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Diogo Cabral

Promovido pelo Governador Civil de Lisboa realizou-se a 3 e 4 de Abril de 1932 o II Circuito do Campo Grande, prova automobilística que contava com o apoio do ACP e cuja receita revertia a favor dos pobres de Lisboa. Os concorrentes do Porto dominaram as corridas com especial destaque para Diogo Cabral, pai do consagrado piloto "Nicha" Cabral", que com o seu Bugatti venceu a categoria Sport tendo cumprido  trinta voltas durante uma hora, realizando a volta mais rápida (27ª) à considerável média de 107, 560 km/hora.


No Canal do Leblon

O Bugatti de Henrique Lehrfeld visto aqui a passar junto do canal do Leblon viria a terminar o Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1935 em segundo lugar ao fim de quatro horas de corrida sendo o piloto português considerado um dos heróis da prova. Neste mesmo local e nesta mesma corrida perdeu a vida o piloto brasileiro Ireneu Correia que após ter batido numa árvore com o seu Ford mergulhou no canal acabando por morrer afogado.
Na fotografia de baixo é possível ver o corpo de Ireneu Correia a ser projectado para dentro do canal após o seu carro ter colidido com a árvore.


"Os Heróis" de 1935

Não eram muitos os portugueses que em 1935 participavam nas poucas corridas de automóveis que o Automóvel Clube de Portugal organizava nas improvisadas pistas do país. Conheciam-se todos e formavam como que um grupo de amigos. O Circuito do Estoril era sem dúvida a prova mais importante do calendário e a que mais concorrentes atraía como se constata por esta imagem relativa à cerimónia de entrega dos prémios realizada na noite de 20 de Outubro no Casino. O vencedor, Francisco Ribeiro Ferreira, recebeu a maior taça e dez mil escudos em dinheiro. António Guedes Herédia realizou a volta mais rápida.
Os protagonistas, da esquerda para a direita:
António Guedes Herédia (Railton), Manuel José Soares Mendes (Alfa Romeo), Jorge Monte Real (Bugatti), Francisco Ribeiro Ferreira (Bugatti), Manuel Nunes dos Santos (Adler), Henrique Lehrfeld (Bugatti) e um concorrente não identificado.
Foto da família Lehrfeld


Duelo no Estoril

Em 1935 disputou-se na zona envolvente do Casino aquele que viria a ficar conhecido como o I Circuito do Estoril, prova organizada pelo ACP. Não é inteiramente verdade porque dez anos antes (1925) já ali se tinha disputado uma corrida mas foi esta a designação que perdurou. Nove concorrentes alinharam à partida para esta competição que consistia em realizar 60 voltas a um traçado que tinha pouco mais de três quilómetros de extensão. Eram eles: Henrique Lehrfeld, Francisco Ribeiro Ferreira, Jorge Monte Real e Almeida Araújo, todos em Bugatti, Nunes dos Santos em Adler, Manuel Soares Mendes em Alfa Romeo, José Alves da Silva em Adler e António Guedes de Herédia em Railton.
Dada a partida assistiu-se a um épico duelo entre os Bugattis de Ribeiro Ferreira, Monte Real e Lehrfeld que se alternavam frequentemente no comando até que este último sofreu um furo e teve que parar para mudar a roda afectada, operação que lhe custou três voltas de atraso. António Herédia ainda viria a intrometer-se conseguindo a volta mais rápida mas a vitória acabou por sorrir a Francisco Ribeiro Ferreira (#5). Jorge Monte Real (#8), aliás Conde de Monte Real, terminaria em segundo lugar. Tinha apenas dezanove anos de idade.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto e Jornal "O Volante" 
Centro de Documentação do ACP



O Valente do Carro 86

"O Valente do Carro 86". Assim se referia a imprensa do Rio de Janeiro ao talento e coragem de Henrique Lehrfeld que tendo partido com o seu Bugatti da última fila da grelha para o Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1935 conseguiu terminar a corrida em segundo lugar depois de ter batido o record da volta mais rápida por várias vezes.
Fotografia da família Lehrfeld


Vitória no Campo Grande

A 14 de Maio de 1933 disputou-se o III Circuito do Campo Grande, em Lisboa, prova que despertou enorme interesse entre os entusiastas do automobilismo em virtude no anunciado "duelo" entre Henrique Lehrfeld e Vasco Sameiro, os grandes "volantes" da época. Inscreveram-se 15 automóveis, oito na categoria "Sport" e sete em "Corrida". A prova de "Sport" foi claramente dominada pelos Invicta dos irmãos Vasco e Roberto Sameiro, com o primeiro a sagrar-se vencedor. Tal como se esperava a corrida principal teve no Bugatti de Henrique Leherfeld e no Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Vasco Sameiro os principais protagonistas, com os dois pilotos a alternarem-se várias vezes na liderança para gáudio da enorme assistência. Lehrfeld deu tudo por tudo e ainda conseguiu a volta mais rápida (126, 920 km/h) mas a vitória acabou por sorrir a Vasco Sameiro naquela que a imprensa da época classificou como "a primeira grande e autêntica corrida de automóveis em Portugal".
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto.
Foto - Jornal "O Volante".


Alta Emoção no Campo Grande

Lisboa. Às 17:45 do dia 14 de Maio de 1933 teve início a volta de preparação do III Circuito do Campo Grande após a qual foi dada a partida para a corrida mais importante do dia, a Prova Automóvel Clube de Portugal. Alinharam sete concorrentes, a saber: Henrique Lehrfeld (Bugatti), Vasco Sameiro (Alfa Romeo), Carlos Bleck (Bugatti), Alfredo Marinho Jr (Bugatti), Leopoldo Roque da Fonseca (Bugatti), Gaspar Sameiro (Invicta) e Eduardo Carvalho(Ford). A vitória seria decidida entre Henrique Lehrfeld e Vasco Sameiro que travaram uma batalha épica ao longo das vinte e oito voltas previstas deixando os demais participantes a grande distância tendo o piloto de Braga sido o primeiro a cortar a meta logo seguido por Lehrfeld, que nunca baixou os braços. No final o público entusiasmado invadiu a pista e carregou aos ombros os dois principais protagonistas.
Foto - colecção da família Lehrfeld
Bibliografia - Diário de Lisboa / Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Vitória no Cabo

A 4 de Abril de 1937 disputou-se na chamada recta do Cabo, perto de Vila Franca de Xira, o "I Quilómetro Lançado do Cabo". O percurso com um total de 4 mil metros compreendia 2 mil metros para aceleração, mil metros para a prova e outro tanto para travar. Inscreveram-se 14 carros, 10 na categoria Sport e 4 na categoria Corrida. A vitória absoluta viria a pertencer a Francisco Ribeiro Ferreira (na foto), em Bugatti, com uma marca que viria a tornar-se novo record nacional: 203,735 km/hora. O anterior recordista, Henrique Lehrfeld, não foi autorizado a participar por não ter comparecido às verificações técnicas. O carro mais lento seria o DKW de Emídio Correia Guedes que não foi além de uns modestos 79 km/hora.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Sucesso no Trampolim do Diabo

"Trampolim do Diabo" era o nome por que era conhecido o circuito desenhado nas zonas da Gávea e Leblon, no Rio de Janeiro, com uma extensão de 11,760 metros. Traçado difícil e perigoso como se comprovaria em 1935 com a morte do piloto brasileiro Irineu Corrêa vítima de um acidente ocorrido logo na primeira volta do Grande Prémio que levou o seu carro a mergulhar nas águas turvas do canal do Leblon. O português Henrique Lehrfeld (na foto) arrancou da 37ª posição da grelha de partida mas isso não o impediu de levar o seu Bugatti T37A até ao segundo lugar da classificação geral realizando também a volta mais rápida ao circuito à média de 74,208 km/hora.


Vitória Ford no Estoril

Organizado pelas Forças Motorizadas da Legião Portuguesa realizou-se em Agosto de 1937 o II Circuito do Estoril, prova disputada num traçado com 2810 metros de extensão que era suposto ser percorrido por 30 vezes. Apenas cinco carros compareceram à partida: o Ford "Especial" de Manoel de Olviveira, os Bugatti de Jorge Monte Real e Henrique Lehrfeld, o Alfa Romeo de Benedito Lopes e o Maserati de E. K. Rayson. Na presença do Presidente da República, Óscar Carmona, e de uma grande assistência o Ford de Manoel de Oliveira viria a dominar a corrida não dando hipóteses a qualquer dos seus opositores.
Na foto do jornal O Volante vê-se à esquerda o Ford "Especial" de Manoel de Oliveira magnificamente preparado por Eduardo Ferreirinha na grelha de partida situada na Avenida Amaral junto à entrada norte do Casino. À direita o Bugatti de Jorge Monte Real.


III Quilómetro de Arranque do Campo Grande

Na presença do Presidente da República, general Óscar Carmona, disputou-se a 20 de Abril de 1930 a terceira edição do Quilómetro de Arranque do Campo Grande, em Lisboa, prova que contou com a participação de 45 concorrentes divididos por duas categorias, Corrida (14) e Sport (31). Em paralelo realizou-se uma corrida de motos e, como habitualmente, um Concurso de Elegância.
 Jorge Ortigão Ramos, em Auburn, venceu em Sport e Henrique Lehrfeld (na foto) venceu na categoria Corrida com o Bugatti Grand Prix 2 Litros acabado de adquirir em França por uma pequena fortuna (160 mil francos). Segundo a imprensa da época "apesar de entrar na meta com o motor a falhar o grande corredor cumpriu 3/4 do percurso numa velocidade verdadeiramente excepcional que lhe permitiu atingir a média de 104.681 km/h".
Registe-se a presença em prova na categoria Sport de uma senhora, D. Dália Mendes Xavier, que conseguiu a respeitável média de 63,135 km/h.

Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto
Foto - arquivos da família Lehrfeld


II Quilómetro Lançado das Caldas da Raínha

Disputou-se a 7 de Setembro de 1930 a segunda edição do Quilómetro Lançado das Caldas da Raínha, prova dirigida pelo Conde de Fontalva que teve lugar na chamada "recta da Tornada" num troço de estrada que os concorrentes declararam "em mau estado". De facto a pista apresentava-se tão mal tratada que os pilotos inscritos para a prova de motos decidiram não participar. Apesar disso os automóveis mantiveram-se na corrida tendo Henrique Lehrfeld, em Bugatti (na foto), vencido a categoria "Corrida" à velocidade de 178 km/hora enquanto que a vitória em "Sport" caberia a Luis Faleiro, em Isotta, à média de 125 km/h. Uma senhora, madame La Caze de Noronha, participou ao volante de um Amilcar e cumpriu o percurso à respeitável velocidade de 73 km/hora.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Tentativa Falhada no Parque

Em 1934 disputou-se o I Circuito do Parque Eduardo VII, prova organizada pelo Governo Civil de Lisboa em colaboração com o ACP que compreendia duas jornadas, uma disputada a 3 de Junho e outra um mês depois. A primeira jornada incluiu um corrida de motos e duas corridas de automóveis: uma de "baixas cilindradas" e outra de "grandes cilindradas". No final do programa Henrique Lehrfeld apresentou-se em pista com o seu Bugatti de corrida para uma tentar bater o record da volta mais rápida ao circuito. Mas as coisas não correram bem desta vez ao consagrado piloto lisboeta: logo na primeira volta o carro galgou o passeio, derrubou três árvores, voltou uma maca do serviço de socorros e em consequência Lehrfeld teve de receber tratamento no hospital. A fotografia gentilmente cedida pela família contém a legenda "Ai! Ai! a maca" como que a lembrar o que aconteceu naquela tarde de Julho.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Quilómetro Lançado do Mindelo 1930

A recta do Mindelo tinha um par de quilómetros de extensão e fazia parte da estrada que ainda hoje liga Vila do Conde ao Porto. Dotada de um piso de asfalto em excelentes condições rapidamente se tornou na "pista" mais rápida de Portugal permitindo que em 1930 os automóveis de corrida atingissem velocidades da ordem dos 200 km/hora, coisa até então nunca vista no nosso país. Foi o caso da prova chamada "Quilómetro Lançado do Mindelo" disputada em Novembro de 1930 e que atraiu nada menos que 32 concorrentes, 26 em "Sport "e 6 em "Corrida". Henrique Lehrfeld, em Bugatti, (na foto) viria a ser o grande vencedor à média de 194,122 km/hora, com Vasco Sameiro (Alfa Romeo) em segundo e Eduardo Ferreirinha (Ford) em terceiro, isto na categoria "Corrida". Em "Sport" o primeiro lugar foi para Roberto Sameiro (Alfa Romeo) à média de 133,704 km/hora.
Note-se que Henrique Lehrfeld tinha vencido dois meses antes o II Quilómetro Lançado das Caldas mas na altura não conseguiu ir além dos 178,120 Km/hora de média, uma velocidade substancialmente inferior aquela atingida no Mindelo.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Fórmula de Combustível

Em Junho de 1935 disputou-se no Circuito da Gávea o III Grande Prémio do Rio de Janeiro, prova que segundo os jornais da época terá sido presenciada por meio milhão de espetadores. Estiveram presentes três pilotos portugueses: Henrique Lehrfeld e Almeida Araújo em Bugatti T37A e Nunes dos Santos em Adler. Poucos dias antes da corrida Henrique Lehrfeld recebeu do piloto brasileiro Manuel de Tefflé a fórmula do combustível que este iria utilizar no seu Alfa Romeo. Os portugueses terminaram a corrida no segundo (Lehrfeld) e terceiro (Araújo) lugares ao fim de quatro horas de prova.



Campo Grande, 1932

A 3 de Abril de 1932 disputou-se em Lisboa o II Circuito do Campo Grande, por essa altura a única pista de automobilismo existente em Portugal. Presenciadas por uma enorme multidão e sob a presidência do Governador Civil de Lisboa disputaram-se duas provas de velocidade respectivamente nas categorias Sport e Corrida. Diogo Cabral (#24) venceu a categoria Sport ao volante do seu Bugatti cumprindo as vinte voltas do percurso à média de 107,506 km/h, uma velocidade mais que respeitável para a época. Na categoria Corrida o vencedor foi Gaspar Sameiro (#4), em Ford.
Fotos - Arquivo Digital da Torre do Tombo
Bibliografia - Diário de Lisboa 03-04-1932

II Circuito da Boavista

Num percurso desenhado na avenida com o mesmo nome, disputou-se em 1932 no Porto aquele que viria a ser designado por II Circuito da Boavista. A prova  consistia em percorrer durante 90 minutos  um traçado que consistia em duas rectas paralelas ligadas por curvas de 180 graus para a esquerda no final de cada uma, tudo isto em piso asfaltado. O carro que desse o maior número de voltas seria o vencedor. Nas imagens podem ver-se o Bugatti de Marques da Fonseca e o Opel de D. Palmira Coelho que assim marcou a primeira vez em que uma senhora disputou uma prova de velocidade em Portugal.
Fotos -  Centro de Documentação do ACP


Estoril 1937

Apenas cinco automóveis disputaram o Circuito do Estoril de 1937, prova a que assistiu o Presidente da República, Óscar Carmona. O vencedor seria Manoel de Oliveira, o conhecido cineasta, que tripulava um Ford V8 preparado por Eduardo Ferreirinha.
Segundo a revista "Stadium", Jorge Monte Real tencionava "rebentar" o Bugatti 35C que adquirira recentemente a Alfredo Marinho "para que o pai lhe desse outro".
Note-se em segundo plano o espaço das "boxes" e o painel informativo com os números dos concorrentes.

A apresentação dos "corredores" ao Presidente da República: Jorge Monte Real, Henrique Lehrfeld, Manoel de Oliveira, Rayson e Benedito Lopes
 Uma imagem da corrida junto da praia do Tamariz. O Alfa Romeo 8C 2300 de Benedito Lopes será ultrapassado pelo Ford V8 de Manoel de Oliveira.

Manoel de Oliveira a ser felicitado pelo Presidente da República no final da corrida.




III Quilómetro de Arranque do Campo Grande

A 20 de Abril de 1930 disputou-se o III Quilómetro de Arranque do Campo Grande, prova disputada nas categorias Sport e Corrida. Henrique Lehrfeld, em Bugatti Grand Prix, seria o vencedor absoluto à média de 104,681 Km/h. Abílio Nunes dos Santos e Eduardo Ferreirinha, tripulando Bugattis de cilindrada inferior, completariam o trio dos mais rápidos.
Note-se na tabela classificativa em baixo a menção ao facto de Henrique Lehrfeld ter ficado de apresentar comprovativo da cilindrada do seu Bugatti, neste caso superior a 3,000 centímetros cúbicos.
Segundo os jornais da época a prova despertou grande entusiasmo na capital tendo sido presenciada por milhares de pessoas.

 O vencedor - Henrique Lehrfeld, em Bugatti Grand Prix

Uma imagem da prova em que está patente o elevado número de espectadores que se deslocaram ao Campo Grande.
Em baixo, a classificação da categoria "Corrida" e o Peugeot nº 42 de Campos Júnior, o director do jornal O Volante que venceu a classe até 750 cc na categoria "Sport".

O Vencedor

Alfredo Marinho Júnior corta a meta como grande vencedor do I Circuito da Curia, disputado em 1927. Acontece que o Bugatti foi o único carro a apresentar-se à partida se descontarmos a colaboração de última hora de Carlos Moniz Pereira, um membro da organização chamado a participar com o seu automóvel de passeio para que o evento pudesse ser considerado uma "corrida".
Fotografia - Centro de Documentação do ACP