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"Os Heróis" de 1935

Não eram muitos os portugueses que em 1935 participavam nas poucas corridas de automóveis que o Automóvel Clube de Portugal organizava nas improvisadas pistas do país. Conheciam-se todos e formavam como que um grupo de amigos. O Circuito do Estoril era sem dúvida a prova mais importante do calendário e a que mais concorrentes atraía como se constata por esta imagem relativa à cerimónia de entrega dos prémios realizada na noite de 20 de Outubro no Casino. O vencedor, Francisco Ribeiro Ferreira, recebeu a maior taça e dez mil escudos em dinheiro. António Guedes Herédia realizou a volta mais rápida.
Os protagonistas, da esquerda para a direita:
António Guedes Herédia (Railton), Manuel José Soares Mendes (Alfa Romeo), Jorge Monte Real (Bugatti), Francisco Ribeiro Ferreira (Bugatti), Manuel Nunes dos Santos (Adler), Henrique Lehrfeld (Bugatti) e um concorrente não identificado.
Foto da família Lehrfeld


Duelo no Estoril

Em 1935 disputou-se na zona envolvente do Casino aquele que viria a ficar conhecido como o I Circuito do Estoril, prova organizada pelo ACP. Não é inteiramente verdade porque dez anos antes (1925) já ali se tinha disputado uma corrida mas foi esta a designação que perdurou. Nove concorrentes alinharam à partida para esta competição que consistia em realizar 60 voltas a um traçado que tinha pouco mais de três quilómetros de extensão. Eram eles: Henrique Lehrfeld, Francisco Ribeiro Ferreira, Jorge Monte Real e Almeida Araújo, todos em Bugatti, Nunes dos Santos em Adler, Manuel Soares Mendes em Alfa Romeo, José Alves da Silva em Adler e António Guedes de Herédia em Railton.
Dada a partida assistiu-se a um épico duelo entre os Bugattis de Ribeiro Ferreira, Monte Real e Lehrfeld que se alternavam frequentemente no comando até que este último sofreu um furo e teve que parar para mudar a roda afectada, operação que lhe custou três voltas de atraso. António Herédia ainda viria a intrometer-se conseguindo a volta mais rápida mas a vitória acabou por sorrir a Francisco Ribeiro Ferreira (#5). Jorge Monte Real (#8), aliás Conde de Monte Real, terminaria em segundo lugar. Tinha apenas dezanove anos de idade.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto e Jornal "O Volante" 
Centro de Documentação do ACP



Vitória no Campo Grande

A 14 de Maio de 1933 disputou-se o III Circuito do Campo Grande, em Lisboa, prova que despertou enorme interesse entre os entusiastas do automobilismo em virtude no anunciado "duelo" entre Henrique Lehrfeld e Vasco Sameiro, os grandes "volantes" da época. Inscreveram-se 15 automóveis, oito na categoria "Sport" e sete em "Corrida". A prova de "Sport" foi claramente dominada pelos Invicta dos irmãos Vasco e Roberto Sameiro, com o primeiro a sagrar-se vencedor. Tal como se esperava a corrida principal teve no Bugatti de Henrique Leherfeld e no Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Vasco Sameiro os principais protagonistas, com os dois pilotos a alternarem-se várias vezes na liderança para gáudio da enorme assistência. Lehrfeld deu tudo por tudo e ainda conseguiu a volta mais rápida (126, 920 km/h) mas a vitória acabou por sorrir a Vasco Sameiro naquela que a imprensa da época classificou como "a primeira grande e autêntica corrida de automóveis em Portugal".
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto.
Foto - Jornal "O Volante".


Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale

O Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale que aqui vemos no final da Volta à Madeira de 1961 onde foi tripulado por Abílio Correia Lobo veio para Portugal em 1959, tendo sido utilizado por "Mané" Nogueira Pinto nalgumas corridas, nomeadamente em Vila do Conde. No ano seguinte passou para as mãos de Fritz D´Orey por troca com um Ferrari que este possuía na altura. Em 1960 foi com este carro que o piloto luso brasileiro fez a viagem até Le Mans onde iria disputar as 24 Horas desse ano ao volante de um Ferrari 250 GT. Depois, durante os treinos de qualificação aconteceu o terrível acidente que o deixou em coma durante vários dias e ditaria o fim da sua carreira automobilística. Nunca mais se lembrou do Alfa Romeo.
Projectado por Franco Scaglione o Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale estava equipado com um motor de apenas 1300 cc que debitava mais de 100 cavalos de potência, um prodígio para a época.


Alta Emoção no Campo Grande

Lisboa. Às 17:45 do dia 14 de Maio de 1933 teve início a volta de preparação do III Circuito do Campo Grande após a qual foi dada a partida para a corrida mais importante do dia, a Prova Automóvel Clube de Portugal. Alinharam sete concorrentes, a saber: Henrique Lehrfeld (Bugatti), Vasco Sameiro (Alfa Romeo), Carlos Bleck (Bugatti), Alfredo Marinho Jr (Bugatti), Leopoldo Roque da Fonseca (Bugatti), Gaspar Sameiro (Invicta) e Eduardo Carvalho(Ford). A vitória seria decidida entre Henrique Lehrfeld e Vasco Sameiro que travaram uma batalha épica ao longo das vinte e oito voltas previstas deixando os demais participantes a grande distância tendo o piloto de Braga sido o primeiro a cortar a meta logo seguido por Lehrfeld, que nunca baixou os braços. No final o público entusiasmado invadiu a pista e carregou aos ombros os dois principais protagonistas.
Foto - colecção da família Lehrfeld
Bibliografia - Diário de Lisboa / Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


O Princípio

Foi o princípio de uma longa história. Em setembro de 1931 disputou-se em Vila do Conde o I Circuito do Ave, prova automobilística que iria disputar-se nas categorias "Corrida" e "Sport" num trajeto desenhado a partir da Avenida Bento de Freitas e artérias adjacentes. Roberto Sameiro venceu ambas as corridas, com especial relevo para a prova principal que dominou ao volante de um Alfa Romeo 6C 1750. Só no início dos anos 50 o circuito de Vila do Conde iria ter lugar no traçado que, com pequenas alterações, se tornou num clássico do automobilismo nacional e perdurou até aos primeiros anos do século XXI. Oficialmente encerrado em 2003 o Circuito de Vila do Conde viria a conhecer um breve "revival" em 2010 mas apenas na versão "desfile" uma vez que as intervenções urbanísticas realizadas em grande parte do traçado inviabilizaram definitivamente a realização de qualquer prova de velocidade no local.



Onde Está o meu Alfa?

Esta imagem foi obtida em Milão frente ao hotel onde Fritz d´Orey (à esquerda, de óculos) esteve hospedado antes de se dirigir a Le Mans onde iria disputar a edição das 24 Horas de 1960 ao volante de um Ferrari 250 GT SWB. O Alfa Romeo SS que então conduzia tinha pertencido anteriormente a "Mané" Nogueira Pinto e resultou de um negócio entre ambos: "Mané" Nogueira Pinto ficou com o Ferrari 250 Scaglietti de Fritz d´Orey e deu em troca o Alfa mais 3,000 dólares ao piloto luso-brasileiro.
Chegado a Le Mans o jovem Fritz arrumou o carro no parque de estacionamento do circuito e foi treinar, só que as coisas acabariam por correr extremamente mal nessa tarde: em consequência de uma manobra arriscada de outro concorrente d´Orey perdeu o controle do Ferrari e acabou por sair da pista com violência. Esteve dezoito dias em coma e passou oito meses no hospital até receber "alta" médica. Mais tarde, quando foi à procura do lindíssimo Alfa no parque de estacionamento do circuito só encontrou um lugar vazio. Até hoje.


Alfa Romeo Giulietta Sprint em Le Mans 1960


A misteriosa Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale portuguesa em Le Mans - 1960
Os Alfa Romeo Giulietta Sprint, apresentados no Salão automóvel de Turim, em 1954 , desde sempre, fizeram-se notar. Quer pela  beleza e equilíbrio das suas linhas QUER PELO SEU CARACTER DE VERDADEIRO ALFA ROMEO DESPORTIVO, COM O FAMOSO " CUORE SPORTIVO " resultado  do  trabalho de equipa liderada, à época,  pelo Director da Alfa Romeo : Orazio Satta Puliga.
A sua supervisão sobre o trabalho da equipa de design da Casa Bertone, onde se destacou Franco Scaglione, e a ele se atribui o design elegante do modelo Giulietta Sprint.
Mais tarde, o mesmo Franco Scaglione, desenha um dos mais belos exemplares Alfa Romeo, pós-II Guerra mundial : O Giulietta Sprint Speciale, motorizado com o mesmo 1290cc, mas a debitar, no fim dos anos 50, os fabulosos mais de 100cv !
Nesta tão interessante quão enigmática fotografia, datada de 1960, algures no Paddock de Le Mans, ficou registada este Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale com matrícula portuguesa, e se dúvidas houvessem em relação à sua proveniência - Holandesa , no caso, pelas matrículas na época muito semelhantes - O dístico oval, com o " P " dissipavam-nas por completo.
Mas as questões surgem na mesma, em relação à sua propriedade:
Quem a conduziu até Le Mans ?
Quem era o seu proprietário ?
Terá ido a Le Mans, acompanhar ou apoiar alguém ?
Teria sido uma Giulietta SS vendida, na época,  para a França,  e ainda mantinha a matrícula portuguesa ?
Se alguém conhecer a sua história...
Esta interessante foto, publicada originalmente numa revista que possuo, com os créditos fotográficos à Francesa " Ferret Foto " .



O mesmo carro (nº 11) à partida para o circuito de Vila do Conde 1959 tripulado por "Mané" Nogueira Pinto.


Os Alfa Romeo na Ilha da Madeira - De Milão à Madeira , 1ª parte



" O herói do volante " madeirense : O Alfista " piloto " Cunha.

António Luis da Cunha Teixeira, mais  conhecido pelo " petit nom " :  o " piloto " Cunha . Alcunha esta, pelo facto de ser " piloto" do Porto do Funchal, onde controlava o movimento de Navios que atravessavam o Atlântico, efectuando escala na Cidade do Funchal, capital da Ilha da Madeira ( Portugal ). 
 É,  desde sempre , um entusiasta do desporto automóvel e, que logo em 1959 participa na " I Volta a Ilha da Madeira em automóvel ". Ano em que participam vários Alfa Romeo Giulietta de pilotos continentais, facto, que será importante nesta história alfista madeirense.
Será nesse ano de 1959, e por influência dessa autêntica armada Alfa Romeo, vinda desde Lisboa, para participar na prova , que verifica o excelente comportamento nas dificílimas estradas de " paralelo " de basalto ilhéu e a performance daquelas pequenas jóias da mecânica, vindas desde a fábrica Alfa Romeo de Portello, em Milão.  Que e o " Piloto " Cunha decide adquirir um Alfa Romeo Giulietta Ti , com a qual participa na 2a volta a Ilha da Madeira, em 1960.
Das 3 imagens que envio, além da imagem alusiva à " 2a Volta a Ilha da Madeira em automóvel " , adiciono mais duas fotos da época,   do Alfa Romeo Giulietta Ti berlina  utilizado pelo " piloto " Cunha nas provas de 1960 e 1961.

Na primeira, composta de 4 imagens, onde podemos ver o Alfa Romeo Giulietta do " Piloto Cunha na 2a  Volta à Ilha " da Madeira  - Note-se que a Giulietta, ainda apresentava a matrícula de registo em Lisboa. Mais tarde passa a ter o registo na Madeira, como " MD - 38-13 " . Esta prova foi organizada pelo " Clube Sports Madeira " e decorreu no dia 19 de Julho de 1960.
Com este registo madeirense, a mesma Giulietta TI ( 2a foto ) , à qual foram adicionados 2 " faróis de nevoeiro "    durante  a sua participação,  em 1961, na " PARTIDA " situada na Avenida Arriaga, na Cidade do Funchal para a " 3a Volta à Ilha da Madeira ".
( legendas as fotos )
Foto 1 - #19 - Alfa Romeo Giulietta TI - 1960 - II Volta à Ilha da Madeira
Luís Cunha Teixeira
Foto 2 - #16 - Alfa Romeo Giulietta TI - 1961 - " III Volta a Ilha da Madeira "

Texto e fotos de Marco Pestana






Onde está o condutor?

Integrado no I Rallye Ibérico de 1956 disputou-se no Estoril uma prova de regularidade / velocidade que viria a ser decisiva para a classificação final. O traçado com cerca de 3000 metros de extensão reproduzia o percurso dos circuitos do Estoril dos anos 30 que viram os Bugattis de Henrique Lehrfeld, Conde de Monte Real, Ribeiro Ferreira e outros travarem épicas batalhas. 
Os concorrentes de 1956 também andavam nos limites, como o comprova a imagem junto. Nela vemos o Alfa Romeo 1900 Cabrio de Ângelo Moreno a sofrer um pequeno despiste e a embater nos sacos de areia que delimitavam o circuito. A colisão aconteceu há instantes, como o atesta a pequena nuvem de areia, mas o condutor parece ter desaparecido. Terá sido projectado para o lugar da direita? Em qualquer caso a penalização terá sido severa uma vez que este concorrente terminaria o rallye no 54º lugar da classificação geral. Concluíram a prova 62 das 85 equipas que se apresentaram à partida.
Foto - Centro de Documentação do ACP


Vila do Conde "tipo" Le Mans

A 20 de Setembro de 1959 disputou-se o V Circuito de Vila do Conde, prova organizada pelo Automóvel Clube de Portugal e que contou com o apoio das secções de motorismo do Estrela e Vigorosa Sport, Futebol Clube do Porto,  Sport Clube do Porto,  Académico Clube de Portugal e do Clube Nacional de Montanhismo. Milhares de pessoas assistiram às corridas disputadas num traçado com 2,950 metros de extensão, estando em jogo um total de 50 contos (250 euros) em prémios para dividir pelos concorrentes.
Dada a partida o Mercedes 300 SL de Horácio Macedo começa a distanciar-se e virá a vencer a corrida principal. Os Alfa Romeo de "Mané" Nogueira Pinto e Francisco Marques Pinto vão logo a seguir, sendo visível também o Porsche 356 de José Valentim dos Santos. Louve-se a coragem do fotógrafo "plantado" a menos de dois metros da faixa de rodagem.
O autor do blogue estava entre a multidão que se vê em fundo.
Foto - Centro de Documentação do ACP


Almeida Araújo

Últimas imagens da série dedicada a José Almeida Araújo e à sua participação nos Grandes Prémios do Rio de Janeiro de 1935 e 1937.
Como era norma na altura, o Alfa Romeo 8C Monza ostentava orgulhosamente as cores portuguesas, vermelho em cima e uma faixa branca em baixo. Repare-se também no emblema do Automóvel Clube de Portugal gravado no fato de competição do piloto português.



Alfa contra Alfa

Durante o Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1937 o Alfa Romeo 8C 2300 Monza de José Almeida Araújo (na frente) revelou-se uma presa relativamente fácil para os mais modernos e potentes Alfas 35C (a seguir) equipados com o motor oito cilindros de 3,800 cc que debitavam uns impressionantes 330 cavalos de potência às 5,500 rpm.
Esta imagem foi obtida naquela que é hoje a Avenida Niemeyer, perto do acesso à "Favela do Vidigal", que então ainda não existia. Repare-se no impressionante número de espectadores espalhados sem qualquer segurança pelos mais de onze quilómetros do circuito.
Foto - Arquivo família Almeida Araújo


Outros Tempos

Tal era a importância que as corridas de automóveis tinham no Brasil dos anos 30 que os "corredores", como se dizia na altura, tinham direito a recepção especial pelo Chefe de Estado. A imagem mostra os concorrentes portugueses fotografados junto do Presidente Getúlio Vargas, o único de fato escuro, nas vésperas do Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1936. Os portugueses Henrique Lehrfeld (à frente, segundo a contar da esquerda) e Almeida Araújo ("espreitando" por cima do ombro esquerdo do Presidente) tiveram pouca sorte nesta prova: o Bugatti T37 de Lehrfeld esteve envolvido num acidente durante a corrida e o carro idêntico de Almeida Araújo não chegou ao Rio a tempo de participar. Note-se também a presença da concorrente francesa Hellé Nice, entre Lehrfeld e Getúlio Vargas, que se apresentou no palácio presidencial totalmente equipada para correr. 
Semanas depois, durante uma corrida em S. Paulo, Hellé Nice viria a sofrer um acidente trágico ainda que algo caricato que a afastou definitivamente das provas de Grande Prémio. Quando seguia em segundo lugar já perto do final da corrida,  um fardo de palha foi projectado para a pista por outro concorrente e foi embater na frente do  Alfa Romeo Monza da francesa, provocando o seu despiste. Quatro pessoas morreram, entre elas um soldado que recebeu nos braços o corpo de Hellé Nice "cuspido" do carro pela violência do embate. Embora tenha sobrevivido ao acidente, devendo a vida ao infeliz soldado que lhe amorteceu a queda, esta mulher invulgar saída dos "loucos" anos 30 que marcaram a Europa e os Estados Unidos nunca mais seria a mesma. Abandonada e esquecida pela mesma sociedade que a idolatrou durante a sua juventude, viria a morrer na mais profunda miséria aos 84 anos de idade.
Getúlio Vargas também teria um final trágico: suicidou-se em 1951 com um tiro no coração quando decorria o seu segundo mandato como Presidente do Brasil.

Foto - arquivo da família Almeida Araújo.


                                                   Hellé Nice e o seu Monza numa prova disputada em 1935

Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Almeida Araújo

José Almeida Araújo tripulou no Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1937, também conhecido por Circuito da Gávea, um Alfa Romeo 8C 2300 Monza que pertencera anteriormente ao piloto português   Manuel José Soares Mendes, o qual por sua vez o tinha adquirido em França ao grande campeão Jean Pierre Wimille. 
Produzido em 1931, o Alfa Romeo 8C Monza de José Almeida Araújo era já um carro  gasto e cansado quando participou no Circuito da Gávea de 1937. Apesar disso terminou a prova num honroso décimo lugar.
Reparem no "empedrado" do piso e nos carris dos eléctricos que se encontravam na zona da meta. Como se isto não bastasse a chuva caiu com grande intensidade durante a corrida.
Fotos - Arquivo da família Almeida Araújo e Centro de Documentação do ACP



O Alfa Romeo 8C 2300 Monza, adquirido em 1935, pelo piloto português Manuel José Soares Mendes - a par do fabuloso e mais potente Alfa Romeo de Vasco Sameiro - foi um dos mais extraordinários Alfa Romeo, históricos, que passaram pelo nosso Portugal.
Embora, desde logo, Soares Mendes tenha demonstrado que a " afinação " que tinha para aquele " fado" , era afinal, para outro tipo de guitarra, a do " fado de Coimbra"...Ao ponto, de solicitar ao grande Vasco Sameiro para que o pudesse " testar " - como refere o autor José Barros Rodrigues - Atestando a Soares Mendes, que as vibrações em andamento, das quais se queixava, afinal, seriam normais.
Apesar de " algo cansado " , quando da sua compra, o Alfa Romeo não terá sido pilotado ao máximo das suas capacidades pelo seu 1o proprietário no nosso país. Nos vários circuitos e rampa em que participou, obtendo classificações aquém do potencial da sua macchina milanesa.
Acabando por vender ao piloto Almeida Araújo.
Lindas imagens de um belíssimo Alfa Romeo 8C 2300 Monza. Um dos modelos de competição de maior sucesso da marca lombarda, fundada por Ugo Stella em 24 de Junho de 1910.
À sua época seriam imbatíveis, nas provas de estrada e nas pistas das principais provas mundiais. Desde a pista de Monza - onde pela 1a vez ganhou e por esse facto, ganhou a alcunha homónima - à de Brooklands, na Inglaterra, aos principais circuitos dos anos 30, até claro está, ao Circuito da Gavea - alcunhado de " Trampolim do Diabo " , no Rio de Janeiro ! Pela exigência na condução, dadas as suas características de percurso e tipos diferentes de piso - a par da chuva intensa, como ocorreu neste ano de 1937 - onde este modelo da Alfa Romeo tem larga tradição, pela contínua participação desde o seu início, com pilotos forasteiros, e mais tarde locais - como o Benedicto Lopes .
Algo semelhante ocorre neste ano de 1937, com a venda - logo após a sua participação - deste fantástico Alfa Romeo 8C 2300 Monza " português " com pergaminhos nas competições ao longo da sua história, a um piloto brasileiro, por parte do piloto Almeida Araújo, o seu último proprietário luso.
Todavia, marcado para sempre, pela sua passagem pelo nosso país, graças à ousadia na sua compra e persistência do volante nacional : Manuel Soares Mendes ! 
Ele e Almeida Araújo, sem dúvida, são dois dos nossos " Heróis do volante " merecedores de menção neste Blog.
Viva a Alfa Romeo.
Marco Pestana

Foto - Soares Mendes em Vila Real 1936 (Centro de documentação do ACP)

Vasco Sameiro e Almeida Araújo no V Circuito da Gávea

A 6 de Junho de 1937 disputou-se no Rio de Janeiro, Brasil o V Circuito da Gávea, prova que contou com a presença do Presidente Getúlio Vargas e atraiu mais de 300 mil espectadores. Os portugueses Vasco Sameiro e José Almeida Araújo encontravam-se entre os vinte e sete concorrentes, tendo ambos terminado a corrida, Sameiro em 4º lugar e Araújo em 10º. Hans Stuck, em Auto Union, era o grande favorito, mas seria o Alfa Romeo de Carlos Pintacuda a cortar a meta em primeiro lugar.


Partida para o V Circuito da Gávea. Na frente estão o Auto Union de Hans Stuck (nº4) e os Alfa Romeo de Antonio Brivio, Carlos Pintacuda (futuro vencedor) e Carlo Arzani. Na segunda fila está o Alfa Romeo de Vasco Sameiro, com o nº 38 (segundo a contar da esquerda).


Vasco Sameiro (nº 38) prepara-se para ultrapassar um concorrente atrasado na parte do percurso que é hoje a avenida Niemeyer.

Mais duas belas fotos históricas, testemunhando a presença dos heróis do volante lusos, uma vez mais, por terras de Vera Cruz, e de Alfa Romeo...
Desta participação - e tentando colocar a minha assolapada paixão alfistade parte - desde logo destaco a fabulosa classificação do nosso piloto Vasco SAMEIRO, provando uma vez mais o grande piloto que era, e nesra prova em concreto, com maior destaque ainda, dadas as condições péssimas de tempo, que " à força de braços " mantinham as suas máquinas incólumes...
Mas também pelo facto do seu Alfa Romeo 8C segundo consta já com motor 2600, era nesta época , já uma máquina de 2a linha, em relação aos Alfa Romeo da Scuderia Ferrari, em especial o mais actual em prova, o Alfa Romeo 8C-36 apresentado pelo piloto Brivio. 
Mesmo o Alfa Romeo de Pintacuda, era a versão anterior ao de Brivio, o Alfa Romeo 8C-35, que seria o vencedor, muito provavelmente, dadas as condições de tempo, pelo seu maior conhecimento e experiência nesta prova rainha brasileira. 
A classificação de Vasco Sameiro foi excepcional face ao Alfa Romeo que dispunha, para enfrentar a armada da Scuderia Ferrari e o Argentino Pintacuda...
O Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Almeida Araújo, era da 1a geração destas belas macchina vindas da Lombardia, mas em 1937, não tinha argumentos para ficar melhor classificado. Mesmo o Alfa Romeo de Sameiro era semelhante, mas dispunha de motor mais potente, visto ser um ex-Scuderia Ferrari...
Pelo tempo chuvoso, julgo que os mais potentes à partida, e pelas más condições de aderência, perderam desde logo essa vantagem teórica, pois o problema maior, seria precisamente colocar esses mesmo cv na estrada...
Mas, são de uma beleza indiscutível, sempre, estes Alfa Romeo desta fabulosa época !
E com grande tradição no Circuito da Gavea, pois desde o início dos anos 30, vários pilotos competiram desde logo com os Alfa Romeo 8C 2300 Monza. Destaco desde logo, a sempre enigmática piloto francesa Helle-Nice, com o seu Alfa Romeo azul, com um qual foi protagonista de um dos maiores acidentes ocorridos no Circuito da Gavea...
Mais tarde vendido a um jovem piloto brasileiro, que procede ao seu restauro, e anos mais tarde com ele corre em Portugal…

Marco Pestana

II Mannin Moar Grand Prix

A 2 de Junho de 1934 disputou-se na  cidade de Douglas, Ilha de Man, o II Mannin Moar Grand Prix, uma prova que compreendia um total de 50 voltas a um circuito com cerca de seis quilómetros de extensão .
Vasco Sameiro, com o Alfa Romeo 8C 2.3 Monza nº 12, obteve o terceiro tempo nos treinos e partiu para a corrida cheio de confiança. E o caso não era para menos. À 10ª volta Sameiro seguia em   4º lugar, para ser 3º na 20ª volta e 2º na 30ª. Abandonaria após a 40ª volta por avaria mecânica, depois de ter feito uma corrida absolutamente fantástica.
Na imagem vemos o Alfa Monza de Vasco Sameiro a ser perseguido pelo Bugatti T51 de Lindsay Eccles e pelo Alfa Monza de Charlie Dodson. Brian Lewis, com um Alfa Romeo tipo B "Monoposto" alugado à Scuderia Ferrari, seria o vencedor
Com agradecimentos a José Mota Freitas




IV Grande Premio Penya Rhin 1933

A 25 de Junho de 1933 disputou-se num circuito traçado perto do parque de Montjuic, Barcelona, o IV Grande Premio de Penya Rhin. Vasco Sameiro (nº 18), em Alfa Romeo 8C-2300, era o único português presente e acabaria por conquistar um brilhante segundo lugar na classificação final, logo após Juan Zanelli, que tripulava um carro idêntico.
Mas a grande figura da tarde seria, como se esperava, o grande Tazio Nuvolari. No momento em que comandava tranquilamente a corrida o seu Alfa Romeo 8C-2300 começou a falhar, obrigando o piloto italiano a parar na zona de meta para afinar o carburador. Ao fim de onze minutos e cinco voltas perdidas Nuvolari voltou à pista, tendo dado um verdadeiro espectáculo de pilotagem em que bateu várias vezes o record da volta mais rápida. terminou em quinto lugar, após ter recuperado três das cinco voltas que perdeu por causa da avaria.
Fotografia de Luis Sousa

 Eis a grelha de partida para o Grande Premio de  Penya Rhin de 1933
Pole Position
2
Tort

Nacional P.
4
Lehoux

Bugatti
6
Wimille

Alfa Romeo
8
Nuvolari

Alfa Romeo
10
Palacio

Bugatti
12
Texidor

Bugatti
16
Zanelli

Alfa Romeo
18
Sameiro

Bugatti
20
"Vega"

Bugatti
24
de Morawitz

Bugatti
38
Stahel

Bugatti
30
Angli

Bugatti
32
Dourel

Amilcar

Estoril 1935

A 20 de Outubro de 1935 disputou-se o II Circuito do Estoril, prova que consistia num total de 20 voltas a um percurso de 3.085 metros desenhado em torno do Casino,  correspondente a uma distância de 185,1 km.
Francisco Ribeiro Ferreira, em Bugatti T51 (nº5) seria o vencedor, seguido do Bugatti 35C (nº8) de Jorge Monte Real e do Alfa Romeo 8C-2300 (nº3) de Manuel José Soares Mendes. Em quarto lugar chegou o Bugatti T35B (nº6) de Henrique Lehrfeld e em quinto o Adler (nº1) 3.0  de Manuel Nunes dos Santos. José Alves da Silva, em Adler 1.7 (nº15) seria o último a completar a corrida.
 Não se classificaram António Guedes de Herédia, em Railton (nº16), que fez a volta mais rápida, José Almeida Araújo no Bugatti T35 (nº11) e João Henriques dos Santos, em Ford (nº2).


Porto, 1950

Circuito da Boavista 1950. O Osca-Maserati de Piero Carini lidera um grupo de concorrentes, seguido pelo Jaguar XK120 de Thomas Wisdom e os Allard J2 de Casimiro de Oliveira e José Cabral, sendo também identificável o BMW 328 de Manuel Nunes dos Santos. Felice Bonetto, em Alfa Romeo 8C 2900B "Mille Miglia", já ganhou avanço e irá ser o vencedor absoluto, depois de ter viajado de Itália para Portugal ao volante desse mesmo carro.

Bibliografia - http://restosdecoleccao.blogspot.pt/ - World Sports Cars Racing Prototypes
Foto - Centro de Documentação do ACP