D Fernando Mascarenhas            "    038
9 - Wolfgang Seidel                           "   015
10 - Ernest Lautenschlager                 "  033

Nos treinos Filipe Nogueira  obteve o melhor tempo, logo seguido de Mascarenhas, Lautenschlager e Seidel, sendo de referir o espectacular acidente de  que foi protagonista Lautenschlager que capotou o Porsche nº 10 felizmente sem consequências para o piloto e carro, que acabaram por alinhar para a corrida.
Dada a partida foi Lautenschlager o mais rápido tendo comandado durante a primeira volta, sendo então ultrapassado por Filipe Nogueira e Mascarenhas, até que à nona volta o Marquês de Fronteira foi forçado a entrar na boxe com um problema na caixa de velocidades para retomar a corrida duas voltas mais tarde, o que o impediu de ir além do sexto lugar na tabela final. Filipe Nogueira foi o vencedor com uma vantagem de minuto e meio sobre o segundo classificado.
Texto e fotografia - Luis Sousa

Yvonne Simon

Causou a maior sensação no Circuito do Porto de 1951 o facto de entre os participantes constar o nome de uma senhora ao volante de um Ferrari 166 MM Berlinetta Touring. Tratava-se de Yvonne Simon, um nome desconhecido em Portugal mas que já se afirmara no desporto automóvel europeu nomeadamente através de um vitória na Coupe des Dames do Rallye de Monte Carlo 1939. Viria ainda a participar por duas vezes nas 24 horas de Le Mans (1950/51) e seria a vencedora absoluta do Circuito de Nice de 1951, sempre com o Ferrari 166. No Circuito do Porto a "madame" Simon, como por cá era conhecida, conquistou a vitória na II Classe e terminou num muito respeitável 4º lugar absoluto. Felice Bonetto, em Alfa Romeo, seria o vencedor.
No momento da partida podem ver-se Carini (Osca nº 11), Wisdom (Jaguar nº 3) e Casimiro de Oliveira (Allard nº 19) na primeira fila, seguidos pelo Allard de José Cabral (nº 18) e Jaguar XK120 de Aquiles de Brito, vindo depois o BMW nº 7 de Nunes dos Santos e o Ferrari 166 nº 2 de Yvonne Simon.
Fotos - Centro de Documentação do ACP

II Circuito da Boavista

Num percurso desenhado na avenida com o mesmo nome, disputou-se em 1932 no Porto aquele que viria a ser designado por II Circuito da Boavista. A prova  consistia em percorrer durante 90 minutos  um traçado que consistia em duas rectas paralelas ligadas por curvas de 180 graus para a esquerda no final de cada uma, tudo isto em piso asfaltado. O carro que desse o maior número de voltas seria o vencedor. Nas imagens podem ver-se o Bugatti de Marques da Fonseca e o Opel de D. Palmira Coelho que assim marcou a primeira vez em que uma senhora disputou uma prova de velocidade em Portugal.
Fotos -  Centro de Documentação do ACP


II Circuito da Boavista

Em 1932 disputou-se O II Circuito da Boavista, prova que se desenrolava num percurso muito simples que consistia em subir a avenida da Boavista por uma das faixas e depois descer a mesma avenida pela faixa contrária. Obviamente, no final da cada uma das duas rectas existia uma curva de 180 graus que permitia a inversão de sentido. Cada volta tinha cerca de 4,000 metros de extensão e as velocidades eram, naturalmente, bastante elevadas para a época. 
Na imagem da partida da corrida de Sport pode ver-se à esquerda o Invicta de Vasco Sameiro, futuro vencedor e o Chrysler de Mário Ferreira, que terminaria em quarto lugar. Nesta prova participou pela primeira vez uma senhora, D. Palmira Coelho, muito aplaudida e estimulada pelos cerca de 12,000 espectadores presentes.
Fotos - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Circuito da Boavista", de António Menéres e José Barros Rodrigues



Ferrari 246 na Boavista

Phill Hill e o seu Ferrari D246 não terminariam o Grande Prémio de Portugal de 1960 em consequência de um acidente ocorrido à 29ª volta. Os Ferrari D246 não se deram bem com o traçado do circuito da Boavista como o comprova o facto de terem obtido apenas o nono (Von Trips) e décimo (Hill) lugares nos treinos de qualificação.
Note-se o fardo de palha a "proteger" o marco de correio.
Foto - The Cahier Archives


Porto 1958 - Uma História de Cavalheiros

Em 1958 disputou-se no Circuito da Boavista o VII Grande Prémio de Portugal, prova que seria ganha por Stirling Moss, em Vanwall. Porém o grande protagonista daquele fim de semana viria a ser Mike Hawthorn, piloto da Ferrari  e seu grande rival.
Depois de se bater duramente com Stirling Moss nas primeiras voltas da corrida, o "piloto do laço" (nome por que era conhecido Hawthorn) veio às boxes com problemas de travões e perdeu tempo para o primeiro classificado. Viria a recuperar o segundo lugar e a conquistar os seis pontos da praxe no final, mas acabaria por ser alvo de um protesto algo caricato. Foi acusado de ter percorrido alguns metros em sentido contrário ao da corrida quando veio às boxes, circunstância que ditaria a sua desclassificação e a perda dos seis pontos. Porém, seria o próprio vencedor da corrida, Stirling Moss, que no final declarou que a manobra fora executada fora do asfalto e que portanto a punição não faria sentido. Os comissários desportivos aceitaram a explicação de Moss pelo que Hawthorn acabou por ficar com o segundo lugar e respectivos pontos.
No final da época Hawthorn sagrou-se Campeão do Mundo com um ponto de vantagem sobre Stirling Moss, o grande campeão que nunca o foi. Mas ficou mais este gesto de grande nobreza.
Em baixo, Hawthorn e Moss em plena luta na avenida da Boavista (esq) e Hawthorn a caminho do seu  Ferrari (dir) ostentando o laço que usava mesmo em corrida.
Fotos - The Cahier Archives





Grande Prémio de Portugal 1958

Imagens inéditas do Grande Prémio de Portugal de 1958 disputado no circuito da Boavista. Stirling Moss foi o vencedor.



Jack Brabham

Recentemente falecido, Jack Brabham foi o único piloto da história do automobilismo a conquistar um campeonato do mundo de Fórmula 1 ao volante de um carro construído por si próprio e com o seu nome. Na imagem podemos vê-lo no Cooper Climax T-53 com o nº 2 à partida do Grande Prémio de Portugal de 1960, de que seria  vencedor, seguido pelo BRM nº 24 de Dan Gurney. Nesta prova participou também "Nicha" Cabral, ao volante de um Cooper Maserati, que viria a abandonar devido a um acidente.



A Última Corrida

Vasco Sameiro 
A ultima corrida

Vasco Santiago Sameiro  foi o primeiro piloto português  a merecer o epíteto de "Herói", uma vez que corria por prazer e para gáudio dos seus inúmeros admiradores. Foi também o primeiro a ter uma carreira verdadeiramente internacional, disputando corridas ao logo de vinte e seis anos sempre que os seus afazeres profissionais o permitiam .
Pilotou carros como o Ford, Invicta, Alfa Romeo e  Maserati, estes últimos antes da II Guerra quando era o único embaixador do automobilismo português no estrangeiro. No período pós guerra Sameiro usou  exclusivamente carros da marca Ferrari com maior ou menor sucesso, sendo que na esmagadora maioria das vezes não era por sua culpa que os carros davam problemas.
No V Grande Premio de Portugal, disputado na Boavista em junho de 1955, o volante nortenho estreou um novo Ferrari 750 Monza, a última palavra de Maranello na altura. Este chassis, numerado 0576M, teve o primeiro contacto com o piloto na ante véspera do GP, momento em que o carro começou a carburar mal e a criar dificuldades a Vasco Sameiro. Diagnosticado o problema numa verdadeira  corrida contra o tempo, chegaram por via aérea as velas necessárias ao bom funcionamento do motor. Nos treinos os tempos por volta foram baixando regularmente, mas ainda assim longe do inacessível Maserati 300S de Jean Behra, que tinha chassis e motor superiores ao carro que Maranello oferecia. Sameiro na primeira vez que guiou a Monza fez um tempo que lhe dava um lugar na primeira fila ao lado de Behra e Casimiro de Oliveira, que tripulava um novo Monza encomendado para substituir o carro acidentado em Dakar, mas ao qual foi atribuído o mesmo numero de chassis. Porém, Vasco Sameiro estava ainda 0,02 décimas de segundo mais lento que Casimiro e decidiu continuar em pista para tentar melhorar esse tempo. Mas o Destino tinha outros planos e o corajoso piloto nortenho acabou por sofrer uma violenta saída de pista que deixou o # 0576M  partido em dois e lhe provocou sérios ferimentos que o deixaram imobilizado durante meses. Mais tarde, numa entrevista concedida a um semanário em 1988, Vasco Sameiro contou que nunca percebeu as razões do acidente, uma vez que o carro saiu da trajectória sem qualquer motivo e simplesmente "disparou" noutro sentido . Depois disto Vasco Sameiro, então com 52 anos de idade, decidiu retirar-se do automobilismo, saindo de cena um verdadeiro Herói destemido e corajoso mas que, apesar de tudo,  acabou por ter melhor sorte que outros colegas que também guiaram Monzas tais como Ascari, Castelloti, Mc Fee, Warthon, Picard e Casimiro de Oliveira.
Texto e fotos de Luis Sousa


O Ferrari 750 Monza #0572M

Em 1956 José Arroyo Nogueira Pinto participou no Circuito do Porto ao volante de um Ferrari 750 Monza Scaglietti Spyder com o chassis #0572M. A corrida não correu muito bem e Nogueira Pinto terminou em décimo e último lugar a seis voltas do vencedor, o Ferrari 857 do Marquês de Portago.
Porém, este mesmo piloto, conduzindo este mesmo carro, venceu no ano anterior o Grande Prémio de Tanger e o Circuito de Vila do Conde, as únicas vitórias absolutas deste chassis.
O Ferrari # 0572M reapareceu mais de cinquenta anos depois no estado que a imagem de baixo documenta: simplesmente magnífico. Uma pena não ter continuado em Portugal.



Um Denzel em 1954

Em 1954 Filipe Nogueira (visto aqui no III Rallye de Aveiro) utilizaria o Denzel FH-20-49 em várias provas com resultados meritórios. O carro preparado por Jaime Rodrigues conquistaria o 2º lugar no Circuito da Boavista e uma posição idêntica no Circuito Internacional de Tanger desse mesmo ano. José Arroyo Nogueira Pinto, em Ferrari 250 MM Spyder Vignale seria o vencedor.
Foto - Luis Sousa




De "pernas para o ar"

Curiosa forma de John Cooper celebrar a vitória de Jack Brabham em Cooper-Climax no Grande Prémio de Portugal de 1960 disputado no Circuito da Boavista, no Porto. O português "Nicha" Cabral também participou nesta corrida mas acabou por abandonar devido a acidente.
Colaboração de Luis Sousa



                                         Jack Brabham, em Cooper-Climax, a caminho da vitória.