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Quilómetro de Arranque da Avenida

A 18 de Junho de 1922 disputou-se em Lisboa o "Quilómetro de Arranque da Avenida", prova que consistia em percorrer no menor tempo possível o trajeto de um quilómetro desenhado na Avenida da Liberdade e na disputa de várias eliminatórias até se chegar a uma finalíssima que decidiria o vencedor. Mais de 20 mil pessoas encheram todo o espaço disponível deixando apenas livres duas estreitas faixas de rodagem onde corriam os automóveis. Com organização do ACP e do jornal "O Século" a prova teve início ao princípio da tarde com a entrada em ação do Peugeot de José Teixeira dos Santos. 
A fase final colocou frente a frente o Fiat de António Guedes de Herédia e o Delage de Artur Mimoso bem como o Cole de António Augusto Nunes e o Daimler-Mercedes de Abílio Nunes dos Santos. Na finalíssima viriam a encontrar-se Abílio Nunes dos Santos e Artur Mimoso, com o primeiro a sagrar-se vencedor a uma média superior a 90 km/h.
Bibliografia - Ilustração Portugueza 1922



Os Carros "portugueses" de Charles Howard

Charles Howard é hoje uma das maiores autoridades mundiais no difícil e sofisticado mercado internacional de "clássicos". O livro An AUTObiography (Piston Power Press Ltd, 2014) conta a sua história desde o dia em que resolveu comprar uma modesta oficina / estação de serviço em Londres , Coys of Kensington, para montar um negócio de compra e venda de automóveis antigos que mais tarde viria a transformar-se na importante empresa internacional de leilões que existe hoje com o mesmo nome (COYS). Sempre atento ao mercado e às evoluções do mundo Charles Howard encontrou nos "problemas" de Portugal no pós-25 de Abril uma oportunidade de ouro para enriquecer a sua já então magnífica colecção. Desde logo com a aquisição do extraordinário Hispano-Suiza H6C 8 Litre Factory Competition Version que pertenceu a José Bandeira / Alves dos Reis durante o louco ano de 1925, carro que aparece na capa e na primeira página do livro, tal a sua importância. Mas não se ficariam por aqui as "compras" de Charles Howard no nosso país durante um período em que os portugueses pareciam apenas preocupados com o PREC e suas consequências. Ora vejam.

À esquerda a imagem do Hispano-Suiza de José Bandeira / Alves dos Reis tal como foi encontrado em Portugal em 1976 que faz a capa do livro. Na primeira página (à direita) aparece o mesmo carro já depois de recuperado.

Este Mercedes-Benz Type 290 Stromlinien-Limousine de 1935 (em baixo) foi também encontrado em Portugal em meados da década de 70. Caracteriza-se por ter uma "barbatana" longitudinal que percorre toda a carroçaria, único exemplar deste modelo com este tipo de preocupação "aerodinâmica". O carro pertence hoje ao Museu Daimler-Benz de Stuttgart, o que diz bem da sua relevância para a história da marca.

Outro carro particularmente interessante "descoberto" em Portugal por Charles Howard foi o Austro Daimler "Bergmeister" chassis nº 27019/62 de 1932. Apenas 50 exemplares deste modelo concebido por Ferdinand Porsche foram produzidos devido à crise económica que abalou o mundo e os Estados Unidos em particular durante os anos 30.
                                                                                                                                                                 
O extraordinário Talbot Lago Super Sport de 1938 da imagem que se segue foi também português e, nas palavras do autor do livro, vendido para Inglaterra durante o conturbado período que se seguiu à "feliz" transição de ditadura para democracia no nosso país. Por razões comerciais ainda não completamente esclarecidas este carro tinha a marca Darracq em Portugal. A lindíssima e invulgarmente (para a época) aerodinâmica carroçaria é da autoria de Figoni.

Na garagem do agente Ford para a cidade do Porto estavam o elegante Pierce Arrow 8-Limousine de 1937 (esq), um dos últimos automóveis produzidos por esta magnífica marca americana antes de declarar falência e o interessante Ford AA "Camping Wagon" (dir) cujo interior oferecia um amplo espaço para refeições que podia converter-se rapidamente num quarto com dois beliches com capacidade para quatro pessoas.

Com agradecimentos a Carlos Barbosa da Cruz, coleccionador e entusiasta.

Matheus Oliveira Monteiro

Na história do automobilismo em Portugal constam dois Matheus Oliveira Monteiro, por sinal pai e filho. O primeiro, nascido no Porto em 1874, deixou a sua marca em 1906 ao fazer os dois mil quilómetros da ligação Paris - Lisboa ao volante do seu Hotchkiss à então extraordinária média de 40 km/hora. Foi também a primeira pessoa a obter uma "carta de condução" no norte do país, como se confirma pelo documento junto. O filho, Matheus Ferraz Oliveira Monteiro, foi um conhecido homem de negócios ligado ao comércio automóvel sendo agente da Lancia em Lisboa e proprietário de um dos poucos automóveis produzidos pela marca "Jean Gras" durante a sua curta existência (1924-1927). Participou em alguns concursos de elegância automóvel com este carro mas não se lhe conhecem participações em provas desportivas.

                                                              A primeira licença de condução atribuída no norte de Portugal




O carro de Alves dos Reis e Cia

Encontrado agora à venda no stand de Francisco Pueche na Techno Classica de Essen este belíssimo Hispano-Suiza H6C "Boulogne" 8 Litre Competition (chassis #11441) era em 1925 o automóvel de passeio de Alves dos Reis e do seu cúmplice José Bandeira, cujo nome aparecia como titular no registo automóvel. Recorde-se que estes dois personagens foram os principais responsáveis por uma das maiores burlas do século XX que envolveu o Banco de Portugal e o recém formado Banco de Angola e Metrópole, fundado pelos falsários para "branquear" as notas não autorizadas emitidas pela mesma empresa que produzia as notas legítimas que circulavam em Portugal.
Embora se tratasse de um carro de corrida não se conhecem até ao momento registos da sua participação em eventos desportivos realizados em Portugal. Após a prisão de Alves dos Reis e José bandeira o Hispano-Suiza foi leiloado em hasta pública em 1927, permanecendo em Portugal até 1976, altura em que foi vendido para Inglaterra.
A designação "Boulogne" destina-se a celebrar a vitória de um outro Hispano-Suiza pilotado por Paul Dubonnet na Coupe George Boillot de 1921, prova disputada no Circuito de Boulogne.






Circuito da Conraria, Coimbra 1927

A 7 de setembro de 1927 disputou-se pela primeira vez uma corrida de automóveis na cidade de Coimbra, uma organização do Sport Club Conimbricense que decorreu num percurso traçado na zona da Conraria ao qual acorreram milhares de espectadores. Na imagem vê-se um dos concorrentes a passar junto ao monumento a Joaquim António de Aguiar perante uma multidão entusiasmada.
Os vencedores nas diversas categorias foram:
Categoria Turismo - Bernardo Gouveia, em Lancia
Categoria Sport 1500 cc - Eduardo Ferreirinha, em Turcat Mery
Categoria Sport 3000 cc - Vasco Sameiro, em Cottin & Desgouttes
O Lancia de Bernardo Gouveia viria a ser declarado vencedor absoluto, o que levou o piloto a declarar à Gazeta de Coimbra que "o Lancia venceu devido à sua melhor adaptação aos caminhos a que em Portugal se dá o nome de estradas". Estava tudo dito.

Foto - Arquivo Digital da Torre do Tombo
Bibliografia - Gazeta de Coimbra, 8 de setembro de 1927



Ilustração Portugueza

Imperdível esta descrição de uma prova automobilística realizada em Junho de 1922 na Avenida da Liberdade em Lisboa a qual consistia em várias eliminatórias disputadas entre dois carros de cada vez. O vencedor seria Abílio Nunes dos Santos que conduzia um Daimler. A reportagem vem na edição número 853 da revista "Ilustração Portugueza", por coincidência a mesma onde se dá a notícia da travessia aérea do Atlântico Sul realizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral

Apenas um Percalço

Em Agosto de 1925 Fernando Palhinhas (pai) participou no Circuito de Trás-os-Montes, prova disputada em Chaves que venceu categoricamente. Porém, naquele tempo não havia reboques nem "trailers" para transportar os carros de corrida, pelo que estes tinham que se deslocar pelos seus próprios meios. Como se tal não bastasse, as estradas (?) deixavam muito a desejar. Não admira portanto que nem sempre as viagens tivessem um final feliz, tal como viria a acontecer quando do regresso do ilustre piloto e construtor à sua cidade natal, Porto. Felizmente Fernando Palhinhas escapou ileso e semanas depois estava novamente a competir.
Foto - centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Os Automóveis FAP - Fernando Palhinhas", António Menérres e José Barros Rodrigues


Raid a Estremoz

Nash - Packard no Raid Automóvel a Estremoz, 1927
Fotografia dos estúdios Mário Novais, Biblioteca de Arte Calouste Gulbenkian


O Vencedor

Alfredo Marinho Júnior corta a meta como grande vencedor do I Circuito da Curia, disputado em 1927. Acontece que o Bugatti foi o único carro a apresentar-se à partida se descontarmos a colaboração de última hora de Carlos Moniz Pereira, um membro da organização chamado a participar com o seu automóvel de passeio para que o evento pudesse ser considerado uma "corrida".
Fotografia - Centro de Documentação do ACP


Bugatti Type 37 Sport

Produzido em 1926, o Bugatti matrícula N-4997 (mais tarde MN-49-97) que venceu o Grande Prémio da Curia de 1927 pelas mãos de Alfredo Marinho veio para Portugal por encomenda de Eduardo Ferreirinha. Mais tarde viria também a pertencer a José Cardoso de Menezes.


Quilómetro Lançado da Boavista

A primeira edição do Quilómetro Lançado da Boavista teve lugar a 26 de Agosto de 1923, tendo como vencedor o Mercedes de Abílio Nunes dos Santos. Carlos Eduardo Bleck (na imagem) em Delage, não iria além do 5º lugar mas voltaria em 1925 para conquistar a vitória absoluta na segunda edição desta mesma prova entre 19 automóveis, desta vez ao volante de um Bugatti. Com este mesmo carro e ainda em 1925 Carlos Bleck viria a vencer o I Circuito do Estoril, terminando a corrida com uma vantagem de 3 segundos sobre  Abílio Nunes dos Santos, em Mercedes.
Foto - Sofia Bleck


Grande Prémio da Curia 1927

Em Julho de 1927 disputaram-se o Grande Prémio da Curia e o Grande Prémio de Turismo da Curia, provas organizadas pelo ACP e apoiadas pelo jornal "O Século". A primeira constava de um percurso de 150 km, ficando-se a segunda por uns mais modestos 105 km de extensão. Compareceram 14 concorrentes, a maioria vindos do sul do país, sendo que apenas um participou no Grande Prémio da Curia (Alfredo Marinho Júnior, depois secundado por Moniz Pereira, um dos membros do júri). Na corrida do Grande Prémio de Turismo da Curia participaram António Guedes de Herédia, Frederico Fontalva, Abílio Nunes dos Santos, D. António Herédia, Eduardo Ferreirinha, João Eugénio Palma de Azevedo, Mário Ferreira, Fernando Palhinhas, Sanches de Castro, António Burnay, Tude Magão e Rogério Marques. O vencedor seria Eduardo Ferreirinha. O concorrente Mário Ferreira foi desclassificado por se ter despistado e percorrido mais 600 metros que o previsto.

Foto- Biblioteca de Arte Calouste Gulbenkian
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Volta a Portugal 1927

Mais do que uma prova automobilística, a Volta a Portugal de 1927 constituiu um grande desafio que uma única equipa decidiu enfrentar. Através de um Portugal rural e subdesenvolvido, sem estradas dignas desse nome, Carlos Moniz Pereira, na altura director do ACP, formou a sua equipa e dispôs-se a percorrer o país de "lés-a-lés", facto que constituiria um primeiro "record" nacional.
O carro escolhido foi o FN de 10 HP, no qual se fez acompanhar por Artur Mimoso, pelo fotógrafo David Benoliel e por Filipe Vilhena, este na condição de "controlador" do ACP. Com o apoio dos jornais "O Século" e "Primeiro de Janeiro", os intrépidos automobilista partiram de Cacilhas a 17 de Julho de 1927 e logo ao fim do primeiro dia de viagem tiveram uma paragem forçada de quatro horas em Odeceixe à espera que as águas baixassem para poderem prosseguir rumo ao Algarve.
Filipe Vilhena adoeceu pouco depois e regressou a casa, pelo que apenas Moniz Pereira, Artur Mimoso e Benoliel se apresentaram à chegada aos Restauradores na madrugada do dia 23, ao fim de 94 horas e 40 minutos de intensa aventura, sem que o valoroso "FN" sofresse qualquer avaria. A equipa apenas teve que lidar com os inevitáveis "furos" provocados pelo péssimo estado das estradas nos frágeis pneus de então.
António Félix da Costa, Pedro Bordalo Pinheiro, Ferreira de Castro e Joshua Benoliel estavam entre a distinta comissão de boas vindas que se apresentou na Praça dos Restauradores para receber os "Heróis" que tinham pela primeira vez atravessado Portugal em automóvel. Um verdadeiro prodígio em 1927.
Fotografia - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Grande Prémio da Curia 1927

Em 30 de Julho de 1927 disputou-se o Grande Prémio da Curia, nome algo pomposo para uma prova organizada pelo Automóvel Club de Portugal que contava apenas com uma inscrição, o Bugatti de Alfredo Marinho Júnior (na foto). Para compor as coisas foi pedido a Carlos Moniz Pereira que deixasse as funções de membro do júri e alinhasse na corrida com o seu FN. Alfredo Marinho Júnior demorou 2 horas, 15 minutos e 50 segundos para percorrer os 150 quilómetros que compunham a prova traçada num circuito que passava por Mealhada, Luso e Anadia, com partida e chegada na Curia. Carlos Moniz Pereira chegou 13 minutos depois.

Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Calixto
Fotografia - Centro de Documentação do ACP




I Salão Automóvel de Lisboa

Em 1925 realizou-se no Coliseu dos Recreios o I Salão Automóvel de Lisboa, evento que atraiu milhares de visitantes e revelou um impressionante dinamismo num comércio automóvel que dava ainda os primeiros passos em Portugal.
As fotografias são dos Estúdios Mário Novais, Biblioteca de Arte Calouste Gulbenkian







Os Verdadeiros Heróis

Circunstâncias existem em que os verdadeiros Heróis são os cidadãos portugueses, simples e singularmente anónimos, como uma vez mais se revela neste gesto invulgar em que por subscrição pública realizada em 1929 o povo oferece um automóvel Chevrolet ao seu Presidente da República, Marechal Óscar Carmona. O Estado, já então falido e sem recursos, não tinha capacidade financeira para dar ao seu agente máximo uma viatura com a dignidade que o cargo exigia.

Fotografia - Estúdios Mário Novais
Biblioteca de Arte - Fundação Calouste Gulbenkian

II Rampa da Pimenteira 1922

A 4 de Maio de 1922 disputou-se na zona de Lisboa a II Rampa da Pimenteira. A prova foi ganha pela dupla Artur Mimoso / Plácido Duro, em Delage. Era um carro com motor seis cilindros, válvulas à cabeça, carburador duplo e dupla inflamação por magneto. Tinha o capot motor construído em alumínio e uma carroçaria especial oferecida por Delage. Em 2º lugar chegou Palma de Vilhena, em Alfa Romeo,  em 3º José Ferreirinha, em Bugatti e em 4º Medeiros e Almeida, em MG Cowley.

Os vencedores, com a Taça Goodyear

A primeira corrida de automóveis em Portugal?
A prova da Pimenteira de 1922 pretendia celebrar o 20º aniversário da primeira corrida de automóveis em Portugal, ocorrida a 27 de Outubro de 1902 entre a Figueira da Foz e Lisboa. O vencedor foi o dr Tavares de Melo, que fez o percurso em 6 horas e 27 minutos. Esta informação consta do boletim do ACP, mas o tempo gasto parece muito pouco atendendo à distância, bem como aos automóveis e às estradas da época. Haverá quem possa confirmar isto?


"Figueira da Foz-Lisboa, 1902. Tavares de Melo e o seu Darraq  foram desclassificados. O condutor do carro de Tavares de de Melo foi um francês de nome Edmond, mas como o combóio em que viajou de Parispara Portugal chegou com atraso ele apenas pegou no carro em Coimbra, dai a desclassificação .
O vencedor acabou por ser um italiano de nome Bordino, ao volante do Fiat do Infante D Afonso, o célebre "arreda" que assim ficou conhecido pois era o que o Infante dizia às pessoas para saírem da frente do Fiat quando circulava em Lisboa."

Luis Sousa.

Jean Gras

Esta imagem, obtida em frente ao Hotel do Parque (ou das Termas, como também era conhecido) do Estoril, documenta a participação de Mateus Oliveira Monteiro no desfile de automóveis realizado em 1927. O carro utilizado para a ocasião era um "Jean Gras", de fabrico francês, uma marca que teve uma existência precária (1924 / 1927) e da qual não se conhecem resultados desportivos de relevo.

Fotografia - Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, estúdios Mário Novais.


Carlos Moniz Pereira

Carlos Moniz Pereira (ao volante) terá sido o primeiro português a dar a Volta a Portugal em automóvel, proeza conseguida em 1927 numa altura em que partes do país só eram acessíveis com recurso a burros e outros animais de carga e transporte. Moniz Pereira era o representante para Portugal da marca FN, um gigante da indústria metalo-mecânica da Bélgica que se dedicava essencialmente ao fabrico de armamento mas que também produzia bicicletas e automóveis, pelo que o veículo utilizado nesta aventura só podia ter sido um "FN". Não se conhecem detalhes desta epopeia, mas Moniz Pereira filho (o treinador do Sporting) conta que os corajosos Heróis de então foram forçados a utilizar barcaças e parelhas de bois para atravessarem rios e riachos de Portugal em locais onde muitas pessoas não sabiam sequer o que era uma ponte.

Fotografia - arquivo do ACP




Alfredo Marinho Júnior

Fotografia de Mário Novais datada de 30 de junho de 1927 e referente ao chamado Grande Prémio da Curia, uma prova disputada num circuito que percorria Anadia, Luso e Mealhada, com partida e chegada na Curia. A extensão da corrida era de 150 km, o que significava que o circuito, com cerca de 37 km de perímetro, teria de ser percorrido quatro vezes. Alfredo Marinho Júnior, na foto, seria o vencedor e era também o único piloto inscrito para o "Grande Prémio". Para evitar embaraços maiores, Carlos Moniz Pereira (pai do prestigiado treinador de atletismo com o mesmo nome) abandonou temporariamente as suas funções de Director e Júri do ACP e alinhou o seu FN, marca de que era representante em Portugal, para partir um minuto depois do Bugatti. Acabaria batido por 13 minutos e 31 segundos mas deu um pouco mais de dignidade à prova. Uma das rodas da frente do "FN" aparece do lado direito da fotografia.

Fotografia - Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Calisto - "Subsídios para a história do automobilismo em Portugal, 1908-1940"